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Fandom: Record of ragnarok

Criado: 09/06/2026

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O Trono de Vidro e o Som das Risadas

A arena do Valhalla estava mergulhada em um silêncio atípico. Deuses e humanos, que outrora se enfrentaram em duelos de vida ou morte, estavam agora reunidos em um anfiteatro neutro, convocados por uma fenda temporal que prometia mostrar "a verdade por trás das coroas". Brunhilde, ao lado de uma apreensiva Göll, observava as figuras lendárias sentadas em lados opostos, mas sem a sede de sangue habitual.

Zeus, sentado em seu trono dourado, acariciava a barba com curiosidade. Ao seu lado, Poseidon mantinha a postura gélida, embora seus olhos seguissem o movimento de Hades, que parecia estranhamente desconfortável. No lado da humanidade, Qin Shi Huang estava sentado em uma poltrona que ele mesmo trouxe, com os pés sobre o encosto de outra cadeira, ignorando completamente as etiquetas.

— Ei, Imperador, você parece nervoso — provocou Kojiro Sasaki, limpando sua espada com um pano velho.

— Onde o rei se senta, existe apenas paz — respondeu Qin, embora o sorriso em seu rosto fosse um pouco mais tenso que o normal. — Apenas aproveitem a visão da minha grandeza.

A tela de luz à frente de todos começou a brilhar, revelando os jardins internos do palácio de Helheim. O cenário era sombrio e majestoso, mas o que se passava ali era tudo, menos solene.

— Eu disse que você não me pegaria, Hades! — A voz de Qin ecoou na projeção, carregada de uma audácia que fez Ares engasgar com o próprio néctar.

Na tela, o Primeiro Imperador da China corria pelos corredores de obsidiana, as fitas de suas vestes reais flutuando atrás dele como asas de um pássaro exótico. Ele não usava sua venda; seus olhos brilhavam com uma alegria travessa que poucos ali tinham visto.

Logo atrás dele, Hades, o Rei do Submundo, movia-se com uma elegância assustadora. Ele não corria como um louco; ele dava passos largos e precisos, o manto púrpura ondulando, mas havia um sorriso genuíno e relaxado em seus lábios que fez Beelzebub arregalar os olhos.

— Você é rápido, Ying Zheng — a voz de Hades na tela era profunda, mas destituída daquela seriedade mortal que apresentou na arena. — Mas Helheim é o meu domínio. Não há para onde fugir.

Na audiência, os deuses estavam em choque. Thor cruzou os braços, observando atentamente.

— Ele está... brincando de pega-pega? — perguntou Shiva, as quatro mãos gesticulando em confusão. — O soberano do submundo e o imperador dos homens estão se perseguindo como crianças?

— Isso é ridículo — murmurou Poseidon, embora não desviasse o olhar.

— É o amor, irmão! — Zeus soltou uma gargalhada estrondosa. — Olhe para eles! Hades parece dez mil anos mais jovem.

Na tela, Qin Shi Huang saltou sobre um divã de veludo, virando-se para trás para mostrar a língua para o deus.

— Onde eu piso é o meu território! — exclamou Qin, rindo. — Você é apenas um convidado na minha rota de fuga!

Ele começou a subir uma escadaria monumental de mármore negro que levava aos terraços superiores. Hades acelerou o passo, a mão estendida quase tocando a ponta do manto de Qin.

— Se eu te pegar, você terá que admitir que meu chá é melhor que o seu! — desafiou Hades, o brilho de competitividade em seus olhos sendo puramente lúdico.

— Jamais! — Qin gritou, olhando por cima do ombro, a risada borbulhando em sua garganta. — O rei nunca se curva a mentiras, nem mesmo as de um marido bonitão!

Foi nesse momento que a confiança absoluta de Qin encontrou seu único inimigo: a física. Ao olhar para trás para zombar de Hades, seu pé prendeu na bainha longa de sua túnica cerimonial.

O tempo pareceu desacelerar na projeção.

— Cuidado! — gritou o Hades da tela, seu rosto mudando instantaneamente de diversão para preocupação absoluta.

Qin Shi Huang tropeçou. Não foi um tropeço elegante. Ele perdeu o equilíbrio completamente, os braços girando no ar como moinhos de vento enquanto ele começava a rolar escada abaixo.

— Oh, pelos deuses! — Göll cobriu os olhos.

Na arena real, o Qin atual afundou em sua cadeira, cobrindo o rosto com a mão, enquanto o Hades real pigarreou, subitamente muito interessado no teto.

Na tela, o som era uma mistura caótica de baques surdos e... risadas. A cada degrau que Qin atingia, em vez de gemidos de dor, ouvia-se uma gargalhada histérica. Ele finalmente parou na base da escada, estirado como uma estrela do mar, com a coroa torta e o cabelo bagunçado.

Hades chegou ao pé da escada em um segundo, ajoelhando-se ao lado dele com o coração na mão.

— Zheng! Você está bem? Fale comigo! — Hades examinava o rosto do imperador, as mãos tremendo levemente de preocupação.

Qin Shi Huang abriu um olho, depois o outro. Ele olhou para o rosto pálido e ansioso de Hades e começou a rir ainda mais alto, as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos.

— Você... — Qin tentou falar entre os soluços de riso. — Você devia ter visto a sua cara! Parecia que tinha visto um fantasma... e você é o rei dos fantasmas!

Hades piscou, o choque sendo substituído por uma irritação carinhosa. Ele suspirou, fechando os olhos por um momento antes de encostar a testa na de Qin.

— Você é um idiota, sabia? Poderia ter se machucado seriamente.

— Eu sou o Rei de Qin! — Qin sentou-se, ainda rindo, e puxou Hades pelo pescoço para um abraço desajeitado. — Escadas não podem derrotar aquele que unificou a China. Mas admito... a queda foi digna de um imperador.

Hades soltou uma risada curta e anasalada, abraçando-o de volta e escondendo o rosto no ombro de Qin.

— Sim, uma queda majestosa, meu imperador teimoso.

A tela se apagou, deixando o anfiteatro em um silêncio absoluto que durou dez segundos inteiros.

— Hahahaha! — Nikola Tesla foi o primeiro a quebrar o gelo, batendo palmas. — Que demonstração fascinante de gravidade e afeto! A força do impacto foi compensada pela energia potencial do humor!

— Isso foi... inesperado — disse Héracles, com um sorriso gentil. — É bom ver que meu tio encontrou alguém que traz luz ao seu reino sombrio.

— Que humilhação — resmungou Leônidas I, embora estivesse acendendo um charuto com um ar de quem achou a cena engraçada. — Cair da escada por estar brincando? Onde está a dignidade?

— A dignidade está em rir da própria desgraça, espartano — disse Jack, o Estripador, tomando um gole de chá. — As cores deles eram tão vibrantes... Um rosa suave de afeto misturado com o dourado da alegria pura. Foi encantador.

Qin Shi Huang finalmente removeu a mão do rosto, recuperando sua postura arrogante, embora suas orelhas estivessem levemente vermelhas.

— Como eu disse — começou Qin, olhando para os outros deuses e humanos —, até mesmo em uma queda, eu sou o centro das atenções. Hades só estava tentando acompanhar o meu ritmo.

Hades, que estava sentado a alguns metros de distância, olhou para Qin. Seus olhos se encontraram. Não havia a barreira do ódio ou da competição do Ragnarok ali.

— Da próxima vez — disse Hades, alto o suficiente para que todos ouvissem —, eu vou colocar tapetes em todas as escadas do palácio.

— Você não ousaria desafiar minha habilidade de caminhar, Hades! — retrucou Qin, apontando um dedo para ele. — O rei caminha onde deseja!

— E o rei cai onde não olha — rebateu Hades com um sorriso de canto.

— Ora, seu...

— Silêncio! — gritou Odin, visivelmente irritado com a falta de seriedade. — Estamos aqui para decidir o destino da existência, não para ver o Rei do Submundo agir como um adolescente apaixonado.

— Oh, cale a boca, velho — disse Buda, mastigando um doce. — Foi a melhor coisa que aconteceu neste torneio até agora. Ei, Qin! Na próxima vez, tenta um mortal para trás, vai ser mais épico!

Qin Shi Huang sorriu abertamente, a confiança restaurada. Ele olhou para Hades e piscou. O deus apenas balançou a cabeça, mas o brilho em seus olhos deixava claro que, para ele, aquela memória era mais valiosa do que qualquer vitória na arena.

— Bem — disse Brunhilde, tentando retomar o controle da situação —, agora que vimos o lado... doméstico de nossos combatentes, podemos voltar ao que importa?

— Espera aí! — gritou Okita Soji, pulando no assento. — Eu quero ver se o Hades realmente faz um chá melhor que o do Qin! Isso sim é uma batalha que eu pagaria para ver!

— O chá de Qin é amargo como a vontade dele — comentou Hades, cruzando as pernas de forma elegante.

— E o chá de Hades é tão doce que parece que ele quer me subornar! — exclamou Qin.

Enquanto a discussão entre deuses e humanos recomeçava, agora com um tom muito menos mortal e muito mais caótico, Qin e Hades trocaram um último olhar cúmplice. No fim das contas, entre tronos, guerras e o destino do mundo, eles tinham encontrado algo que nem mesmo a morte ou o Ragnarok poderia tirar: a capacidade de rir juntos enquanto rolavam pelas escadas da eternidade.
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