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O melhor amigo do meu vizinho

Fandom: BTS, Now United, Any Gabrielly, Jeon Jungkook

Criado: 10/06/2026

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RomanceUA (Universo Alternativo)DramaFatias de VidaHistória DomésticaGravidez Não Planejada/IndesejadaFofuraHumor
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Linhas Cruzadas e Noites em Claro

O sol de fim de tarde em Seul ainda teimava em entrar pelas frestas da janela, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. Any Gabrielly ajeitou os cachos volumosos em um coque frouxo, bufando enquanto conferia a mensagem no celular pela terceira vez. A Sra. Kim, mãe de Taehyung, era um doce de pessoa, mas seu filho era, sem dúvida, o ser mais desligado do planeta.

— Shiv, estou indo lá no Tae! — gritou Any, pegando as chaves sobre a mesa. — Ele esqueceu de novo de alimentar o Yeontan e a mãe dele está desesperada no trabalho.

Shivani apareceu no corredor, com um livro de literatura coreana nos braços e um sorriso gentil.

— O Taehyung sendo o Taehyung — comentou a indiana com sua voz suave. — Quer que eu vá junto? Eu terminei meu resumo agora.

— Não precisa, amiga. Eu vou rapidinho, dou a ração e volto. Mas se quiser ir para ver "alguém", eu não me importo de segurar vela — Any piscou, fazendo Shivani corar instantaneamente.

— Any! Não é nada disso...

— Sei, sei. Até daqui a pouco!

Any atravessou o corredor do prédio com o passo animado que lhe era característico. Ela não tinha filtros, não usava máscaras e sua energia brasileira parecia contagiar até o mais ranzinza dos vizinhos. Ao chegar na porta de Taehyung, ela usou a cópia das chaves que possuía e entrou sem cerimônias.

— Taehyung! Se o Yeontan morreu de fome, eu juro que te jogo pela janela! — exclamou ela, entrando na sala.

Mas o que ela encontrou não foi apenas o amigo desastrado. Sentado no sofá, com os olhos fixos na tela da TV e um controle de videogame nas mãos, estava um rapaz que Any nunca tinha visto de perto, embora já tivesse ouvido boatos sobre o "melhor amigo misterioso".

Ele era a definição de intensidade. Cabelos pretos e lisos caíam levemente sobre os olhos, um piercing brilhava no arco da sobrancelha e outro no lábio inferior. O braço direito era fechado por tatuagens detalhadas que desapareciam sob a manga da camiseta preta. Ele não sorriu ao vê-la. Apenas desviou o olhar da tela por um segundo, seus olhos escuros perfurando a alma de Any antes de voltarem ao jogo.

— Ah, Any! Você chegou! — Taehyung surgiu da cozinha, com um saco de salgadinhos aberto. — Desculpa, eu me distraí. O Jungkook veio aqui e a gente perdeu a noção do tempo.

— Percebi — Any colocou as mãos nos quadris, ignorando o frio na barriga que o tal Jungkook lhe causou. — O coitado do cachorro estava chorando na lavanderia, Taehyung. Você não tem jeito.

Ela caminhou até a cozinha, pegou o pote de ração e serviu o pequeno Yeontan, que abanava o rabo freneticamente. Enquanto fazia isso, sentiu que estava sendo observada. Ao voltar para a sala, Jungkook continuava em silêncio, mas sua postura era tensa.

— Esse é o Jeon Jungkook — apresentou Taehyung, sentando-se novamente. — Kook, essa é a Any. Minha vizinha e a pessoa que impede que eu seja processado por maus-tratos a animais.

Jungkook apenas assentiu com a cabeça, um movimento curto e seco.

— Prazer — disse Any, com seu sorriso mais radiante, aquele que costumava desarmar qualquer um.

— Oi — respondeu ele. A voz era grave, baixa e enviou um calafrio pela espinha dela.

— A Shivani está lá em casa morrendo de tédio — Any comentou, sentando-se no braço do sofá. — Meus pais saíram para um jantar de negócios e os seus também, não é, Tae?

— Sim, a casa está livre. Por que não chamamos ela e fazemos uma noite de filmes? — Taehyung sugeriu, os olhos brilhando. — Jungkook, você fica, né?

Jungkook deu de ombros, sem tirar os olhos do jogo.

— Tanto faz.

— Isso é um sim no idioma do Jungkook — Taehyung riu.

Vinte minutos depois, Shivani chegou, trazendo consigo uma aura de timidez que contrastava perfeitamente com a empolgação de Taehyung. O clima na sala mudou; Taehyung parecia fazer de tudo para tirar um sorriso da indiana, enquanto Any se viu sentada no chão, encostada no sofá, bem ao lado de onde Jungkook estava.

Eles pediram pizza e escolheram um filme de terror. As luzes foram apagadas, restando apenas o brilho da tela e alguns abajures distantes. Conforme a trama avançava, a proximidade entre Any e Jungkook tornava-se eletrizante. Ela conseguia sentir o calor que emanava do corpo dele.

— Você não se assusta? — a voz de Jungkook surgiu do nada, quase um sussurro, perto do ouvido de Any.

Ela virou o rosto para encará-lo. No escuro, as tatuagens dele pareciam sombras em movimento.

— Eu? Não. Já vi coisas muito mais assustadoras na vida real do que em filmes — Any respondeu desafiadora, mantendo o contato visual. — E você? Parece que nada te abala.

Jungkook deu um meio sorriso, o primeiro que ela viu. Foi rápido, quase imperceptível, mas mudou tudo.

— Eu só sei esconder bem — confessou ele.

Enquanto Taehyung e Shivani estavam imersos em um mundo à parte no outro canto do sofá — trocando olhares cúpidos e sussurros baixos —, Any e Jungkook iniciaram uma conversa silenciosa. Não precisavam de muitas palavras. Havia uma tensão ali, uma curiosidade mútua que queimava. Any, sendo a pessoa extrovertida que era, não recuou. Ela tocou levemente o braço tatuado dele, sentindo a firmeza dos músculos.

— Você é muito sério, Jeon Jungkook. Devia relaxar mais.

— E você é muito barulhenta, Any Gabrielly — rebateu ele, mas não retirou o braço. Pelo contrário, aproximou-se mais. — Mas não é uma coisa ruim.

O filme tornou-se apenas um ruído de fundo. Quando Taehyung e Shivani decidiram ir para a varanda "ver as estrelas" (ou qualquer outra desculpa que Taehyung inventou para ficarem sozinhos), a sala mergulhou em um silêncio carregado.

— Eles não voltam tão cedo — Any comentou, sentindo seu coração acelerar.

— Eu sei — Jungkook disse, sua mão agora subindo para o pescoço de Any, os dedos roçando a pele macia sob os cachos.

O beijo começou lento, uma exploração cautelosa de dois mundos opostos. A intensidade de Jungkook, que antes parecia fria, revelou-se um fogo avassalador. Any respondeu com toda a sua passionalidade brasileira, as mãos perdidas nos cabelos pretos dele. Naquela noite, entre sombras e sussurros, a seriedade de Jungkook desmoronou diante da entrega de Any.

***

Um mês depois.

O céu de Seul estava cinzento, condizendo com o humor de Any. Ela estava sentada no chão do banheiro de seu apartamento, encarando um pequeno objeto de plástico sobre a pia.

Duas linhas vermelhas.

— Não pode ser... — sussurrou para si mesma, as mãos tremendo.

Ela e Jungkook não tinham se falado muito desde aquela noite. Ele continuava sendo o cara fechado, e ela, por orgulho ou medo de parecer pegajosa, não o procurou. Mas o destino tinha planos diferentes para a vida da garota que só queria alimentar um cachorro.

A porta do banheiro foi levemente batida.

— Any? Você está aí há muito tempo. Está tudo bem? — era a voz de Shivani.

Any respirou fundo, abriu a porta e estendeu o teste para a amiga. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

— Oh, Any... — Shivani a abraçou com força. — O que você vai fazer?

— Eu não sei — Any sentiu uma lágrima solitária escorrer. — Ele mal fala comigo. Como vou dizer ao Jungkook que ele vai ser pai?

Shivani se afastou um pouco, segurando os ombros de Any.

— Você não está sozinha. O Taehyung é o melhor amigo dele, ele vai ajudar a mediar isso. Mas você precisa contar. Ele tem o direito de saber, e você tem o direito de não carregar isso sozinha.

Any olhou para o próprio reflexo no espelho. A garota carismática e forte ainda estava lá, mas agora havia um novo medo em seus olhos castanhos. Ela sempre foi autêntica, nunca se fingiu de santa. Aquela era a sua realidade agora.

— Você tem razão — Any limpou o rosto com as costas das mãos. — Eu vou falar com ele. Hoje.

Naquela mesma tarde, Any caminhou até o apartamento de Taehyung. Seus pés pareciam de chumbo. Quando Taehyung abriu a porta, seu sorriso habitual desapareceu ao ver o estado da amiga.

— Any? O que aconteceu?

— O Jungkook está aí? — ela perguntou, a voz falhando.

— Está, sim. A gente ia sair para comer. Entra.

Jungkook estava na sala, calçando os tênis. Ele levantou o olhar e, ao ver Any, parou o que estava fazendo. A seriedade habitual continuava lá, mas houve um lampejo de preocupação em seus olhos intensos.

— Any? — ele pronunciou o nome dela como se fosse uma prece.

Taehyung, percebendo o clima pesado, olhou de um para o outro e recuou.

— Eu... vou ver como a Shivani está. Juízo, vocês dois.

Quando a porta se fechou, o silêncio se instalou. Jungkook se levantou, caminhando lentamente até ela.

— Você parece que viu um fantasma. O que foi?

Any respirou fundo, sentindo o perfume amadeirado dele que ainda a assombrava nos sonhos. Ela não era de rodeios. Nunca foi.

— Jungkook, lembra daquela noite? Depois do filme?

Ele desviou o olhar por um segundo, a mandíbula travada.

— Eu não esqueci um segundo sequer.

— Pois é — Any soltou um riso nervoso, sem humor. — Parece que aquela noite vai durar a vida inteira.

Ela tirou o teste do bolso do casaco e entregou a ele. Jungkook pegou o objeto, as mãos tatuadas contrastando com o plástico branco. Ele ficou em silêncio por um longo tempo, os olhos fixos no resultado positivo.

— Um mês... — ele murmurou.

— Sim. Eu descobri hoje.

Any esperava qualquer coisa. Esperava que ele ficasse bravo, que negasse, ou que simplesmente saísse pela porta. Mas Jungkook fez algo que ela nunca imaginou. Ele deu um passo à frente e reduziu a distância entre eles, encostando a testa na dela.

— Eu não sou bom com palavras, Any. Você sabe disso — ele disse, a voz mais baixa do que nunca. — E eu não planejei isso. Mas eu não vou a lugar nenhum.

Any sentiu um peso enorme sair de seus ombros. Ela o abraçou, escondendo o rosto em seu peito largo, sentindo as batidas aceleradas do coração dele.

— Vai ser difícil, não vai? — ela perguntou.

— Provavelmente — Jungkook respondeu, finalmente deixando um sorriso pequeno e sincero aparecer. — Mas se o filho tiver metade da sua energia, o mundo é que vai ter problemas, não a gente.

Daquele momento em diante, a vida de Any Gabrielly e Jeon Jungkook mudaria para sempre. Entre o caos de duas carreiras em ascensão, a pressão dos fans e as diferenças culturais, eles teriam que aprender a ser mais do que apenas dois estranhos que se envolveram em uma noite de filmes. Eles seriam uma família. E, no fundo, Any sabia que, apesar de todo o medo, aquela era a sua história mais real e sem filtros.
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