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A garota do bowers

Fandom: It:a coisa

Criado: 10/06/2026

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Jogos de Poder e Fumaça na Sala de Aula

O sol de Derrys entrava pelas janelas sujas da sala de aula, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. Era a primeira aula do dia, mas o professor de história tinha faltado, deixando o grupo com um tempo livre precioso e perigoso. Belch estava na quadra com o resto da turma, provavelmente tentando descontar sua frustração em alguma bola de basquete, o que deixava a sala quase vazia, exceto por nós quatro.

Eu estava sentada em cima de uma das mesas, balançando minhas pernas. Meus cabelos pretos longos caíam em cascata pelos ombros, emoldurando meu rosto onde as sardas pareciam mais evidentes sob a luz forte. Eu sabia que eles estavam me olhando. Henry, Patrick e Victor formavam um semicírculo ao meu redor, como predadores que, por um momento, decidiram ser gentis com sua presa favorita.

— Sabe, Haezel... — Henry começou, aproximando-se e passando a mão pela minha cintura, seus dedos roçando a barra da minha blusa, perto de onde eu sabia que meu piercing no umbigo brilhava. — A manhã está tediosa demais.

— E o que você sugere, Bowers? — perguntei, arqueando uma sobrancelha. Eu tinha essa fama de ser fofa e gentil, mas eles sabiam que eu tinha um pavio curto e uma inteligência que os mantinha na linha.

— Um jogo — disse Patrick, com aquele sorriso perturbador que sempre fazia meu estômago dar um nó, mas de um jeito que eu secretamente gostava. — Cada um de nós te beija. Mas tem que ser diferente. Nada de selinhos de criança.

Victor soltou uma risada baixa, encostando-se na mesa ao lado.

— Eu topo. Quero ver até onde a Haezel aguenta sem perder a pose de brava.

Eu dei de ombros, fingindo indiferença, embora meu coração tivesse acelerado. Henry, meu ficante, não se importava. Ele tinha essa possessividade estranha, mas compartilhada; desde que ele estivesse no controle e eu estivesse gostando, ele achava excitante ver os amigos interagirem comigo.

— Podem tentar — desafiei, ajeitando o piercing no meu nariz com o dedo indicador.

Patrick e Victor não perderam tempo. Eles se aproximaram lateralmente, enquanto Henry permanecia na minha frente. Senti os lábios de Victor no lado esquerdo do meu pescoço, um toque quente e úmido que me fez arrepiar instantaneamente. Quase ao mesmo tempo, Patrick atacou o lado direito, seus dentes raspando levemente na minha pele sensível, uma mordida contida que me fez soltar um suspiro baixo.

— Calma, boneca — sussurrou Patrick contra minha pele.

Enquanto os dois exploravam meu pescoço, Henry deu um passo à frente, fechando o espaço entre nós. Ele segurou meu rosto com uma das mãos, seus olhos castanhos fixos nos meus, antes de me beijar com uma intensidade que sempre me deixava sem fôlego. No meio do beijo, senti sua mão livre descer e apertar meu peito com firmeza por cima da blusa. Eu gemi contra a boca dele, sentindo o calor subir pelo meu corpo, a cicatriz na minha barriga parecendo formigar sob o tecido.

Depois de alguns minutos que pareceram horas de puro fogo, eles se afastaram, todos um pouco ofegantes. Eu limpei o canto da boca, que estava naturalmente rosada, mas agora parecia ainda mais vibrante.

— Nada mal — eu disse, tentando recuperar o fôlego enquanto eles se sentavam nas mesas ao redor.

A conversa fluiu então para um terreno perigoso. Piadas de duplo sentido, risadas altas e comentários sobre o que mais poderíamos fazer naquele espaço vazio. Henry estava relaxado, observando a interação com um brilho de diversão nos olhos.

— Tive uma ideia — Henry disse, cortando uma piada que Victor fazia sobre os animais que eu tanto gostava de resgatar. — Vamos ver quem tem o melhor "assento".

— Como assim? — Victor perguntou, interessado.

— Haezel vai sentar no colo de vocês dois — Henry apontou para Patrick e Victor. — Um de cada vez. Depois ela diz qual é o melhor.

— E o seu? — perguntei, provocando.

— O meu não vale, Haezel. Você já sabe que o meu é o melhor — ele piscou, convencido. — Quero ver como meus soldados se saem.

Eu ri, balançando a cabeça.

— Você é impossível, Henry.

— Vai lá, Haezel — instigou Victor. — Não vai amarelar agora, vai?

Eu me levantei da mesa, sentindo o peso do olhar de Henry sobre mim. Fui primeiro até Patrick. Ele se ajeitou na cadeira, abrindo as pernas para que eu pudesse me acomodar. Quando me sentei, senti a rigidez dos seus músculos e a maneira como ele imediatamente colocou as mãos nos meus quadris, puxando-me para mais perto. Patrick tinha uma energia caótica, algo que sempre parecia prestes a explodir.

— Confortável? — ele sussurrou no meu ouvido, sua respiração quente me fazendo estremecer.

— Veremos — respondi, sentindo a tensão entre nós.

Fiquei ali por um minuto, sentindo o movimento dele, a pressão das suas mãos. Depois, levantei-me e caminhei até Victor. Victor era mais contido que Patrick, mas havia uma força silenciosa nele. Sentei-me em seu colo e ele envolveu minha cintura com os braços, apoiando o queixo no meu ombro. Era um encaixe diferente, mais firme, quase protetor, se é que se podia chamar qualquer coisa naquele grupo de "protetora".

— E então? — Henry perguntou, cruzando os braços, observando a cena com um sorriso de canto.

Eu fiz um suspense, olhando de um para o outro. Patrick parecia ansioso, enquanto Victor mantinha uma expressão de expectativa calma.

— O do Patrick — declarei por fim, vendo o sorriso de triunfo surgir no rosto dele. — Tem algo... mais instigante ali.

Victor bufou, mas não pareceu realmente ofendido. Ele me deu um tapinha leve na coxa antes de eu me levantar.

— Ei, Henry — Victor começou, mudando o rumo da conversa enquanto eu voltava a me sentar na mesa, cruzando as pernas. — Você realmente não se importa? Tipo, de verdade? Ver ela assim com a gente, ou até se a gente quisesse beijar você ou algo do tipo?

A sala ficou em silêncio por um momento. Henry deu de ombros, uma expressão de total desprendimento no rosto, embora seus olhos estivessem atentos.

— Se eu estiver vendo e ela estiver à vontade, eu não dou a mínima — Henry respondeu com sinceridade. — Se ela quiser beijar vocês, ou se vocês quiserem tentar algo comigo enquanto ela assiste... tanto faz. O que importa é que a gente se diverte.

— Você é um cara evoluído, Bowers — Patrick riu, embora houvesse um brilho de curiosidade em seus olhos sobre a parte de beijar outros meninos.

Eu olhei para Henry, sentindo uma onda de carinho por aquele jeito estranho dele de ser. Ele era bruto, era um valentão para o resto da cidade, mas comigo, ele tinha essa honestidade crua.

— Gosto de como você pensa — eu disse, sorrindo para ele.

— Eu sei que gosta, inteligente — ele rebateu.

Voltamos a conversar sobre coisas triviais — a próxima festa na pedreira, como Henry planejava infernizar os "Otários" na saída da escola e o fato de eu querer levar mais um gato de rua para casa, o que sempre rendia piadas deles sobre eu ser a "louca dos bichos".

— Se você levar mais um, ele vai acabar comendo o seu piercing de nariz enquanto você dorme — Victor brincou.

— Deixa meus animais em paz, Victor! — eu respondi, fingindo braveza, o que só os fez rir mais alto. — Eles são muito mais educados do que vocês três juntos.

— Mas não são tão divertidos — Patrick retrucou, inclinando-se para frente e roubando um último beijo rápido do meu pescoço antes que o sinal tocasse, anunciando o fim da nossa pequena bolha de liberdade.

Ajeitei minha blusa, sentindo o metal frio do meu piercing no umbigo contra a pele da barriga, e desci da mesa. O clima de tensão sexual e camaradagem ainda pairava no ar, mas agora tínhamos que fingir, pelo menos por algumas horas, que éramos apenas estudantes comuns em uma cidade que escondia monstros muito piores do que nós.

— Vamos — disse Henry, passando o braço pelo meu pescoço e me puxando para perto enquanto saíamos da sala. — Temos uma aula de matemática para ignorar.

Eu ri, encostando minha cabeça no ombro dele, sentindo o olhar de Patrick e Victor nas minhas costas. Derry podia ser um inferno, mas com eles, o fogo era pelo menos suportável.
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