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D17
Fandom: Record of ragnarok
Criado: 10/06/2026
Tags
DramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoFantasiaEstudo de PersonagemHistóricoSilkpunkCenário Canônico
Reflexos do Passado: O Imperador sob o Véu
A sala de projeção no Valhalla estava impregnada de uma tensão incomum. Deuses e humanos, separados por milênios de rancor e pelos combates sangrentos do Ragnarok, agora eram forçados a compartilhar o mesmo espaço por uma anomalia cósmica provocada por Nostradamus. O profeta, rindo de sua própria travessura, havia sintonizado as memórias do "Início" na grande tela etérea. O foco da vez? Qin Shi Huang.
O Imperador da China estava sentado em um trono improvisado — que na verdade era a poltrona de luxo de Zeus, a qual ele simplesmente tomou para si. Ele sorria, a venda cobrindo os olhos, mantendo sua postura de "Hao", enquanto sentia o peso dos olhares sobre si.
— Olhem bem, deuses e súditos — declarou Qin, ajeitando seus protetores de dedos dourados. — O caminho de um rei é pavimentado de grandiosidade desde a aurora.
Hades, o Rei do Submundo, observava com uma elegância silenciosa. Ele estava de pé, os braços cruzados, analisando o homem que seria (ou foi) seu adversário. Havia um respeito mútuo e sombrio entre os dois governantes.
— Veremos se sua arrogância tem fundamento na juventude, Qin Shi Huang — comentou Hades, sua voz como veludo e aço. — Um verdadeiro rei é moldado pelo dever, não apenas pelo orgulho.
A tela brilhou. A imagem mostrava o palácio imperial sob uma chuva torrencial, mas a cena mudou para o interior luxuoso de um dos corredores. De repente, as portas duplas se abriram com um estrondo. Um jovem Qin, com pouco mais de quinze anos, entrou no recinto. Ele estava completamente encharcado. A água escorria de suas vestes de seda, criando poças imediatas no tapete de valor inestimável.
— Pelas barbas de Zeus! — exclamou Hermes, contendo o riso. — Ele parece um rato de rio.
— Um rato não — corrigiu Qin na sala, sem perder a compostura. — Um dragão submerso.
Na tela, os guardas e servos corriam em pânico. "Vossa Alteza! Onde o senhor estava? O conselho o espera há horas!", gritavam os oficiais. O jovem Qin apenas sacudiu a cabeça, espalhando gotas de água para todos os lados, inclusive no rosto de um ministro idoso que parecia prestes a ter um infarto.
— O rio estava chamando — disse o jovem Qin na projeção, com o mesmo sorriso petulante que carregava agora. — E o que o rio quer, o Rei concede. Eu decidi que as águas precisavam da minha presença para aprenderem a fluir com mais nobreza.
— Ele simplesmente ignorou o conselho para ir nadar? — perguntou Brunhilde, massageando as têmporas. — Por que eu não estou surpresa?
— Isso é o que eu chamo de estilo! — gritou Nikola Tesla, os olhos brilhando. — A hidrodinâmica da rebeldia!
Sasaki Kojiro riu baixinho, limpando sua espada.
— Ele sempre teve esse ar de quem não segue mestre algum. Até a natureza parece uma ferramenta para ele.
Hades, no entanto, notou algo que os outros ignoraram. Ele viu como, por um breve segundo, o jovem Qin na tela estremeceu. Não de frio, mas de dor. Devido à sua sinestesia toque-espelho, o jovem imperador estava sentindo o desconforto dos servos que o secavam com pressa e o medo do ministro que o repreendia. Mesmo assim, ele mantinha o sorriso.
— Você escondia sua dor sob a água, não era? — murmurou Hades, baixo o suficiente para que apenas Qin ouvisse.
Qin Shi Huang não respondeu, mas seu sorriso vacilou por um milésimo de segundo.
A imagem na tela mudou. Agora, o cenário era mais sombrio. O jovem Qin estava em um pátio isolado, longe dos olhos da corte. Ele estava diante de um grupo de jovens nobres que o cercavam. Eles zombavam dele, chamando-o de "o monstro de Zhao", lembrando-o de seu tempo como refém e dos abusos que sofrera.
— Olhem para ele — disse um dos jovens na tela, empurrando Qin. — Acha que é um rei, mas não passa de um órfão que sente a dor dos outros. Que fraqueza patética.
O grupo começou a agredir o jovem Qin. Cada soco que ele recebia, ele sentia dobrado. Cada chute que os outros davam, sua sinestesia refletia em seu próprio sistema nervoso. Ele estava no chão, ofegante, o rosto coberto de hematomas que surgiam como flores sombrias na pele.
Na sala de projeção, o silêncio se tornou absoluto. Jack, o Estripador, inclinou a cabeça, observando as "cores" de Qin com uma melancolia profunda.
— Que tonalidade terrível de sofrimento — sussurrou Jack. — Um arco-íris de agonia escondido atrás de uma máscara de ouro.
Leônidas I cruzou os braços, bufando de raiva.
— Bater em alguém que sente a sua dor... esses moleques não têm honra. Eu os esmagaria com meu escudo.
Zeus coçou a barba, os olhos semicerrados.
— Então é daí que vem essa resistência absurda. Ele não apenas suporta a dor; ele convive com ela desde o berço.
Na tela, o jovem Qin se levantou devagar. Ele limpou o sangue do canto da boca. Em vez de chorar ou implorar, ele olhou para os agressores com uma dignidade que parecia emanar de sua própria alma.
— Vocês sentem prazer em causar dor? — perguntou o jovem Qin, sua voz firme apesar do tremor no corpo. — Que pequenos vocês são. Eu sinto a dor de vocês também. Sinto o vazio que tentam preencher com violência. Mas ouçam bem...
Ele deu um passo à frente, e os agressores, por puro instinto, recuaram.
— Onde eu estou, é o centro do mundo. Onde eu piso, é o meu reino. E um rei não se curva diante de crianças que brincam de ser homens. Eu sou Qin Shi Huang, aquele que unificará tudo sob o céu. Se querem me bater, batam. Mas saibam que cada golpe apenas me ensina como proteger meu povo de monstros como vocês no futuro.
A projeção mostrou Qin caminhando entre eles, ignorando os insultos que minguavam. Ele não revidou com os punhos, mas com uma presença que os reduziu a nada.
Hades sentiu um aperto estranho no peito. Ele pensou em seus próprios irmãos, em como ele faria qualquer coisa para protegê-los de tal sofrimento. Ele olhou para o Qin atual, sentado no trono de Zeus como se fosse o dono do universo.
— Você transformou sua maldição em sua maior coroa — disse Hades, desta vez em voz alta. — Há uma nobreza em carregar o peso do mundo sem deixar que ele curve suas costas.
Qin Shi Huang riu, uma risada vibrante que ecoou pela sala.
— Hao! Você entende bem, Rei do Submundo. Um rei não é aquele que nunca caiu, mas aquele que, ao cair, decide que o chão agora faz parte de seu império.
Buda, mastigando um doce, acenou com a cabeça em aprovação.
— Esse cara é demais. Ele entende o vazio e o preenche com o próprio ego. É uma forma de iluminação, eu acho.
— É uma forma de teimosia extrema! — rebateu Shiva, embora houvesse um sorriso em seus quatro braços. — Mas eu respeito a fibra.
A tela começou a desaparecer, as memórias voltando para o éter de onde vieram. O clima na sala havia mudado. O desprezo inicial que alguns deuses sentiam pelo "humano arrogante" havia se transformado em algo mais complexo.
Adão, o Pai da Humanidade, que estivera observando tudo em silêncio, caminhou até Qin e colocou uma mão em seu ombro. Não houve palavras, apenas um olhar de reconhecimento entre o primeiro homem e o primeiro imperador.
— Você foi um bom filho — pareceu dizer o olhar de Adão.
Qin, pela primeira vez no dia, baixou levemente a cabeça em um gesto de respeito genuíno.
— Bem — disse Zeus, tentando retomar o controle da situação enquanto recuperava seu trono (após Qin finalmente se levantar). — Isso foi... esclarecedor. Mas não pensem que isso muda o destino do Ragnarok!
— Claro que não, Velhote — disse Okita Soji, desembainhando levemente sua espada com um olhar selvagem. — Só torna a vitória mais saborosa.
Hades permaneceu parado por um momento, observando Qin se afastar com sua capa esvoaçante e seus passos rítmicos. O Rei do Submundo sabia que, quando chegasse a hora de se enfrentarem na arena, ele não estaria lutando apenas contra um homem, mas contra séculos de dor transformada em vontade soberana.
— Qin Shi Huang — chamou Hades.
O Imperador parou e olhou por cima do ombro, o sorriso ainda presente.
— Sim, Rei de Helheim?
— Quando nos encontrarmos no campo de batalha, não lutarei contra você por ódio. Lutarei porque você é um oponente que merece o peso total da minha linhagem.
Qin Shi Huang inclinou a cabeça, os protetores de dedos brilhando sob a luz do Valhalla.
— Hao. E eu o derrotarei, Hades, porque um rei deve sempre proteger aquilo que ama. E eu amo o meu povo tanto quanto você ama seus irmãos.
Com essas palavras, o Imperador saiu da sala, deixando para trás um rastro de silêncio e um respeito que nem mesmo os deuses podiam negar. O Ragnarok continuaria, mas naquela tarde, as águas do passado haviam banhado a todos, revelando que, por trás de cada coroa, havia uma história de sobrevivência.
O Imperador da China estava sentado em um trono improvisado — que na verdade era a poltrona de luxo de Zeus, a qual ele simplesmente tomou para si. Ele sorria, a venda cobrindo os olhos, mantendo sua postura de "Hao", enquanto sentia o peso dos olhares sobre si.
— Olhem bem, deuses e súditos — declarou Qin, ajeitando seus protetores de dedos dourados. — O caminho de um rei é pavimentado de grandiosidade desde a aurora.
Hades, o Rei do Submundo, observava com uma elegância silenciosa. Ele estava de pé, os braços cruzados, analisando o homem que seria (ou foi) seu adversário. Havia um respeito mútuo e sombrio entre os dois governantes.
— Veremos se sua arrogância tem fundamento na juventude, Qin Shi Huang — comentou Hades, sua voz como veludo e aço. — Um verdadeiro rei é moldado pelo dever, não apenas pelo orgulho.
A tela brilhou. A imagem mostrava o palácio imperial sob uma chuva torrencial, mas a cena mudou para o interior luxuoso de um dos corredores. De repente, as portas duplas se abriram com um estrondo. Um jovem Qin, com pouco mais de quinze anos, entrou no recinto. Ele estava completamente encharcado. A água escorria de suas vestes de seda, criando poças imediatas no tapete de valor inestimável.
— Pelas barbas de Zeus! — exclamou Hermes, contendo o riso. — Ele parece um rato de rio.
— Um rato não — corrigiu Qin na sala, sem perder a compostura. — Um dragão submerso.
Na tela, os guardas e servos corriam em pânico. "Vossa Alteza! Onde o senhor estava? O conselho o espera há horas!", gritavam os oficiais. O jovem Qin apenas sacudiu a cabeça, espalhando gotas de água para todos os lados, inclusive no rosto de um ministro idoso que parecia prestes a ter um infarto.
— O rio estava chamando — disse o jovem Qin na projeção, com o mesmo sorriso petulante que carregava agora. — E o que o rio quer, o Rei concede. Eu decidi que as águas precisavam da minha presença para aprenderem a fluir com mais nobreza.
— Ele simplesmente ignorou o conselho para ir nadar? — perguntou Brunhilde, massageando as têmporas. — Por que eu não estou surpresa?
— Isso é o que eu chamo de estilo! — gritou Nikola Tesla, os olhos brilhando. — A hidrodinâmica da rebeldia!
Sasaki Kojiro riu baixinho, limpando sua espada.
— Ele sempre teve esse ar de quem não segue mestre algum. Até a natureza parece uma ferramenta para ele.
Hades, no entanto, notou algo que os outros ignoraram. Ele viu como, por um breve segundo, o jovem Qin na tela estremeceu. Não de frio, mas de dor. Devido à sua sinestesia toque-espelho, o jovem imperador estava sentindo o desconforto dos servos que o secavam com pressa e o medo do ministro que o repreendia. Mesmo assim, ele mantinha o sorriso.
— Você escondia sua dor sob a água, não era? — murmurou Hades, baixo o suficiente para que apenas Qin ouvisse.
Qin Shi Huang não respondeu, mas seu sorriso vacilou por um milésimo de segundo.
A imagem na tela mudou. Agora, o cenário era mais sombrio. O jovem Qin estava em um pátio isolado, longe dos olhos da corte. Ele estava diante de um grupo de jovens nobres que o cercavam. Eles zombavam dele, chamando-o de "o monstro de Zhao", lembrando-o de seu tempo como refém e dos abusos que sofrera.
— Olhem para ele — disse um dos jovens na tela, empurrando Qin. — Acha que é um rei, mas não passa de um órfão que sente a dor dos outros. Que fraqueza patética.
O grupo começou a agredir o jovem Qin. Cada soco que ele recebia, ele sentia dobrado. Cada chute que os outros davam, sua sinestesia refletia em seu próprio sistema nervoso. Ele estava no chão, ofegante, o rosto coberto de hematomas que surgiam como flores sombrias na pele.
Na sala de projeção, o silêncio se tornou absoluto. Jack, o Estripador, inclinou a cabeça, observando as "cores" de Qin com uma melancolia profunda.
— Que tonalidade terrível de sofrimento — sussurrou Jack. — Um arco-íris de agonia escondido atrás de uma máscara de ouro.
Leônidas I cruzou os braços, bufando de raiva.
— Bater em alguém que sente a sua dor... esses moleques não têm honra. Eu os esmagaria com meu escudo.
Zeus coçou a barba, os olhos semicerrados.
— Então é daí que vem essa resistência absurda. Ele não apenas suporta a dor; ele convive com ela desde o berço.
Na tela, o jovem Qin se levantou devagar. Ele limpou o sangue do canto da boca. Em vez de chorar ou implorar, ele olhou para os agressores com uma dignidade que parecia emanar de sua própria alma.
— Vocês sentem prazer em causar dor? — perguntou o jovem Qin, sua voz firme apesar do tremor no corpo. — Que pequenos vocês são. Eu sinto a dor de vocês também. Sinto o vazio que tentam preencher com violência. Mas ouçam bem...
Ele deu um passo à frente, e os agressores, por puro instinto, recuaram.
— Onde eu estou, é o centro do mundo. Onde eu piso, é o meu reino. E um rei não se curva diante de crianças que brincam de ser homens. Eu sou Qin Shi Huang, aquele que unificará tudo sob o céu. Se querem me bater, batam. Mas saibam que cada golpe apenas me ensina como proteger meu povo de monstros como vocês no futuro.
A projeção mostrou Qin caminhando entre eles, ignorando os insultos que minguavam. Ele não revidou com os punhos, mas com uma presença que os reduziu a nada.
Hades sentiu um aperto estranho no peito. Ele pensou em seus próprios irmãos, em como ele faria qualquer coisa para protegê-los de tal sofrimento. Ele olhou para o Qin atual, sentado no trono de Zeus como se fosse o dono do universo.
— Você transformou sua maldição em sua maior coroa — disse Hades, desta vez em voz alta. — Há uma nobreza em carregar o peso do mundo sem deixar que ele curve suas costas.
Qin Shi Huang riu, uma risada vibrante que ecoou pela sala.
— Hao! Você entende bem, Rei do Submundo. Um rei não é aquele que nunca caiu, mas aquele que, ao cair, decide que o chão agora faz parte de seu império.
Buda, mastigando um doce, acenou com a cabeça em aprovação.
— Esse cara é demais. Ele entende o vazio e o preenche com o próprio ego. É uma forma de iluminação, eu acho.
— É uma forma de teimosia extrema! — rebateu Shiva, embora houvesse um sorriso em seus quatro braços. — Mas eu respeito a fibra.
A tela começou a desaparecer, as memórias voltando para o éter de onde vieram. O clima na sala havia mudado. O desprezo inicial que alguns deuses sentiam pelo "humano arrogante" havia se transformado em algo mais complexo.
Adão, o Pai da Humanidade, que estivera observando tudo em silêncio, caminhou até Qin e colocou uma mão em seu ombro. Não houve palavras, apenas um olhar de reconhecimento entre o primeiro homem e o primeiro imperador.
— Você foi um bom filho — pareceu dizer o olhar de Adão.
Qin, pela primeira vez no dia, baixou levemente a cabeça em um gesto de respeito genuíno.
— Bem — disse Zeus, tentando retomar o controle da situação enquanto recuperava seu trono (após Qin finalmente se levantar). — Isso foi... esclarecedor. Mas não pensem que isso muda o destino do Ragnarok!
— Claro que não, Velhote — disse Okita Soji, desembainhando levemente sua espada com um olhar selvagem. — Só torna a vitória mais saborosa.
Hades permaneceu parado por um momento, observando Qin se afastar com sua capa esvoaçante e seus passos rítmicos. O Rei do Submundo sabia que, quando chegasse a hora de se enfrentarem na arena, ele não estaria lutando apenas contra um homem, mas contra séculos de dor transformada em vontade soberana.
— Qin Shi Huang — chamou Hades.
O Imperador parou e olhou por cima do ombro, o sorriso ainda presente.
— Sim, Rei de Helheim?
— Quando nos encontrarmos no campo de batalha, não lutarei contra você por ódio. Lutarei porque você é um oponente que merece o peso total da minha linhagem.
Qin Shi Huang inclinou a cabeça, os protetores de dedos brilhando sob a luz do Valhalla.
— Hao. E eu o derrotarei, Hades, porque um rei deve sempre proteger aquilo que ama. E eu amo o meu povo tanto quanto você ama seus irmãos.
Com essas palavras, o Imperador saiu da sala, deixando para trás um rastro de silêncio e um respeito que nem mesmo os deuses podiam negar. O Ragnarok continuaria, mas naquela tarde, as águas do passado haviam banhado a todos, revelando que, por trás de cada coroa, havia uma história de sobrevivência.
