
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
Nunca mais faz isso
Fandom: Dr.house
Criado: 10/06/2026
Tags
DramaDor/ConfortoHistória DomésticaEstudo de PersonagemCenário CanônicoPsicológicoUso de Drogas
A Anatomia do Confinamento
O silêncio no arquivo morto do hospital Princeton-Plainsboro era interrompido apenas pelo zumbido irritante de uma lâmpada fluorescente prestes a queimar. Gregory House encarava a porta de metal com uma mistura de tédio e uma irritação crescente, enquanto Lisa Cuddy tentava, pela décima vez, girar a maçaneta que parecia ter se fundido ao batente.
— É inútil, House. A trava eletrônica sofreu um curto quando a energia oscilou. Estamos trancados aqui até que a manutenção perceba que o painel do subsolo caiu — disse Cuddy, a voz ecoando nas paredes repletas de prateleiras metálicas e caixas de prontuários antigos.
House, sentado em uma pilha de pastas de 1994, girou sua bengala entre os dedos com uma agilidade nervosa. Ele odiava espaços pequenos. Não por claustrofobia, ele dizia a si mesmo, mas porque espaços pequenos exigiam proximidade, e proximidade exigia uma humanidade que ele preferia manter trancada em um frasco de Vicodin.
— Ótimo. Vamos morrer cercados por relatórios de hemorroidas e exames de próstata da década de noventa. Que final poético para a minha carreira — ironizou ele, sem olhar para ela.
Cuddy suspirou, encostando as costas na porta fria. O espaço era minúsculo, mal passava de quatro metros quadrados, entulhado de papel e poeira. O ar condicionado havia parado de funcionar junto com a trava, e o calor começava a subir, tornando o ambiente denso e abafado.
— Pare de ser dramático. Alguém vai sentir nossa falta em uma hora. Eu tenho uma reunião com o conselho e você... bem, Wilson provavelmente vai notar que você não apareceu para roubar o almoço dele — retrucou Cuddy, tentando manter a compostura.
House soltou um muxoxo. Ele a observou pelo canto do olho. Ela estava usando um daqueles vestidos que ele costumava criticar apenas para ver a veia no pescoço dela pulsar de raiva, mas agora, sob a luz pálida e vacilante, ele notou algo diferente. Cuddy estava pálida. Uma fina camada de suor brilhava em sua testa.
— Você está mais branca que o normal, e olha que sua cor natural já é "fantasma de hospital" — comentou ele, tentando mascarar a preocupação com o sarcasmo habitual.
— É só o calor, House. E a falta de circulação de ar. Eu estou bem — respondeu ela, mas sua respiração estava ficando curta, audível no silêncio do cubículo.
— Mentira. Seus lábios estão ficando cianóticos e você está hiperventilando. O que foi? O medo de perder a reunião com os velhos do conselho está te dando um ataque de pânico?
Cuddy não respondeu de imediato. Ela fechou os olhos e levou a mão ao peito, deslizando lentamente pela porta até se sentar no chão de linóleo frio.
— Eu só... preciso de um minuto. O ar está pesado — sussurrou ela.
House sentiu aquela pontada familiar de desconforto. Lidar com pacientes era fácil; ele podia ser clínico, frio, distante. Mas Cuddy não era um quebra-cabeça médico. Ela era a mulher que, por anos, suportou suas loucuras, suas quebras de protocolo e sua misantropia. Vê-la vulnerável era como olhar para um espelho que ele tentava quebrar todos os dias.
Ele se levantou com dificuldade, a perna protestando com a dor aguda de sempre, e se aproximou dela. O espaço era tão curto que seus joelhos quase tocaram os dela.
— Ei. Olhe para mim — ordenou House, a voz perdendo um pouco da aspereza.
Cuddy abriu os olhos, mas eles pareciam desfocados. A respiração dela era agora um chiado rápido e superficial.
— House... eu não consigo... inspirar fundo.
— Sim, você consegue. É fisiologia básica, Cuddy. Seus pulmões funcionam, seu coração é forte demais para o seu próprio bem. É uma crise vasovagal ou um ataque de pânico clássico — disse ele, embora sua mente médica estivesse descartando outras hipóteses. — Preciso que você se acalme.
— Fácil falar... para quem não está... sentindo o teto desabar — murmurou ela, as mãos tremendo.
House hesitou. Ele queria dizer algo sarcástico para quebrar a tensão, algo sobre como ela era uma administradora de hospital que não sabia lidar com um pouco de falta de oxigênio, mas as palavras morreram na garganta. Ele viu o pânico real nos olhos dela.
Lentamente, como se estivesse lidando com um animal ferido que poderia mordê-lo, House estendeu a mão e tocou o pulso de Cuddy. Estava acelerado. Ele então fez algo que raramente permitia a si mesmo: ele se sentou no chão ao lado dela, ignorando a dor excruciante em sua perna direita.
— Tire o blazer — ordenou ele.
— O quê?
— Não é um convite sexual, Cuddy, embora eu saiba que você sonha com isso. Você está superaquecendo. Tire o blazer. Agora.
Com as mãos trêmulas, ela tentou desabotoar o casaco, mas não conseguiu. House soltou um suspiro impaciente e, com uma delicadeza que ele juraria nunca ter possuído, começou a abrir os botões por ela. Quando terminou, ele a ajudou a deslizar os braços para fora da peça, jogando-a em um canto.
— Agora, respire comigo. Não é uma sugestão, é uma ordem médica. Inspira... um, dois, três... segura... solta.
Cuddy tentou segui-lo, mas o pânico a vencia. As paredes pareciam estar se fechando.
— Eu não consigo, Greg... eu vou desmaiar.
— Se você desmaiar, eu vou ter que fazer respiração boca a boca e, acredite, eu vou reclamar disso pelo resto da década — disse ele, aproximando-se mais. — Olhe para mim. Esqueça a sala. Esqueça o ar. Olhe para os meus olhos.
Cuddy focou no azul intenso e tempestuoso de House. Havia uma estabilidade ali, uma âncora que ela não esperava encontrar. Ele pegou as mãos dela e as pressionou contra o próprio peito.
— Sente isso? Meu coração está batendo. O seu vai imitá-lo. É um fenômeno biológico de sincronia. Apenas foque na batida.
— Você está... sendo legal? — perguntou ela entre as respirações, um pequeno vestígio de humor voltando à sua voz.
— Eu estou sendo prático. Se você morrer aqui, eu vou ter que preencher a papelada, e eu odeio papelada — respondeu ele, embora não soltasse as mãos dela.
Os minutos passaram. O calor ainda era opressor, mas a respiração de Cuddy começou a se estabilizar. House continuou ali, sentado no chão sujo, permitindo que ela usasse sua força como suporte. Ele sentia o calor da pele dela, o perfume que ele fingia não notar todos os dias, e uma estranha sensação de paz que o assustava mais do que qualquer diagnóstico difícil.
— Por que você faz isso, House? — perguntou ela, a voz agora mais firme, embora ainda baixa.
— Faço o quê? Salvo vidas? É o que diz o meu contrato.
— Não. Por que você se esconde atrás dessa armadura de espinhos? Você está aqui, sentado no chão, sentindo dor na perna só para me ajudar... e vai passar o resto do dia fingindo que nada disso aconteceu.
House desviou o olhar para uma caixa de arquivos à frente.
— Afeto é uma reação química que nubla o julgamento, Cuddy. E o julgamento é a única coisa que me mantém útil. Pessoas como eu... nós não fomos feitos para o conforto. Fomos feitos para o conflito.
— Isso é uma mentira que você conta para si mesmo para não ter que se machucar de novo — disse ela, apertando levemente as mãos dele. — Mas agora, aqui... você não é o médico genial. Você é apenas um homem cuidando de uma amiga.
House sentiu um nó na garganta. Ele odiava quando ela fazia isso. Quando ela enxergava através das camadas de cinismo que ele levou décadas para construir. Ele queria se afastar, soltar as mãos dela e fazer uma piada obscena, mas seu corpo não obedeceu. Pela primeira vez em muito tempo, ele permitiu que o silêncio não fosse uma arma, mas um refúgio.
— Você está melhor? — perguntou ele, a voz rouca.
— Sim. Graças a você.
— Não se acostume. Amanhã eu vou exigir um aumento por serviços médicos de emergência prestados fora do horário.
Cuddy sorriu, um sorriso real que iluminou o rosto pálido. Ela encostou a cabeça no ombro dele. House ficou rígido por um segundo, cada instinto de preservação gritando para ele se mover, mas então, num gesto quase imperceptível, ele relaxou. Ele não a abraçou — isso seria demais para Gregory House —, mas ele não se afastou.
— House?
— Hum?
— Obrigada.
Ele não respondeu com palavras. Apenas fechou os olhos e deixou que, naquele pequeno espaço confinado, o mundo exterior deixasse de existir. Não havia hospital, não havia dor crônica, não havia enigmas para resolver. Havia apenas o som sincronizado de dois corações batendo no escuro.
Cerca de vinte minutos depois, o som metálico de ferramentas batendo na porta ecoou pelo corredor. A trava eletrônica deu um estalido seco e a porta se abriu, inundando o cubículo com a luz forte do corredor e o ar fresco do sistema de ventilação restaurado.
Wilson estava parado ali, junto com dois homens da manutenção, com uma expressão que misturava preocupação e alívio.
— Cuddy! House! Vocês estão aí há quase duas horas, o que...
Wilson parou de falar ao ver a cena. House e Cuddy estavam sentados no chão, próximos demais para serem apenas colegas, com o blazer dela jogado de lado. House levantou-se rapidamente, ou o mais rápido que sua perna permitia, apoiando-se na bengala com uma expressão de tédio absoluto.
— Já era hora. Eu estava prestes a começar a comer os prontuários para sobreviver — disse House, saindo do quarto sem olhar para trás, mancando pelo corredor com sua arrogância habitual.
Cuddy levantou-se com a ajuda de Wilson, limpando o vestido.
— Ele está bem? — perguntou Wilson, observando as costas de House.
Cuddy olhou para a figura solitária do médico desaparecendo na curva do corredor. Ela ainda podia sentir a pressão das mãos dele contra as suas, o calor de um homem que passava a vida fingindo ser feito de gelo.
— Ele está sendo o House, Wilson — disse ela com um sorriso enigmático. — Mas, por um momento lá dentro... ele foi apenas o Greg.
No final do corredor, House parou por um segundo. Ele sentiu a falta do peso de Cuddy em seu ombro, uma sensação de vazio que o Vicodin nunca conseguiria preencher. Ele tirou um frasco de comprimidos do bolso, engoliu um sem água e continuou andando, escondendo novamente o homem sob a máscara do gênio solitário, embora soubesse que, naquele armário de arquivos, uma parte de sua armadura tinha ficado para trás.
— É inútil, House. A trava eletrônica sofreu um curto quando a energia oscilou. Estamos trancados aqui até que a manutenção perceba que o painel do subsolo caiu — disse Cuddy, a voz ecoando nas paredes repletas de prateleiras metálicas e caixas de prontuários antigos.
House, sentado em uma pilha de pastas de 1994, girou sua bengala entre os dedos com uma agilidade nervosa. Ele odiava espaços pequenos. Não por claustrofobia, ele dizia a si mesmo, mas porque espaços pequenos exigiam proximidade, e proximidade exigia uma humanidade que ele preferia manter trancada em um frasco de Vicodin.
— Ótimo. Vamos morrer cercados por relatórios de hemorroidas e exames de próstata da década de noventa. Que final poético para a minha carreira — ironizou ele, sem olhar para ela.
Cuddy suspirou, encostando as costas na porta fria. O espaço era minúsculo, mal passava de quatro metros quadrados, entulhado de papel e poeira. O ar condicionado havia parado de funcionar junto com a trava, e o calor começava a subir, tornando o ambiente denso e abafado.
— Pare de ser dramático. Alguém vai sentir nossa falta em uma hora. Eu tenho uma reunião com o conselho e você... bem, Wilson provavelmente vai notar que você não apareceu para roubar o almoço dele — retrucou Cuddy, tentando manter a compostura.
House soltou um muxoxo. Ele a observou pelo canto do olho. Ela estava usando um daqueles vestidos que ele costumava criticar apenas para ver a veia no pescoço dela pulsar de raiva, mas agora, sob a luz pálida e vacilante, ele notou algo diferente. Cuddy estava pálida. Uma fina camada de suor brilhava em sua testa.
— Você está mais branca que o normal, e olha que sua cor natural já é "fantasma de hospital" — comentou ele, tentando mascarar a preocupação com o sarcasmo habitual.
— É só o calor, House. E a falta de circulação de ar. Eu estou bem — respondeu ela, mas sua respiração estava ficando curta, audível no silêncio do cubículo.
— Mentira. Seus lábios estão ficando cianóticos e você está hiperventilando. O que foi? O medo de perder a reunião com os velhos do conselho está te dando um ataque de pânico?
Cuddy não respondeu de imediato. Ela fechou os olhos e levou a mão ao peito, deslizando lentamente pela porta até se sentar no chão de linóleo frio.
— Eu só... preciso de um minuto. O ar está pesado — sussurrou ela.
House sentiu aquela pontada familiar de desconforto. Lidar com pacientes era fácil; ele podia ser clínico, frio, distante. Mas Cuddy não era um quebra-cabeça médico. Ela era a mulher que, por anos, suportou suas loucuras, suas quebras de protocolo e sua misantropia. Vê-la vulnerável era como olhar para um espelho que ele tentava quebrar todos os dias.
Ele se levantou com dificuldade, a perna protestando com a dor aguda de sempre, e se aproximou dela. O espaço era tão curto que seus joelhos quase tocaram os dela.
— Ei. Olhe para mim — ordenou House, a voz perdendo um pouco da aspereza.
Cuddy abriu os olhos, mas eles pareciam desfocados. A respiração dela era agora um chiado rápido e superficial.
— House... eu não consigo... inspirar fundo.
— Sim, você consegue. É fisiologia básica, Cuddy. Seus pulmões funcionam, seu coração é forte demais para o seu próprio bem. É uma crise vasovagal ou um ataque de pânico clássico — disse ele, embora sua mente médica estivesse descartando outras hipóteses. — Preciso que você se acalme.
— Fácil falar... para quem não está... sentindo o teto desabar — murmurou ela, as mãos tremendo.
House hesitou. Ele queria dizer algo sarcástico para quebrar a tensão, algo sobre como ela era uma administradora de hospital que não sabia lidar com um pouco de falta de oxigênio, mas as palavras morreram na garganta. Ele viu o pânico real nos olhos dela.
Lentamente, como se estivesse lidando com um animal ferido que poderia mordê-lo, House estendeu a mão e tocou o pulso de Cuddy. Estava acelerado. Ele então fez algo que raramente permitia a si mesmo: ele se sentou no chão ao lado dela, ignorando a dor excruciante em sua perna direita.
— Tire o blazer — ordenou ele.
— O quê?
— Não é um convite sexual, Cuddy, embora eu saiba que você sonha com isso. Você está superaquecendo. Tire o blazer. Agora.
Com as mãos trêmulas, ela tentou desabotoar o casaco, mas não conseguiu. House soltou um suspiro impaciente e, com uma delicadeza que ele juraria nunca ter possuído, começou a abrir os botões por ela. Quando terminou, ele a ajudou a deslizar os braços para fora da peça, jogando-a em um canto.
— Agora, respire comigo. Não é uma sugestão, é uma ordem médica. Inspira... um, dois, três... segura... solta.
Cuddy tentou segui-lo, mas o pânico a vencia. As paredes pareciam estar se fechando.
— Eu não consigo, Greg... eu vou desmaiar.
— Se você desmaiar, eu vou ter que fazer respiração boca a boca e, acredite, eu vou reclamar disso pelo resto da década — disse ele, aproximando-se mais. — Olhe para mim. Esqueça a sala. Esqueça o ar. Olhe para os meus olhos.
Cuddy focou no azul intenso e tempestuoso de House. Havia uma estabilidade ali, uma âncora que ela não esperava encontrar. Ele pegou as mãos dela e as pressionou contra o próprio peito.
— Sente isso? Meu coração está batendo. O seu vai imitá-lo. É um fenômeno biológico de sincronia. Apenas foque na batida.
— Você está... sendo legal? — perguntou ela entre as respirações, um pequeno vestígio de humor voltando à sua voz.
— Eu estou sendo prático. Se você morrer aqui, eu vou ter que preencher a papelada, e eu odeio papelada — respondeu ele, embora não soltasse as mãos dela.
Os minutos passaram. O calor ainda era opressor, mas a respiração de Cuddy começou a se estabilizar. House continuou ali, sentado no chão sujo, permitindo que ela usasse sua força como suporte. Ele sentia o calor da pele dela, o perfume que ele fingia não notar todos os dias, e uma estranha sensação de paz que o assustava mais do que qualquer diagnóstico difícil.
— Por que você faz isso, House? — perguntou ela, a voz agora mais firme, embora ainda baixa.
— Faço o quê? Salvo vidas? É o que diz o meu contrato.
— Não. Por que você se esconde atrás dessa armadura de espinhos? Você está aqui, sentado no chão, sentindo dor na perna só para me ajudar... e vai passar o resto do dia fingindo que nada disso aconteceu.
House desviou o olhar para uma caixa de arquivos à frente.
— Afeto é uma reação química que nubla o julgamento, Cuddy. E o julgamento é a única coisa que me mantém útil. Pessoas como eu... nós não fomos feitos para o conforto. Fomos feitos para o conflito.
— Isso é uma mentira que você conta para si mesmo para não ter que se machucar de novo — disse ela, apertando levemente as mãos dele. — Mas agora, aqui... você não é o médico genial. Você é apenas um homem cuidando de uma amiga.
House sentiu um nó na garganta. Ele odiava quando ela fazia isso. Quando ela enxergava através das camadas de cinismo que ele levou décadas para construir. Ele queria se afastar, soltar as mãos dela e fazer uma piada obscena, mas seu corpo não obedeceu. Pela primeira vez em muito tempo, ele permitiu que o silêncio não fosse uma arma, mas um refúgio.
— Você está melhor? — perguntou ele, a voz rouca.
— Sim. Graças a você.
— Não se acostume. Amanhã eu vou exigir um aumento por serviços médicos de emergência prestados fora do horário.
Cuddy sorriu, um sorriso real que iluminou o rosto pálido. Ela encostou a cabeça no ombro dele. House ficou rígido por um segundo, cada instinto de preservação gritando para ele se mover, mas então, num gesto quase imperceptível, ele relaxou. Ele não a abraçou — isso seria demais para Gregory House —, mas ele não se afastou.
— House?
— Hum?
— Obrigada.
Ele não respondeu com palavras. Apenas fechou os olhos e deixou que, naquele pequeno espaço confinado, o mundo exterior deixasse de existir. Não havia hospital, não havia dor crônica, não havia enigmas para resolver. Havia apenas o som sincronizado de dois corações batendo no escuro.
Cerca de vinte minutos depois, o som metálico de ferramentas batendo na porta ecoou pelo corredor. A trava eletrônica deu um estalido seco e a porta se abriu, inundando o cubículo com a luz forte do corredor e o ar fresco do sistema de ventilação restaurado.
Wilson estava parado ali, junto com dois homens da manutenção, com uma expressão que misturava preocupação e alívio.
— Cuddy! House! Vocês estão aí há quase duas horas, o que...
Wilson parou de falar ao ver a cena. House e Cuddy estavam sentados no chão, próximos demais para serem apenas colegas, com o blazer dela jogado de lado. House levantou-se rapidamente, ou o mais rápido que sua perna permitia, apoiando-se na bengala com uma expressão de tédio absoluto.
— Já era hora. Eu estava prestes a começar a comer os prontuários para sobreviver — disse House, saindo do quarto sem olhar para trás, mancando pelo corredor com sua arrogância habitual.
Cuddy levantou-se com a ajuda de Wilson, limpando o vestido.
— Ele está bem? — perguntou Wilson, observando as costas de House.
Cuddy olhou para a figura solitária do médico desaparecendo na curva do corredor. Ela ainda podia sentir a pressão das mãos dele contra as suas, o calor de um homem que passava a vida fingindo ser feito de gelo.
— Ele está sendo o House, Wilson — disse ela com um sorriso enigmático. — Mas, por um momento lá dentro... ele foi apenas o Greg.
No final do corredor, House parou por um segundo. Ele sentiu a falta do peso de Cuddy em seu ombro, uma sensação de vazio que o Vicodin nunca conseguiria preencher. Ele tirou um frasco de comprimidos do bolso, engoliu um sem água e continuou andando, escondendo novamente o homem sob a máscara do gênio solitário, embora soubesse que, naquele armário de arquivos, uma parte de sua armadura tinha ficado para trás.
