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Oq tá acontecendo com você.

Fandom: Dr.house

Criado: 10/06/2026

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Sombras do Passado

O silêncio no apartamento de Lisa Cuddy era denso, quase sólido, carregado com um tipo de eletricidade estática que fazia os pelos da nuca de Gregory House se arrepiarem. Ele não costumava bater antes de entrar — a fechadura da diretora era pateticamente fácil de burlar com um cartão de crédito ou uma gazua improvisada —, mas, desta vez, o motivo não era uma discussão sobre orçamento ou um diagnóstico impossível.

House estava inquieto. O desmaio de Cuddy no hospital, horas antes, não fazia sentido médico. Os exames estavam limpos. O coração dela estava saudável, mas o terror que ele viu nos olhos dela antes de as pálpebras se fecharem... aquilo não era clínico. Era humano. Era visceral.

Ele entrou mancando, a bengala batendo suavemente no piso de madeira, o som ecoando pelo corredor escuro.

— Cuddy? Se você estiver pelada, avise agora para eu poder ajustar o foco da minha visão — gritou ele, tentando manter o tom sarcástico habitual para disfarçar o nó de ansiedade em seu peito.

Não houve resposta. Apenas o som abafado de uma conversa na sala de estar. House franziu o cenho. Seus instintos, afiados por décadas detectando mentiras e anomalias, entraram em alerta máximo. Ele avançou devagar, a dor na perna esquerda latejando a cada passo, até chegar à entrada da sala.

Lá estava ela. Cuddy parecia uma estátua de cera, pálida e rígida. E ao lado dela, um homem que House nunca tinha visto, mas que instantaneamente odiou. Ele era alto, de aparência polida, mas com um brilho nos olhos que House reconhecia bem: o brilho de quem gosta de exercer poder sobre os outros.

Mark. O nome que ele ouvira Cuddy sussurrar em um delírio febril anos atrás. O fantasma que, agora House percebia, nunca tinha realmente deixado de assombrá-la.

Assim que Mark notou a presença de House, um sorriso predatório se espalhou por seu rosto. Ele não recuou. Em vez disso, deu um passo para mais perto de Lisa, envolvendo a cintura dela com um braço possessivo.

— Lisa, querida, você não me disse que teríamos visitas — disse Mark, a voz aveludada e carregada de uma falsa cortesia que fez o estômago de House revirar.

Cuddy estava paralisada. Seus olhos encontraram os de House por um breve segundo — um pedido de socorro silencioso que o médico captou instantaneamente.

— Eu sou o médico dela. E também o cara que sabe exatamente como se livrar de lixo doméstico — disparou House, apertando o cabo da bengala. — Quem é o Ken de vitrine?

Mark riu, um som seco e sem humor. Ele olhou para House com desdém, notando a bengala e a postura curvada.

— Eu sou o passado da Lisa. E, pelo que parece, o futuro também. Não é, meu amor?

Antes que Cuddy pudesse reagir, Mark a puxou para si com uma força desnecessária e a beijou. Não foi um beijo de afeto; foi uma marcação de território. Foi um ato de agressão disfarçado de romance, executado especificamente para que House visse.

House sentiu uma onda de fúria cega que raramente se permitia sentir. Ele queria avançar, queria usar a bengala para tirar aquele sorriso do rosto do homem, mas ele viu o corpo de Cuddy tremer sob o toque de Mark. Ela não estava retribuindo; ela estava colapsando por dentro.

Quando Mark finalmente se afastou, ele manteve a mão firmemente no ombro dela, os dedos enterrando-se no tecido da blusa dela.

— Acho que você já viu o suficiente, doutor — disse Mark, num tom de despedida. — Lisa precisa descansar. A sós.

— Ela precisa de um banho de desinfetante e de um advogado — rebateu House, sua voz agora baixa e perigosa, perdendo qualquer traço de brincadeira. — Cuddy, diga para esse resíduo biológico sair daqui. Agora.

Cuddy finalmente recuperou a voz, embora ela tenha saído fraca e trêmula.

— House... por favor... vá embora.

House estacou. Ele olhou para ela, buscando qualquer sinal de que ela estivesse falando a verdade, mas só viu medo. O tipo de medo que ele sabia que não poderia ser curado com Vicodin ou sarcasmo. Mark lançou um olhar triunfante para House.

— Você ouviu a dama. Fora.

House não se moveu imediatamente. Ele encarou Mark, memorizando cada detalhe daquele rosto, cada traço de arrogância. Ele sabia que, se saísse agora, estaria deixando-a em perigo. Mas ele também sabia que, se forçasse uma confrontação ali, Cuddy pagaria o preço depois que ele fosse embora.

— Eu vou — disse House, os olhos fixos em Mark —, mas só porque esqueci meu kit de dissecação de ratos no hospital. Mas fique esperto, Mark. Eu sou muito bom em encontrar coisas que as pessoas tentam esconder. Tumores, mentiras... e corpos.

House girou nos calcanhares e saiu, o som de sua bengala batendo no chão soando como uma contagem regressiva. Ele não foi para casa. Ele foi para o carro, estacionou do outro lado da rua e pegou o celular.

— Wilson? — House disse assim que o amigo atendeu. — Preciso que você descubra tudo sobre um cara chamado Mark que namorou a Cuddy na faculdade. E rápido.

— House, são onze da noite... — Wilson começou a protestar, mas parou ao ouvir o tom na voz de House. — O que aconteceu?

— O passado dela voltou — respondeu House, olhando para a janela iluminada do apartamento de Cuddy. — E ele é o tipo de paciente que eu adoraria ver em uma mesa de autópsia.

No apartamento, o clima mudou instantaneamente quando a porta se fechou. Mark soltou o ombro de Cuddy, empurrando-a levemente para longe.

— Quem é aquele aleijado, Lisa? — perguntou ele, a voz agora fria como gelo. — Ele parece muito confortável na sua casa.

— Ele é apenas um colega de trabalho, Mark. Por favor, você disse que só queria conversar — implorou ela, abraçando o próprio corpo, tentando conter o tremor.

— Nós estamos conversando — disse ele, aproximando-se novamente, encurralando-a contra o sofá. — Mas eu não gosto de interrupções. E eu especialmente não gosto que você olhe para outros homens daquele jeito. Você se esqueceu de quem você é? Você se esqueceu de quem manda em você?

Cuddy fechou os olhos, as lágrimas finalmente escapando. O hospital, sua autoridade como diretora, sua força... tudo parecia ter evaporado. Diante de Mark, ela voltava a ser a garota insegura que ele quase destruiu anos atrás.

— Eu não sou mais aquela pessoa — sussurrou ela, embora sua voz não tivesse convicção.

— Ah, Lisa... — Mark acariciou o rosto dela com o dorso da mão, um gesto que era mais uma ameaça do que uma carícia. — Você sempre será minha. E se aquele médico aparecer aqui de novo, eu vou garantir que ele precise de mais do que uma bengala para andar.

Do lado de fora, no escuro de seu carro, House observava a silhueta dos dois através das cortinas finas. Ele sentia a dor na perna latejar com uma intensidade brutal, mas ele não tomou seu remédio. Ele precisava daquela dor. Ele precisava que ela o lembrasse de que, às vezes, para salvar alguém, você precisa ser mais implacável do que o monstro que a está perseguindo.

Ele discou outro número. Desta vez, não era para Wilson.

— Foreman? — House disse quando o neurologista atendeu. — Quero que você e o Chase comecem uma busca nos registros criminais de Nova Jersey e Nova York. Procurem por ordens de restrição e agressão. O nome é Mark.

— House, do que você está falando? — Foreman perguntou, confuso.

— Apenas faça — ordenou House. — A vida da Cuddy depende disso. E se vocês falharem, eu juro que faço vocês trabalharem no ambulatório pelo resto da eternidade.

House desligou o telefone e voltou a olhar para a janela. Ele sabia que Cuddy estava sofrendo. Ele sabia que ela estava apavorada. E, pela primeira vez em sua vida, Gregory House não estava preocupado em estar certo ou em resolver um quebra-cabeça. Ele só queria que ela estivesse segura.

Mesmo que, para isso, ele tivesse que mostrar a ela o lado mais sombrio de sua própria natureza.

O beijo que ele presenciara ainda queimava em sua mente como um ácido. Ele sabia que Mark o fizera para provocá-lo, para estabelecer domínio. O que Mark não sabia era que House não jogava pelas regras. House não era um cavalheiro, não era um herói e certamente não tinha escrúpulos.

— Você escolheu o alvo errado, Mark — sussurrou House para o vidro do para-brisa. — Eu sou o cara que vê o que ninguém mais vê. E eu já vi o seu fim.

Ele ligou o motor, mas não saiu do lugar. Ele ficaria ali a noite toda se fosse preciso. Vigiando. Esperando. Porque Lisa Cuddy podia ter medo de seu passado, mas Mark deveria ter muito mais medo do que Gregory House era capaz de fazer por amor — mesmo que ele nunca tivesse coragem de admitir esse sentimento em voz alta.

As horas passaram lentas. A luz do apartamento de Cuddy finalmente se apagou, deixando House na escuridão total da rua deserta. O silêncio era interrompido apenas pelo som rítmico da chuva que começava a cair, lavando o asfalto, mas incapaz de limpar a sujeira que House sentia impregnada no ar.

Ele sabia que a batalha estava apenas começando. Mark não era apenas um namorado abusivo; ele era um perseguidor, um manipulador que sabia exatamente onde apertar para fazer Cuddy quebrar. Mas House tinha uma vantagem. Ele era o mestre da manipulação.

— Vamos ver quem quebra primeiro — murmurou House, fechando os olhos por um breve momento, a imagem de Cuddy desamparada gravada em sua retina, alimentando o fogo frio de sua determinação.

A manhã chegaria em breve, e com ela, House começaria a mover suas peças no tabuleiro. E Mark não teria a menor chance contra o homem que fazia do caos a sua casa.

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