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Laminas Eletrizadas

Fandom: Dungeon Meshi

Criado: 10/06/2026

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Veneno em Taça de Ouro

O bar no vilarejo recém-erguido aos pés do castelo de Melini cheirava a madeira úmida, cerveja barata e o persistente odor de monstro assado que parecia impregnar cada centímetro do reino de Laios. Para Flamela, capitã dos Canários, aquele lugar era o próprio purgatório. Ela odiava a umidade, odiava o barulho e, acima de tudo, odiava o fato de estar sendo forçada a coexistir com "pessoas de vida curta" que não tinham o menor respeito pela etiqueta élfica.

Ela girou a taça de vinho — se é que se podia chamar aquela lavagem de vinho — e soltou um suspiro pesado, seus olhos vermelhos brilhando sob a luz fraca das velas.

— Outra dose — ordenou Flamela, a voz cortante como uma lâmina de gelo.

— Para mim também. E que seja algo que realmente queime — uma voz feminina e igualmente ríspida ecoou ao seu lado.

Flamela não precisou virar o rosto para saber quem era. Rin, a maga de cabelos negros do grupo de Kabru, sentou-se dois bancos à esquerda, exalando uma aura de hostilidade que rivalizava com a da elfa. O vestido preto de forro vermelho estava levemente desalinhado, e Rin parecia pronta para explodir o primeiro que a olhasse torto.

— Você de novo — murmurou Flamela, sem esconder o desprezo. — Achei que estivesse ocupada demais sendo a sombra de Kabru para frequentar tavernas deploráveis.

Rin soltou uma risada seca, sem um pingo de humor, enquanto recebia sua caneca de bebida forte.

— E eu achei que você estivesse ocupada demais redigindo relatórios inúteis sobre como o mundo vai acabar porque um idiota gosta de comer pés de galinha gigantes.

Flamela apertou o cabo da taça até os nós dos dedos ficarem brancos contra sua pele de obsidiana.

— Aquele homem... — Flamela sibilou, os dentes cerrados. — Laios Touden é uma afronta a tudo o que é lógico. Ele não apenas desafiou a autoridade dos Canários, como transformou a masmorra em um buffet pessoal. E agora, ele se senta naquele trono com aquela expressão de quem não sabe se quer governar ou se quer provar o tapete.

Rin tomou um gole generoso de sua bebida, fechando os olhos por um momento enquanto o álcool descia rasgando.

— Ele é um imbecil — concordou Rin, sua voz subindo um tom de irritação. — Mas o pior não é ele. O pior é quem cai no feitiço dele. Você viu o Kabru ultimamente?

Flamela arqueou uma sobrancelha prateada, virando o corpo levemente para observar a maga.

— O rapaz que age como se fosse o mediador do mundo? O que tem ele?

— Ele está obcecado! — Rin bateu a caneca no balcão, atraindo olhares de alguns aventureiros próximos, que rapidamente desviaram o rosto ao verem sua expressão assassina. — Kabru não fala de outra coisa. "O Rei Laios isso", "A visão do Rei Laios aquilo". Ele olha para aquele loiro pateta como se ele fosse a porra do sol renascido. Eu passei anos ao lado dele, protegi as costas dele, e agora sou apenas... a maga que fica no fundo enquanto ele tenta entender a "psique profunda" de um homem que provavelmente está tentando descobrir o gosto de um Slime agora mesmo.

Flamela soltou um som que era metade bufo, metade risada.

— Então estamos na mesma situação degradante. Eu, uma nobre de sangue puro e capitã da unidade mais temida do continente, sou ignorada e contrariada por um bárbaro que fala com monstros. E você, uma bruxa que se acha assertiva, foi trocada pela admiração platônica de um rei que cheira a cachorro úmido.

Rin virou-se totalmente para Flamela, os olhos negros faiscando de ódio, mas também de uma estranha compreensão.

— Ele é irritante. A forma como ele sorri quando fala de ecossistemas... — Rin fez uma careta de nojo.

— E a forma como ele simplesmente ignora séculos de leis mágicas porque "estava com fome" — Flamela completou, sentindo o calor do álcool finalmente começar a soltar sua língua. — Ele é um caos ambulante.

— Um idiota perigoso — Rin acrescentou.

— Um lunático insuportável — Flamela rebateu.

As duas se encararam por um longo segundo. O silêncio entre elas não era amigável; era carregado de uma eletricidade estática, uma mistura de fúria compartilhada e uma arrogância que ambas possuíam em doses cavalares.

— Garçom! — Flamela chamou, apontando para a garrafa de Rin. — Traga a garrafa inteira. E mais uma para mim. Da melhor que tiver, se é que existe algo "melhor" neste chiqueiro.

As horas passaram e as reclamações evoluíram de insultos a Laios para uma análise detalhada de como todos ao redor delas eram incompetentes. Rin gesticulava violentamente enquanto descrevia como Kabru ignorava seus avisos, e Flamela, pela primeira vez em décadas, sentiu que não precisava manter a postura de superioridade absoluta, já que Rin era igualmente insuportável.

— Você é uma mulher detestável, sabia? — disse Rin, a voz levemente arrastada, os cabelos negros caindo sobre o rosto. — Se acha melhor que todo mundo só porque tem essas orelhas pontudas e viveu mil anos odiando as coisas.

Flamela inclinou-se para frente, o rosto a poucos centímetros do de Rin. O hálito cheirava a vinho e fúria.

— E você é uma criatura insolente e amargurada que projeta suas inseguranças em um homem que nunca vai te olhar da mesma forma que olha para um mapa de masmorra.

Rin não recuou. Em vez disso, ela sorriu, um sorriso torto e cruel que mostrava que ela estava gostando do confronto.

— Pelo menos eu não sou uma relíquia de um império que está morrendo de medo de um rei que come monstros.

Flamela estendeu a mão e segurou o queixo de Rin com força, os dedos longos e escuros contrastando com a pele pálida da maga.

— Você fala demais para alguém tão pequena, bruxa.

— E você toca demais para quem diz me odiar, elfa.

A tensão entre as duas mudou de natureza. Não era mais apenas sobre Laios ou Kabru; era sobre a fricção de duas personalidades abrasivas que se encontraram no fundo do poço da irritação. Flamela sentiu uma vontade súbita de calar aquela boca atrevida, não com magia, mas com algo mais imediato.

Rin, por sua vez, sentia o sangue ferver. Ela odiava Flamela. Odiava a arrogância dela, o modo como ela olhava para todos de cima. Mas, naquele momento, sob o efeito da bebida e da solidão compartilhada, aquela arrogância era a coisa mais estimulante que ela encontrara em semanas.

— Vamos sair daqui — ordenou Flamela, sem soltar o queixo de Rin. — Este lugar é pequeno demais para o meu humor.

— Onde você for, eu vou para garantir que você continue se sentindo miserável — Rin respondeu, desafiadora.

O caminho até os aposentos que Flamela ocupava no castelo foi um borrão de insultos trocados em sussurros e esbarrões propositais. Assim que a porta foi trancada, a briga não parou; ela apenas se transformou.

— Você é insuportável — Rin sibilou, sendo empurrada contra a porta de madeira.

— E você é patética — Flamela respondeu, prendendo os pulsos de Rin acima da cabeça dela com uma mão, enquanto a outra se perdia nos cabelos negros da maga.

O beijo que se seguiu não teve nada de romântico. Foi uma colisão de dentes e línguas, uma tentativa de dominar a outra, de extrair a frustração que Laios e Kabru haviam plantado em seus peitos. Era um beijo carregado de veneno, de um desejo tóxico que nascia do desprezo mútuo.

Flamela a jogou na cama com uma brutalidade que Rin devolveu com unhadas nas costas da elfa. Não havia palavras de carinho, apenas ordens e gemidos de raiva. Elas se usavam como ferramentas para esquecer que, no grande esquema das coisas, ambas haviam perdido o controle sobre o que queriam.

Naquela noite, o quarto de Flamela foi o palco de uma guerra silenciosa entre duas mulheres que se detestavam, mas que descobriram que o ódio de uma era o encaixe perfeito para a fúria da outra.

...

A luz da manhã entrou pela janela alta, atingindo os olhos de Flamela como uma punhalada. Ela gemeu, sentindo a cabeça latejar. Ao tentar se mover, sentiu um peso sobre o peito.

Rin estava caída sobre ela, os cabelos negros espalhados como uma mancha de tinta sobre os lençóis de seda. A maga acordou logo em seguida, piscando devagar, a confusão dando lugar ao horror conforme as memórias da noite anterior voltavam como um deslizamento de terra.

Rin sentou-se bruscamente, puxando o lençol para cobrir o corpo, os olhos negros fixos em Flamela.

— Isso... — Rin começou, a voz rouca. — Isso nunca aconteceu.

Flamela sentou-se com elegância forçada, apesar da náusea. Ela olhou para as marcas vermelhas no pescoço de Rin, sentindo um prazer sombrio ao saber que tinha sido ela quem as deixou ali.

— Obviamente — Flamela respondeu, recuperando sua máscara de frieza. — Você foi apenas uma distração necessária para o estresse causado por aquele rei idiota.

Rin estreitou os olhos, levantando-se e começando a catar suas roupas espalhadas pelo chão de pedra fria.

— Bom. Porque a ideia de tocar em você de novo me faz querer vomitar mais do que a bebida de ontem.

— Então por que ainda está aqui me olhando? — Flamela perguntou, cruzando os braços, a pele negra brilhando sob a luz matinal. — Saia antes que eu decida que sua presença é uma violação do meu espaço diplomático.

Rin terminou de se vestir, ajeitando o vestido preto com movimentos bruscos. Ela caminhou até a porta, mas parou antes de sair. Virou-se para Flamela com um sorriso venenoso.

— Sabe, capitã... Para alguém que se diz tão superior, você grita o nome de ninguém quando está desesperada. Você é tão vazia quanto a masmorra que tentou controlar.

Flamela sentiu a fúria subir, mas antes que pudesse conjurar um insulto ou um feitiço, Rin saiu, batendo a porta com força suficiente para fazer os quadros na parede tremerem.

A elfa afundou-se novamente nos travesseiros, soltando um suspiro longo e trêmulo. Seu corpo ainda ardia, e o cheiro de Rin — uma mistura de sândalo e fumaça — ainda estava em seus lençóis.

Ela odiava Rin. Ela odiava Laios. Ela odiava aquele reino.

Mas, enquanto olhava para o teto, Flamela sabia que, na próxima vez que a irritação por aquele rei loiro se tornasse insuportável, ela acabaria procurando novamente pelo veneno de Rin. E Rin, em sua busca desesperada por algo que Kabru nunca lhe daria, estaria lá para retribuir o ódio.

Era uma relação desastrosa, tóxica e fadada ao fracasso.

Exatamente o que ambas mereciam.
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