Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Benedict/Mister strontium!

Fandom: Fpe Advanced Class

Criado: 10/06/2026

Tags

MistérioDor/ConfortoAçãoDramaFantasiaSuspenseCenário CanônicoEstudo de Personagem
Índice

O Nó de Ferro e o Silêncio de Chumbo

Os corredores da Paper School estavam estranhamente silenciosos naquela tarde, um silêncio que não trazia paz, mas sim uma sensação de presságio. As luzes fluorescentes piscavam ritmicamente, projetando sombras longas e distorcidas contra as paredes de papel e concreto. Miss Bloomie caminhava com passos firmes, o som de suas botas ecoando pelo corredor vazio. Ela segurava um conjunto de relatórios de desempenho dos alunos, mas sua mente estava em outro lugar.

Ela estava procurando por Benedict. O Mister Strontium, como era conhecido pelos alunos e colegas, não aparecia para a reunião de coordenação há mais de duas horas. Isso não era do feitio dele. Benedict era metódico, quase tão rígido quanto a máscara de gás que nunca tirava em público. Sua presença imponente, com os chifres em forma de raio e o longo casaco preto, costumava ser um pilar de ordem nos setores mais perigosos da escola.

— Benedict? — chamou ela, sua voz cortando o ar estático. — Se isso for uma piada de mau gosto sobre os novos protocolos de segurança, eu juro que vou aumentar sua carga horária no laboratório.

Não houve resposta imediata. Bloomie parou perto da ala de armazenamento químico, uma área que Strontium frequentava devido ao tanque inflamável que carregava nas costas. Foi então que ela ouviu.

Um som abafado, grave e rítmico. Era um gemido, mas não de dor comum; era o som de alguém tentando gritar através de várias camadas de tecido e borracha. O som vinha de trás de uma porta de metal pesada, marcada com símbolos de perigo.

Bloomie franziu o cenho, sua expressão suavizando-se para uma de preocupação genuína. Ela se aproximou da porta, e o som ficou mais alto, mais desesperado. Sem hesitar, ela girou a maçaneta e empurrou a porta com força.

A cena dentro da sala de manutenção era caótica. Estantes de suprimentos haviam sido derrubadas, e o cheiro de ozônio pairava no ar. No centro da sala, caído contra uma pilha de caixas, estava Mister Strontium.

Ele estava em um estado deplorável. Cordas grossas e ásperas envolviam seus tornozelos, subindo pelas pernas e prendendo seus braços firmemente atrás das costas em uma posição dolorosa. O longo casaco preto estava amarrotado, e sua cauda pontiaguda estava presa sob o peso do próprio corpo. O que mais chocou Bloomie, no entanto, foi a mordaça. Uma tira de couro larga e escura envolvia a parte inferior de sua máscara de gás, pressionando a gola do xale contra sua boca, abafando qualquer palavra que ele tentasse proferir.

— Benedict! — exclamou Bloomie, correndo em sua direção.

Os olhos de Strontium, visíveis através das lentes vermelhas da máscara, estavam arregalados e injetados. Ao vê-la, ele tentou se debater, mas as cordas estavam apertadas demais, cortando a circulação de seus braços.

— Calma, fique parado! — ordenou ela, ajoelhando-se ao lado dele. — Eu vou tirar você daí.

Bloomie sacou uma pequena lâmina que sempre carregava consigo para "fins pedagógicos" e começou a cortar as cordas. Primeiro as dos pés, permitindo que ele esticasse as pernas, que tremiam pelo esforço prolongado. Depois, ela moveu-se para trás dele. As cordas nos braços estavam presas com nós complexos, quase profissionais.

— Quem fez isso com você? — perguntou ela, a voz carregada de uma fúria fria enquanto cortava o último laço nos pulsos.

Assim que os braços ficaram livres, Benedict caiu para a frente, apoiando-se nas mãos enluvadas. Bloomie rapidamente desamarrou a mordaça de couro que prendia sua máscara. O som do ar sendo sugado avidamente pelos filtros da máscara de gás preencheu o silêncio da sala.

Por um momento, ele apenas respirou, o peito subindo e descendo pesadamente sob o xale com zíper. Ele removeu a máscara com as mãos trêmulas, revelando seu rosto de pele cinza e os cabelos vermelhos bagunçados que caíam sobre o lado direito de sua face. Seus olhos pretos com pupilas vermelhas brilhavam com uma mistura de exaustão e raiva contida.

— Obrigado... Bloomie — disse ele, a voz rouca e falha. — Eu achei que ficaria ali até o próximo semestre.

— O que aconteceu aqui, Benedict? — Bloomie ajudou-o a se sentar, notando os pequenos espinhos vermelhos em seus ombros eriçados de tensão. — Ninguém na Paper School teria audácia ou habilidade para emboscar você dessa forma. Pelo menos, ninguém que ainda esteja respirando.

Benedict passou a mão pelos cabelos, tentando recuperar a compostura. Ele olhou para as cordas cortadas no chão como se fossem serpentes mortas.

— Foi uma emboscada — começou ele, ajustando o xale ao redor do pescoço. — Eu estava verificando os níveis de pressão no tanque inflamável quando algo me atingiu por trás. Não foi um aluno. Era rápido demais, forte demais.

— Um dos "experimentos" que fugiram da Classe Avançada? — perguntou Bloomie, estreitando os olhos.

— Talvez — respondeu Benedict, levantando-se com dificuldade. Suas pequenas asas de dragão se agitaram levemente nas costas, um sinal de seu nervosismo. — Eles sabiam exatamente onde me golpear para desativar meu sistema de defesa. Eles não queriam me matar, Bloomie. Eles queriam me neutralizar. Me prenderam como se eu fosse um animal de carga.

Bloomie observou as marcas vermelhas nos pulsos dele. A visão de um professor tão poderoso e intimidador quanto Strontium naquele estado de vulnerabilidade era perturbadora.

— Eles levaram algo? — questionou ela, olhando ao redor da sala revirada.

— As chaves do setor delta — disse Benedict, sua voz recuperando a gravidade habitual. — E o meu rádio de frequência privada. Se quem fez isso souber usar o que levou, a segurança de toda a ala leste está comprometida.

Bloomie colocou uma mão no ombro dele, sentindo a textura firme de sua pele cinza.

— Nós vamos encontrá-los, Benedict. Ninguém faz isso com um dos nossos e sai impune. Mas primeiro, você precisa ir à enfermaria. Você está tremendo.

— Eu não preciso de enfermaria — rosnou ele, embora suas pernas ainda vacilassem levemente. — Eu preciso recuperar o que é meu e garantir que quem quer que tenha feito isso aprenda o verdadeiro significado de "inflamável".

— Você é teimoso — disse Bloomie com um meio sorriso, o primeiro sinal de leveza desde que entrara na sala. — Mas é por isso que trabalhamos bem juntos. Consegue andar?

Benedict respirou fundo, recolhendo sua máscara de gás do chão e colocando-a de volta. O clique das lentes vermelhas se ajustando ao seu rosto trouxe de volta a aura de mistério e perigo de Mister Strontium.

— Eu consigo caçar — afirmou ele, a voz agora abafada e metálica por trás do filtro.

— Ótimo — respondeu Bloomie, guardando sua lâmina. — Porque eu tenho uma ideia de quem possa estar por trás disso, e eles não vão gostar nem um pouco da nossa visita de revisão.

Os dois saíram da sala de manutenção, deixando para trás as cordas cortadas. O silêncio da Paper School estava prestes a ser quebrado, não por gemidos abafados, mas pelo som da retaliação que estava por vir. Benedict caminhava agora com um propósito renovado, sua cauda chicoteando o ar com irritação, enquanto Bloomie liderava o caminho, ambos prontos para transformar os corredores de papel em um campo de batalha se necessário.

— Benedict — chamou ela sem olhar para trás.

— Sim? — respondeu ele.

— Da próxima vez que decidir ser amarrado, tente fazer isso em um horário que não interfira na minha reunião.

— Vou levar isso em consideração — replicou ele, e por um breve momento, houve um lampejo de humor na escuridão de seus olhos vermelhos.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic