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Fandom: record of ragnarok

Criado: 10/06/2026

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O Despertar do Soberano: Onde o Trono Encontra o Abismo

O silêncio nos corredores do palácio imperial não era o silêncio da paz, mas o vazio de uma tumba. Por dez longos anos, o homem sentado no trono de jade não passava de uma casca. Seus olhos, outrora vibrantes e cheios de uma audácia que desafiava os próprios céus, estavam nublados, fixos em um horizonte que ninguém mais conseguia ver. O Primeiro Imperador da China, o homem que unificou nações e enfrentou deuses, era agora um fantoche de carne, uma relíquia de um poder que o submundo havia tragado.

Mas, nas profundezas de Helheim, em um plano onde nem mesmo a luz de Hades costumava tocar, uma batalha silenciosa chegava ao fim. A alma de Qin Shi Huang, fragmentada e exilada por uma conspiração sombria que aproveitara uma brecha no pós-Ragnarok, finalmente rompeu as correntes metafísicas.

No mundo físico, os dedos de Qin tremeram.

A respiração, que por uma década fora mecânica e superficial, tornou-se profunda e voraz. O brilho dourado retornou às suas pupilas com a força de uma supernova. Ele piscou, e o mundo recuperou suas cores, mas também sua dor. A sinestesia toque-espelho o atingiu como um maremoto; ele sentiu o eco da agonia de milhares, mas, acima de tudo, sentiu um vazio ensurdecedor onde deveria estar a presença constante e reconfortante de seu marido.

— Onde... onde está o meu Rei? — A voz de Qin saiu rouca, mas carregada de uma autoridade que fez as paredes do palácio vibrarem.

Ele se levantou, ignorando a fraqueza dos músculos atrofiados. O imperador não caminha com permissão; ele caminha porque o chão lhe pertence. Ao sair de seus aposentos, encontrou o caos. Servidores amedrontados relataram o impensável: em um intervalo de meros três dias, o panteão de deuses e os heróis da humanidade haviam desaparecido. Zeus, Poseidon, Buda, até mesmo os guerreiros mais indomáveis como Leônidas e Lu Bu. E, o mais doloroso, Hades. O Senhor do Submundo, o pilar de dignidade que Qin chamava de "seu", fora levado junto com seus irmãos e filhos.

Os sequestradores, uma facção de entidades ancestrais que julgavam o Ragnarok uma heresia, haviam deixado Qin para trás. Consideraram-no um estorvo inútil, um corpo sem alma.

— Um erro de cálculo fatal — sibilou Qin, um sorriso perigoso surgindo em seus lábios enquanto ele rasgava as vestes de seda comum que usava.

Ele caminhou até o arsenal secreto. Ali, vestiu seu manto imperial, as cores vibrantes e os ornamentos de ouro reluzindo sob a luz das tochas. Ele ajustou as proteções em seus dedos, sentindo o peso da responsabilidade. Ele não era apenas um homem buscando seu amado; ele era o caminho, o trono e a justiça.

O rastro de energia levava às Fronteiras do Esquecimento, uma dimensão entre mundos onde os sequestradores haviam erguido uma fortaleza de pesadelos. Qin não convocou exércitos. Ele não precisava. Onde quer que ele estivesse, o império estava com ele.

Ao chegar aos portões da fortaleza, a resistência foi imediata. Criaturas disformes, guardiões do vazio, avançaram contra ele. Qin Shi Huang nem sequer desacelerou o passo.

— Hao! — exclamou ele, o ar ao seu redor distorcendo-se com a técnica *Chi You*.

Com um movimento fluido da Forma da Armadura, ele desviou o ataque do primeiro monstro, devolvendo a força do impacto com o dobro de intensidade. O som de ossos quebrando e carapaças se partindo era música para seus ouvidos. Ele era um mestre da percepção; ele via as estrelas, os pontos de fluxo de energia de seus inimigos, e os soprava como se fossem velas ao vento.

Ele atravessou os portões principais com uma explosão de poder, cada passo deixando uma marca de destruição. O imperador estava em fúria.

Lá dentro, em uma arena vasta e sombria, ele viu as celas de energia. Viu Adão e Eva, viu os irmãos de Hades acorrentados por correntes que drenavam a divindade. Viu seus próprios filhos e os filhos dos outros deuses, todos mantidos em um estado de estase. E, no centro de tudo, em um altar de pedra negra, estava Hades.

O Rei do Submundo parecia exausto, sua postura nobre ainda intacta, mas seus olhos mostravam a preocupação por sua família. Ao ver a figura de manto esvoaçante e sorriso arrogante atravessar a fumaça da batalha, Hades sentiu o coração, que muitos julgavam frio, saltar no peito.

— Qin? — sussurrou Hades, sua voz carregada de descrença e alívio.

— Desculpe o atraso, meu Rei — disse Qin, parando diante do líder dos sequestradores, uma entidade de sombras que se erguia dez vezes o seu tamanho. — Eu estava tendo um sono de beleza um pouco longo demais.

A entidade rugiu, uma cacofonia de vozes que exigia saber como um humano ousava interromper o novo julgamento do universo.

— Onde eu me sento, é o meu trono — declarou Qin, os olhos brilhando com uma intensidade divina. — E você está ocupando o espaço da minha vista. Saia.

A batalha que se seguiu foi uma demonstração de maestria marcial e vontade absoluta. Qin Shi Huang não lutava apenas com força bruta; ele lutava com a dor que sentia através de seu dom, transformando o sofrimento de todos os prisioneiros em combustível para sua técnica. Ele era o escudo que protegia e a espada que punia. Com um golpe final da Forma da Espada, ele partiu a essência da entidade ao meio, dissipando a escuridão que envolvia o local.

As correntes se quebraram simultaneamente.

O silêncio retornou, mas desta vez era o silêncio que precede a celebração. Deuses e humanos começaram a se levantar, confusos e gratos. Zeus soltou uma risada estrondosa, batendo no ombro de um Hermes ainda atordoado, enquanto Brunhilde suspirava de alívio ao ver seus guerreiros a salvo.

Mas Qin não olhou para nenhum deles. Seus olhos estavam fixos em Hades, que descia do altar com a graça habitual, embora seus passos fossem ligeiramente apressados.

Eles se encontraram no meio do salão em ruínas. Hades, o deus sério, estrategista e impiedoso, não hesitou. Ele envolveu Qin em seus braços, apertando-o contra o peito como se temesse que ele pudesse desaparecer novamente.

— Você voltou para mim — murmurou Hades, escondendo o rosto na curva do pescoço de Qin, respirando o cheiro de sândalo e batalha que emanava dele. — Sua alma... eu a procurei por todos os cantos de Helheim.

Qin retribuiu o abraço com a mesma intensidade, sua arrogância derretendo-se em uma ternura que apenas Hades conhecia.

— Eu ouvi sua voz, Hades. Mesmo no escuro, eu ouvi você me chamando. — Qin afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos do marido. — Você achou mesmo que o Imperador deixaria você cuidar de todo esse caos sozinho?

Hades soltou um curto riso, uma raridade que iluminou seu rosto pálido.

— Eu deveria saber que nem a morte ou o tempo poderiam manter você longe do que considera seu.

— Exatamente — disse Qin, recuperando seu sorriso travesso. — E você, meu caro Rei, é a minha posse mais preciosa.

Ao redor deles, a cena era de reencontros. Adão abraçava seus filhos com a ternura de um pai que faria tudo por eles; Poseidon, embora mantivesse sua expressão apática, permitia que seus sobrinhos se aproximassem sem protestar; Nikola Tesla já discutia teorias sobre a tecnologia das celas com quem estivesse por perto.

Hades olhou para seus irmãos, Zeus e Poseidon, e depois para os heróis da humanidade. Ele viu a união improvável que aquele momento forjara, mas seu foco voltou rapidamente para o homem em seus braços. Ele estendeu a mão e tocou suavemente a venda que Qin voltara a usar, um gesto de carinho profundo.

— Vamos para casa, Qin Shi Huang — disse Hades, sua voz assumindo o tom de autoridade benevolente que lhe rendera o respeito de todo o submundo. — Temos dez anos de tempo perdido para recuperar.

— Casa? — Qin inclinou a cabeça, o sorriso aumentando. — Gosto de como isso soa. Mas espero que o banquete esteja à altura. Um Imperador não aceita nada menos que a perfeição.

— Você terá o que desejar — prometeu Hades, oferecendo o braço ao marido. — O submundo e tudo o que há nele é seu, assim como o meu coração sempre foi.

Caminhando lado a lado, o Deus Nobre e o Imperador Eterno atravessaram os escombros da fortaleza. Atrás deles, deuses e humanos seguiam, um exército de lendas liderado por um casal que provara que nem mesmo a separação entre alma e corpo era páreo para um amor que governava sobre a vida e a morte.

O retorno de Qin Shi Huang não foi apenas o despertar de um rei, mas a restauração do equilíbrio. E enquanto caminhavam sob o céu que começava a brilhar com a luz do crepúsculo, todos sabiam: enquanto Hades e Qin estivessem juntos, nenhum trono no universo estaria desamparado.

— Sabe, Hades — disse Qin, enquanto atravessavam o portal de volta para o palácio —, eu senti falta das suas broncas sobre minha postura no trono.

— E eu senti falta da sua capacidade irritante de estar sempre certo — respondeu Hades, apertando a mão de Qin. — Não ouse me deixar novamente.

— Jamais — prometeu o Imperador, encostando a cabeça no ombro do marido. — Afinal, quem mais governaria este mundo com tanta classe se não nós dois?

E assim, entre sorrisos e promessas silenciosas, os dois soberanos retornaram ao seu domínio, prontos para enfrentar qualquer desafio que a eternidade pudesse lançar em seu caminho, unidos por um vínculo que nem o Ragnarok ousara destruir.
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