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A filha de bigmon

Fandom: One piece

Criado: 10/06/2026

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Entre Traços de Giz e Sonhos de Açúcar

A luz da manhã na Ilha Whole Cake tinha um tom peculiar de rosa-alaranjado, refletindo-se nas janelas de geleia do imenso castelo. Para a maioria dos habitantes de Totland, o dia começava com o som de canções alegres e o cheiro irresistível de doces sendo assados. Para Charlotte SN, no entanto, o dia começava no silêncio do imenso quarto de sua mãe, Linlin.

Sentada em uma poltrona desproporcionalmente grande, SN mantinha as costas eretas, seus 2,85 metros de altura fazendo-a parecer uma gigante para qualquer humano comum, embora ela se sentisse minúscula perto da presença esmagadora de Big Mom. Seus longos cabelos ondulados caíam como uma cascata de algodão-doce sobre os ombros, e seus olhos azul-claro, com aqueles estranhos reflexos dourados, estavam fixos em um caderno de desenhos.

Ela usava um vestido de seda largo, de um tom creme suave. Sob o tecido, seus quatro braços moviam-se com uma coordenação hipnótica. Enquanto as mãos superiores seguravam o caderno e um lápis de grafite, as mãos inferiores, próximas à cintura, trabalhavam em algo diferente: uma pequena escultura de chocolate que ela materializava do nada, usando o poder da Sōzō Sōzō no Mi.

— Mamamama! Veja só isso, SN! — A voz de Big Mom trovejou pelo quarto, fazendo as janelas vibrarem. A imperatriz estava sentada em sua cama monumental, cercada por homies que serviam montanhas de panquecas. — O jornal diz que os piratas do novo mundo estão cada vez mais barulhentos. Mas eles não têm o que nós temos, não é? Eles não têm a minha pequena artista!

SN sentiu as bochechas esquentarem. Ela fechou o caderno rapidamente, escondendo o desenho de um dragão alado que pretendia "dar vida" mais tarde.

— Eu... eu só gosto de desenhar, Mama — murmurou SN, a voz quase sumindo diante do entusiasmo da mãe.

— Bobagem! — Big Mom esticou um braço enorme e deu um tapinha, que mais pareceu um empurrão, no ombro da filha. — Sua imaginação é uma arma, SN. Uma ferramenta divina! Por que você não cria algo para mim hoje? Aqueles castelos de biscoito que o Perospero faz são bons, mas eu queria algo... diferente. Algo que brilhe!

SN engoliu em seco. Ela odiava quando a atenção se voltava para suas habilidades, mas dizer "não" para a Mama nunca era uma opção segura, nem mesmo para a filha favorita. Ela fechou os olhos e se concentrou. O esforço exigia uma clareza mental absoluta. Em sua mente, ela visualizou um jardim de flores de cristal que emanavam um brilho suave e eram feitas de um açúcar translúcido que nunca derretia.

Lentamente, das palmas de suas quatro mãos, uma névoa cintilante começou a emanar. Aos poucos, as flores foram ganhando forma sobre a mesa de café da manhã. Eram delicadas, complexas, com pétalas que pareciam lapidadas por um joalheiro.

— Oh! — Big Mom inclinou-se para frente, os olhos brilhando de ganância e prazer. Ela pegou uma das flores e a jogou na boca. O som do cristal de açúcar quebrando ecoou pela sala. — Delicioso! Um pouco insosso comparado ao açúcar real, mas a textura... ah, a textura é divina!

SN soltou um suspiro de alívio, mas o esforço a deixou levemente tonta. Criar objetos com propriedades específicas, como o brilho e a dureza do cristal, consumia muita energia. Ela sentiu uma das mãos inferiores tremer levemente sob o vestido e a pressionou contra o próprio corpo.

— Agora, vá se preparar — ordenou Big Mom, limpando os farelos de açúcar do queixo. — Katakuri está esperando por você. Ele disse que você precisa treinar sua resistência. Eu acho uma perda de tempo, você deveria ficar aqui criando mais decorações para o chá da tarde, mas ele insiste que o mundo lá fora é perigoso.

— Sim, Mama — respondeu SN, levantando-se apressada.

Caminhar pelos corredores do castelo era sempre um desafio para SN. Ela tentava se encolher o máximo possível, mas sua altura e seus traços físicos tornavam o anonimato impossível. No caminho para o pátio de treinamento, ela passou por um grupo de soldados de xadrez e alguns de seus irmãos menores.

— Olhem, lá vai a esquisita de quatro braços — sussurrou um dos ministros menores, achando que ela não ouviria.

— Shhh! Ela é a protegida da Mama. Se ela ouvir, você vai acabar virando um desenho e sendo apagado — outro respondeu com uma risadinha nervosa.

SN apertou o passo, sentindo o nó na garganta. Ela odiava ser observada. Ela odiava que as pessoas vissem seus braços extras como uma deformidade ou uma arma, em vez de apenas uma parte de quem ela era. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela as limpou rapidamente com uma de suas mãos esquerdas.

Ao chegar ao pátio, o clima mudou. O ar parecia mais pesado, mais sério. No centro da arena de doces, estava a figura imponente de Charlotte Katakuri. Ele estava de costas, sua capa de penas escuras balançando levemente com a brisa.

— Você está atrasada três minutos, SN — disse ele, sem se virar.

— Desculpe, irmão... a Mama queria uma sobremesa nova — explicou ela, aproximando-se com cautela.

Katakuri virou-se. Seus olhos afiados escanearam a irmã mais nova. Ele notou imediatamente a postura retraída e o modo como ela tentava manter as mãos inferiores escondidas sob as dobras do vestido largo.

— O que eles disseram desta vez? — perguntou ele, a voz rouca e profunda saindo por trás do cachecol de lã.

— Nada... não foi nada — mentiu ela, olhando para os próprios pés.

Katakuri soltou um suspiro pesado. Ele se aproximou e, com uma delicadeza que poucos sabiam que ele possuía, colocou a mão enluvada sobre a cabeça de SN.

— Você não deve se envergonhar do que a torna única — disse ele, o tom de voz suavizando. — Neste mundo, ser "normal" é o mesmo que ser fraco. Mama ama você porque você é capaz de criar beleza do nada. Eu protejo você porque sei que seu coração é gentil demais para este mar de monstros. Mas você precisa ser forte.

— Eu tento, Katakuri... mas eu tenho medo — confessou ela, levantando os olhos azuis para ele. — Medo de que, se eu não for útil para a Mama, ela deixe de gostar de mim. Medo de que as pessoas só vejam em mim o que eu posso dar a elas, e não quem eu sou.

— Então use esse medo — Katakuri deu um passo para trás e assumiu uma postura de combate. — Transforme sua imaginação em algo que possa protegê-la. Se você tem medo de ser observada, crie algo que ninguém ouse encarar.

SN respirou fundo. Ela sabia que as aulas de Katakuri eram difíceis, mas ele era o único que realmente a entendia. Ela fechou os olhos e, desta vez, não pensou em flores ou doces. Ela pensou nos livros de aventura que lia à noite, nas criaturas que habitavam as florestas sombrias de suas histórias favoritas.

De repente, o chão ao redor dela começou a vibrar. Uma massa de fumaça densa e colorida começou a se formar, e dela surgiu um lobo imenso, com três cabeças e pelos que pareciam feitos de sombras e luz estelar. A criatura rosnou, um som que não deveria existir na realidade, mas que ali estava, materializado pela vontade dela.

Katakuri sorriu por baixo do cachecol.

— Melhor. Agora, tente manter a forma dele enquanto se move.

O treinamento durou horas. SN criou escudos de aço que flutuavam ao seu redor, pontes de vidro que desapareciam assim que ela passava e pequenas fadas que disparavam faíscas de luz para distrair o oponente. Ao final, ela estava exausta, o suor empapando seus cabelos rosa, mas havia um pequeno brilho de confiança em seu olhar.

— Você progrediu — disse Katakuri, oferecendo-lhe uma garrafa de água. — Mas lembre-se, sua maior fraqueza é o seu foco. Se você duvidar de si mesma por um segundo, suas criações cairão como castelos de cartas.

— Eu vou me lembrar — prometeu ela, bebendo a água avidamente.

Enquanto o sol começava a se pôr, pintando o céu de Totland com cores vibrantes, SN decidiu caminhar até a biblioteca do castelo. Era seu lugar favorito no mundo, onde os livros não a julgavam e as histórias a levavam para longe das intrigas da família Charlotte.

No entanto, ao passar por uma das varandas, ela viu uma pequena figura sentada sozinha. Era uma das suas irmãs mais novas, Pudding, que parecia estar chorando baixinho. SN hesitou. Sua timidez gritava para que ela seguisse em frente, mas sua gentileza falou mais alto.

Ela se aproximou lentamente, os passos silenciosos apesar de sua altura.

— Pudding? Está tudo bem? — perguntou SN, baixinho.

A menina levantou a cabeça, surpresa. Ao ver que era SN, ela tentou limpar as lágrimas rapidamente.

— Oh, é você, SN-niisama... Eu só... eu detesto quando os outros se aproveitam de mim. A Mama quer que eu use meu olho para algo que eu não quero fazer.

SN sentiu uma pontada de solidariedade. Ela sentou-se ao lado da irmã, seus quatro braços movendo-se de forma inconsciente. Com as mãos superiores, ela abraçou os próprios joelhos. Com uma das mãos inferiores, ela concentrou uma pequena quantidade de energia.

— Olhe para isso — disse SN, estendendo a palma da mão.

Pudding olhou e viu um pequeno pássaro de papel que começou a bater as asas. Ele não era feito de papel real, mas de uma luz suave e azulada. O pássaro começou a voar ao redor de Pudding, soltando pequenos sons de sino.

— Ele é... lindo — sussurrou Pudding, um pequeno sorriso surgindo em seu rosto.

— Às vezes, o que os outros esperam de nós não é o que realmente somos — disse SN, olhando para o horizonte. — Eles veem meus quatro braços e pensam em um monstro de combate. Eles veem seu terceiro olho e pensam em segredos antigos. Mas, aqui dentro... — ela tocou o próprio peito — ...nós somos donas da nossa própria história.

As duas ficaram ali em silêncio por um longo tempo, observando o pássaro de luz desaparecer lentamente à medida que o foco de SN diminuía.

Naquela noite, SN voltou para seu quarto e abriu seu caderno de desenhos. Ela não desenhou armas, nem monstros, nem decorações para a mãe. Ela desenhou um navio. Um navio com velas feitas de sonhos e um casco que poderia navegar por qualquer mar, livre de territórios e de expectativas.

Ela sabia que, por enquanto, sua realidade era o castelo de doces e a sombra protetora de Katakuri. Mas, enquanto sua imaginação fosse livre, ela nunca estaria verdadeiramente presa.

Ao fechar os olhos para dormir, SN sentiu o peso reconfortante de seus quatro braços, relaxando finalmente. Ela era Charlotte SN, a filha da imperatriz, a protegida do general doce, a garota que podia criar mundos com um pensamento. E, embora o mundo ainda a assustasse, ela começava a perceber que talvez, apenas talvez, o mundo é que deveria ter cuidado com o que ela era capaz de imaginar.

A chuva voltou a cair sobre Whole Cake, um som rítmico e doce contra as paredes de biscoito. No silêncio do castelo, a jovem de cabelos rosa sonhava com aventuras que ainda não tinham nome, mas que, em breve, se tornariam tão reais quanto o chão sob seus pés.
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