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Blue lock

Fandom: Blue lock

Criado: 10/06/2026

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O Caos Azul e a Seleção dos Rejeitados

A luz branca e estéril das instalações do Blue Lock refletia no piso polido, onde vinte figuras improváveis se encaravam. Ego Jinpachi, projetado em um telão gigante, observava-os com seu habitual olhar de peixe morto.

— Bem-vindos, seus talentos medíocres e anomalias estatísticas — a voz de Ego ecoou pela sala. — Vocês são o "Projeto Z-2", o resto do que sobrou no fundo do barril. Se quiserem sobreviver aqui, terão que transformar esse circo em um time de futebol.

No centro do grupo, Fr4me, um jovem de olhos laranjas vibrantes que pareciam captar frequências invisíveis, começou a pedalar em cima da bola. O problema? Não havia ninguém na frente dele. Ele driblava o próprio vácuo, mudando de direção bruscamente como se estivesse fugindo da própria sombra.

— O espaço... ele se dobra — murmurou Fr4me, em seu transe particular.

— Alguém para esse maluco, ele vai acabar deslocando o joelho sozinho! — gritou Apollo, tentando manter uma postura de líder. Ele era o atacante mais "normal" ali, o que, naquele contexto, o tornava o elo mais fraco. — Precisamos de tática, pessoal! Jogo em equipe!

— Jogo em equipe é o meu punho na sua cara — rosnou Aires, o zagueiro, que já estava com as chuteiras sujas de algo que parecia sangue, embora a partida nem tivesse começado. Ele não olhava para a bola; ele olhava para as canelas de Apollo.

Ao fundo, Ayakashi respirou fundo. Ele estava no círculo central do campo de treinamento. Sem aviso, ele disparou um chute com toda a força. A bola subiu, viajou por cima de todos, passou longe das traves e atingiu em cheio uma câmera de segurança no teto.

— Quase... — sussurrou Ayakashi, apesar de ter errado por uns dez metros. — O ângulo de 180 graus é a minha zona de conforto.

— Você é patético — debochou Depp, que estava parado em uma pose idêntica à de Itoshi Rin, tentando imitar até a respiração do prodígio. — Eu sou o camaleão. Eu posso ser qualquer um.

— Você parece mais uma lagartixa com cãibra — interrompeu Debi, ajeitando as meias calças e o cabelo perfeitamente alinhado. — Se você seguir o meu plano, que é claramente superior ao que o Ego-san propôs, talvez a gente não passe vergonha.

Debi apontava para um tablet imaginário, agindo como se fosse o cérebro da operação, enquanto Toddynho, o outro zagueiro, estava sentado na grama sintética tentando entender se a linha da grande área era para comer ou para pular.

— Alguém viu minha chuteira esquerda? — perguntou Tavares, o velocista do grupo. Ele começou a correr em círculos, ganhando uma velocidade absurda. — Eu preciso correr! Correr é viver!

De repente, Tavares tropeçou nos próprios pés e caiu de cara no chão, deslizando por três metros.

— Eu vi o futuro — disse Jimmy, o cigano, escondendo algo sob a camisa. — E no futuro, Tavares, você vai continuar sendo um idiota. Além disso, as estrelas dizem que essas chuteiras agora são minhas por direito ancestral.

— Isso é roubo, Jimmy! — gritou Apollo.

— É redistribuição de bens divinos — retrucou Jimmy, guardando o par de chuteiras de reserva de alguém em sua bolsa.

Enquanto a confusão escalava, Ludo deu um salto mortal para trás e tentou um chute de bicicleta no ar, acertando apenas o vento.

— Como diria o protagonista de "Burning Soccer", meu coração está em chamas! — gritou Ludo, pousando de forma nada graciosa. — Alguém aí curte um Yaoi de esportes?

— Cala a boca, seu otaku — resmungou Illusion, que estava num canto ajustando um cachecol preto e branco. — Este mundo é apenas um jogo de desespero. Eu sou o mestre das ilusões, e meu ego é maior que este prédio. Vocês são todos apenas figurantes em um capítulo de Danganronpa.

— Você fala demais — disse Miguelito, que estava ocupado driblando o ar. Ele fazia fintas complexas contra o vento, suando como se estivesse enfrentando a defesa da França. — O ar... ele tem uma marcação muito cerrada hoje.

No gol, Volito abria os braços. Ele era imenso, ocupando quase toda a extensão da baliza.

— Podem chutar — disse Volito com uma voz cavernosa. — Nada passa pela muralha de carne.

— Nem um cadeirante? — perguntou Jabami, rindo. Ele era o zagueiro que tinha a incrível habilidade de se esquivar dos atacantes adversários para não se cansar. — Porque eu deixaria passar até um tanque de guerra se ele pedisse "por favor".

A confusão era interrompida apenas pelos gritos de Kat, que discutia fervorosamente com uma pessoa invisível ao seu lado.

— Eu já disse que não é hora de comer sushi, General! — Kat gritava para o vazio. — Estamos no Blue Lock! Sim, o Ego é estranho, eu sei!

— Alguém tem um lanche? — perguntou Lopa, com o estômago roncando. — No meu tempo de distrital, a gente dividia um pão para onze jogadores. Eu tô mais faminto que um Snorlax bloqueando a Rota 11.

Kaze, que até então estava em silêncio absoluto, fechou os olhos. Ele sentia a vibração do campo. Ele era o mestre do jogo, ou pelo menos era o que sua mente dizia.

— Silêncio — ordenou Kaze. — A sinfonia vai começar.

Ego reapareceu no telão, batendo palmas secas.

— O teste de vocês começa agora. O primeiro time a marcar cinco gols contra os hologramas de defesa vence. Se falharem, todos estão fora.

A bola caiu do teto. Fr4me foi o primeiro a reagir. Ele começou a driblar a si mesmo, girando sobre o próprio eixo.

— O que ele está fazendo? — gritou Sabtiago, que estava encostado na trave, bocejando. — Eu só vim aqui porque a comida era de graça.

— Ele está criando um vácuo! — analisou Debi. — Ou ele é só maluco mesmo.

Fr4me passou a bola para Miguelito, que driblou o ar por três metros e depois passou para Tavares. Tavares disparou como um raio, ultrapassou os hologramas, mas, no momento do chute, tropeçou em uma formiga imaginária e caiu de cara.

A bola sobrou para Ayakashi no meio de campo.

— É agora. O destino me chama — disse Ayakashi.

Ele chutou. A bola voou com uma curva impossível, saindo do campo e quebrando outra lâmpada no teto.

— Droga, o vento solar mudou de direção — justificou-se Ayakashi.

— Deixem comigo! — gritou Ludo, tentando outra bicicleta. — Pelo poder da amizade e das referências de anime!

Ludo errou a bola, mas acertou acidentalmente a cabeça de Aires, que estava passando.

— VOCÊ ME TOCOU? — Aires explodiu. — VOU QUEBRAR SUAS DUAS PERNAS!

Aires esqueceu a bola e começou a perseguir Ludo pelo campo, tentando dar carrinhos criminosos no colega de equipe. Enquanto isso, Jabami abria caminho para os hologramas passarem, fazendo um gesto de "fique à vontade".

— Por que você não defende? — gritou Apollo, desesperado.

— Eles pareciam estar com pressa — respondeu Jabami, dando de ombros.

Toddynho, o defesa que não sabia o que era defesa, pegou a bola com as mãos e começou a correr para o outro lado.

— Toddynho, isso é futebol, não rúgbi! — berrou Debi, arrancando os próprios cabelos.

— Ah, é? — Toddynho parou, confuso. — Então por que a bola é redonda?

Calhau, que estava tentando se posicionar para receber um passe, subitamente caiu no chão segurando o tornozelo.

— Ai! Meu menisco! — gritou Calhau. — Eu só respirei um pouco mais forte! Alguém chama o departamento médico!

— Isso é uma execução! — gritou Illusion, rindo histericamente. — O desespero está tomando conta!

No meio do caos, Jimmy aproveitou que todos estavam olhando para Calhau e trocou as chuteiras de Kaze por um par de chinelos que ele encontrou no vestiário.

— O futuro é incerto, mas meu estoque de calçados é garantido — sussurrou o cigano.

Kaze, tentando manter a compostura, tentou organizar o ataque de chinelos.

— Fr4me, passe para o Apollo! Apollo, chute!

Fr4me, em seu mundo de olhos laranjas, viu uma abertura entre as dimensões. Ele driblou a si mesmo com tanta intensidade que parecia estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ele finalmente passou a bola.

Apollo recebeu. Estava na cara do gol.

— Eu sou um atacante mediano, mas eu vou conseguir! — gritou Apollo.

Ele chutou. A bola bateu na trave, ricocheteou na cabeça de Volito (que estava distraído tentando espantar uma mosca), voltou no peito de Lopa, que estava distraído fazendo uma piada sobre um Magikarp, e finalmente entrou.

— GOL! — gritou Lopa. — Foi super efetivo!

Ego observava tudo, massageando as têmporas.

— Eu pedi atacantes... e recebi um hospício.

— Mas funcionou, não funcionou? — Kat perguntou para o nada, sorrindo. — O General disse que foi uma jogada de mestre.

— A gente ainda tem quatro gols para fazer — lembrou Sabtiago, deitando-se no gramado. — Alguém me avisa quando acabar.

A jornada do Time Z-2 estava apenas começando, e o Blue Lock nunca mais seria o mesmo depois de abrigar tamanha loucura concentrada. Entre dribles no ar, previsões de futuro e lesões espontâneas, o caminho para se tornar o melhor do mundo parecia mais um caminho para o manicômio.

— Próxima rodada — anunciou Ego. — E se o Ayakashi acertar outra câmera, eu vou descontar do salário de vocês.

— O destino é uma amante cruel — suspirou Ayakashi, já preparando o próximo chute para a lua.
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