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Fandom: record of ragnarok

Criado: 10/06/2026

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Entre Coroas e Estrelas: Onde os Reis se Encontram

A sala de projeção no Valhalla estava mergulhada em um silêncio absoluto, quebrado apenas pela respiração pesada de deuses e humanos. Brunhilde, com os braços cruzados, observava a tela mágica com uma sobrancelha arqueada, enquanto ao seu lado, Zeus acariciava a barba com um brilho malicioso nos olhos. Os guerreiros de ambos os lados — de Lu Bu a Leônidas, de Thor a Beelzebub — estavam reunidos para ver algo que desafiava a lógica daquela guerra milenar.

Na tela, as imagens começaram a tremular, revelando o Palácio Imperial de Qin Shi Huang alguns anos após o término do Ragnarok.

A gravação mostrava Hades, o Rei do Submundo, oculto nas sombras de uma coluna de jade. Ele não usava sua armadura habitual, mas mantinha sua postura imponente. Seus olhos seguiam uma figura que saía sorrateiramente pelos portões laterais do palácio.

— Veja só — comentou Poseidon, com sua voz fria e entediada. — Meu irmão agindo como um espião. Que decadência.

— Cale a boca, Poseidon — rebateu Hades na sala, sentindo um calor incomum subir pelo pescoço. — Eu estava apenas... garantindo a segurança de um aliado.

Na tela, Qin Shi Huang apareceu, e um murmúrio percorreu a plateia. O Primeiro Imperador da China não usava seus trajes cerimoniais ou sua armadura de batalha. Ele vestia uma calça boca de sino azul-escura adornada com estrelas prateadas que brilhavam a cada passo, uma blusa de seda fina que deixava seus ombros à mostra e acessórios de ouro que tilintavam suavemente. Ele parecia menos um imperador e mais um jovem nobre em busca de diversão.

Qin, sentado em seu trono na sala de projeção, deu uma risada exuberante, ajustando sua venda.

— Hahaha! O estilo de um Rei deve ser sempre impecável, não acham? Olhem como as estrelas combinam com minha aura!

Na gravação, Qin parou abruptamente no meio de uma rua movimentada de uma cidade humana moderna. Sem se virar, ele sorriu.

— Sabe, Rei do Submundo, onde quer que eu pouse meus pés, torna-se meu trono... mas seguir um Imperador sem ser convidado é uma falta de etiqueta terrível.

Hades saiu das sombras, um sorriso de canto nos lábios.

— Você é difícil de ignorar, Qin. Para onde vai com esse traje tão... peculiar?

— Vou viver como os humanos vivem — Qin se virou, aproximando-se de Hades e apontando para as roupas formais do deus. — Mas você? Você fede a mofo e dever. Venha, vou transformar esse Rei sombrio em algo digno de caminhar ao meu lado.

A cena cortou para o interior de uma loja de roupas de alta costura. Os espectadores viram Qin jogando peças de roupa em cima de um Hades visivelmente confuso. Minutos depois, Hades saiu do provador. Ele usava uma calça de alfaiataria preta perfeitamente ajustada, uma camisa de gola alta cor de vinho e um sobretudo cinza que realçava sua altura e elegância.

— Magnífico! — exclamou Qin na gravação, circulando Hades como um predador avaliando sua presa. — Agora você não parece que veio cobrar uma dívida de alma, mas sim que é dono do mundo. O que, tecnicamente, você é.

— Você tem um gosto... interessante — disse Hades, olhando-se no espelho e ajeitando o cabelo. — Mas admito que o conforto é notável.

Na sala, Afrodite deu um suspiro audível.

— Eles formam um par e tanto, não acham?

A gravação continuou, mostrando os dois caminhando pelas ruas. O que mais surpreendeu os deuses e humanos presentes foi a mudança de postura. Não havia a tensão do Ragnarok. Eles agiam como dois homens comuns, compartilhando histórias e risadas.

Eles entraram em uma biblioteca antiga, um lugar silencioso e cheirando a papel velho. Na tela, Qin Shi Huang deslizava os dedos pelos títulos com uma delicadeza que poucos conheciam.

— Você lê muito? — perguntou Hades, observando-o.

— Ler é a única forma de viver mil vidas sem sair do lugar — respondeu Qin, puxando um volume sobre astronomia. — Quando eu era jovem e a dor dos outros me cercava por causa do Toque-Espelho, os livros eram meu único refúgio. Eles não sentiam dor, então eu também não sentia.

Hades aproximou-se, sua mão pairando perto do ombro de Qin, mas sem tocá-lo, respeitando o espaço do homem que sentia o que os outros sentiam.

— Você é um homem de muitas camadas, Qin. Cada vez que penso que entendi quem você é, você me mostra um novo horizonte.

— É por isso que você não consegue tirar os olhos de mim, não é, Hades? — Qin flertou, abaixando a venda apenas o suficiente para mostrar um olho brilhante e travesso.

— Talvez — admitiu o Rei do Submundo. — Ou talvez eu apenas queira ver até onde a audácia de um Imperador pode chegar.

— Oh, ela não tem limites. Quer testar?

A cena mudou para um bar mal iluminado, onde a música de jazz tocava suavemente ao fundo. Os dois estavam sentados em uma mesa de canto, com várias garrafas de saquê e vinho entre eles.

— Um brinde — disse Hades, levantando sua taça — ao homem que me fez ver que o mundo dos vivos pode ser tão fascinante quanto o meu reino.

— E um brinde ao deus que aprendeu a relaxar os ombros — Qin riu, já um pouco alterado pela bebida. — Sabe, Hades... você é muito mais gentil do que dizem as lendas. Seus irmãos são barulhentos, mas você... você é como o oceano profundo. Calmo, mas perigoso.

— E você é como o sol — Hades inclinou-se para frente, a voz ficando mais baixa e rouca. — Brilhante demais para alguns, mas impossível de não desejar o calor.

Na sala de projeção, Shiva assobiou.

— Olha só o flerte do Rei dos Mortos! Quem diria que ele tinha esse papo todo?

Na tela, a noite já estava alta quando eles saíram do bar. Eles caminhavam por uma rua deserta, voltando em direção ao palácio. Qin cantarolava uma melodia antiga, uma canção de ninar de sua infância, com a voz levemente embargada pelo álcool. Hades caminhava ao seu lado, um pouco mais firme, mas com um brilho de adoração nos olhos que nunca fora visto antes.

Foi então que aconteceu. Hades, agindo por um instinto de possessividade e carinho, deslizou a mão para baixo e a pousou firmemente na nádega de Qin.

O Imperador parou de cantar instantaneamente. Suas bochechas, já avermelhadas pelo vinho, atingiram um tom escarlate profundo.

— H-Hades! — Qin gaguejou, sua voz perdendo toda a arrogância habitual pela primeira vez. — O que você pensa que está fazendo?

— Estou garantindo que meu trono não fuja de mim — respondeu Hades, com uma calma imperial, sem remover a mão. Pelo contrário, ele apertou levemente.

— Tire a mão! — Qin sussurrou, olhando para os lados, embora não houvesse ninguém ali. — Um Imperador não deve ser tocado dessa forma em público!

— Não vejo nenhum público — Hades aproximou-se do ouvido de Qin. — E você disse que onde quer que se sente, é seu trono. Eu apenas decidi onde quero colocar minha mão.

Qin Shi Huang, o homem que desafiou deuses e não tremeu diante da morte, estava completamente desarmado. Ele tentou dar um passo à frente, mas a mão de Hades permaneceu lá, guiando-o com uma dominância gentil.

— Você é... inacreditável — murmurou Qin, escondendo o rosto entre os ombros, mas não lutando mais contra o toque.

Eles chegaram aos aposentos reais de Qin. O Imperador parou diante da porta, o coração batendo visivelmente contra o peito. Ele se virou para Hades, a vulnerabilidade brilhando em seus olhos através da venda fina.

— Hades... — ele começou, a voz pequena. — Já está tarde. E o caminho de volta para Helheim é longo.

Hades esperou, observando o jogo de emoções no rosto do chinês.

— Você não gostaria de... me fazer companhia esta noite? — perguntou Qin, desviando o olhar. — Apenas... para conversarmos mais. O palácio é muito grande para um homem só.

Hades soltou uma risada baixa e melodiosa, um som que fez Qin arrepiar-se.

— Eu adoraria, Qin.

A gravação mostrou os dois entrando e a porta se fechando. A tela escureceu e saltou para a manhã seguinte.

O sol entrava pelas janelas de seda, iluminando o quarto. Qin e Hades estavam deitados na cama, ainda vestidos com as roupas do dia anterior, mas sem os sapatos e os casacos. Eles estavam abraçados, a cabeça de Qin descansando no peito de Hades.

Qin acordou primeiro, piscando contra a luz. Ele tentou se levantar, mas o braço de Hades o puxou de volta.

— Já vai embora? — perguntou o deus, a voz rouca de sono.

— Eu tenho um império para... bem, para fingir que governo enquanto os ministros enlouquecem — Qin respondeu, mas não se moveu.

Hades sentou-se, puxando Qin para que ficasse de frente para ele. O olhar do deus era sério, desprovido de qualquer brincadeira.

— Qin Shi Huang. O tempo que passei com você... não apenas ontem, mas desde que o Ragnarok terminou... mudou minha percepção de tudo. Eu sou o Rei do Submundo, e meu dever sempre foi com os mortos e com minha família.

Qin ficou em silêncio, sentindo a sinceridade emanando de Hades.

— Mas eu percebi que não quero apenas observar sua luz de longe — continuou Hades, pegando a mão de Qin e beijando as pontas dos dedos protegidas pelas garras de ouro. — Eu quero estar ao seu lado. Como seu igual. Como seu companheiro. Você aceitaria... ser meu? Não como um súdito, mas como o homem que governa meu coração tanto quanto governa a China?

Na sala de projeção, Nikola Tesla deixou cair suas anotações. Jack, o Estripador, limpou uma lágrima imaginária com o lenço.

Na tela, Qin Shi Huang ficou em silêncio por um longo tempo. Então, ele abriu um sorriso — não o sorriso arrogante de um imperador, mas o sorriso genuíno de Ying Zheng.

— Você demorou para pedir, Hades — ele riu, jogando-se nos braços do deus. — É claro que eu aceito. Mas saiba que, se formos governar juntos, o Submundo terá que ganhar um pouco mais de decoração estelar.

— Eu não esperaria nada menos de você — Hades respondeu, selando o acordo com um beijo calmo e profundo.

A imagem na tela desapareceu, deixando a sala de projeção em um estado de choque coletivo.

Qin, no presente, levantou-se de seu trono e cruzou os braços, bufando.

— Quem foi o responsável por essa gravação?! Brunhilde! Foi você?

Hades, sentado do outro lado da sala, apenas sorriu e se levantou, caminhando até Qin. Ele ignorou os olhares boquiabertos de Zeus e dos outros deuses. Quando chegou perto de Qin, ele simplesmente colocou a mão no ombro do Imperador.

— Deixe para lá, querido. Eles precisavam de uma lição sobre como um verdadeiro Rei trata seu parceiro.

Qin relaxou, encostando a cabeça no ombro de Hades.

— É verdade. Mas da próxima vez que você colocar a mão na minha bunda, certifique-se de que não há câmeras mágicas por perto!

— Não prometo nada — sussurrou Hades, fazendo Qin rir alto enquanto os dois saíam da sala, deixando para trás um rastro de estrelas e sombras, e uma plateia que nunca mais veria os dois reis da mesma maneira.
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