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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 11/06/2026

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O Gosto Amargo da Travessura

Os corredores da Escola de Papel sempre tinham aquele cheiro característico de grafite, papel velho e, ocasionalmente, o odor metálico de sangue quando algum aluno não conseguia nota azul. Mas para Oliver, o cheiro que realmente importava naquele momento era o de "Brisa Oceânica". Ele caminhava com as mãos nos bolsos, um sorriso de puro deboche estampado no rosto enquanto mastigava, com uma satisfação bizarra, um pedaço de sabonete azul-claro que havia furtado do banheiro dos professores.

Para qualquer pessoa normal, aquilo seria nojento. Para Oliver, era o lanche perfeito para acompanhar sua próxima rodada de travessuras. Ele era o terror daquela instituição, o valentão que não temia as regras, sempre acompanhado por seus cúmplices, Zip e Edward. No entanto, naquele momento, ele estava sozinho, aproveitando um raro instante de paz para planejar como iria atormentar o próximo aluno novato.

— Esse aqui é dos bons — murmurou Oliver para si mesmo, sentindo a textura ensaboada derreter em sua língua. — Bem melhor que aquele de erva-doce da semana passada.

Ele deu uma risada baixa, uma mistura de diversão e malícia. Oliver se sentia intocável. Afinal, quem ousaria desafiá-lo? Ele tinha o porte, a atitude e, claro, a proteção implícita de ser quem era. Seus pais — uma ovelha bege de aparência serena e um bode imponente, sempre impecável em seu terno preto e gravata borboleta turquesa — esperavam que ele mantivesse o "padrão da família", mas Oliver preferia gastar sua energia sendo o caos em forma de estudante.

Enquanto passava por um corredor menos iluminado, onde os desenhos nas paredes pareciam observar cada movimento seu com olhos de papel, Oliver parou. Ele sentiu um leve deslocamento de ar acima de sua cabeça.

— Mas o que...? — Ele olhou para cima, mas a escuridão do teto alto da escola escondia os detalhes.

De repente, algo desceu como um raio negro. Antes que Oliver pudesse reagir ou engolir o último pedaço de sabonete, uma corda preta e elástica se enrolou em torno de seu peito. A força foi tão repentina que ele foi erguido do chão por alguns centímetros.

— Ei! Que brincadeira é essa? — Oliver gritou, tentando agarrar a corda com as mãos. — Zip? Edward? Se forem vocês, eu juro que vou acabar com a raça de...

A frase foi interrompida. A corda preta, que parecia ter vida própria, serpenteou rapidamente pelo seu pescoço e se prendeu sobre sua boca, agindo como uma mordaça firme e apertada. Oliver arregalou os olhos, o pânico começando a substituir a arrogância habitual. Ele tentou puxar a corda, mas ela era elástica e, ao mesmo tempo, incrivelmente resistente, prendendo seus braços contra o corpo logo em seguida.

— Mmmph! Mmm-mmph! — Ele gemeu abafado, sentindo o gosto de sabonete se misturar com a textura sintética e fria da corda.

Ele lutou desesperadamente. Seus pés chutavam o ar, tentando encontrar apoio, mas ele estava sendo içado lentamente em direção ao teto. O corredor, antes seu campo de caça, agora parecia uma armadilha mortal e silenciosa. Quem quer que estivesse operando aquela corda, não estava brincando.

Oliver sentiu as costas baterem contra uma viga de metal no alto. Ele estava pendurado, amarrado como um casulo de papel prestes a ser descartado. Seus olhos vasculhavam o escuro, tentando encontrar o responsável. Seria Miss Circle? Não, ela preferia usar compassos e violência direta. Seria algum tipo de entidade nova da escola?

— Mmmph... — Ele tentou novamente, o som saindo apenas como um protesto inútil e abafado.

De repente, ele ouviu o som de passos rítmicos lá embaixo. Uma figura emergiu das sombras. Não era um professor, nem seus amigos. Era uma silhueta que ele conhecia muito bem, mas que raramente via naquele estado de seriedade absoluta.

— Você sempre foi difícil de controlar, Oliver — disse uma voz profunda e calma.

Oliver paralisou. Ele reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Era seu pai. O bode preto de terno impecável e gravata borboleta turquesa estava parado logo abaixo dele, olhando para cima com uma expressão de desapontamento calculada. Ao lado dele, sua mãe, a ovelha bege, mantinha uma expressão neutra, mas seus olhos brilhavam com uma luz severa.

— Nós recebemos reclamações, querido — disse a mãe, sua voz suave contrastando com a situação aterrorizante. — Sabonetes desaparecendo, alunos intimidados... É uma falta de etiqueta terrível para alguém com o seu sobrenome.

Oliver tentou falar, seus olhos implorando por uma explicação, mas a corda apenas apertou mais sua mordaça, forçando um gemido agoniado e abafado de sua garganta.

— Não tente se explicar agora — disse o pai, ajustando a gravata turquesa. — Esta corda é um material especial, desenvolvido para conter... excessos. Você ficará aí por um tempo, refletindo sobre como um jovem de sua linhagem deve se comportar.

— Mmmph! Mmmph! — Oliver sacudiu a cabeça freneticamente, as lágrimas de frustração começando a arder em seus olhos.

— Veja só, ele ainda está com o sabonete na boca — observou o pai, aproximando-se da base da corda que pendia do teto. — Que hábito deplorável. O que Zip e Edward pensariam se vissem o grande Oliver assim? Tão... vulnerável?

A humilhação era pior que o aperto das cordas. Oliver, o valentão que todos temiam, estava sendo castigado como uma criança pequena, e por seus próprios pais, no meio do território que ele acreditava dominar.

— Vamos deixá-lo um pouco, querida? — perguntou o pai para a ovelha bege. — O silêncio é o melhor professor para quem fala demais e faz o que não deve.

A mãe assentiu gentilmente, ajeitando a lã de seus braços.

— Comporte-se, Oliver. Estaremos esperando por você no jantar. Isso se você conseguir se soltar antes das aulas terminarem.

Eles se viraram e caminharam calmamente pelo corredor, o som dos cascos ecoando no chão de papel até desaparecerem por completo.

Oliver ficou sozinho na penumbra, balançando levemente de um lado para o outro. Seus músculos doíam pelo esforço de tentar se libertar, e a corda elástica parecia se ajustar a cada movimento seu, tornando a fuga impossível. O gosto do sabonete agora era amargo, impregnado na mordaça que o silenciava.

— Mmmph... — ele suspirou, um som baixo e derrotado.

Ele pensou em Zip e Edward. Se eles o encontrassem assim, ele nunca mais teria o respeito de ninguém. Mas, ao mesmo tempo, ele desejava desesperadamente que alguém aparecesse. O medo de ser pego em uma situação tão ridícula lutava contra o pavor de ficar ali para sempre, esquecido nas vigas da Escola de Papel.

Minutos que pareceram horas se passaram. Oliver sentiu o sangue subir para a cabeça. Ele tentou usar os dentes para morder a corda, mas o material era viscoso e escorregadio, como se tivesse sido banhado no próprio sabonete que ele tanto gostava de comer. Ironia do destino, ele pensou.

De repente, um som de risadinhas ecoou no início do corredor.

— Eu estou te dizendo, Zip! Eu vi ele vindo por aqui com aquele sabonete azul caro — disse a voz de Edward.

— Se ele não dividir, eu vou contar para a Miss Bloomie que foi ele quem riscou a mesa dela — respondeu Zip, entre risos.

Oliver entrou em pânico. Ele começou a se debater com uma força renovada, os gemidos abafados saindo em rajadas rápidas.

— Mmmph! MMMMPH!

Lá embaixo, os dois amigos pararam e olharam em volta, confusos.

— Você ouviu isso? — perguntou Zip, olhando para os lados.

— Veio de cima... — Edward apontou para o teto.

As lanternas dos celulares dos dois iluminaram o alto, e lá estava ele. Oliver, o líder do grupo, amarrado como um presunto, amordaçado e com o rosto vermelho de esforço e vergonha.

Houve um silêncio mortal por três segundos.

— Oliver? — Zip perguntou, a voz falhando antes de explodir em uma gargalhada histérica. — Cara, o que aconteceu com você?!

Edward não conseguiu nem falar, ele apenas se dobrou de rir, apontando para o amigo pendurado.

— Mmmph! Mmmph! — Oliver tentava xingá-los, tentava pedir ajuda, mas a cena era cômica demais para ser levada a sério.

— Espera, espera! — Edward limpou uma lágrima do olho. — Deixa eu tirar uma foto antes de te tirar daí. O pessoal vai adorar ver o "Rei da Escola" servindo de decoração de teto.

Oliver fechou os olhos, sentindo o peso de sua derrota. O sabonete que ele comia com tanto prazer agora parecia cinzas em sua boca. Naquele dia, ele aprendeu que, na Escola de Papel, as regras podiam ser elásticas, mas quando elas resolviam te prender, o aperto era inquebrável.

— Tira logo ele daí, Edward — disse Zip, ainda rindo. — Antes que a Miss Circle apareça e resolva que ele é o material perfeito para a aula de geometria.

Enquanto os amigos tentavam encontrar uma forma de alcançá-lo, Oliver apenas balançava, jurando mentalmente que, a partir de amanhã, voltaria a comer apenas papel. Sabonete, definitivamente, tinha um gosto amargo demais quando acompanhado de humilhação.
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