Fanfy
.studio
Imagem de fundo

D23

Fandom: Record of ragnarok

Criado: 11/06/2026

Tags

RomanceUA (Universo Alternativo)Fatias de VidaFofuraHumorFantasiaHistória DomésticaDor/Conforto
Índice

O Despertar do Imperador no Reino das Sombras

A manhã em Helheim não possuía um sol verdadeiro, mas a iluminação eterna e purpúrea do reino dos mortos filtrava-se pelas enormes janelas de cristal do palácio de Hades. Era cedo, uma hora em que a maioria dos deuses e guerreiros da humanidade ainda estaria recuperando suas forças para os próximos embates do Ragnarok. No entanto, um grupo improvável — e barulhento — cruzava os corredores de obsidiana.

Liderados por Zeus, que parecia incapaz de conter sua curiosidade sobre o paradeiro do irmão mais velho, deuses como Thor, Shiva e o sempre taciturno Beelzebub caminhavam lado a lado com seus adversários mortais. Lu Bu e Thor trocavam olhares de respeito mútuo, enquanto Nikola Tesla tentava explicar a teoria da termodinâmica para um Confúcio confuso, e Jack, o Estripador, ajustava sua cartola, observando a decoração gótica com um sorriso enigmático.

— Eu digo a vocês, Hades deve estar planejando algo grandioso para a próxima rodada! — exclamou Zeus, rindo de forma estridente, seus músculos tremendo levemente de excitação.

— Ou talvez ele só queira um pouco de paz longe de você, velho — retrucou Buda, mastigando um doce que havia tirado de algum lugar de suas vestes.

— O Rei do Submundo não é de se esconder — comentou Leônidas, cruzando os braços. — Se ele está aqui, é porque há deveres a cumprir.

Ao chegarem às portas massivas da ala privada de Hades, nem mesmo Odin, com seus corvos impacientes nos ombros, impediu que Zeus as escancarasse. Eles esperavam encontrar o Soberano de Helheim debruçado sobre mapas táticos ou talvez polindo seu bidente em um silêncio solene.

O que encontraram foi algo que desafiava a lógica de qualquer guerra divina.

A cozinha do palácio era vasta, digna de um rei, mas o ambiente estava impregnado com o cheiro de café fresco e especiarias. No centro da sala, Hades estava de costas para a porta. Ele não vestia sua armadura habitual ou sua capa majestosa; estava apenas com uma calça de linho escuro, seus pés descalços no chão de mármore frio. Suas costas, geralmente impecáveis e imponentes, estavam marcadas por arranhões profundos e recentes, trilhas avermelhadas que contavam uma história de paixão selvagem.

À sua frente, rindo de forma audaciosa e carregada de carisma, estava Qin Shi Huang. O Primeiro Imperador da China não usava suas vestes cerimoniais ou sua armadura de placas. Ele vestia apenas uma camisa branca de Hades, que ficava absurdamente grande em seu corpo, descendo até o meio de suas coxas, e um short curto por baixo.

— Hao! — Qin exclamou, sua risada ecoando pelo recinto. — Você é muito lento para um deus, Hades! Onde está aquela precisão que quase me matou na arena?

Hades soltou um suspiro que era metade cansaço e metade adoração. Sem dizer uma palavra, ele envolveu a cintura de Qin com um único braço, levantando o imperador do chão como se ele não pesasse absolutamente nada.

— Você fala demais para alguém que ainda não acordou direito, meu rei — disse Hades, sua voz profunda e aveludada, carregada de uma ternura que fez os deuses na porta paralisarem de choque.

Com um movimento fluido, Hades jogou Qin sobre o ombro. O imperador não protestou; em vez disso, ele chutou as pernas no ar, rindo ainda mais, as marcas de mordidas em seu pescoço e ombros expostas para quem quisesse ver. Hades o depositou com cuidado sobre o balcão alto da cozinha, mantendo-se entre as pernas do humano, as mãos repousando nos quadris de Qin enquanto voltava sua atenção para a frigideira no fogão próximo.

— Ei! Onde está o respeito pelo seu imperador? — Qin brincou, inclinando-se para frente para tentar roubar um pedaço de fruta que estava cortada ali perto.

— O imperador está sentado no meu balcão — respondeu Hades, virando o rosto levemente para depositar um beijo rápido no nariz de Qin. — Portanto, o imperador deve esperar o café ficar pronto.

Foi nesse momento que Hades percebeu a audiência. Ele não se sobressaltou. Não houve pânico ou tentativa de se cobrir. Ele apenas virou a cabeça, seus olhos heterocromáticos encontrando o grupo estático na porta.

— Bom dia, Zeus. Vejo que trouxe a arena inteira com você — disse Hades, mantendo a calma absoluta que o definia como o mais nobre dos deuses.

— Mas o que... o que é isso?! — gaguejou Ares, que estava escondido atrás de Hermes, o rosto mais vermelho que sua capa.

Qin, percebendo os visitantes, abriu um sorriso radiante e acenou como se estivesse em um desfile triunfal.

— Ah! Meus súditos e... os outros! — Qin ajeitou a gola da camisa gigante de Hades. — Chegaram bem na hora. O Rei de Helheim faz ovos excelentes.

— Qin Shi Huang... — sussurrou Brunhilde, que acabara de chegar ao fundo do grupo, massageando as têmporas. — Eu deveria saber que, quando você desaparecesse, seria para se infiltrar no território inimigo. Literalmente.

— Infiltrar? — Qin riu, descendo do balcão com um salto. No entanto, assim que seus pés tocaram o chão, ele soltou um pequeno gemido e vacilou, mancando levemente. Sua mão buscou o apoio do balcão, e uma careta de dor misturada com satisfação cruzou seu rosto. — Bem... talvez eu tenha exagerado um pouco na "diplomacia" ontem à noite.

Hades imediatamente colocou a mão nas costas de Qin, oferecendo suporte silencioso.

— Eu avisei que você deveria descansar mais um pouco — murmurou o deus, sem esconder as marcas de dentes em seu próprio ombro, cortesia do imperador.

— Um rei nunca descansa quando há prazeres a serem conquistados! — Qin declarou, recuperando a postura, embora ainda se movesse com uma rigidez óbvia.

— Isso é... fascinante — comentou Nikola Tesla, tirando um caderninho e começando a anotar. — A união biológica e emocional entre opostos metafísicos. A energia no quarto deve ter sido... eletrizante.

— Cale a boca, Tesla — resmungou Beelzebub, embora seus olhos estivessem fixos em Hades, surpreso ao ver o irmão tão relaxado.

— Bem, já que estão todos aqui — disse Hades, voltando a mexer algo na panela com uma elegância natural —, entrem. Só não esperem que eu cozinhe para todos. Há frutas e pão na mesa lateral.

O grupo, ainda em choque, começou a se dispersar pela cozinha. Sasaki Kojiro sentou-se em um banco, observando as marcas no corpo de ambos com um sorriso de quem entendia de "esgrima" em vários sentidos. Jack, o Estripador, serviu-se de uma xícara de chá que parecia ter surgido do nada.

Qin, mancando com uma dignidade que só ele possuía, atravessou a cozinha em direção ao sofá de veludo que ficava em um recanto aconchegante perto da lareira apagada. Ele se jogou ali, soltando um suspiro longo, e pegou um livro de capas grossas que estava sobre a mesa de centro.

Hades trouxe uma xícara de café preto e a entregou a Qin, seus dedos se roçando por um momento a mais do que o necessário.

— Obrigado, Hades — disse Qin, sua voz perdendo um pouco da arrogância e ganhando uma suavidade genuína.

— Leia seu livro, Qin. Vou terminar o desjejum — respondeu o deus, antes de se virar para encarar Zeus, que ainda o olhava boquiaberto. — O que foi, Zeus? Nunca viu um governante cuidar do que é seu?

— Eu... eu só não esperava que "o que é seu" fosse o homem que tentou arrancar seu braço — respondeu o Deus do Olimpo, coçando a barba.

— No campo de batalha, somos reis defendendo seus povos — disse Hades, voltando para o fogão. — Aqui, nestas paredes, somos apenas dois governantes que encontraram um no outro alguém que entende o peso da coroa. E a dor da solidão.

Qin, ouvindo isso, não desviou os olhos do livro, mas um sorriso pequeno e verdadeiro brincou em seus lábios. Sua sinestesia toque-espelho, que outrora fora sua maior maldição, agora permitia que ele sentisse a calma e o calor que emanavam de Hades. Ele não sentia apenas a dor dos arranhões que ele mesmo causara nas costas do deus; ele sentia a satisfação e a paz que Hades sentia em sua presença.

— Além disso — Qin comentou, virando uma página do livro com um gesto elegante —, onde eu me sento é o meu trono. E este sofá é muito confortável.

— Ele está usando suas roupas, Hades! — gritou Shiva, rindo da situação. — O grande Rei do Submundo perdeu até a camisa!

— Eu não perdi — Hades respondeu, sem olhar para trás, mas com um tom divertido. — Eu a cedi voluntariamente. É um tratado de paz muito mais interessante do que os que você assina, Shiva.

O palácio, que costumava ser um lugar de silêncio e sombras, estava agora cheio de vozes. Raiden e Shiva começaram uma competição improvisada de queda de braço em uma das mesas, enquanto Okita e Kojiro discutiam técnicas de espada usando colheres de prata.

No sofá, Qin Shi Huang estava imerso em sua leitura, mas seus pés, esticados por cima do braço do estofado, balançavam levemente no ritmo de uma canção que só ele ouvia. De vez em quando, ele olhava por cima do livro para ver Hades. O deus, mesmo cercado pelo caos de deuses e humanos, mantinha sua postura nobre, mas seus olhos sempre voltavam para o sofá, garantindo que o imperador estivesse confortável.

— Você está sendo muito gentil, Hades — disse Adamas, que havia entrado silenciosamente e se encostado na parede perto do irmão. — Deixar esses humanos entrarem assim...

— Eles são convidados dele — respondeu Hades, indicando Qin com a cabeça. — E o que é meu, é dele. Se ele deseja transformar meu palácio em uma praça pública por uma manhã, que assim seja.

Adamas olhou para o imperador, que agora discutia o enredo do livro com Nostradamus, que havia pulado no encosto do sofá.

— Ele realmente mudou você — observou Adamas.

— Ele não me mudou — disse Hades, servindo o café em uma bandeja para levar até Qin. — Ele apenas me lembrou de que até mesmo os mortos precisam de um pouco de vida.

Hades caminhou até o sofá, ignorando as piadas de Zeus ou os olhares curiosos de Thor. Ele se sentou na ponta do sofá, e Qin, sem hesitar, acomodou suas pernas sobre o colo do deus. Hades repousou a mão sobre o tornozelo de Qin, massageando levemente o local onde a tensão da luta — e da noite — ainda persistia.

— O café está excelente, Hades — disse Qin, fechando o livro por um momento. — Mas acho que amanhã deveríamos trancar as portas.

— Concordo plenamente, meu rei — respondeu Hades, com um sorriso raro e brilhante. — Mas, por hoje, deixe que vejam. Deixe que saibam que, entre o céu e a terra, e até mesmo nas profundezas do inferno... não há nada mais soberano do que o que construímos aqui.

Qin sorriu, inclinando a cabeça para trás e fechando os olhos, sentindo o calor das mãos de Hades e o burburinho da vida ao seu redor. Ele era o Imperador do Início, o homem que unificou a China, e ali, no coração do Submundo, ele havia conquistado o território mais difícil de todos: o respeito e o coração do Deus dos Mortos.

E para Qin Shi Huang, isso era, sem dúvida, o maior dos triunfos. Hao.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic