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Nossa garota

Fandom: It:a coisa

Criado: 11/06/2026

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RomanceSombrioViolência GráficaCrimeEstudo de PersonagemCiúmesSuspenseDrama
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Sombras e Atrevimento em Derry

O silêncio daquela sala de aula vazia era pesado, carregado com o cheiro de poeira e o perfume forte que Henry sempre usava. Eu estava encostada na mesa do professor, sentindo o coração acelerar, não de medo, mas daquela adrenalina viciante que só os "Bowers Gang" conseguiam me proporcionar. Eu tinha 17 anos, sabia que meus cabelos pretos longos e meus olhos cor de mel atraíam olhares que eu nem sempre queria, mas ali, entre eles, eu me sentia a dona do mundo, mesmo sendo a "esquisitinha" gentil que escondia um temperamento explosivo por trás das sardas fofas.

— Você está muito quieta hoje, Hanna — sussurrou Patrick, aproximando-se por trás.

Antes que eu pudesse responder, Victor se posicionou do outro lado. Senti os lábios de Patrick e Victor encontrarem meu pescoço simultaneamente, um de cada lado, enviando arrepios por toda a minha espinha. A pressão era suave, mas possessiva. Henry, parado bem na minha frente com aquele sorriso de canto que sempre indicava problemas, segurou meu rosto com as mãos grandes.

— Ela é nossa, não é? — Henry perguntou, mais para eles do que para mim.

Sem esperar resposta, ele me beijou. Um beijo profundo, com gosto de rebeldia, enquanto os outros dois continuavam a trilhar caminhos de arrepios pela minha pele. Era um caos de sensações que só nós quatro entendíamos.

O sinal tocou, cortando o momento como uma navalha. A aula de matemática nos esperava, ou melhor, o tédio nos esperava.

A professora de matemática parecia ter desistido de ensinar fórmulas há muito tempo. Em vez de equações, ela despejava sobre nós os detalhes sórdidos de sua vida pessoal. As mesas eram em duplas, e claro que Henry e eu ocupamos uma no fundo. Eu me acomodei entre as pernas dele, sentindo o calor do seu corpo contra minhas costas enquanto ele brincava com uma mecha do meu cabelo.

A voz da professora ecoava como um ruído branco.

— ... e então, mesmo depois de tudo o que ele fez, eu o perdoei. Porque o amor é assim, ele supera a traição — dizia ela, com os olhos marejados atrás dos óculos grossos.

O peso do dia e o balanço suave de Henry me fizeram ninar. Fechei os olhos e apaguei por alguns minutos, mergulhando em um sono sem sonhos. Acordei sentindo algo cutucar a pontinha do meu nariz. Abri os olhos devagar e dei de cara com Henry, que ria baixinho.

— Acorda, dorminhoca. A velha agora está falando de quando o marido dela foi embora pela terceira vez — ele sussurrou no meu ouvido.

Olhei para o lado e vi Patrick e Victor na mesa vizinha. Eles me observavam com aquela intensidade de quem não perde um detalhe. Sorri para eles e mandei um beijo no ar. Patrick deu um sorriso torto e Victor piscou, ambos parecendo satisfeitos com a atenção.

Para passar o tempo, peguei meu kit de unhas na mochila. Minhas unhas estavam grandes e eu adorava cuidar delas, era um contraste engraçado com o resto da minha personalidade brava.

— Escolhe o tema, Henry — eu disse, mostrando os vidrinhos de esmalte.

Ele inclinou a cabeça, analisando as cores como se fosse uma decisão de vida ou morte.

— Homem-Aranha — ele decidiu, apontando para o vermelho e o preto. — Combina com você. É bonitinho, mas morde.

— Eu não mordo... tanto assim — brinquei, começando a lixar as unhas com cuidado.

Pintei cada uma delas com paciência, ignorando os olhares de desaprovação da professora, que estava ocupada demais chorando sobre seu divórcio para realmente se importar. Quando terminei, mostrei o resultado para Henry.

— Ficou incrível — ele disse e, sem se importar com quem estava vendo, me deu um selinho demorado.

Aproveitando o momento de proximidade, enfiei a mão no bolso e tirei uma foto polaroid que tinha tirado na noite anterior. Na foto, eu estava apenas de sutiã, com o cabelo caindo sobre os ombros e um olhar desafiador. Entreguei a ele por baixo da mesa.

Os olhos de Henry escureceram ao ver a imagem. Ele guardou a foto no bolso da jaqueta como se fosse um tesouro.

— Eu estou louco para ver esse corpo de novo, Hanna. Sem fotos, sem barreiras — ele murmurou, a voz rouca. — Posso?

Eu assenti, sentindo meu rosto esquentar. Cobri meu corpo com minha blusa de frio larga para esconder o que estava prestes a acontecer. Henry deslizou a mão por baixo do tecido, encontrando minha pele quente. Ele apertou meu seio com firmeza, mas com uma possessividade que me fazia sentir segura e desejada ao mesmo tempo. Ficamos assim, naquele segredo compartilhado no fundo da sala, até que o sinal final tocou.

Lá fora, o ar de Derry estava úmido. Fomos para debaixo de uma árvore frondosa perto do estacionamento. Henry passou o braço pelo meu pescoço, me puxando para perto, e acendeu um cigarro.

— Quer? — ele ofereceu.

— Aceito.

Dei uma tragada longa, sentindo a fumaça preencher meus pulmões antes de soltá-la lentamente. O gosto era amargo, mas o momento era doce. Quando o cigarro acabou, Patrick se aproximou e me deu um beijo de despedida que me deixou tonta, antes de decidirmos ir todos para a casa de Henry.

A casa dele era silenciosa, o tipo de silêncio que precede uma tempestade.

— Vou tomar banho primeiro — anunciei, pegando minhas coisas.

A água quente ajudou a relaxar os músculos. Quando saí, enrolada na toalha, vi que Victor já estava indo para o banheiro do corredor e Henry tinha subido para o outro no andar de cima. Patrick estava no quarto, sentado na beira da cama, já trocado.

— Patrick, prende aqui para mim? — pedi, segurando o sutiã contra as costas.

Ele se levantou prontamente. Senti seus dedos frios contra minha pele quente enquanto ele fechava o colchete. Mas ele não se afastou imediatamente. Suas mãos deslizaram para a frente, contornando minhas curvas com uma familiaridade que tínhamos construído em muitos banhos e noites juntos.

— Você é linda, Hanna — ele sussurrou.

— Eu sei — respondi, brincando, mas me virando para abraçá-lo.

Deitamos na cama dele por um momento, apenas aproveitando a companhia um do outro. Logo, Victor e Henry se juntaram a nós. O quarto ficou pequeno com a presença deles, mãos explorando, carinhos sendo distribuídos por todo o meu corpo, como se eles estivessem reivindicando cada centímetro de mim.

De repente, um movimento na janela chamou a atenção de Victor.

— Aquele velho maldito de novo — rosnou Victor.

Fomos até a janela. O vizinho de Henry, um homem que já deveria ter passado dos setenta anos, estava parado em seu quintal, encarando nossa janela sem o menor pudor. Ele era asqueroso, com um olhar que parecia sujar tudo o que tocava. Quando percebeu que estávamos olhando, ele não desviou o olhar; ele sorriu, um sorriso desdentado e vil.

— Vou acabar com a raça dele — Henry disse, já se afastando da janela.

Não demorou muito para ouvirmos batidas fortes na porta da frente. O velho tinha tido a audácia de vir até aqui. Os meninos desceram as escadas como predadores, e eu fui logo atrás, curiosa e irritada.

Quando abriram a porta, o cheiro de mofo e negligência emanava do homem.

— O que você quer, seu lixo? — Henry perguntou, a voz carregada de ameaça.

O velho nem olhou para ele. Seus olhos pequenos e injetados de sangue estavam fixos em mim, percorrendo meu corpo de cima a baixo com uma lascívia que me deu náuseas.

— Só queria ver a belezinha de perto — disse o velho, a voz fanhosa. — Eu vi vocês lá em cima. Onde cabe três, cabe quatro, não é, boneca?

Senti meu sangue ferver. Eu era gentil, mas ninguém falava comigo daquela maneira. Antes que eu pudesse responder, ele continuou:

— Posso tocar? Eu tenho dinheiro, posso mostrar para você o que um homem de verdade faz.

— Você não vai tocar em nada, a menos que queira perder a mão — Victor deu um passo à frente, mas o velho foi surpreendentemente rápido para a idade dele.

Em um movimento súbito e nojento, ele esticou o braço e passou a mão com força pelo meu peito e, logo em seguida, pela minha bunda, rindo como um maníaco.

O mundo pareceu parar por um segundo. O silêncio que se seguiu foi aterrador.

— No quarto. Agora, Hanna — Henry disse, sua voz estava mortalmente calma, o que era muito pior do que se ele estivesse gritando.

— Mas Henry... — tentei protestar.

— Agora! — ele ordenou, me pegando pelo braço e me levando escada acima com uma pressa que não admitia discussões.

Ele me trancou no quarto, mas eu ainda conseguia ouvir tudo. O som do primeiro soco foi seco, seguido pelo baque de um corpo caindo contra o chão de madeira da varanda.

— Você achou que podia tocar nela? — Era a voz de Patrick, fria como gelo. — Você achou que sairia vivo daqui depois de encostar a mão no que é nosso?

Os gritos do velho começaram logo em seguida, abafados por novos golpes. Victor e Patrick não estavam apenas brigando; eles estavam descarregando toda a raiva e a proteção possessiva que sentiam por mim. O som de chutes e ossos quebrando ecoava pelo corredor, misturado com os xingamentos de Henry, que tinha descido novamente para se juntar ao "trabalho".

Eu me sentei na cama, abraçando meus joelhos. Eu sabia que o que eles estavam fazendo era errado para os padrões da sociedade, mas em Derry, as regras eram diferentes. E para a "Bowers Gang", mexer comigo era o único erro que ninguém tinha permissão de cometer duas vezes.

Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, o silêncio voltou. A porta do quarto se abriu e Henry entrou. Suas mãos estavam manchadas de vermelho e sua respiração estava ofegante. Ele caminhou até mim e se ajoelhou entre minhas pernas, descansando a cabeça no meu colo.

— Ele nunca mais vai olhar para você, Hanna — ele prometeu, a voz ainda trêmula de adrenalina. — Nunca mais.

Eu passei a mão pelo cabelo dele, limpando um respingo de sangue de sua bochecha com o polegar.

— Eu sei, Henry. Eu sei.

Lá embaixo, eu sabia que Patrick e Victor estavam cuidando do resto. Naquela casa, cercada pelas sombras de Derry, eu era a rainha deles, e eles eram meus monstros particulares. E, honestamente? Eu não queria estar em nenhum outro lugar.
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