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Nossa garota
Fandom: It:a coisa
Criado: 11/06/2026
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SombrioDramaAngústiaDor/ConfortoViolência GráficaCiúmesCrimeUA (Universo Alternativo)Gótico SulistaHistória DomésticaCenário CanônicoPsicológicoFofuraEstudo de Personagem
Sombras e Cigarros em Derry
O calor de Derry naquela tarde de terça-feira parecia pesado, quase sólido, entrando pelas janelas abertas do quarto de Henry Bowers. O som dos ventiladores velhos mal conseguia disfarçar o silêncio tenso e carregado de hormônios que pairava entre nós quatro. Eu estava deitada na cama de casal desarrumada, sentindo a textura dos lençóis ásperos contra a minha pele, enquanto meu cabelo preto longo se espalhava como um manto sobre o travesseiro.
Henry, Patrick e Victor estavam ao meu redor, um círculo de proteção e desejo que sempre parecia me consumir e me libertar ao mesmo tempo. Eu tinha dezessete anos e sabia exatamente o efeito que causava neles — e em qualquer outro homem que cruzasse meu caminho pelas ruas daquela cidade amaldiçoada. Com minhas sardas salpicadas pelo nariz e meus olhos cor de mel, eu era o contraste perfeito para a brutalidade que eles carregavam no peito.
— Você é linda demais para esse lugar, Hanna — sussurrou Henry, sua voz rouca perto do meu ouvido antes de me beijar com uma possessividade que me fazia estremecer.
Patrick, com aquele sorriso maníaco e o olhar que sempre parecia ver através de mim, beijou meu pescoço, enquanto Victor segurava minha mão, traçando círculos na minha palma. Por alguns minutos, o mundo lá fora — a escola, os perdedores, o pai abusivo de Henry que felizmente estava viajando — não existia. Éramos apenas nós quatro, mergulhados em uma bolha de carícias e risadas contidas.
Quando finalmente nos separamos, ofegantes e com os lábios vermelhos, os meninos se levantaram. O desejo ainda pairava no ar, mas a inquietação típica deles logo assumiu o controle. Eles caminharam até a janela, pegando os maços de cigarro e acendendo-os em perfeita sincronia.
Eu me sentei na cama, ajeitando minha blusa, observando a fumaça azulada dançar sob a luz do sol que morria.
— Olha só aquele velho nojento — disse Patrick, soltando uma nuvem de fumaça e apontando para a casa vizinha.
Henry se inclinou para fora, estreitando os olhos.
— O vizinho? Aquele desgraçado não tira os olhos daqui.
— Ele deve ter visto a gente com a Hanna — comentou Victor, dando uma risada seca. — Três caras com uma garota na cama... o velho deve estar tendo um ataque cardíaco ou morrendo de inveja.
— Ele está encarando — Henry murmurou, a mandíbula travada. — Ficou olhando o tempo todo. Que tipo de pervertido faz isso?
Eu me levantei e caminhei até eles, abraçando Henry por trás e descansando o queixo em seu ombro. Vi o homem na janela oposta; ele parecia uma sombra enrugada atrás da cortina encardida. Assim que percebeu que todos o encarávamos, ele se afastou bruscamente, sumindo na escuridão de sua própria casa.
— Ele saiu — eu disse, tentando aliviar a tensão. — Esqueçam ele.
Mas o clima já tinha mudado. Henry estava irritado, e Patrick tinha aquele brilho perigoso nos olhos que nunca pressagiava nada de bom. Voltamos a nos sentar, mas o silêncio durou pouco. Dez minutos depois, batidas pesadas e insistentes ecoaram na porta da frente.
— Quem diabos é agora? — rosnou Henry, levantando-se de um salto.
— Deve ser o velho — Victor disse, já se levantando também.
Descemos as escadas em silêncio, eu ficando um pouco atrás, observando a tensão nas costas largas de Henry. Quando ele abriu a porta, lá estava ele: o vizinho, um homem de pele amarelada e olhos pequenos que percorriam a sala com uma curiosidade invasiva.
— O que você quer, Sr. Henderson? — Henry perguntou, a voz carregada de ameaça.
— Eu vi vocês lá em cima — disse o homem, a voz falha, mas com um tom de audácia que não combinava com sua aparência frágil. — Vi o que estavam fazendo. Vi a garota.
— E o que isso tem a ver com você? — Patrick deu um passo à frente, cruzando os braços.
— Eu só queria conhecer a moça — o velho disse, esticando o pescoço para tentar me enxergar atrás de Henry. — Ela parece ser... especial.
— Ela não é pro seu bico, seu lixo — Victor cuspiu as palavras. — Vá para casa antes que eu te chute escada abaixo.
O homem deu uma risadinha nervosa, mas não recuou. Seus olhos finalmente encontraram os meus, e eu senti um calafrio de nojo percorrer minha espinha.
— Qual é, meninos... — ele disse, com uma voz melosa que me deu náuseas. — Onde cabe três, cabe quatro. Não precisam ser egoístas.
O silêncio que se seguiu foi absoluto, interrompido apenas pelo som da respiração pesada de Henry. Ele se virou para mim, seus olhos brilhando com uma mistura de raiva e algo que eu não soube identificar.
— Hanna, vem cá — chamou ele.
Eu hesitei por um segundo, mas caminhei até o lado dele. No momento em que apareci sob a luz do hall, o homem parou de falar. Ele me olhou de cima a baixo, seus olhos parando no meu corpo de uma forma que me fez querer me esconder. Ele mordeu o lábio inferior, uma expressão de pura luxúria estampada naquela cara enrugada.
— Posso... posso encostar? — perguntou ele, a mão trêmula começando a se levantar.
— Nem pense nisso — Henry avisou, dando um passo protetor.
Mas o velho foi mais rápido do que qualquer um de nós esperava. Em um movimento súbito e asqueroso, ele esticou o braço e passou a palma da mão pesadamente pelo meu peito, apertando por um milésimo de segundo antes que Henry pudesse reagir.
— Gostosa... — ele sussurrou, a saliva brilhando no canto da boca.
O mundo pareceu explodir em movimento. Henry soltou um rugido de fúria e o empurrou para trás com tanta força que o homem cambaleou até o jardim. Antes que eu pudesse processar o toque invasivo, Henry me pegou pelo braço, não com força para machucar, mas com uma urgência inegável.
— Sobe, Hanna. Agora! — ordenou ele, me conduzindo escada acima.
— Henry, eu...
— Pro quarto! — Ele me deixou na porta do quarto e fechou-a atrás de mim.
Eu fiquei parada ali, o coração batendo na garganta, ouvindo os sons que vinham lá de baixo. Ouvi o grito do velho, seguido pelo som abafado de pancadas e os risos cruéis de Patrick e Victor. Henry desceu correndo as escadas para se juntar a eles.
Eu me sentei na beira da cama, abraçando meus próprios braços. Eu era brava, era inteligente e sabia me cuidar, mas aquele toque tinha sido como veneno. Eu conseguia ouvir o som de algo quebrando e as súplicas do vizinho diminuindo até virarem apenas gemidos de dor.
Alguns minutos depois, a porta do quarto se abriu e Henry entrou. Ele estava ofegante, os nós dos dedos um pouco vermelhos, mas seu olhar se suavizou instantaneamente ao me ver encolhida na cama.
— Ele não vai mais te tocar — disse ele, caminhando até mim e se ajoelhando entre minhas pernas. — Nunca mais.
— Onde estão os meninos? — perguntei com a voz trêmula.
— Terminando o serviço — respondeu ele de forma curta, pegando minhas mãos nas dele. — Você está bem?
— Estou com nojo, Henry.
Ele suspirou, puxando-me para um abraço apertado. Eu enterrei meu rosto em seu pescoço, sentindo o cheiro de suor e tabaco que era tão característico dele.
— Eu sei. Mas ele aprendeu a lição. Ninguém toca no que é nosso e sai andando.
Lá embaixo, os sons de violência continuavam, uma trilha sonora brutal para uma tarde que deveria ter sido apenas nossa. Em Derry, a inocência nunca durava muito, e a proteção vinha sempre com um preço de sangue. Mas, naquele momento, nos braços de Henry, eu me sentia estranhamente segura, enquanto o resto do mundo — e os garotos lá embaixo — cuidava de destruir quem ousasse cruzar nosso caminho.
Henry, Patrick e Victor estavam ao meu redor, um círculo de proteção e desejo que sempre parecia me consumir e me libertar ao mesmo tempo. Eu tinha dezessete anos e sabia exatamente o efeito que causava neles — e em qualquer outro homem que cruzasse meu caminho pelas ruas daquela cidade amaldiçoada. Com minhas sardas salpicadas pelo nariz e meus olhos cor de mel, eu era o contraste perfeito para a brutalidade que eles carregavam no peito.
— Você é linda demais para esse lugar, Hanna — sussurrou Henry, sua voz rouca perto do meu ouvido antes de me beijar com uma possessividade que me fazia estremecer.
Patrick, com aquele sorriso maníaco e o olhar que sempre parecia ver através de mim, beijou meu pescoço, enquanto Victor segurava minha mão, traçando círculos na minha palma. Por alguns minutos, o mundo lá fora — a escola, os perdedores, o pai abusivo de Henry que felizmente estava viajando — não existia. Éramos apenas nós quatro, mergulhados em uma bolha de carícias e risadas contidas.
Quando finalmente nos separamos, ofegantes e com os lábios vermelhos, os meninos se levantaram. O desejo ainda pairava no ar, mas a inquietação típica deles logo assumiu o controle. Eles caminharam até a janela, pegando os maços de cigarro e acendendo-os em perfeita sincronia.
Eu me sentei na cama, ajeitando minha blusa, observando a fumaça azulada dançar sob a luz do sol que morria.
— Olha só aquele velho nojento — disse Patrick, soltando uma nuvem de fumaça e apontando para a casa vizinha.
Henry se inclinou para fora, estreitando os olhos.
— O vizinho? Aquele desgraçado não tira os olhos daqui.
— Ele deve ter visto a gente com a Hanna — comentou Victor, dando uma risada seca. — Três caras com uma garota na cama... o velho deve estar tendo um ataque cardíaco ou morrendo de inveja.
— Ele está encarando — Henry murmurou, a mandíbula travada. — Ficou olhando o tempo todo. Que tipo de pervertido faz isso?
Eu me levantei e caminhei até eles, abraçando Henry por trás e descansando o queixo em seu ombro. Vi o homem na janela oposta; ele parecia uma sombra enrugada atrás da cortina encardida. Assim que percebeu que todos o encarávamos, ele se afastou bruscamente, sumindo na escuridão de sua própria casa.
— Ele saiu — eu disse, tentando aliviar a tensão. — Esqueçam ele.
Mas o clima já tinha mudado. Henry estava irritado, e Patrick tinha aquele brilho perigoso nos olhos que nunca pressagiava nada de bom. Voltamos a nos sentar, mas o silêncio durou pouco. Dez minutos depois, batidas pesadas e insistentes ecoaram na porta da frente.
— Quem diabos é agora? — rosnou Henry, levantando-se de um salto.
— Deve ser o velho — Victor disse, já se levantando também.
Descemos as escadas em silêncio, eu ficando um pouco atrás, observando a tensão nas costas largas de Henry. Quando ele abriu a porta, lá estava ele: o vizinho, um homem de pele amarelada e olhos pequenos que percorriam a sala com uma curiosidade invasiva.
— O que você quer, Sr. Henderson? — Henry perguntou, a voz carregada de ameaça.
— Eu vi vocês lá em cima — disse o homem, a voz falha, mas com um tom de audácia que não combinava com sua aparência frágil. — Vi o que estavam fazendo. Vi a garota.
— E o que isso tem a ver com você? — Patrick deu um passo à frente, cruzando os braços.
— Eu só queria conhecer a moça — o velho disse, esticando o pescoço para tentar me enxergar atrás de Henry. — Ela parece ser... especial.
— Ela não é pro seu bico, seu lixo — Victor cuspiu as palavras. — Vá para casa antes que eu te chute escada abaixo.
O homem deu uma risadinha nervosa, mas não recuou. Seus olhos finalmente encontraram os meus, e eu senti um calafrio de nojo percorrer minha espinha.
— Qual é, meninos... — ele disse, com uma voz melosa que me deu náuseas. — Onde cabe três, cabe quatro. Não precisam ser egoístas.
O silêncio que se seguiu foi absoluto, interrompido apenas pelo som da respiração pesada de Henry. Ele se virou para mim, seus olhos brilhando com uma mistura de raiva e algo que eu não soube identificar.
— Hanna, vem cá — chamou ele.
Eu hesitei por um segundo, mas caminhei até o lado dele. No momento em que apareci sob a luz do hall, o homem parou de falar. Ele me olhou de cima a baixo, seus olhos parando no meu corpo de uma forma que me fez querer me esconder. Ele mordeu o lábio inferior, uma expressão de pura luxúria estampada naquela cara enrugada.
— Posso... posso encostar? — perguntou ele, a mão trêmula começando a se levantar.
— Nem pense nisso — Henry avisou, dando um passo protetor.
Mas o velho foi mais rápido do que qualquer um de nós esperava. Em um movimento súbito e asqueroso, ele esticou o braço e passou a palma da mão pesadamente pelo meu peito, apertando por um milésimo de segundo antes que Henry pudesse reagir.
— Gostosa... — ele sussurrou, a saliva brilhando no canto da boca.
O mundo pareceu explodir em movimento. Henry soltou um rugido de fúria e o empurrou para trás com tanta força que o homem cambaleou até o jardim. Antes que eu pudesse processar o toque invasivo, Henry me pegou pelo braço, não com força para machucar, mas com uma urgência inegável.
— Sobe, Hanna. Agora! — ordenou ele, me conduzindo escada acima.
— Henry, eu...
— Pro quarto! — Ele me deixou na porta do quarto e fechou-a atrás de mim.
Eu fiquei parada ali, o coração batendo na garganta, ouvindo os sons que vinham lá de baixo. Ouvi o grito do velho, seguido pelo som abafado de pancadas e os risos cruéis de Patrick e Victor. Henry desceu correndo as escadas para se juntar a eles.
Eu me sentei na beira da cama, abraçando meus próprios braços. Eu era brava, era inteligente e sabia me cuidar, mas aquele toque tinha sido como veneno. Eu conseguia ouvir o som de algo quebrando e as súplicas do vizinho diminuindo até virarem apenas gemidos de dor.
Alguns minutos depois, a porta do quarto se abriu e Henry entrou. Ele estava ofegante, os nós dos dedos um pouco vermelhos, mas seu olhar se suavizou instantaneamente ao me ver encolhida na cama.
— Ele não vai mais te tocar — disse ele, caminhando até mim e se ajoelhando entre minhas pernas. — Nunca mais.
— Onde estão os meninos? — perguntei com a voz trêmula.
— Terminando o serviço — respondeu ele de forma curta, pegando minhas mãos nas dele. — Você está bem?
— Estou com nojo, Henry.
Ele suspirou, puxando-me para um abraço apertado. Eu enterrei meu rosto em seu pescoço, sentindo o cheiro de suor e tabaco que era tão característico dele.
— Eu sei. Mas ele aprendeu a lição. Ninguém toca no que é nosso e sai andando.
Lá embaixo, os sons de violência continuavam, uma trilha sonora brutal para uma tarde que deveria ter sido apenas nossa. Em Derry, a inocência nunca durava muito, e a proteção vinha sempre com um preço de sangue. Mas, naquele momento, nos braços de Henry, eu me sentia estranhamente segura, enquanto o resto do mundo — e os garotos lá embaixo — cuidava de destruir quem ousasse cruzar nosso caminho.
