Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Mister Demi ~!

Fandom: FPE

Criado: 11/06/2026

Tags

Fatias de VidaFofuraHumorHistória DomésticaCenário Canônico
Índice

Um Pequeno Equívoco de Peso

A Paper School estava mergulhada no silêncio relativo do final de tarde, um contraste gritante com o caos de tesouras, papéis picados e perseguições mortais que costumavam preencher os corredores durante as aulas. Mister Demi, o professor de música da instituição, caminhava com passos pesados e ombros caídos. Seu habitual nervosismo parecia ter sido substituído por uma exaustão profunda. Ser um professor em um lugar onde a falha acadêmica podia resultar em consequências... fatais... era um fardo que pesava em sua mente todos os dias.

Ele suspirou, ajustando os óculos que insistiam em escorregar pelo nariz. Demi era uma alma gentil, talvez gentil demais para o ambiente rigoroso da escola, e seu único refúgio era a música e sua pequena família. Naquela tarde, ele tinha a responsabilidade de cuidar de sua sobrinha, a pequena Marita Belén, de apenas cinco anos.

Ao entrar na sala de estar de sua residência anexa à escola, Demi mal conseguia manter os olhos abertos. O ambiente estava levemente bagunçado, com alguns cubos de montar espalhados pelo tapete, mas o silêncio indicava que Marita estava entretida.

Marita Belén era o oposto de seu tio em termos de energia. Enquanto Demi era tímido, retraído e cauteloso, a menina era um pequeno furacão de travessura e fofura. Ela tinha cabelos escuros e olhos que brilhavam com a promessa de algum plano mirabolante. Naquele exato momento, ela estava deitada de bruços no sofá, escondida sob uma manta fina, brincando silenciosamente com um boneco de papel que ela mesma havia recortado.

Demi, no entanto, estava em um estado de "piloto automático" devido ao cansaço. Ele não viu a pequena elevação sob a manta, nem notou os pezinhos que balançavam discretamente na extremidade do estofado.

— Preciso... de cinco minutos de paz... — murmurou ele para si mesmo, sua voz saindo como um sussurro trêmulo.

Sem olhar para trás, ele se aproximou do sofá. O sofá era grande e macio, o lugar perfeito para um descanso rápido antes de preparar o jantar. Com um suspiro de alívio antecipado, Mister Demi se virou e soltou o peso do corpo, sentando-se exatamente onde Marita estava.

O impacto foi suave para ele, mas certamente não para a ocupante do sofá. Mister Demi, apesar de sua natureza dócil, possuía uma constituição física que, combinada com suas roupas largas de professor, o tornava consideravelmente mais pesado do que uma criança de cinco anos. Ao se sentar, ele sentiu que o sofá estava um pouco mais "fofinho" e irregular do que o normal, mas seu cérebro exausto interpretou aquilo apenas como uma almofada mal posicionada.

Ele se acomodou, soltando um longo e sonoro suspiro de satisfação, fechando os olhos enquanto seu traseiro grande prendia e esmagava completamente a pequena Marita contra o estofado.

Lá embaixo, o mundo de Marita Belén havia ficado subitamente escuro e muito, muito apertado.

— Mmmph! Mmmffnn! — A voz da menina saiu abafada, sufocada pelos tecidos das calças do tio e pelas fibras do sofá.

Demi, no entanto, estava em seu próprio mundo. Ele começou a cantarolar uma melodia suave, uma peça de piano que estava tentando ensinar aos seus alunos mais indisciplinados.

— Lá, lá, rá... tão relaxante... — comentou ele, recostando-se ainda mais, o que só serviu para aumentar a pressão sobre a sobrinha.

Marita tentou se debater, mas os braços e pernas de Demi eram como colunas pesadas que a mantinham fixa no lugar. Ela sentia o calor do tecido e o peso esmagador. Ela não estava machucada, o sofá era macio o suficiente para absorver o impacto, mas ela estava definitivamente indignada.

— Tio... De-mi... — A voz dela soou como um chiado distante, vindo de algum lugar abaixo dele. — Tá... pe-sa-do...

Demi franziu a testa por um momento, parando de cantarolar. Ele inclinou a cabeça para o lado, ouvindo o que parecia ser um murmúrio vindo das profundezas do móvel.

— Estranho... — ele murmurou, ajustando a posição, o que resultou em um "Oof!" audível de Marita. — Acho que os canos desta casa estão fazendo barulho de novo. Preciso pedir para a Miss Bloomie dar uma olhada... ou talvez não, ela provavelmente tentaria consertar com um cortador de papel.

Ele voltou a relaxar, fechando os olhos novamente. No entanto, um som mais nítido e desesperado finalmente atravessou a barreira de sua exaustão.

— TIO DEMI! EU NÃO CONSIGO RESPIRAR! — O grito, embora ainda abafado, foi alto o suficiente para vibrar através do assento.

Mister Demi deu um pulo que quase o fez cair no chão. Seus olhos se arregalaram e ele se virou rapidamente, o coração disparado de susto.

— Marita?! — Ele exclamou, sua voz subindo várias oitavas.

Ele se levantou às pressas, revelando a pequena figura que estava enterrada no sofá. Marita Belén emergiu da depressão do estofado como se estivesse saindo de um esconderijo subterrâneo. Seu cabelo estava todo bagunçado, apontando para todas as direções, e suas bochechas estavam vermelhas.

Mas o que mais chamou a atenção de Demi foi a expressão no rosto da menina. Ela estava com a boca aberta em um formato perfeito de "O", os olhos arregalados, parecendo uma caricatura de si mesma de tanto choque pelo "atropelamento" inesperado.

— Oh, céus! Oh, não! Marita! — Demi começou a gaguejar, as mãos tremendo enquanto ele tentava ajudá-la a se sentar. — Eu... eu não te vi! Eu pensei que você fosse uma almofada! Você está bem? Eu te quebrei? Por favor, não me diga que eu te quebrei!

Marita continuou com o rosto em formato de "O" por mais alguns segundos, processando o fato de que quase tinha se tornado uma panqueca humana. Lentamente, o choque se transformou em algo diferente. Ela piscou, olhou para o tio nervoso e soltou um suspiro dramático.

— Tio Demi... — disse ela, a voz finalmente voltando ao normal, embora ainda um pouco trêmula. — Você tem o bumbum muito grande!

O rosto de Mister Demi ficou instantaneamente da cor de um tomate maduro. Ele cobriu o rosto com as mãos, soltando um gemido de pura vergonha.

— Marita, por favor, não diga essas coisas... — ele implorou, sua timidez voltando com força total. — Eu sinto muito, eu estava tão cansado que nem percebi que você estava aí.

Marita se levantou, sacudindo o vestidinho e tentando arrumar o cabelo com as mãos pequenas. Ela olhou para o sofá e depois para o tio, uma faísca de travessura começando a brilhar em seus olhos novamente.

— Eu estava fazendo um esconderijo secreto — explicou ela, cruzando os braços e tentando parecer severa, apesar de sua aparência fofa. — E o senhor chegou e... PUM! Esmagou o esconderijo e a espiã!

— Eu prometo que vou olhar antes de sentar da próxima vez — disse Demi, ainda se recuperando do susto. — Você tem certeza de que não se machucou?

Marita caminhou até ele e cutucou a perna do tio com um dedo pequeno.

— Só meu nariz ficou achatado por um segundo — ela riu, achando a situação engraçada agora que o peso tinha sumido. — Parecia que uma montanha de papel tinha caído em cima de mim!

Demi soltou um suspiro de alívio, sentando-se no chão desta vez, bem longe do sofá, para garantir que não haveria mais acidentes.

— A Paper School está me deixando louco, querida. Às vezes eu esqueço até onde deixei minha batuta, quem dirá onde deixei minha sobrinha.

Marita subiu nas costas do tio, abraçando o pescoço dele.

— Tudo bem, Tio Demi. Mas agora você me deve um doce. Ou dois. Porque ser esmagada cansa muito.

Demi sorriu, segurando as mãozinhas dela. A gentileza dele sempre brilhava quando estava com Marita, mesmo após um dia desastroso.

— Tudo bem, tudo bem. Vamos ver o que temos na cozinha. Mas nada de contar para a Miss Circle que eu quase te esmaguei, ou ela vai rir de mim pelo resto do semestre.

— É um segredo — prometeu Marita, recuperando sua energia habitual e pulando das costas dele. — Mas só se o doce for de chocolate!

Enquanto os dois caminhavam em direção à cozinha, Demi ainda sentia o rosto quente de vergonha, mas o riso de Marita Belén era o melhor remédio para seu cansaço. Ele aprendeu uma lição valiosa naquele dia: na Paper School, o perigo não vinha apenas das tesouras afiadas dos professores, mas às vezes, vinha de um tio distraído e de um sofá macio demais.

— E Tio Demi? — chamou Marita, parando na porta da cozinha.

— Sim, pequena? — ele respondeu, olhando para ela com carinho.

— Da próxima vez, eu vou colocar um espinho no sofá. Só para avisar! — Ela soltou uma risadinha travessa e correu para dentro.

Demi estremeceu, imaginando a cena.

— É... acho que eu definitivamente vou passar a olhar antes de sentar.

E assim, o final de tarde na Paper School seguiu, com menos música clássica e muito mais risadas de uma garotinha que, por um breve momento, viu o mundo sob uma perspectiva muito... apertada.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic