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Oliver!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 11/06/2026

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Um Presente Inesperado e Ligeiramente Comestível

A neve caía silenciosa do lado de fora da Escola de Papel, transformando o pátio em um deserto branco e gelado. Dentro dos corredores, no entanto, o clima era de um caos festivo — ou pelo menos o tipo de caos que Miss Circle permitia antes que alguém perdesse a cabeça, literalmente. Mas para Oliver, aquele Natal estava sendo um pesadelo estético.

Ele se olhou no reflexo de um armário de metal, bufando. Ele estava usando uma blusa de lã rosa choque, adornada com pequenos flocos de neve e renas que pareciam zombar de sua dignidade. Alice tinha dito que ele ficava "fofinho", o que era um insulto direto à sua reputação de valentão travesso. Seus longos cabelos brancos, que chegavam aos tornozelos, estavam presos em seu rabo de cavalo baixo habitual, mas até o laço preto parecia deslocado com aquela explosão de cor rosa.

— Eu pareço um marshmallow gigante que foi atropelado por um caminhão de glitter — resmungou Oliver, passando a língua bifurcada pelos lábios, sentindo o gosto residual do sabonete de lavanda que ele havia comido no café da manhã.

Ele estava procurando por Zip e Edward. Geralmente, o trio estaria ocupado colocando tachinhas nas cadeiras dos alunos mais novos ou roubando os compassos de Miss Bloomie, mas seus amigos estavam estranhamente silenciosos naquela manhã.

Oliver dobrou o corredor em direção ao laboratório de ciências, onde Edward costumava realizar seus experimentos duvidosos. Assim que ele entrou na sala mal iluminada, sentiu um puxão violento em seus pés.

— Mas o que...? — Oliver não teve tempo de terminar a frase.

Um balde de cola escolar caiu sobre ele, seguido por uma rede de pesca pesada. Antes que pudesse usar seu braço de lápis para rasgar a rede, duas figuras saltaram das sombras.

— Pegamos o peixão de Natal! — gritou Zip, rindo alto enquanto puxava as cordas para imobilizar os braços de Oliver.

— Edward! Zip! Que palhaçada é essa? Me soltem agora ou eu vou contar para a Alice que vocês quebraram o frasco de tinta dela! — Oliver protestou, debatendo-se, mas as cordas eram firmes.

Edward, ajustando seus óculos com um sorriso malicioso, ignorou as ameaças.

— Calma, Oliver. Você é a peça central da nossa festa. Um presente especial para... bem, para nós mesmos.

Em questão de minutos, a dupla de baderneiros trabalhou com uma eficiência assustadora. Eles forçaram Oliver a se sentar no chão, amarrando seus pulsos firmemente atrás das costas. Oliver tentou morder a mão de Edward, mas Zip foi mais rápida. Ela pegou um espeto de peru — um acessório de plástico que eles haviam roubado da cozinha — e o usou como uma mordaça improvisada, prendendo-o entre as mandíbulas de Oliver e amarrando as tiras atrás de sua nuca.

— Mmmph! Mmmph! — Oliver tentou gritar, seus olhos arregalados de indignação.

— Ficou perfeito — comentou Edward, avaliando o trabalho. — Agora, para o toque final.

Eles o arrastaram para cima de uma base de papelão verde esmeralda. Com uma habilidade que só anos de travessuras poderiam proporcionar, Zip e Edward ergueram as laterais de uma caixa enorme ao redor de Oliver. O papel de embrulho era de um verde brilhante, contrastando horrivelmente com a blusa rosa de Oliver.

— Pronto. Agora você é um presente de Natal autêntico — disse Zip, dando um tapinha no topo da caixa antes de fechar a tampa.

Lá dentro, Oliver estava mergulhado na escuridão, exceto por alguns furos minúsculos que Edward havia feito para ventilação. O espaço era apertado, forçando-o a ficar encolhido. O cheiro de papel novo e o aroma de plástico do espeto de peru preenchiam seus sentidos.

"Eu vou matar os dois", pensou Oliver, o rosto ficando vermelho de raiva e de vergonha. "Eu vou transformar o Edward em um apontador de lápis humano e vou raspar o cabelo da Zip enquanto ela dorme."

Ele tentou se chacoalhar, mas as cordas em suas costas estavam bem apertadas, restringindo seus movimentos. O espeto em sua boca era desconfortável, mas, bizarramente, Oliver se pegou pensando se o plástico tinha algum sabor. Ele deu uma lambida experimental com sua língua bifurcada no objeto. Tinha gosto de nada, o que foi uma decepção. Ele preferia que fosse de sabão de limão.

Lá fora, ele ouvia as risadas abafadas de seus amigos.

— Para onde vamos levar ele? — perguntou Zip.

— Vamos deixar ele na frente da sala dos professores — sugeriu Edward. — Imagine a cara da Miss Circle quando ela abrir o presente e encontrar o aluno favorito dela amarrado como um peru de Natal.

— Mmmph!! — Oliver protestou violentamente, batendo as botas pretas contra a lateral da caixa.

— Shhh, presentes não falam, Oliver! — Zip deu um chute de brincadeira na caixa, fazendo Oliver rolar um pouco para o lado.

O movimento fez com que a mecha arrepiada no topo de sua cabeça se amassasse contra o teto da caixa. Ele se sentia ridículo. A blusa rosa, a mordaça de plástico, o fato de estar sendo carregado como uma encomenda... Se qualquer outro aluno o visse assim, sua autoridade na escola estaria arruinada para sempre.

Ele sentiu a caixa sendo levantada. Edward e Zip o carregavam pelos corredores, rindo e fazendo piadas sobre o peso dele.

— Ele deve ter comido uma barra de sabão inteira antes de virmos buscar ele — reclamou Edward, ofegando. — Ele está pesado!

— É o peso da consciência dele — zombou Zip.

Oliver fechou os olhos, o rosto queimando. Ele conseguia imaginar a cena: a tampa da caixa sendo aberta, a luz do corredor cegando-o, e o olhar severo de Miss Circle descendo sobre ele. Ela provavelmente riria antes de lhe dar uma detenção perpétua.

"Se eu sair daqui vivo", Oliver divagou em sua mente, "eu vou comer todos os sabonetes artesanais da gaveta da Zip. Todos eles. Até os que têm cheiro de flores que eu odeio."

De repente, a caixa parou de se mover. Ele ouviu o som de passos se afastando rapidamente e o eco de uma porta se fechando. O silêncio se instalou.

Oliver ficou parado, ouvindo as batidas de seu próprio coração. Ele estava sozinho no corredor? Ou será que eles o haviam deixado em algum lugar pior?

Ele tentou usar seu braço de lápis. Se conseguisse posicionar a ponta grafite contra as cordas, talvez pudesse desgastá-las. Mas o ângulo era impossível. Ele estava muito bem amarrado. A marca vermelha de "A+" em seu cabelo parecia pulsar com sua irritação crescente.

— Mmmph... — ele suspirou contra a mordaça, o som saindo baixo e derrotado.

Passaram-se alguns minutos que pareceram horas. Então, ele ouviu o som de saltos rítmicos batendo no chão de linóleo. *Toc. Toc. Toc.*

O coração de Oliver disparou. Ele conhecia aquele passo. Era Miss Circle.

A respiração dele ficou curta. Ele tentou se encolher ainda mais, desejando que a blusa rosa se fundisse com o interior da caixa e ele desaparecesse. A sombra da professora passou pelos furos de ventilação.

— Mas o que é isso? — A voz de Miss Circle era fria e curiosa. — Um presente deixado no meio do corredor? Edward e Zip devem estar aprontando de novo...

Oliver sentiu as mãos longas e afiadas da professora tocarem a lateral da caixa. O papel de embrulho rasgou com um som seco.

A tampa foi removida bruscamente. A luz forte do teto da escola invadiu o espaço, e Oliver piscou repetidamente, a visão turva. Quando sua vista se estabilizou, ele viu a silhueta imponente de Miss Circle olhando para baixo, segurando seu compasso gigante em uma das mãos.

Houve um silêncio mortal por três segundos.

Oliver, corado até a raiz dos cabelos brancos, olhou para cima com os olhos arregalados, o espeto de peru ainda firme em sua boca e a blusa rosa brilhando sob a luz fluorescente.

Miss Circle inclinou a cabeça para o lado, uma expressão de puro divertimento surgindo em seu rosto pálido.

— Ora, ora... — disse ela, com um sorriso que mostrava seus dentes afiados. — Parece que o Papai Noel foi muito generoso este ano. Eu não sabia que você vinha em embalagem econômica, Oliver.

— Mmmph! — Oliver tentou dizer "Me solta agora!", mas só conseguiu um som abafado e patético.

— E essa blusa? — Ela esticou uma garra e tocou o tecido rosa. — Combina com o seu tom de rosto. Você está tão... festivo.

Miss Circle soltou uma risada baixa e aterrorizante que ecoou pelo corredor vazio. Ela não parecia ter pressa nenhuma em desamarrá-lo. Na verdade, ela pegou um pequeno frasco de sabonete líquido do bolso de seu avental — algo que ela usava para subornar Oliver ocasionalmente — e o balançou na frente dele.

— Se você prometer não colocar fogo no laboratório na próxima semana, eu talvez considere tirar você daí antes que os outros alunos cheguem para o almoço — disse ela, guardando o sabonete de volta.

Oliver assentiu freneticamente com a cabeça. Naquele momento, ele aceitaria qualquer acordo.

— Ótimo — disse Miss Circle, começando a cortar as cordas com a ponta afiada de seu compasso. — Mas saiba de uma coisa, Oliver: eu vou tirar uma foto disso primeiro. Alice vai adorar ver o "presentinho" dela.

Oliver fechou os olhos e soltou um gemido abafado. Aquele era, sem dúvida, o pior Natal de sua vida. Mas, enquanto sentia as cordas afrouixarem e o espeto de peru ser removido de sua boca, ele já estava planejando sua vingança.

Assim que estivesse livre, Edward e Zip descobririam que o verdadeiro presente de Natal de Oliver para eles seria uma dose dupla de problemas. Mas primeiro... ele realmente precisava comer um pedaço de sabão para tirar o gosto de plástico da boca.

— Da próxima vez — resmungou Oliver, massageando os pulsos assim que a mordaça caiu —, usem um espeto com gosto de morango. Esse aqui era horrível.

Miss Circle apenas revirou os olhos, enquanto Oliver se levantava, tentando manter o pouco de dignidade que lhe restava naquela blusa rosa ridícula. O Natal na Escola de Papel estava apenas começando.
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