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Skell x Ruby no Natal

Fandom: FPE

Criado: 11/06/2026

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O Presente Mais Inesperado de Natal

A neve caía suavemente sobre a Paper School, cobrindo o chão de papel recortado com uma camada branca e gélida. No entanto, o clima festivo parecia passar longe de Skell. O garoto, com seus cabelos pretos na altura dos ombros e seus chifres escuros destacando-se contra o céu cinzento, caminhava pelos corredores externos com seu habitual mau humor. Ele vestia um suéter de Natal, mas, fiel ao seu estilo, a peça era inteiramente preta e gótica, adornada com padrões de caveiras em vez de renas.

Ele encarava a tela de seu telefone cinza, os dedos longos e finos deslizando pelo visor enquanto ignorava as decorações coloridas e as risadas dos outros alunos. O sino em sua coleira emitia um tilintar baixo a cada passo, um som que ele detestava, mas que fazia parte de sua estética sombria. Para Skell, o Natal era apenas uma interrupção barulhenta em sua preciosa solidão.

O que ele não percebeu, porém, foi o vulto rosa e branco que se escondia atrás de uma das grandes árvores de papelão decoradas.

Ruby estava radiante. Sua tela plana brilhava com olhos e bochechas rosa claro em formato de caixa, expressando uma empolgação quase elétrica. Ela usava uma roupa de Natal rosa que era claramente dois números maior que o necessário, fazendo-a parecer uma pequena e fofa nuvem de algodão doce. Seus cabelos loiros, que chegavam até os joelhos, balançavam conforme ela se preparava para o "bote".

Ela adorava Skell. Adorava o jeito ranzinza dele, o silêncio dele e até a forma como ele parecia querer estar em qualquer lugar, menos ali. E, para Ruby, o Natal era a oportunidade perfeita para mostrar o quanto ela se importava... do seu jeito peculiar.

— Três... dois... um! — sussurrou Ruby para si mesma, o arco-íris entre seus chifres brilhando levemente.

Em um movimento rápido e surpreendentemente ágil para alguém com formato de cone, Ruby saltou de trás da árvore. Antes que Skell pudesse reagir ou soltar um de seus resmungos habituais, ele sentiu algo o puxando com força para trás.

— Mas o que...?! — Skell tentou gritar, mas sua voz foi abafada pelo tecido grosso do suéter de Ruby que o envolveu.

Alguns minutos depois, a cena no depósito abandonado de materiais de artes era, no mínimo, inusitada.

Skell estava sentado no chão, encostado em uma caixa enorme decorada com papel de presente vermelho e laços dourados. Seus pulsos estavam firmemente presos atrás das costas com cordas de seda rosa vibrante. Para garantir que ele não reclamasse do "presente", Ruby havia improvisado uma mordaça: um doce de Natal em formato de bengala atravessado em sua boca, preso por uma fita de cetim.

Skell tentava protestar, emitindo sons abafados e furiosos através do doce, seus olhos negros faiscando de indignação. Sua cauda longa chicoteava o chão, batendo contra o papel de presente.

— Prontinho, Skell! — Ruby bateu as mãos quadradas, parecendo extremamente satisfeita. — Você está uma graça! O Robby vai amar o presente de Natal dele. Ele sempre diz que precisa de ajuda na oficina, e quem melhor do que você para... bom, para ficar lá fazendo companhia?

Ela ignorou os protestos abafados do garoto e, com uma força que desafiava sua aparência delicada, começou a arrastar o "pacote" em direção à casa de Robby, que ficava nos limites do campus da escola.

Enquanto isso, na pequena oficina improvisada que chamava de lar, Robby estava concentrado. O garoto mecânico, vestindo um suéter de Natal verde com pequenos desenhos de engrenagens, estava debruçado sobre uma mesa cheia de peças de metal e ferramentas. Ele adorava consertar coisas, transformar o quebrado em funcional, o inútil em essencial.

O som de batidas frenéticas na porta o fez pular.

— Já vai! — gritou Robby, limpando a graxa das mãos no suéter festivo.

Ao abrir a porta, ele se deparou com Ruby, que estava ofegante, mas com um sorriso digital enorme em sua tela. Aos pés dela, um Skell amarrado e amordaçado parecia pronto para explodir de raiva.

— Ruby? — Robby piscou, ajustando a visão. — O que... o que é isso?

— Feliz Natal, Robby! — Ruby exclamou, fazendo uma pequena reverência que quase a fez perder o equilíbrio devido ao tamanho de sua roupa. — Eu trouxe um presente para você! Eu sei que você trabalha muito sozinho, então trouxe o Skell para ser seu novo assistente... ou decoração... ou o que você precisar!

Robby olhou para Skell. O garoto gótico estava tentando morder a bengala doce de puro ódio. Suas asas tremiam levemente sob o suéter preto e o sino em seu pescoço deu um toque melancólico à cena.

— Ruby... você não pode simplesmente sequestrar as pessoas e dar de presente — disse Robby, coçando a nuca com um sorriso nervoso. — Acho que isso é contra as regras da escola. E provavelmente contra a lei.

— Ah, não seja bobo! — Ruby acenou com a mão quadrada, desdenhando da preocupação. — Ele estava entediado. Eu vi na cara dele. Ele ama o Natal, só é tímido demais para admitir. Não é, Skell?

Skell respondeu com um som que lembrava um rosnado abafado por açúcar de hortelã.

— Viu? Ele está emocionado! — Ruby concluiu, dando um tapinha na cabeça de Skell, bem entre os chifres.

Robby suspirou, mas não conseguiu evitar uma risadinha. Ele se aproximou e ajoelhou-se na frente de Skell.

— Olha, Skell, eu sinto muito por isso. A Ruby... bom, ela é a Ruby.

Robby começou a desamarrar a fita que segurava a bengala doce. Assim que o doce caiu, Skell cuspiu um pedaço de açúcar e respirou fundo, embora seu rosto estivesse vermelho de vergonha e raiva.

— Eu vou matar você, Ruby — sibilou Skell, sua voz saindo rouca. — Eu vou pegar aquele seu plugue de cauda e...

— Sem ameaças no Natal! — Ruby interrompeu, colocando as mãos na cintura (ou onde seria a cintura em seu corpo de cone). — É tempo de paz e alegria!

Skell tentou se levantar, mas lembrou que seus pulsos ainda estavam amarrados. Ele olhou para Robby com um olhar suplicante.

— Me solta logo, tampinha. Antes que eu decida que você faz parte do plano dela.

— Calma aí, Skell — disse Robby, pegando uma pequena chave de fenda do bolso apenas por hábito. — Eu vou soltar você. Mas, sabe... já que você está aqui, e a Ruby teve todo esse trabalho... você não quer pelo menos um chocolate quente? Está nevando muito lá fora.

Skell parou de lutar contra as cordas rosas por um segundo. Ele olhou para a janela, onde a nevasca realmente parecia ter apertado. Depois, olhou para a oficina de Robby. Era um lugar quente, cheio de luzes amareladas e o cheiro reconfortante de óleo de máquina e canela. Era muito melhor do que o corredor frio da escola ou seu dormitório vazio.

— Chocolate quente? — Skell resmungou, desviando o olhar. — Com marshmallows?

— Com muitos marshmallows — confirmou Robby, começando a desatar os nós nos pulsos de Skell.

Ruby deu um pulinho de alegria, sua tela piscando em tons de rosa vibrante.

— Eu sabia! Eu sabia que vocês iam se dar bem! — Ela abraçou os dois ao mesmo tempo, quase sufocando Robby com o excesso de tecido de sua blusa de Natal.

— Solta... Ruby... — Robby tentou dizer, rindo.

Skell, finalmente livre das cordas, massageou os pulsos. Ele olhou para a corda rosa no chão, depois para Ruby, que parecia uma lâmpada fluorescente de tanta felicidade, e por fim para Robby, que já estava indo em direção a uma pequena chaleira.

— Isso é ridículo — disse Skell, ajeitando seu suéter gótico e recuperando seu telefone do chão. — Vocês dois são loucos.

— Mas você vai ficar, não vai? — perguntou Ruby, aproximando sua tela do rosto dele, exibindo um emoji de olhos brilhantes.

Skell suspirou, o som do sino em seu pescoço pontuando sua derrota.

— Tanto faz. Mas se alguém souber que eu fui "embrulhado" por uma televisão de gola pastel, eu acabo com vocês dois.

— Nosso segredo! — exclamou Ruby, fazendo um sinal de "fechar o zíper" na boca digital.

— Senta aí, Skell — chamou Robby da bancada. — Você pode me ajudar a segurar essa engrenagem enquanto a água ferve? Minhas mãos são pequenas demais para alcançar o fundo dessa carcaça.

Skell revirou os olhos, mas caminhou até a mesa. Suas mãos longas e pontiagudas eram perfeitas para trabalhos de precisão, algo que ele nunca admitiria em voz alta.

— Só desta vez — resmungou ele, pegando a peça de metal. — E só porque o chocolate é de graça.

Ruby sentou-se em um caixote próximo, balançando as pernas e observando os dois. O arco-íris em sua cabeça parecia brilhar com uma luz própria. Talvez seu método de "entrega de presentes" fosse um pouco ortodoxo demais, mas, vendo Skell e Robby trabalhando juntos sob a luz quente da oficina, ela tinha certeza de que aquele era o melhor Natal de todos na Paper School.

— Ruby? — Robby chamou, sem tirar os olhos da peça que consertava.

— Sim?

— Da próxima vez... usa um laço. As cordas rosas foram um pouco demais.

— Anotado! — Ruby riu, o som saindo como um jingle eletrônico.

E assim, entre ferramentas, suéteres desproporcionais e o cheiro de chocolate, o silêncio que Skell tanto buscava foi substituído por algo que ele, secretamente, não odiava tanto assim: a companhia de amigos tão estranhos quanto ele.
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