
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
Amor, drogas e fantasias bonitas
Fandom: Agahase
Criado: 11/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaEstudo de PersonagemRealismoCiúmesLirismo
Entre as Linhas do Tempo e do Destino
O Aeroporto Internacional de Incheon estava mergulhado naquele caos organizado que apenas os grandes centros asiáticos possuem. Mark Tuan caminhava apressado, os fones de ouvido pendurados no pescoço e o boné abaixado, tentando manter a discrição que sua carreira exigia. Foi no esbarrão brusco em frente a uma cafeteria que o mundo dele parou.
Os livros que ela carregava caíram no chão espelhado. Mark se abaixou instantaneamente para ajudar, e quando seus olhos encontraram os de Quezia, o barulho do aeroporto simplesmente desapareceu. Ela tinha uma beleza que parecia não exigir esforço algum; os fios escuros levemente bagunçados e um olhar profundo, carregado de uma inteligência que parecia ler a alma dele em segundos.
— Mil desculpas, eu estava distraído — disse Mark, estendendo o último livro. O sorriso dele, aquele que desarmava multidões, surgiu de forma tímida e genuína.
— Tudo bem, aeroportos têm esse efeito de nos deixar em transe — respondeu Quezia, com um meio sorriso misterioso que fez o coração de Mark errar uma batida.
A conversa durou menos de cinco minutos antes de seus voos serem chamados, mas foi o suficiente para trocarem usuários de Instagram. O que se seguiu foram meses de notificações brilhando nas telas de madrugada. Curtidas, comentários sutis e mensagens diretas que começaram com "Como foi seu dia?" e evoluíram para confissões sobre sonhos e medos. O flerte era palpável, uma eletricidade que atravessava oceanos.
Mas a vida de um idol e a carreira acadêmica internacional de uma mulher como Quezia não eram gentis com o tempo. As turnês do GOT7 ficaram mais intensas, as pesquisas dela exigiam viagens para campos remotos. As mensagens ficaram escassas. O "boa noite" virou um vácuo de silêncio. Eles se perderam na imensidão de suas próprias ambições.
Cinco anos depois.
Seul estava fria, coberta por uma fina camada de neve. Mark estava em uma galeria de arte moderna, um evento de caridade onde sua presença era obrigatória. Ele segurava uma taça de champanhe, sentindo o peso do terno de grife e o peso ainda maior do relacionamento que mantinha com uma modelo famosa. Era uma união de conveniência para as câmeras, cheia de discussões em portas fechadas e uma solidão compartilhada.
— Você está olhando para esse quadro há dez minutos e tenho certeza de que não está vendo a pintura — disse uma voz feminina, vinda de suas costas.
Mark congelou. Ele reconheceria aquele tom em qualquer lugar do mundo. Ao se virar, encontrou Quezia. Ela estava ainda mais deslumbrante, usando um vestido de seda esmeralda que realçava seu mistério natural.
— Quezia? — Mark sussurrou, o sorriso cativante surgindo involuntariamente, embora tingido de melancolia.
— Olá, Mark. Faz muito tempo.
— Cinco anos, três meses e alguns dias — disse ele, aproximando-se. — Você continua com esse olhar de quem sabe todos os segredos do universo.
— E você continua sendo bom demais em elogios — ela riu, mas havia algo diferente nela. Uma postura de quem pertencia a alguém.
Antes que Mark pudesse dizer qualquer outra coisa, um homem se aproximou. Era Kihyun, do Monsta X, com um sorriso protetor e uma mão que pousou com naturalidade na cintura de Quezia.
— Querida, o curador quer nos apresentar ao artista — disse Kihyun, para então notar Mark. — Oh, Mark! Que surpresa encontrar você aqui.
— Kihyun, como vai? — Mark estendeu a mão, o profissionalismo mascarando o aperto em seu peito.
— Estou ótimo. Vejo que já reencontrou a minha namorada — Kihyun sorriu, puxando Quezia para mais perto. — Vocês se conheceram naquela época do aeroporto, não foi? Quezia me contou.
— Sim — respondeu Quezia, desviando o olhar para uma escultura próxima —, foi um encontro breve.
O silêncio que se seguiu foi preenchido pela música ambiente da galeria. Mark sentiu uma mão tocar seu braço. Era a modelo com quem ele saía, aproximando-se com um sorriso plástico para as fotos.
— Mark, querido, precisamos ir para a mesa principal — disse ela, mal olhando para os outros.
— Já vou, Chloe — Mark respondeu, sem tirar os olhos de Quezia.
Kihyun, percebendo o clima pesado, mas sem entender a profundidade dele, despediu-se educadamente e levou Quezia para o outro lado do salão. Mark ficou parado, sentindo como se o tempo tivesse pregado uma peça cruel.
Trinta minutos depois, ele conseguiu escapar para a varanda da galeria sob o pretexto de precisar de ar fresco. Para sua surpresa, Quezia estava lá, observando as luzes da cidade.
— Ele parece fazer você feliz — disse Mark, encostando-se no parapeito ao lado dela.
— Kihyun é um homem maravilhoso — respondeu ela, sem olhar para ele. — Ele é estável. Ele estava lá quando as coisas ficaram difíceis.
— E eu não estava — Mark completou, a voz carregada de arrependimento.
— Nós dois não estávamos, Mark. Éramos jovens e nossas carreiras eram deuses aos quais sacrificamos tudo. Inclusive o que poderíamos ter sido.
— Eu ainda penso naquele dia no aeroporto — confessou ele, aproximando-se apenas um passo, o suficiente para sentir o perfume dela. — Eu ainda vejo seu sorriso quando fecho os olhos e tento lembrar como é ser feliz de verdade.
Quezia finalmente olhou para ele. Seus olhos estavam úmidos.
— Não faça isso — pediu ela em voz baixa. — Você tem uma namorada linda, uma carreira incrível. O mundo ama você.
— O mundo ama a imagem que eu vendo, Quezia. Você era a única que parecia ver o que estava por trás do sorriso gentil.
— Mark... — Ela suspirou, o nome dele soando como uma prece. — As coisas mudaram. Eu mudei. Eu amo o Kihyun. Ele me dá a paz que eu nunca achei que teria.
— Paz é o que as pessoas buscam quando desistem do fogo — disse Mark, a intensidade em seu olhar fazendo Quezia recuar um centímetro.
— Talvez eu prefira não me queimar de novo — rebateu ela, recuperando a postura misteriosa e inabalável. — Foi bom ver você, Mark. De verdade. Mas o "nós" que existia no Instagram e nas mensagens de madrugada morreu há muito tempo.
— O amor não morre, Quezia. Ele só fica esperando uma brecha para voltar a respirar.
— Então deixe-o dormindo — disse ela, antes de se virar. — Por favor.
Mark a viu caminhar de volta para o brilho dourado do salão, onde Kihyun a esperava com um casaco e um sorriso caloroso. Ele viu o momento em que Kihyun beijou a testa dela, e como Quezia fechou os olhos, buscando aquele conforto.
Chloe apareceu na porta da varanda, impaciente.
— Mark? Estão chamando para o brinde. O que você está fazendo aqui fora no frio?
Mark olhou para a modelo, depois para o lugar onde Quezia desaparecera. Ele forçou o sorriso que o mundo tanto amava, aquele que era gentil, cativante e perfeitamente vazio.
— Nada, Chloe. Eu só estava tentando lembrar de uma música que esqueci de escrever.
— Escreva amanhã — disse ela, puxando-o pelo braço. — Hoje você só precisa ser o Mark Tuan que todos esperam.
Ele entrou, deixando para trás o frio da varanda e a única verdade que havia sentido em anos. O reencontro não fora um recomeço, mas um lembrete cruel de que o tempo é um rio que não corre para trás, e que às vezes, as pessoas mais inteligentes são aquelas que sabem quando é hora de deixar o mistério permanecer sem solução.
Enquanto erguia a taça para o brinde, seus olhos cruzaram com os de Quezia do outro lado da sala. Ela não sorriu. Ela apenas assentiu levemente, um adeus silencioso escondido em plena vista, enquanto Kihyun segurava sua mão com firmeza.
Mark bebeu o champanhe, sentindo o gosto amargo da realidade. Ele ainda era o ídolo de milhões, e ela ainda era a mulher que ele amaria em silêncio, entre as linhas de uma história que o destino decidiu não terminar.
Os livros que ela carregava caíram no chão espelhado. Mark se abaixou instantaneamente para ajudar, e quando seus olhos encontraram os de Quezia, o barulho do aeroporto simplesmente desapareceu. Ela tinha uma beleza que parecia não exigir esforço algum; os fios escuros levemente bagunçados e um olhar profundo, carregado de uma inteligência que parecia ler a alma dele em segundos.
— Mil desculpas, eu estava distraído — disse Mark, estendendo o último livro. O sorriso dele, aquele que desarmava multidões, surgiu de forma tímida e genuína.
— Tudo bem, aeroportos têm esse efeito de nos deixar em transe — respondeu Quezia, com um meio sorriso misterioso que fez o coração de Mark errar uma batida.
A conversa durou menos de cinco minutos antes de seus voos serem chamados, mas foi o suficiente para trocarem usuários de Instagram. O que se seguiu foram meses de notificações brilhando nas telas de madrugada. Curtidas, comentários sutis e mensagens diretas que começaram com "Como foi seu dia?" e evoluíram para confissões sobre sonhos e medos. O flerte era palpável, uma eletricidade que atravessava oceanos.
Mas a vida de um idol e a carreira acadêmica internacional de uma mulher como Quezia não eram gentis com o tempo. As turnês do GOT7 ficaram mais intensas, as pesquisas dela exigiam viagens para campos remotos. As mensagens ficaram escassas. O "boa noite" virou um vácuo de silêncio. Eles se perderam na imensidão de suas próprias ambições.
Cinco anos depois.
Seul estava fria, coberta por uma fina camada de neve. Mark estava em uma galeria de arte moderna, um evento de caridade onde sua presença era obrigatória. Ele segurava uma taça de champanhe, sentindo o peso do terno de grife e o peso ainda maior do relacionamento que mantinha com uma modelo famosa. Era uma união de conveniência para as câmeras, cheia de discussões em portas fechadas e uma solidão compartilhada.
— Você está olhando para esse quadro há dez minutos e tenho certeza de que não está vendo a pintura — disse uma voz feminina, vinda de suas costas.
Mark congelou. Ele reconheceria aquele tom em qualquer lugar do mundo. Ao se virar, encontrou Quezia. Ela estava ainda mais deslumbrante, usando um vestido de seda esmeralda que realçava seu mistério natural.
— Quezia? — Mark sussurrou, o sorriso cativante surgindo involuntariamente, embora tingido de melancolia.
— Olá, Mark. Faz muito tempo.
— Cinco anos, três meses e alguns dias — disse ele, aproximando-se. — Você continua com esse olhar de quem sabe todos os segredos do universo.
— E você continua sendo bom demais em elogios — ela riu, mas havia algo diferente nela. Uma postura de quem pertencia a alguém.
Antes que Mark pudesse dizer qualquer outra coisa, um homem se aproximou. Era Kihyun, do Monsta X, com um sorriso protetor e uma mão que pousou com naturalidade na cintura de Quezia.
— Querida, o curador quer nos apresentar ao artista — disse Kihyun, para então notar Mark. — Oh, Mark! Que surpresa encontrar você aqui.
— Kihyun, como vai? — Mark estendeu a mão, o profissionalismo mascarando o aperto em seu peito.
— Estou ótimo. Vejo que já reencontrou a minha namorada — Kihyun sorriu, puxando Quezia para mais perto. — Vocês se conheceram naquela época do aeroporto, não foi? Quezia me contou.
— Sim — respondeu Quezia, desviando o olhar para uma escultura próxima —, foi um encontro breve.
O silêncio que se seguiu foi preenchido pela música ambiente da galeria. Mark sentiu uma mão tocar seu braço. Era a modelo com quem ele saía, aproximando-se com um sorriso plástico para as fotos.
— Mark, querido, precisamos ir para a mesa principal — disse ela, mal olhando para os outros.
— Já vou, Chloe — Mark respondeu, sem tirar os olhos de Quezia.
Kihyun, percebendo o clima pesado, mas sem entender a profundidade dele, despediu-se educadamente e levou Quezia para o outro lado do salão. Mark ficou parado, sentindo como se o tempo tivesse pregado uma peça cruel.
Trinta minutos depois, ele conseguiu escapar para a varanda da galeria sob o pretexto de precisar de ar fresco. Para sua surpresa, Quezia estava lá, observando as luzes da cidade.
— Ele parece fazer você feliz — disse Mark, encostando-se no parapeito ao lado dela.
— Kihyun é um homem maravilhoso — respondeu ela, sem olhar para ele. — Ele é estável. Ele estava lá quando as coisas ficaram difíceis.
— E eu não estava — Mark completou, a voz carregada de arrependimento.
— Nós dois não estávamos, Mark. Éramos jovens e nossas carreiras eram deuses aos quais sacrificamos tudo. Inclusive o que poderíamos ter sido.
— Eu ainda penso naquele dia no aeroporto — confessou ele, aproximando-se apenas um passo, o suficiente para sentir o perfume dela. — Eu ainda vejo seu sorriso quando fecho os olhos e tento lembrar como é ser feliz de verdade.
Quezia finalmente olhou para ele. Seus olhos estavam úmidos.
— Não faça isso — pediu ela em voz baixa. — Você tem uma namorada linda, uma carreira incrível. O mundo ama você.
— O mundo ama a imagem que eu vendo, Quezia. Você era a única que parecia ver o que estava por trás do sorriso gentil.
— Mark... — Ela suspirou, o nome dele soando como uma prece. — As coisas mudaram. Eu mudei. Eu amo o Kihyun. Ele me dá a paz que eu nunca achei que teria.
— Paz é o que as pessoas buscam quando desistem do fogo — disse Mark, a intensidade em seu olhar fazendo Quezia recuar um centímetro.
— Talvez eu prefira não me queimar de novo — rebateu ela, recuperando a postura misteriosa e inabalável. — Foi bom ver você, Mark. De verdade. Mas o "nós" que existia no Instagram e nas mensagens de madrugada morreu há muito tempo.
— O amor não morre, Quezia. Ele só fica esperando uma brecha para voltar a respirar.
— Então deixe-o dormindo — disse ela, antes de se virar. — Por favor.
Mark a viu caminhar de volta para o brilho dourado do salão, onde Kihyun a esperava com um casaco e um sorriso caloroso. Ele viu o momento em que Kihyun beijou a testa dela, e como Quezia fechou os olhos, buscando aquele conforto.
Chloe apareceu na porta da varanda, impaciente.
— Mark? Estão chamando para o brinde. O que você está fazendo aqui fora no frio?
Mark olhou para a modelo, depois para o lugar onde Quezia desaparecera. Ele forçou o sorriso que o mundo tanto amava, aquele que era gentil, cativante e perfeitamente vazio.
— Nada, Chloe. Eu só estava tentando lembrar de uma música que esqueci de escrever.
— Escreva amanhã — disse ela, puxando-o pelo braço. — Hoje você só precisa ser o Mark Tuan que todos esperam.
Ele entrou, deixando para trás o frio da varanda e a única verdade que havia sentido em anos. O reencontro não fora um recomeço, mas um lembrete cruel de que o tempo é um rio que não corre para trás, e que às vezes, as pessoas mais inteligentes são aquelas que sabem quando é hora de deixar o mistério permanecer sem solução.
Enquanto erguia a taça para o brinde, seus olhos cruzaram com os de Quezia do outro lado da sala. Ela não sorriu. Ela apenas assentiu levemente, um adeus silencioso escondido em plena vista, enquanto Kihyun segurava sua mão com firmeza.
Mark bebeu o champanhe, sentindo o gosto amargo da realidade. Ele ainda era o ídolo de milhões, e ela ainda era a mulher que ele amaria em silêncio, entre as linhas de uma história que o destino decidiu não terminar.
