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Fandom: Nenhum

Criado: 11/06/2026

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Entre o Caos e o Carinho

O ar no escritório particular de Emanuel estava pesado, impregnado com o cheiro de café forte e o aroma metálico de tinta de tatuagem que parecia persegui-lo em qualquer lugar. Ele massageou as têmporas, sentindo a pulsação de uma dor de cabeça que se formava atrás de seus olhos. Ser o proprietário de uma rede global de estúdios de tatuagem e gerir outros empreendimentos imobiliários não era apenas uma questão de prestígio e riqueza; era um exercício constante de apagar incêndios.

A porta se abriu sem que ninguém batesse, e o som dos saltos altos batendo contra o piso de madeira ecoou como tiros. Emanuel não precisou olhar para saber que era Sara.

— Emanuel, querido, os relatórios da unidade de Londres estão uma bagunça completa — disse ela, jogando uma pasta de couro sobre a mesa dele. — Se eu não tivesse dado uma olhada na planilha de custos operacionais, aqueles administradores teriam deixado passar um rombo enorme. Eles são competentes, mas falta... visão.

Sara estava impecável, como sempre. O cabelo loiro, perfeitamente estilizado, caía sobre os ombros em ondas douradas. O vestido vermelho justo realçava cada curva de seu corpo esculpido, e o decote generoso deixava claro que ela não tinha medo de chamar atenção. Ela exalava uma confiança que beirava a agressividade, uma presença que preenchia o ambiente de forma quase sufocante.

— Obrigado por revisar, Sara — Emanuel respondeu, a voz rouca de cansaço. — Eu vou olhar isso mais tarde. Agora eu só preciso de um minuto de silêncio.

Sara soltou uma risadinha irônica e sentou-se na borda da mesa dele, cruzando as pernas longas.

— Silêncio é luxo para quem tem um império, meu amor. E por falar em luxo, já fechei o roteiro para a nossa viagem. Pensei em Mykonos. Sol, festas exclusivas e aquele iate que você estava de olho. Vai ser perfeito para relaxarmos.

Emanuel suspirou, fechando os olhos por um momento. Ele amava Sara. Amava a inteligência perspicaz dela para os negócios, a forma como ela não se deixava intimidar por ninguém e a paixão avassaladora que ela trazia para a vida dele. Ela era o seu pilar de força, mas também a fonte de metade de sua tensão.

Antes que ele pudesse responder, a porta se abriu novamente, mas desta vez de forma silenciosa, quase hesitante. Eduarda entrou, parecendo uma visão de suavidade em contraste com a energia vibrante de Sara. Ela usava um vestido de linho azul-claro, o cabelo castanho solto de forma natural e o rosto limpo de maquiagem pesada.

— Emanuel? — a voz dela era doce, um sussurro que pareceu acalmar um pouco a mente dele. — Eu... eu trouxe aquele chá que você gosta. Achei que estaria estressado.

Ela caminhou timidamente até ele, ignorando — ou tentando ignorar — o olhar avaliador que Sara lhe lançava. Eduarda colocou a xícara na mesa e apoiou a mão pequena e delicada no ombro de Emanuel. O toque dela era leve, mas ele sentiu a tensão em seus músculos ceder ligeiramente.

— Oi, Duda — disse ele, puxando-a para mais perto pela cintura.

Eduarda se aninhou contra ele, buscando aquela proteção que só o corpo dele lhe proporcionava. Ela era o seu porto seguro, a paz que ele precisava depois de um dia de guerra no mundo corporativo. Seus 20 anos e sua paixão pela História da Arte traziam uma leveza que Emanuel temia perder se não a protegesse de tudo.

— Ah, olha só quem apareceu — Sara disse, o tom de voz carregado de um sarcasmo que não chegava a ser cruel, mas era provocativo. — Estávamos justamente falando da nossa viagem, Eduarda. Espero que você já tenha começado a arrumar as malas. Mykonos exige um guarda-roupa um pouco mais... interessante.

Eduarda encolheu-se um pouco contra Emanuel, os olhos grandes e expressivos fixos no namorado.

— Emanuel... — ela começou, a voz manhosa e carregada de uma insegurança latente. — Eu queria muito falar com você sobre isso. Eu sei que a viagem é importante, mas... lembra que eu te contei sobre o casamento da minha prima, a Marina?

Emanuel sentiu a dor de cabeça latejar com mais força. Ele sabia onde aquilo ia dar.

— O casamento é no mesmo fim de semana, não é? — perguntou ele, tentando manter a voz neutra.

— Sim — Eduarda confirmou, brincando com a bainha do vestido dele. — Meus pais vão estar lá, e eles estão tão animados. Eles são jovens, você sabe como eles gostam de festas de família. Eles perguntaram de você. Eu não queria ir sozinha, Emanuel. Eu me sinto tão perdida nesses eventos sem você.

Sara soltou um suspiro teatral, revirando os olhos enquanto descia da mesa.

— Por favor, Eduarda, um casamento de prima no interior contra uma semana em um iate na Grécia? Não há nem comparação. Emanuel precisa de descanso real, não de ficar apertando a mão de parentes distantes e ouvindo música ruim de festa de casamento.

— Não é música ruim — Eduarda rebateu baixinho, sem olhar para Sara, mas mantendo o aperto na mão de Emanuel. — É família. É importante para mim.

— Tudo é "importante" e "emocional" para você, querida — Sara retrucou, aproximando-se e cruzando os braços, o que fazia seus seios siliconados se destacarem ainda mais sob o tecido fino do vestido. — Mas Emanuel tem uma empresa para gerir. Ele precisa de estímulo, de networking, de diversão de verdade. Não de ficar segurando a sua mão enquanto você se esconde nos cantos da festa.

— Eu não me escondo... — a voz de Eduarda falhou, e seus olhos começaram a brilhar com lágrimas não derramadas. Ela olhou para Emanuel, buscando socorro. — Por favor, Emanuel. Meus pais gostam tanto de você. Vai ser um momento simples, mas vai ser especial.

Emanuel sentiu-se como um cabo de guerra sendo puxado por duas forças opostas e igualmente poderosas. De um lado, a lógica prática e o desejo de luxo de Sara; do outro, a necessidade emocional e o carinho puro de Eduarda.

— Chega — disse Emanuel, a voz subitamente fria e autoritária. Ele se levantou, afastando-se das duas e caminhando até a janela que dava para a movimentada avenida da cidade. — Eu passo o dia inteiro tomando decisões que valem milhões. Eu não quero chegar em casa e ter que mediar uma disputa sobre onde vamos passar o maldito feriado.

O silêncio caiu sobre a sala. Sara arqueou uma sobrancelha, surpresa com a explosão, mas mantendo sua postura desafiadora. Eduarda baixou a cabeça, uma lágrima solitária escorrendo por seu rosto fino.

— Emanuel, eu só quero o melhor para você — Sara disse, suavizando um pouco o tom, mas mantendo a firmeza. — Eu trabalho com você, eu vejo o quanto você se esforça. Você merece o topo.

— E eu só quero estar com você — sussurrou Eduarda, a voz trêmula. — De um jeito que não seja cansativo.

Emanuel virou-se para elas. Ele viu a confiança inabalável de Sara, a mulher que ele admirava por sua competência e por ser a única capaz de peitá-lo. E viu a fragilidade doce de Eduarda, a menina-mulher que despertava nele um instinto protetor tão profundo que chegava a doer.

— Eu amo as duas — começou ele, a rigidez em seus ombros denunciando seu estresse. — Mas vocês precisam entender que eu não sou uma propriedade que vocês disputam. Sara, eu aprecio tudo o que você faz pelos estúdios. Sua gestão é impecável e eu sei que Mykonos seria incrível. Mas você não pode simplesmente decidir o meu tempo livre sem considerar o que a Eduarda sente.

Sara abriu a boca para protestar, mas ele levantou a mão, silenciando-a. Depois, ele se voltou para Eduarda.

— E Duda, eu sei que o casamento é importante para você. Eu gosto dos seus pais, eles são pessoas maravilhosas e modernas. Mas você precisa entender que, às vezes, o que eu preciso é de silêncio e distância de obrigações sociais, mesmo as familiares. Sua insegurança faz você se apoiar demais em mim, e hoje... hoje eu sinto que não tenho força para carregar ninguém.

Eduarda soluçou baixinho, e o coração de Emanuel apertou. Ele odiava vê-la assim, mas a pressão estava chegando ao limite.

— Então o que vamos fazer? — perguntou Sara, sua voz agora livre de sarcasmo, apenas prática. — Vamos cancelar tudo?

Emanuel suspirou, sentando-se novamente em sua cadeira de couro. Ele olhou para as duas mulheres que ocupavam espaços tão diferentes, mas tão vitais em seu coração.

— Nós vamos fazer o seguinte — decidiu ele, o tom de voz voltando ao controle habitual. — Eu vou ao casamento com a Eduarda no sábado. Vou cumprimentar a família, participar da cerimônia e mostrar meu apoio. Mas não vamos ficar o fim de semana inteiro. No domingo de manhã, nós três partimos para a viagem. Talvez não para a Grécia, algo mais perto, mas que ofereça o isolamento que eu preciso e o luxo que a Sara quer.

Sara estreitou os olhos, processando a informação. Ela não gostava de perder, mas reconhecia um compromisso quando via um.

— Um meio-termo? — ela perguntou, com um sorriso de lado. — Você está ficando mole, Emanuel.

— Estou ficando exausto, Sara — ele corrigiu.

Eduarda aproximou-se dele novamente, limpando o rosto com as costas das mãos. Ela se sentou no colo dele, escondendo o rosto em seu pescoço.

— Obrigada por ir ao casamento — sussurrou ela. — Significa muito para mim.

Emanuel a abraçou, sentindo o calor do corpo dela, enquanto estendia a outra mão para Sara. Sara hesitou por um segundo, mas depois segurou a mão dele, apertando-a com força.

— Você é um homem difícil, Emanuel — Sara disse, aproximando-se para beijar o rosto dele, o batom vermelho deixando uma marca leve na pele dele. — Mas acho que é por isso que ainda estou aqui.

Emanuel fechou os olhos, sentindo as duas ali. O perfume caro de Sara misturado ao aroma de sabonete floral de Eduarda. Ele era um homem rico, poderoso e bem-sucedido, mas naquele momento, ele percebeu que sua maior fortuna — e seu maior desafio — era manter o equilíbrio entre aquelas duas forças da natureza que, de maneiras tão distintas, o mantinham são e, ao mesmo tempo, à beira do colapso.

— Agora — disse Emanuel, tentando relaxar os músculos do pescoço —, Sara, saia da minha mesa e vá terminar aqueles relatórios de Londres. E Duda, fique aqui comigo. Só... fique aqui em silêncio por um tempo.

Sara soltou um riso curto, deu um tapinha no ombro de Eduarda — um gesto que era metade simpatia, metade domínio — e saiu da sala com a mesma energia com que entrou.

Eduarda relaxou completamente nos braços de Emanuel, o corpo esguio e leve perfeitamente encaixado ao dele. O silêncio finalmente se instalou no escritório, quebrado apenas pelo som da respiração dos dois. Emanuel encostou a cabeça no encosto da cadeira, sentindo o peso do mundo diminuir um pouco, mesmo sabendo que, no dia seguinte, a batalha pelo controle e pelo carinho recomeçaria. E ele não queria que fosse de nenhum outro jeito.
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