Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Mister broomire x miss Cléd'or

Fandom: Fpe Advanced Class

Criado: 12/06/2026

Tags

RomanceHumorFofuraFatias de VidaDor/ConfortoEstudo de PersonagemCenário Canônico
Índice

Silêncio, Poeira e Risadas Contidas

O corredor leste da Paper School estava impecavelmente silencioso, exceto pelo som rítmico e mecânico do braço direito de Mister Broomire. O zelador, com sua expressão habitual de poucos amigos e sobrancelhas permanentemente franzidas, movia-se com uma eficiência militar. Seu chapéu cúbico, com a pequena vassoura no topo balançando levemente, parecia um símbolo de sua autoridade sobre a sujeira. Para Broomire, cada mancha de café ou rastro de grafite deixado pelos alunos era um insulto pessoal.

— Alunos inúteis... — resmungou ele, a voz rouca ecoando pelas paredes brancas. — Não conseguem andar dois metros sem deixar um rastro de caos. "Gotta Clean", é o que diz o chapéu, e é o que eu faço, mas ninguém valoriza o brilho deste chão.

Ele parou diante da porta da biblioteca, ajustando o mecanismo de seu braço-aspirador. As lâminas trituradoras no tubo de sucção giravam lentamente, prontas para pulverizar qualquer detrito maior que encontrasse pelo caminho. Broomire odiava a biblioteca; não pelos livros, mas pelo fato de que o papel velho soltava fibras que se acumulavam nos cantos mais difíceis de alcançar.

De repente, a porta da biblioteca se abriu apenas uma fresta. Antes que Broomire pudesse reagir ou reclamar da falta de polimento na maçaneta, uma mão delicada, mas surpreendentemente firme, agarrou o colarinho de sua jaqueta branca.

— Mas o que...?! — O grito de Broomire foi interrompido quando ele foi puxado para dentro da escuridão da biblioteca com uma força que ele não esperava.

O mundo girou por um momento. O som da porta sendo trancada com um clique metálico foi a última coisa que ele ouviu antes de sentir um impacto suave contra o tapete felpudo da seção de arquivos raros.

Quando Mister Broomire finalmente recuperou a clareza visual e o foco, ele tentou se levantar, mas percebeu que seus movimentos estavam completamente restritos. Ele estava sentado no chão, mas seu corpo estava envolto em cordas grossas e ásperas. As cordas prendiam seus braços firmemente contra o tronco, circulavam suas costas e desciam até seus tornozelos, unindo suas pernas de forma que ele não conseguisse sequer chutar.

— Mmmph! Mmmph!! — Ele tentou gritar, mas sua voz foi abafada.

Uma mordaça de bola vermelha e brilhante havia sido presa em sua boca, as tiras de couro apertadas atrás de sua cabeça, logo abaixo de seus longos cabelos pretos e entre seus chifres. Ele balançou a cabeça furiosamente, o chapéu cúbico quase caindo, enquanto seus olhos ardiam de indignação.

— Oh, acalme-se, meu querido Broomire — disse uma voz doce e melódica.

Miss Cléd'or saiu das sombras entre as estantes de livros. A bibliotecária tinha um sorriso radiante no rosto, seus olhos brilhando com uma afeição que beirava a obsessão. Ela se aproximou dele com passos leves, segurando um espanador de penas de avestruz como se fosse um cetro real.

— Você trabalha tanto, sempre tão irritado, sempre limpando cada centímetro desta escola — continuou ela, ajoelhando-se na frente dele. — Eu achei que você precisava de uma pausa. Uma pausa só para nós dois.

Broomire forçou os músculos, tentando usar seu braço-aspirador para cortar as cordas, mas Cléd'or tinha sido esperta. Ela havia posicionado o braço mecânico de uma forma que as lâminas não alcançassem as amarras sem ferir o próprio corpo dele. O zelador estava completamente à mercê dela.

Foi então que ele sentiu uma brisa incomum. Ele olhou para baixo e seus olhos se arregalaram. Seus sapatos pretos sem costura haviam sido removidos e jogados para o lado. Seus pés estavam expostos, vulneráveis e nus contra o ar frio da biblioteca.

Um rubor intenso subiu pelo rosto pálido de Broomire, chegando até as pontas de seus chifres. Ele nunca deixava ninguém ver seus pés. Era uma quebra de sua compostura severa, uma exposição de sua humanidade que ele detestava.

— Mmmph! Mmmmph-mmph!! — Ele protestou, o rosto agora de um vermelho escarlate, enquanto tentava encolher os dedos dos pés.

Miss Cléd'or soltou um suspiro audível, suas bochechas também ganhando um tom rosado. Ela deixou o espanador de lado por um momento e juntou as mãos, olhando para os pés do zelador com uma admiração quase divina.

— Eles são perfeitos — sussurrou ela, os olhos brilhando. — Tão pálidos e delicados, escondidos o dia todo sob aquele couro preto. Quem diria que o homem mais rabugento da Paper School teria pés tão... adoráveis?

Ela se aproximou mais, deslizando os dedos suavemente pelo arco do pé direito de Broomire. O zelador teve um solavanco violento, as cordas rangendo contra seu esforço. Ele não era apenas um homem mal-humorado; ele era extremamente sensível.

— Sabe, Broomire — disse Cléd'or, pegando o espanador de penas novamente —, eu li em muitos livros que o riso é o melhor remédio para o estresse. E você, meu querido, está transbordando de estresse.

— Mmph? — Broomire arregalou os olhos, uma pontada de pânico substituindo a raiva.

— Não resista — disse ela, aproximando a ponta das penas da sola de seu pé esquerdo. — Isso vai ajudar você a relaxar. Ou, pelo menos, vai me dar uma visão maravilhosa de você perdendo essa pose de durão.

Com um movimento ágil, Cléd'or começou a passar as penas do espanador rapidamente pelas solas dos pés de Broomire. Primeiro, movimentos longos e lentos do calcanhar até a base dos dedos, e depois pequenos círculos rápidos e frenéticos no centro do arco.

O efeito foi instantâneo. O corpo de Broomire se arqueou contra as cordas. Seus olhos se reviraram e ele começou a emitir sons abafados pela mordaça que, se não estivesse ali, seriam gargalhadas estridentes.

— Mmmph-ha-ha-ha! Mmmph-ha!! — Ele se contorcia, tentando afastar os pés, mas as cordas nos tornozelos mantinham seus pés perfeitamente posicionados para o tormento de Cléd'or.

— Oh, veja só isso! — Cléd'or riu, encantada com a reação. — Você é tão sensível, Broomire! Quem diria?

Ela mudou a tática, soltando o espanador e usando as próprias pontas dos dedos para tamborilar e "caminhar" pelos dedos dos pés dele, apertando levemente as juntas. Broomire estava perdendo a batalha contra a própria dignidade. Suas pernas tremiam, e as lágrimas de riso começaram a se formar nos cantos de seus olhos.

— Mmmph-mmph-ha-ha-ha-ha!! — Ele sacudia a cabeça, o chapéu finalmente caindo e revelando completamente seus longos cabelos pretos espalhados pelo chão.

— Você fica muito mais bonito quando está assim, desarmado — comentou Cléd'or, parando por um breve segundo apenas para admirar o rosto corado e ofegante do zelador. — A biblioteca é um lugar de silêncio, mas eu não me importaria de ouvir você rir o dia todo.

Ela voltou ao ataque, desta vez usando as unhas para fazer cócegas rápidas e leves na base dos dedos de ambos os pés simultaneamente. Broomire sentiu como se mil choques elétricos percorressem sua coluna. Ele tentou fechar os olhos, mas a sensação era avassaladora. Ele estava preso, amordaçado, com os pés à mercê de uma bibliotecária apaixonada e levemente sádica.

— Mmmph-ha-ha! Mmmph-ha-ha-ha!! — O zelador chutava o ar debilmente, seus movimentos limitados pelas cordas que Cléd'or havia apertado com tanta perícia.

— Você quer que eu pare? — perguntou ela, aproximando o rosto do dele, um sorriso travesso nos lábios.

Broomire assentiu freneticamente com a cabeça, o rosto banhado em suor e rubor.

— Bem — disse ela, parando o movimento, mas mantendo as mãos próximas aos pés dele —, eu posso parar. Mas com uma condição.

Broomire parou de se debater, ofegante, olhando para ela com uma mistura de exaustão e desconfiança.

— Você vai ter que vir à biblioteca tomar chá comigo amanhã — propôs Cléd'or, acariciando o topo do pé dele com o polegar. — Sem o aspirador ligado, sem reclamar da poeira nos livros e sem essa cara de quem odeia o mundo. Apenas você e eu. Se você aceitar, eu te solto agora mesmo.

O zelador olhou para os próprios pés, depois para as cordas, e finalmente para o rosto esperançoso de Cléd'or. Ele era um homem de princípios, mas aqueles dedos nos seus pés eram um argumento muito convincente. Além disso, no fundo, sob todas as camadas de irritação e graxa, ele sentia um estranho calor no peito pela atenção que ela lhe dedicava.

Ele fechou os olhos e assentiu devagar.

— Excelente escolha! — exclamou ela, soltando a mordaça de bola com um estalo.

Broomire imediatamente inspirou profundamente, tossindo levemente enquanto recuperava o uso da fala. Sua garganta estava seca, mas sua voz não saiu com a raiva habitual.

— Você... você é louca, Cléd'or — disse ele, a voz ainda trêmula pelos resquícios das risadas. — Completamente insana.

— Louca por você, talvez — respondeu ela, começando a desamarrar os nós das cordas em seus braços.

Assim que suas mãos ficaram livres, Broomire não tentou fugir. Ele se sentou, massageando os pulsos e olhando para os pés ainda nus. Ele sentia uma sensação de formigamento que se recusava a passar.

— Meus sapatos — pediu ele, estendendo a mão.

Cléd'or os entregou, mas não antes de dar um último e rápido aperto em seus dedos do pé, fazendo-o pular novamente com um arquejo.

— Até amanhã, Broomire — disse ela, levantando-se e limpando o pó de sua própria saia. — Não se atrase. Eu vou preparar os biscoitos de canela que você gosta.

Broomire calçou os sapatos rapidamente, levantando-se e recuperando seu chapéu. Ele ajustou a jaqueta branca e olhou para o braço-aspirador, que agora parecia estranhamente pesado. Ele caminhou até a porta da biblioteca, parando com a mão na maçaneta.

Ele olhou por cima do ombro. Cléd'or estava acenando para ele, com aquele sorriso gentil que sempre o deixava confuso.

— O chão da biblioteca... — começou ele, tentando recuperar sua postura — ...está precisando de uma cera nova. Eu vou trazer o equipamento amanhã.

— Para o chá, Broomire — corrigiu ela, rindo. — Só para o chá.

— Que seja — resmungou ele, mas antes de sair, Cléd'or pôde jurar que viu o canto da boca do zelador se elevar em um quase imperceptível, mas genuíno, sorriso.

Ele saiu para o corredor, o som do aspirador voltando a ecoar, mas desta vez, o ritmo parecia um pouco mais leve, quase como uma música. A Paper School continuava a mesma, mas para Mister Broomire, o pó nos cantos já não parecia um problema tão urgente quanto o encontro que o esperava no dia seguinte.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic