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senevier rainha de serdenha

Fandom: descendants

Criado: 12/06/2026

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O Eco de Veludo e Vidro

O Castelo de Cinderela nunca pareceu tão frio. Para Chad Charming, as paredes de pedra branca, que outrora refletiam o brilho do sol de Auradon, agora pareciam absorver toda a luz, transformando o palácio em um mausoléu de mármore. A morte da Rainha Eliza não fora apenas uma tragédia dinástica; fora o golpe de misericórdia na fachada de perfeição que Chad sustentara por toda a vida.

Ele estava sentado no trono, mas sua postura não era a de um rei. Os ombros estavam caídos, a coroa de ouro pesava como chumbo sobre seus cabelos loiros agora sem brilho, e seus olhos azuis, antes cheios de uma vaidade inofensiva, estavam perdidos no vazio do grande salão.

Ao longe, ele podia ouvir o som abafado de passos pequenos e hesitantes. Era Bernadette. Sua filha, a pequena princesa de apenas sete anos, tentava se aproximar, segurando uma boneca de pano que Eliza lhe dera. Mas Chad não conseguia olhar para ela. Cada detalhe no rosto da menina — a curva do nariz, o brilho do olhar — era um lembrete dilacerante do que ele havia perdido.

— Majestade — a voz do conselheiro real ecoou, cautelosa. — A corte espera. O povo precisa ver seu Rei. Eles precisam de um sinal de esperança, de que o luto terminou.

Chad soltou uma risada seca, um som que arranhou sua garganta.

— Esperança? — ele murmurou, sem desviar o olhar do chão. — Digam a eles que a esperança morreu com ela. Deixem-me em paz.

Foi nesse momento, entre o peso do silêncio e o desespero do abandono, que ela apareceu. Não houve trombetas, nem o anúncio formal dos guardas. Senevier de Val-Noir simplesmente emergiu das sombras projetadas pelas grandes tapeçarias, como se o próprio tecido da realidade tivesse se curvado para permitir sua entrada.

Ela era uma visão que desafiava a lógica solar de Auradon. Seus cabelos ondulados, de um magenta tão profundo que beirava o violeta, caíam como uma cascata de vinho sobre um vestido de seda negra que não brilhava, mas absorvia a luz. Sua pele era de um marfim gélido, e seus olhos esmeralda fixaram-se em Chad com uma intensidade que ele não sentia há meses.

— O luto não é uma doença da qual se deva curar, Rei Chad — disse ela. Sua voz era baixa, melodiosa, como o som de um violoncelo tocado em um funeral. — É um direito.

Chad ergueu a cabeça, surpreso pela audácia e pela natureza daquelas palavras. Todos os outros o pressionavam a sorrir, a ser o "Príncipe Encantado" que o reino exigia.

— Quem é você? — perguntou ele, a voz falhando.

Senevier deu um passo à frente, seus movimentos eram de uma graça predatória e contida. Ela ignorou os olhares escandalizados dos conselheiros.

— Sou aquela que entende que a escuridão não é o inimigo — respondeu ela, parando aos pés do trono. — Enquanto o seu reino pede que você brilhe, eu lhe ofereço o conforto das sombras. O silêncio é muito mais leal do que os aplausos, não acha?

Chad sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas não era de medo. Era uma forma perversa de alívio. Pela primeira vez, alguém não estava pedindo que ele fingisse.

— Eles querem que eu governe — disse Chad, os dedos apertando os braços do trono. — Mas eu não sinto nada além de um vazio.

— Então governe através do vazio — Senevier inclinou a cabeça, um leve sorriso brincando em seus lábios perfeitamente desenhados. — Deixe que eu cuide do peso das coroas e das expectativas. Você pode permanecer em seu castelo de silêncio. Eu serei sua voz, sua força e sua muralha.

O poder de sedução de Senevier não residia na luxúria, mas na compreensão absoluta da fraqueza humana. Ela viu em Chad um homem quebrado pela própria mediocridade e pela dor, e ofereceu-lhe a única coisa que ele desejava: a permissão para desistir de ser um herói.

Meses se passaram, e o que começou como um consolo sombrio transformou-se em um casamento que chocou Auradon. Senevier de Val-Noir tornou-se a Rainha, e com sua ascensão, a atmosfera do reino mudou. A alegria vibrante de Cinderela foi substituída por uma etiqueta rígida, um protocolo impecável e uma frieza que emanava do trono.

Chad estava visivelmente melhor, ou pelo menos, mais calmo. Ele raramente aparecia em público, preferindo passar seus dias nos jardins internos ou em seus aposentos privados. Senevier governava em seu nome, com uma eficiência cirúrgica que não deixava espaço para reclamações, embora o medo começasse a se infiltrar pelas frestas das portas do palácio.

No entanto, havia um obstáculo à perfeição que Senevier desejava construir: Bernadette.

A menina era o último vestígio da "luz" de Eliza. Para Senevier, a enteada não era uma criança a ser maltratada com gritos ou castigos físicos — isso seria vulgar, coisa de vilões de segunda categoria da Ilha dos Perdidos. Bernadette era um problema estético e simbólico que precisava ser apagado.

Uma tarde, Senevier encontrou Bernadette sentada em um banco de mármore no jardim, tentando pintar um quadro das flores que sua mãe tanto amava. A Rainha aproximou-se sem fazer barulho, sua sombra longa cobrindo o papel da menina.

— São cores muito vibrantes, pequena Bernadette — disse Senevier, sua voz suave como veludo, mas fria como gelo.

A menina sobressaltou-se, olhando para a madrasta com olhos arregalados.

— Minha mãe dizia que o mundo deve ser colorido — respondeu a pequena, a voz trêmula.

Senevier estendeu a mão, tocando levemente o ombro da menina. O contato fez Bernadette encolher-se imperceptivelmente.

— Sua mãe tinha uma visão... limitada — Senevier pegou o pincel da mão da criança. — O excesso de cor cega as pessoas para a verdade. A verdadeira elegância reside naquilo que não é dito, naquilo que se esconde.

Com um movimento calmo, Senevier mergulhou o pincel em uma tinta cinza-azulada e cobriu a flor amarela que Bernadette desenhara.

— Veja como fica mais harmonioso — continuou a Rainha, sorrindo de uma forma que nunca chegava aos olhos. — Agora, por que você não vai para o seu quarto? O Rei e eu temos convidados importantes. Sua presença... distrairia a atenção do que é realmente necessário.

— Mas o papai disse que eu poderia jantar com vocês hoje — protestou Bernadette, as lágrimas começando a se formar.

Senevier inclinou-se, ficando na altura dos olhos da menina. O fogo oculto em suas pupilas verdes brilhou intensamente.

— Seu pai está cansado, querida. Ele precisa de paz. Se você o ama, saberá que o melhor para ele é o seu silêncio. Você não quer ser um fardo para ele, quer?

Bernadette baixou a cabeça, o peso daquelas palavras esmagando seu pequeno coração.

— Não, senhora.

— Ótimo. Vá. Os criados levarão sua refeição para o quarto. E leve suas tintas. Elas fazem muita bagunça neste mármore tão limpo.

Enquanto a menina se afastava, Senevier observou-a com um olhar de profunda satisfação. Não havia necessidade de veneno ou maçãs enfeitiçadas. O apagamento era muito mais eficaz. A cada dia, Bernadette tornava-se mais invisível, uma sombra errante em seu próprio lar, enquanto Senevier ocupava cada centímetro de espaço, cada pensamento de Chad, cada decisão do reino.

Mais tarde, naquela noite, Senevier entrou nos aposentos de Chad. Ele estava diante da lareira, observando as chamas consumirem um tronco de madeira.

— Ela está bem? — perguntou Chad, sem se virar. — Bernadette parece tão quieta ultimamente.

Senevier caminhou até ele, envolvendo seus ombros com os braços finos e elegantes. O perfume dela, uma mistura de jasmim noturno e algo metálico, envolveu o Rei.

— Ela está crescendo, Chad — murmurou ela ao seu ouvido. — Está aprendendo a virtude da introspecção. É uma criança sensível, como você. Ela entende que o castelo precisa de ordem agora.

Chad suspirou, fechando os olhos e encostando a cabeça no ombro de Senevier.

— Eu não sei o que faria sem você. O mundo lá fora parece tão barulhento, tão exigente.

— Você nunca mais precisará lidar com o mundo lá fora, meu Rei — Senevier beijou sua têmpera. — Eu sou o seu escudo. Eu sou a sua ordem.

Para Senevier, aquilo era mais do que um casamento ou uma conquista de poder. Era um experimento magnífico. Ela estava provando que o Mal não precisava de rebeliões ou exércitos para vencer. Bastava encontrar uma alma quebrada e oferecer-lhe o conforto da escuridão.

Ela olhou para o reflexo dos dois no grande espelho da parede. Chad parecia uma estátua de cera, pálido e submisso. Ela, ao lado dele, era a verdadeira força, a mente que movia as peças no tabuleiro de Auradon.

— O destino é uma roda que os tolos acreditam que não pode ser parada — pensou ela, seus olhos verdes brilhando na penumbra. — Mas eu não apenas parei a roda. Eu a quebrei.

Naquela noite, enquanto Bernadette chorava baixinho em seu quarto cercada por brinquedos que pareciam ter perdido a cor, e Chad dormia um sono pesado e sem sonhos, Senevier de Val-Noir sentou-se à mesa de despacho real. Ela começou a redigir novos decretos, novas leis que, pouco a pouco, transformariam a terra dos contos de fadas em um império de sombras impecavelmente organizadas.

O "Felizes para Sempre" de Auradon estava sendo reescrito, palavra por palavra, com o sangue invisível da esperança que ela drenava sistematicamente. E o melhor de tudo, na mente de Senevier, era que ninguém viria resgatá-los. Pois como se luta contra uma Rainha que nunca levanta a voz e um Rei que escolheu o próprio esquecimento?

— O Bem é tão previsível — sussurrou ela para a noite. — Ele sempre espera um monstro que ruge. Ele nunca está preparado para o monstro que sorri e oferece um lugar para descansar.

O silêncio que se seguiu foi sua resposta favorita. O silêncio de um reino que, sem perceber, já pertencia inteiramente a ela.
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