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My Only Problem
Fandom: EngLot
Criado: 13/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoSombrioCiúmesMenção de IncestoLinguagem Explícita
O Labirinto de Vidro e Cinzas
A fumaça do cigarro de Engfa Waraha dançava no ar gelado do corredor, misturando-se ao cheiro caro de vinho tinto que emanava da taça equilibrada perigosamente em sua mão esquerda. Ela estava encostada na parede de mármore da mansão, vestindo uma de suas jaquetas de Fórmula 1 — a da Ferrari, vermelha como o sangue que ela adorava ver ferver nas veias de Charlotte Austin.
Engfa observou a porta do quarto à frente. Sua "irmã". O título era uma piada de mau gosto que seus pais haviam imposto há seis meses, mas para Engfa, era apenas um rótulo que tornava o pecado de possuí-la ainda mais saboroso.
A porta se abriu e Charlotte saiu, carregando um livro de poesias contra o peito como se fosse um escudo. Seus cabelos castanho-claros estavam levemente bagunçados, e os olhos, sempre vigilantes, encontraram os de Engfa imediatamente. Charlotte parou, a postura rígida, o corpo reagindo instintivamente à presença da predadora.
— Você está bloqueando o caminho — disse Charlotte, a voz firme apesar do leve tremor nas mãos. — E não deveria fumar aqui dentro. Papai vai odiar o cheiro.
Engfa soltou uma risada rouca, dando um passo à frente. Ela era dois anos mais velha e alguns centímetros mais baixa, mas sua aura de dominância preenchia o corredor de forma sufocante.
— Papai não está em casa, Char — Engfa sibilou, parando a milímetros do rosto da outra. — E desde quando você se importa com as regras? Você vive quebrando a regra principal: a de não me olhar nos olhos quando eu não permito.
— Eu não sou seu brinquedo, Engfa — Charlotte rebateu, o sarcasmo pingando de sua língua afiada. — Por mais que você tente se convencer disso entre uma crise de raiva e outra.
Engfa estendeu a mão livre, segurando o queixo de Charlotte com força. Seus dedos apertaram a pele macia, e ela viu o brilho de ódio e desejo misturados nas pupilas da mais nova. Era uma dança que elas praticavam diariamente.
— Você é exatamente o que eu quiser que você seja — sussurrou Engfa, aproximando o rosto do pescoço de Charlotte, inalando o perfume de baunilha que ela tanto odiava amar. — Ontem, na faculdade... eu vi o jeito que aquele idiota do time de rúgbi olhou para você. Eu quebrei o nariz dele no vestiário. Sabia disso?
Charlotte soltou uma respiração trêmula, sentindo o calor do corpo de Engfa contra o seu.
— Você é louca. Ele só estava me pedindo uma anotação de aula.
— Ninguém toca no que é meu, Charlotte. Nem com os olhos — Engfa soltou o queixo dela, mas apenas para deslizar a mão para a nuca, puxando os fios ondulados com força. — Só eu posso te machucar. Só eu posso te fazer chorar. Entendeu?
— Eu te odeio — Charlotte murmurou, mas suas mãos, em vez de empurrarem Engfa, agarraram o tecido da jaqueta vermelha, os dedos se fechando no material caro.
— Eu sei que odeia — Engfa sorriu, um sorriso predatório e orgulhoso. — É por isso que é tão bom.
Sem aviso, Engfa a prensou contra a parede, a taça de vinho sendo deixada de lado em um aparador próximo. Seus lábios colidiram com os de Charlotte em um beijo que não tinha nada de romântico; era uma batalha de vontades, um choque de dentes e línguas. Charlotte soltou um gemido baixo, um som que ela tentou abafar, mas que Engfa bebeu com satisfação.
As unhas de Charlotte subiram para os ombros de Engfa, cravando-se na pele por baixo da jaqueta, arranhando com a força de quem queria arrancar a alma da agressora. Engfa rugiu contra a boca dela, o sabor do vinho tinto passando de uma para a outra como um pacto de sangue.
— Você me arranhou de novo — Engfa disse, afastando-se apenas o suficiente para olhar as marcas que Charlotte deixava nela. — Você adora me marcar, não adora?
— É o único jeito de você sentir algo além de arrogância — Charlotte respondeu, a respiração errática, as bochechas coradas.
Engfa desceu os beijos para o pescoço de Charlotte, encontrando aquele ponto sensível logo abaixo da orelha. Ela sugou a pele com força, uma possessividade doentia guiando seus movimentos. Ela queria que todos vissem amanhã. Queria que o mundo soubesse que Charlotte Austin pertencia ao caos de Engfa Waraha.
— Pare... — Charlotte pediu, embora seu corpo estivesse se arqueando em direção ao toque. — Alguém pode ver.
— Deixe que vejam — Engfa murmurou contra a pele dela. — Deixe que saibam que a "irmãzinha" perfeita é a minha maior obsessão.
A tensão sexual entre elas era uma corda esticada ao ponto de romper. Para Charlotte, Engfa era o monstro que a perseguia nos corredores da escola e agora nos corredores de casa. Mas era também a pessoa que, quando Charlotte tinha crises de ansiedade no meio da noite, aparecia em seu quarto com um copo de água e um silêncio protetor que ninguém mais oferecia. Era a dualidade que a destruía: o monstro que a feria era o mesmo que a protegia do resto do mundo.
De repente, o som de um carro entrando na garagem ecoou pelo pátio. Elas se separaram instantaneamente, como dois polos magnéticos que se repeliam após a colisão.
Charlotte ajeitou a gola da blusa, tentando esconder a marca que já começava a escurecer em seu pescoço. Seus olhos estavam úmidos, uma mistura de raiva e uma dependência emocional que ela se recusava a admitir.
— Vá para o seu quarto, Charlotte — Engfa ordenou, sua voz voltando ao tom frio e controlador, enquanto pegava seu cigarro novamente. — Antes que eu decida que não terminei com você aqui mesmo.
Charlotte não disse nada. Ela apenas lançou um último olhar carregado de mágoa e desejo antes de se virar e correr para a segurança — ou para a prisão — de seu próprio quarto.
Engfa ficou para trás, encostada na parede, observando-a partir. Ela levou o cigarro aos lábios, sentindo o ardor dos arranhões de Charlotte em seus ombros. Ela era uma Waraha; ela tinha o mundo aos seus pés, mas a única coisa que realmente importava era a garota teimosa que pintava telas e lia poesia.
Horas mais tarde, a casa estava mergulhada no silêncio absoluto da madrugada. Charlotte estava sentada em sua cama, tentando se concentrar em um livro de literatura clássica, mas as palavras pareciam flutuar sem sentido. Sua mente estava no corredor. No beijo. Na marca em seu pescoço que ela havia coberto com um lenço.
Um leve toque na porta a fez pular. Ela não precisava perguntar quem era.
A porta se abriu e Engfa entrou, sem a jaqueta agora, vestindo apenas uma regata preta que deixava à mostra os arranhões vermelhos em seus braços. Ela parecia mais jovem assim, menos como a herdeira arrogante e mais como a garota quebrada que escondia suas dores atrás de crises de raiva.
— Eu não consigo dormir — Engfa disse, fechando a porta atrás de si e trancando-a.
Charlotte fechou o livro, sentindo o coração martelar contra as costelas.
— O que você quer, Engfa? Já não me usou o suficiente hoje?
Engfa caminhou até a cama, sentando-se na beirada. O cheiro de vinho ainda a seguia, mas havia algo mais — uma vulnerabilidade que ela só mostrava entre quatro paredes, longe de qualquer olhar externo.
— Você sabe que eu odeio quando você se isola — Engfa disse, ignorando a pergunta. — Você passa o dia todo pintando aquelas telas de merda e me ignorando.
— Eu não te ignoro. Eu tento sobreviver a você — Charlotte rebateu, aproximando-se cautelosamente.
Engfa se deitou, puxando Charlotte pelo pulso para que ela ficasse por cima dela. A inversão de posições era rara, mas acontecia quando Engfa precisava ser contida pelo peso de Charlotte.
— Cuida de mim — Engfa murmurou, a voz rouca, os olhos castanhos escuros focados nos de Charlotte. — Você me machucou, Char. Olha esses arranhões.
Charlotte soltou um suspiro trêmulo. Era o ciclo. Engfa a atacava, a provocava, a marcava, e depois vinha até ela em busca de cura. E Charlotte, em sua dependência silenciosa, sempre cedia.
Ela estendeu a mão, tocando os arranhões no ombro de Engfa com uma delicadeza que contrastava com a violência de horas atrás.
— Você é um monstro — Charlotte sussurrou, as lágrimas finalmente encontrando o caminho pelos seus olhos. — Por que você faz isso? Por que me trata assim na frente de todos e depois vem aqui me pedir cuidado?
Engfa subiu as mãos para a cintura de Charlotte, apertando-a com uma possessividade que nunca desaparecia.
— Porque você é a única coisa real nesta casa, Charlotte. E porque eu prefiro que você me odeie do que não sinta nada por mim.
— Eu te amo — Charlotte confessou em um sussurro quase inaudível, a verdade saindo como um veneno que ela precisava expelir. — E eu odeio o quanto eu te amo.
Engfa sorriu, mas não era o sorriso sarcástico de antes. Era algo mais profundo, mais sombrio.
— Eu sei. E eu amo o fato de que você é minha, mesmo quando você tenta fugir.
Engfa puxou Charlotte para baixo, selando seus lábios novamente. Desta vez, o beijo foi lento, exploratório, carregado de uma melancolia que só quem vive um amor tóxico poderia entender. Charlotte se perdeu no toque, no cheiro de Engfa, na sensação de ser a única pessoa capaz de desarmar a mulher mais perigosa que ela conhecia.
Lá fora, a sociedade as veria como meias-irmãs, um escândalo a ser evitado, uma hierarquia a ser respeitada. Mas ali, no escuro do quarto, elas eram apenas duas almas colidindo, tentando encontrar conforto no meio do caos que elas mesmas criaram.
— Amanhã — Engfa disse entre beijos, a voz carregada de uma promessa perigosa — eu vou te ver na faculdade. E se aquele garoto chegar perto de você novamente, eu não vou apenas quebrar o nariz dele.
— Você não pode controlar todo mundo, Engfa — Charlotte tentou protestar, embora soubesse que era inútil.
— Eu posso controlar você — Engfa rebateu, mordendo o lábio inferior de Charlotte. — E isso é tudo o que me importa.
A noite se estendeu entre toques e confissões silenciosas. Engfa deixou mais marcas, Charlotte deixou mais arranhões. No labirinto de vidro e cinzas que era a vida delas, elas haviam aprendido que a única forma de não se cortarem sozinhas era se ferindo juntas.
Quando o sol começou a surgir no horizonte, Engfa se levantou, vestindo sua máscara de frieza novamente. Ela parou à porta, olhando para Charlotte, que estava enrolada nos lençóis, observando-a com aquele olhar de hipervigilância que nunca desaparecia totalmente.
— Não se atrase para o café — Engfa disse, o tom de comando retornando. — E use um lenço mais grosso. Eu não peguei leve ontem à noite.
— Eu te odeio — Charlotte repetiu, a voz rouca de sono.
Engfa piscou para ela, um gesto impulsivo e quase carinhoso.
— Eu também te amo, Charlotte. Do meu jeito distorcido, mas amo.
A porta se fechou, e Charlotte se afundou nos travesseiros, sentindo o cheiro de Engfa ainda impregnado em sua pele. Ela sabia que o dia traria mais provocações, mais bullying e mais olhares possessivos. Mas ela também sabia que, quando a noite caísse, o monstro voltaria para casa, e Charlotte estaria lá para cuidar de suas feridas, enquanto permitia que Engfa abrisse novas em seu coração.
Era tóxico, era errado, era uma loucura que a sociedade jamais entenderia. Mas no mundo de Engfa Waraha e Charlotte Austin, a dor era apenas o prefácio do prazer, e o ódio era a forma mais pura de lealdade que elas conheciam. Elas eram o fogo e a gasolina, destinadas a queimar tudo ao redor, contanto que pudessem arder juntas.
Engfa observou a porta do quarto à frente. Sua "irmã". O título era uma piada de mau gosto que seus pais haviam imposto há seis meses, mas para Engfa, era apenas um rótulo que tornava o pecado de possuí-la ainda mais saboroso.
A porta se abriu e Charlotte saiu, carregando um livro de poesias contra o peito como se fosse um escudo. Seus cabelos castanho-claros estavam levemente bagunçados, e os olhos, sempre vigilantes, encontraram os de Engfa imediatamente. Charlotte parou, a postura rígida, o corpo reagindo instintivamente à presença da predadora.
— Você está bloqueando o caminho — disse Charlotte, a voz firme apesar do leve tremor nas mãos. — E não deveria fumar aqui dentro. Papai vai odiar o cheiro.
Engfa soltou uma risada rouca, dando um passo à frente. Ela era dois anos mais velha e alguns centímetros mais baixa, mas sua aura de dominância preenchia o corredor de forma sufocante.
— Papai não está em casa, Char — Engfa sibilou, parando a milímetros do rosto da outra. — E desde quando você se importa com as regras? Você vive quebrando a regra principal: a de não me olhar nos olhos quando eu não permito.
— Eu não sou seu brinquedo, Engfa — Charlotte rebateu, o sarcasmo pingando de sua língua afiada. — Por mais que você tente se convencer disso entre uma crise de raiva e outra.
Engfa estendeu a mão livre, segurando o queixo de Charlotte com força. Seus dedos apertaram a pele macia, e ela viu o brilho de ódio e desejo misturados nas pupilas da mais nova. Era uma dança que elas praticavam diariamente.
— Você é exatamente o que eu quiser que você seja — sussurrou Engfa, aproximando o rosto do pescoço de Charlotte, inalando o perfume de baunilha que ela tanto odiava amar. — Ontem, na faculdade... eu vi o jeito que aquele idiota do time de rúgbi olhou para você. Eu quebrei o nariz dele no vestiário. Sabia disso?
Charlotte soltou uma respiração trêmula, sentindo o calor do corpo de Engfa contra o seu.
— Você é louca. Ele só estava me pedindo uma anotação de aula.
— Ninguém toca no que é meu, Charlotte. Nem com os olhos — Engfa soltou o queixo dela, mas apenas para deslizar a mão para a nuca, puxando os fios ondulados com força. — Só eu posso te machucar. Só eu posso te fazer chorar. Entendeu?
— Eu te odeio — Charlotte murmurou, mas suas mãos, em vez de empurrarem Engfa, agarraram o tecido da jaqueta vermelha, os dedos se fechando no material caro.
— Eu sei que odeia — Engfa sorriu, um sorriso predatório e orgulhoso. — É por isso que é tão bom.
Sem aviso, Engfa a prensou contra a parede, a taça de vinho sendo deixada de lado em um aparador próximo. Seus lábios colidiram com os de Charlotte em um beijo que não tinha nada de romântico; era uma batalha de vontades, um choque de dentes e línguas. Charlotte soltou um gemido baixo, um som que ela tentou abafar, mas que Engfa bebeu com satisfação.
As unhas de Charlotte subiram para os ombros de Engfa, cravando-se na pele por baixo da jaqueta, arranhando com a força de quem queria arrancar a alma da agressora. Engfa rugiu contra a boca dela, o sabor do vinho tinto passando de uma para a outra como um pacto de sangue.
— Você me arranhou de novo — Engfa disse, afastando-se apenas o suficiente para olhar as marcas que Charlotte deixava nela. — Você adora me marcar, não adora?
— É o único jeito de você sentir algo além de arrogância — Charlotte respondeu, a respiração errática, as bochechas coradas.
Engfa desceu os beijos para o pescoço de Charlotte, encontrando aquele ponto sensível logo abaixo da orelha. Ela sugou a pele com força, uma possessividade doentia guiando seus movimentos. Ela queria que todos vissem amanhã. Queria que o mundo soubesse que Charlotte Austin pertencia ao caos de Engfa Waraha.
— Pare... — Charlotte pediu, embora seu corpo estivesse se arqueando em direção ao toque. — Alguém pode ver.
— Deixe que vejam — Engfa murmurou contra a pele dela. — Deixe que saibam que a "irmãzinha" perfeita é a minha maior obsessão.
A tensão sexual entre elas era uma corda esticada ao ponto de romper. Para Charlotte, Engfa era o monstro que a perseguia nos corredores da escola e agora nos corredores de casa. Mas era também a pessoa que, quando Charlotte tinha crises de ansiedade no meio da noite, aparecia em seu quarto com um copo de água e um silêncio protetor que ninguém mais oferecia. Era a dualidade que a destruía: o monstro que a feria era o mesmo que a protegia do resto do mundo.
De repente, o som de um carro entrando na garagem ecoou pelo pátio. Elas se separaram instantaneamente, como dois polos magnéticos que se repeliam após a colisão.
Charlotte ajeitou a gola da blusa, tentando esconder a marca que já começava a escurecer em seu pescoço. Seus olhos estavam úmidos, uma mistura de raiva e uma dependência emocional que ela se recusava a admitir.
— Vá para o seu quarto, Charlotte — Engfa ordenou, sua voz voltando ao tom frio e controlador, enquanto pegava seu cigarro novamente. — Antes que eu decida que não terminei com você aqui mesmo.
Charlotte não disse nada. Ela apenas lançou um último olhar carregado de mágoa e desejo antes de se virar e correr para a segurança — ou para a prisão — de seu próprio quarto.
Engfa ficou para trás, encostada na parede, observando-a partir. Ela levou o cigarro aos lábios, sentindo o ardor dos arranhões de Charlotte em seus ombros. Ela era uma Waraha; ela tinha o mundo aos seus pés, mas a única coisa que realmente importava era a garota teimosa que pintava telas e lia poesia.
Horas mais tarde, a casa estava mergulhada no silêncio absoluto da madrugada. Charlotte estava sentada em sua cama, tentando se concentrar em um livro de literatura clássica, mas as palavras pareciam flutuar sem sentido. Sua mente estava no corredor. No beijo. Na marca em seu pescoço que ela havia coberto com um lenço.
Um leve toque na porta a fez pular. Ela não precisava perguntar quem era.
A porta se abriu e Engfa entrou, sem a jaqueta agora, vestindo apenas uma regata preta que deixava à mostra os arranhões vermelhos em seus braços. Ela parecia mais jovem assim, menos como a herdeira arrogante e mais como a garota quebrada que escondia suas dores atrás de crises de raiva.
— Eu não consigo dormir — Engfa disse, fechando a porta atrás de si e trancando-a.
Charlotte fechou o livro, sentindo o coração martelar contra as costelas.
— O que você quer, Engfa? Já não me usou o suficiente hoje?
Engfa caminhou até a cama, sentando-se na beirada. O cheiro de vinho ainda a seguia, mas havia algo mais — uma vulnerabilidade que ela só mostrava entre quatro paredes, longe de qualquer olhar externo.
— Você sabe que eu odeio quando você se isola — Engfa disse, ignorando a pergunta. — Você passa o dia todo pintando aquelas telas de merda e me ignorando.
— Eu não te ignoro. Eu tento sobreviver a você — Charlotte rebateu, aproximando-se cautelosamente.
Engfa se deitou, puxando Charlotte pelo pulso para que ela ficasse por cima dela. A inversão de posições era rara, mas acontecia quando Engfa precisava ser contida pelo peso de Charlotte.
— Cuida de mim — Engfa murmurou, a voz rouca, os olhos castanhos escuros focados nos de Charlotte. — Você me machucou, Char. Olha esses arranhões.
Charlotte soltou um suspiro trêmulo. Era o ciclo. Engfa a atacava, a provocava, a marcava, e depois vinha até ela em busca de cura. E Charlotte, em sua dependência silenciosa, sempre cedia.
Ela estendeu a mão, tocando os arranhões no ombro de Engfa com uma delicadeza que contrastava com a violência de horas atrás.
— Você é um monstro — Charlotte sussurrou, as lágrimas finalmente encontrando o caminho pelos seus olhos. — Por que você faz isso? Por que me trata assim na frente de todos e depois vem aqui me pedir cuidado?
Engfa subiu as mãos para a cintura de Charlotte, apertando-a com uma possessividade que nunca desaparecia.
— Porque você é a única coisa real nesta casa, Charlotte. E porque eu prefiro que você me odeie do que não sinta nada por mim.
— Eu te amo — Charlotte confessou em um sussurro quase inaudível, a verdade saindo como um veneno que ela precisava expelir. — E eu odeio o quanto eu te amo.
Engfa sorriu, mas não era o sorriso sarcástico de antes. Era algo mais profundo, mais sombrio.
— Eu sei. E eu amo o fato de que você é minha, mesmo quando você tenta fugir.
Engfa puxou Charlotte para baixo, selando seus lábios novamente. Desta vez, o beijo foi lento, exploratório, carregado de uma melancolia que só quem vive um amor tóxico poderia entender. Charlotte se perdeu no toque, no cheiro de Engfa, na sensação de ser a única pessoa capaz de desarmar a mulher mais perigosa que ela conhecia.
Lá fora, a sociedade as veria como meias-irmãs, um escândalo a ser evitado, uma hierarquia a ser respeitada. Mas ali, no escuro do quarto, elas eram apenas duas almas colidindo, tentando encontrar conforto no meio do caos que elas mesmas criaram.
— Amanhã — Engfa disse entre beijos, a voz carregada de uma promessa perigosa — eu vou te ver na faculdade. E se aquele garoto chegar perto de você novamente, eu não vou apenas quebrar o nariz dele.
— Você não pode controlar todo mundo, Engfa — Charlotte tentou protestar, embora soubesse que era inútil.
— Eu posso controlar você — Engfa rebateu, mordendo o lábio inferior de Charlotte. — E isso é tudo o que me importa.
A noite se estendeu entre toques e confissões silenciosas. Engfa deixou mais marcas, Charlotte deixou mais arranhões. No labirinto de vidro e cinzas que era a vida delas, elas haviam aprendido que a única forma de não se cortarem sozinhas era se ferindo juntas.
Quando o sol começou a surgir no horizonte, Engfa se levantou, vestindo sua máscara de frieza novamente. Ela parou à porta, olhando para Charlotte, que estava enrolada nos lençóis, observando-a com aquele olhar de hipervigilância que nunca desaparecia totalmente.
— Não se atrase para o café — Engfa disse, o tom de comando retornando. — E use um lenço mais grosso. Eu não peguei leve ontem à noite.
— Eu te odeio — Charlotte repetiu, a voz rouca de sono.
Engfa piscou para ela, um gesto impulsivo e quase carinhoso.
— Eu também te amo, Charlotte. Do meu jeito distorcido, mas amo.
A porta se fechou, e Charlotte se afundou nos travesseiros, sentindo o cheiro de Engfa ainda impregnado em sua pele. Ela sabia que o dia traria mais provocações, mais bullying e mais olhares possessivos. Mas ela também sabia que, quando a noite caísse, o monstro voltaria para casa, e Charlotte estaria lá para cuidar de suas feridas, enquanto permitia que Engfa abrisse novas em seu coração.
Era tóxico, era errado, era uma loucura que a sociedade jamais entenderia. Mas no mundo de Engfa Waraha e Charlotte Austin, a dor era apenas o prefácio do prazer, e o ódio era a forma mais pura de lealdade que elas conheciam. Elas eram o fogo e a gasolina, destinadas a queimar tudo ao redor, contanto que pudessem arder juntas.
