
Gatinha Raivosa e o Inventário do Desejo
O silêncio na cidade de "Origem" nunca era um silêncio comum. Era uma calmaria densa, carregada pela expectativa do que surgiria da floresta quando o sol se pusesse. Mas, naquela tarde específica, o clima dentro do depósito de suprimentos da Colônia estava carregado de um tipo diferente de eletricidade.
Mark Miller riscou mais uma linha em sua prancheta, fingindo concentração. Ele havia chegado àquela cidade maldita na mesma época que Kenny, e os dois se tornaram inseparáveis, como irmãos de armas em um pesadelo compartilhado. Mas, enquanto Kenny buscava ordem e justiça, Mark buscava formas de manter a sanidade. E sua sanidade tinha nome, sobrenome e um temperamento que faria um urso recuar: Julie Matthews.
Desde o dia em que a van da família Matthews cruzou a linha da cidade, Mark soube que estava encrencado. Ele a viu descer do carro com aquele olhar de quem queria incendiar o mundo só para ver se as chamas eram reais. Teimosa, cheia de marra e com uma coragem que beirava a imprudência. Para muitos, ela era apenas a filha rebelde de Jim e Tabitha. Para Mark, ela era uma mulher que o deixava sem fôlego.
— Se você riscar esse papel com mais força, vai acabar furando a prancheta — a voz de Julie ecoou pelo depósito, cortante e divertida ao mesmo tempo.
Mark levantou os olhos, um sorriso de canto surgindo em seu rosto. Julie estava empilhando latas de pêssego em conserva, o suor fazendo alguns fios de cabelo grudarem em sua testa. Ela usava uma regata justa e parecia pronta para brigar com qualquer um que a olhasse torto.
— Só estou garantindo que a contagem esteja certa, gatinha raivosa — provocou Mark, fechando a distância entre eles. — Sabe como é, o Boyd me mata se faltar uma lata de feijão.
Julie bufou, largando a lata na prateleira e virando-se para ele com as mãos nos quadris.
— Já mandei você não me chamar assim. Eu não sou um bicho de estimação e muito menos uma criança.
Mark parou a poucos centímetros dela. O cheiro de Julie — uma mistura de sabão barato e algo puramente dela — o atingiu como um soco. Ele era orgulhoso demais para admitir em voz alta, mas o tesão que sentia por aquela garota desde o primeiro dia era quase insuportável.
— Eu sei muito bem que você não é uma criança, Julie — disse ele, a voz baixando uma oitava, perdendo o tom de brincadeira. — Acredite, eu sou o único nesta cidade que te vê exatamente como você é.
Julie sustentou o olhar. Ela queria ser levada a sério, queria que parassem de tratá-la como se ela precisasse de proteção constante. E Mark... Mark a olhava como se ela fosse o perigo. E ela adorava isso.
— E como eu sou, Miller? — desafiou ela, dando um passo à frente, diminuindo o pouco espaço que restava.
— Você é teimosa, irritante, corajosa pra caralho... — Mark soltou a prancheta, que caiu no chão com um baque seco. — E é a coisa mais excitante que eu já vi na minha vida.
A tensão entre os dois, acumulada durante semanas de trocas de farpas e olhares furtivos, finalmente se rompeu. Julie não esperou por um convite. Ela avançou, segurando a gola da camisa de Mark e puxando-o para um beijo que era puro fogo e urgência.
Mark gemeu contra os lábios dela, as mãos encontrando a cintura de Julie e içando-a para cima de uma das mesas de madeira robustas que serviam para organizar as rações. Julie entrelaçou as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para mais perto, querendo sentir cada centímetro do corpo dele contra
Mark Miller riscou mais uma linha em sua prancheta, fingindo concentração. Ele havia chegado àquela cidade maldita na mesma época que Kenny, e os dois se tornaram inseparáveis, como irmãos de armas em um pesadelo compartilhado. Mas, enquanto Kenny buscava ordem e justiça, Mark buscava formas de manter a sanidade. E sua sanidade tinha nome, sobrenome e um temperamento que faria um urso recuar: Julie Matthews.
Desde o dia em que a van da família Matthews cruzou a linha da cidade, Mark soube que estava encrencado. Ele a viu descer do carro com aquele olhar de quem queria incendiar o mundo só para ver se as chamas eram reais. Teimosa, cheia de marra e com uma coragem que beirava a imprudência. Para muitos, ela era apenas a filha rebelde de Jim e Tabitha. Para Mark, ela era uma mulher que o deixava sem fôlego.
— Se você riscar esse papel com mais força, vai acabar furando a prancheta — a voz de Julie ecoou pelo depósito, cortante e divertida ao mesmo tempo.
Mark levantou os olhos, um sorriso de canto surgindo em seu rosto. Julie estava empilhando latas de pêssego em conserva, o suor fazendo alguns fios de cabelo grudarem em sua testa. Ela usava uma regata justa e parecia pronta para brigar com qualquer um que a olhasse torto.
— Só estou garantindo que a contagem esteja certa, gatinha raivosa — provocou Mark, fechando a distância entre eles. — Sabe como é, o Boyd me mata se faltar uma lata de feijão.
Julie bufou, largando a lata na prateleira e virando-se para ele com as mãos nos quadris.
— Já mandei você não me chamar assim. Eu não sou um bicho de estimação e muito menos uma criança.
Mark parou a poucos centímetros dela. O cheiro de Julie — uma mistura de sabão barato e algo puramente dela — o atingiu como um soco. Ele era orgulhoso demais para admitir em voz alta, mas o tesão que sentia por aquela garota desde o primeiro dia era quase insuportável.
— Eu sei muito bem que você não é uma criança, Julie — disse ele, a voz baixando uma oitava, perdendo o tom de brincadeira. — Acredite, eu sou o único nesta cidade que te vê exatamente como você é.
Julie sustentou o olhar. Ela queria ser levada a sério, queria que parassem de tratá-la como se ela precisasse de proteção constante. E Mark... Mark a olhava como se ela fosse o perigo. E ela adorava isso.
— E como eu sou, Miller? — desafiou ela, dando um passo à frente, diminuindo o pouco espaço que restava.
— Você é teimosa, irritante, corajosa pra caralho... — Mark soltou a prancheta, que caiu no chão com um baque seco. — E é a coisa mais excitante que eu já vi na minha vida.
A tensão entre os dois, acumulada durante semanas de trocas de farpas e olhares furtivos, finalmente se rompeu. Julie não esperou por um convite. Ela avançou, segurando a gola da camisa de Mark e puxando-o para um beijo que era puro fogo e urgência.
Mark gemeu contra os lábios dela, as mãos encontrando a cintura de Julie e içando-a para cima de uma das mesas de madeira robustas que serviam para organizar as rações. Julie entrelaçou as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para mais perto, querendo sentir cada centímetro do corpo dele contra
