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Beau

Fandom: Off campus

Criado: 13/06/2026

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RomanceFofuraHumorFatias de VidaCenário CanônicoCiúmes
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Mais Que Um Touchdown no Coração

A música na casa da fraternidade estava tão alta que Ana Vitória sentia as batidas do baixo reverberarem em seu esterno. O ar estava saturado com o cheiro de cerveja barata, perfume caro e a energia caótica de Briar University em uma noite de sexta-feira. Ela tentava se manter invisível em um canto do sofá, segurando um copo plástico com refrigerante, mas sua tentativa de passar despercebida foi por água abaixo no momento em que Beau Maxwell entrou na sala.

Beau não andava, ele desfilava. Com a confiança de quem sabia exatamente o impacto que causava, o quarterback estrela da Briar tinha um sorriso que parecia capaz de iluminar todo o campus. Ele estava rodeado de pessoas, mas seus olhos, intensos e atentos, varreram o ambiente até pararem exatamente onde ela estava.

Ana sentiu o rosto esquentar instantaneamente. Ela era uma contradição ambulante: atrevida o suficiente para fazer piadas ácidas que deixavam os jogadores de queixo caído, mas vergonhosa o bastante para querer se enfiar em um buraco quando recebia atenção demais.

— Olha só quem decidiu agraciar os meros mortais com sua presença — Beau disse, aproximando-se e ignorando solenemente a roda de amigos que tentava chamar sua atenção.

— Eu vim pela pizza, Beau. Não se sinta tão especial — Ana respondeu, desviando o olhar, mas o sorriso brincalhão no canto dos lábios a traía.

— Pela pizza? — Beau soltou uma risada sonora, sentando-se no braço do sofá, perigosamente perto dela. — Eu passei a semana inteira tentando te convencer a vir e você me diz que o que te moveu foi massa e queijo? Meu ego está ferido, Ana Vitória.

— Seu ego é do tamanho do estádio da Briar, Maxwell. Ele vai sobreviver a um arranhão — ela rebateu, finalmente olhando para ele.

Beau inclinou o corpo na direção dela. Ele exalava aquele perfume amadeirado que Ana secretamente amava. A lealdade de Beau aos amigos e ao time era lendária, mas a forma como ele olhava para ela... era algo que ninguém mais recebia. Era um olhar carregado de um carinho que ele não conseguia — ou não queria — esconder.

— Você está linda nesse suéter — ele sussurrou, a voz perdendo o tom de brincadeira e assumindo uma gravidade que fez o estômago de Ana dar piruetas. — Mesmo que ele seja grande demais para você.

— É confortável! E estava frio lá fora — ela se defendeu, sentindo as bochechas queimarem. — Nem todo mundo quer desfilar de camiseta apertada para mostrar os músculos que o treino de futebol deu.

— Ah, então você admite que nota meus músculos? — Ele arqueou uma sobrancelha, um brilho travesso nos olhos.

— Eu tenho olhos, Beau. É difícil ignorar um outdoor de academia ambulante.

Ele riu novamente, e Ana sentiu aquela pontada de afeição que tentava ignorar há meses. Beau Maxwell era o cara que todos queriam por perto. Ele era a alma das festas, o jogador que decidia campeonatos, mas, para ela, ele era o cara que lhe trazia café na biblioteca quando sabia que ela tinha prova, e que nunca se cansava de ouvir suas piadas ruins.

— Vem comigo — ele disse, levantando-se e estendendo a mão para ela.

— Para onde? A festa está aqui, Beau.

— Está barulhento demais aqui. E eu quero falar com você sem ter que gritar por cima de uma música do Drake.

Ana hesitou por um segundo, mas a mão de Beau era um convite que ela raramente conseguia recusar. Ela colocou a mão pequena na dele, e a diferença de tamanho era quase cômica. Beau fechou os dedos ao redor dos dela com uma delicadeza que contrastava com sua força física.

Eles atravessaram a multidão. Beau ia abrindo caminho, protegendo-a dos esbarrões dos estudantes bêbados. Cada pessoa que passava tentava cumprimentá-lo, mas ele apenas acenava brevemente, focado em levá-la para o andar de cima, onde o barulho era apenas um eco abafado.

Eles saíram na varanda dos fundos, que estava vazia. O ar fresco da noite de Massachusetts foi um alívio imediato.

— Melhor? — perguntou ele, soltando a mão dela, mas permanecendo perto o suficiente para que seus ombros se tocassem.

— Bem melhor. Eu não sei como você aguenta isso todo fim de semana.

— É o meu trabalho social — ele brincou, apoiando os cotovelos no parapeito. — Mas, honestamente? Eu preferia estar em qualquer outro lugar se você não estivesse aqui.

Ana revirou os olhos, mas seu coração batia forte.

— Essa sua lábia de conquistador não funciona comigo, Maxwell. Esqueceu que eu te conheço desde o trote dos calouros?

— Esse é o problema — ele suspirou, olhando para o céu estrelado. — Você me conhece bem demais. Você sabe que eu sou um idiota metade do tempo e que eu perco as chaves do carro pelo menos duas vezes por semana.

— Três vezes — corrigiu ela, rindo. — Na semana passada foram três.

— Viu? Você conta. — Ele se virou para ela, a expressão suavizando. — Ana, eu falo sério. Eu fico procurando você em cada sala que eu entro. Se eu marco um touchdown, a primeira coisa que eu faço é procurar onde você está sentada na arquibancada.

Ana sentiu o ar faltar. Ela sempre soube que havia algo entre eles, uma tensão que beirava o insuportável, mas Beau nunca tinha sido tão direto.

— Beau... você é o capitão do time. Tem garotas que fariam fila para você olhar para elas desse jeito. Por que eu? Eu sou a garota que faz piadas sobre o seu cabelo quando você acorda e que te obriga a ver filmes de época.

— Exatamente por isso — ele disse, dando um passo à frente, encurtando a distância entre eles. — Porque você não se impressiona com o número da minha camisa. Porque você é a pessoa mais engraçada que eu conheço, mesmo quando suas piadas são horríveis. E porque quando você sorri... eu sinto que ganhei o Super Bowl.

Ela tentou pensar em uma resposta rápida, uma piada que quebrasse o clima e a protegesse daquela vulnerabilidade, mas as palavras não vieram. Ela olhou para Beau e viu a sinceridade nua e crua em seus olhos. O charmoso e confiante Beau Maxwell estava vulnerável diante dela.

— Você está sendo muito fofo agora — ela começou, a voz um pouco trêmula. — Isso é algum tipo de tática nova para me convencer a fazer seu trabalho de história?

— Ana Vitória — ele a repreendeu com um sorriso sofrido. — Eu estou tentando abrir meu coração aqui e você está me acusando de fraude acadêmica?

— Desculpa! É a força do hábito. Eu fico nervosa e falo bobagem.

— Você está nervosa? — Ele deu mais um passo, agora tão perto que ela podia sentir o calor emanando dele.

— Um pouco — ela admitiu em um sussurro, olhando para os botões da camisa dele. — Você é o Beau Maxwell. É meio intimidador quando você decide focar toda a sua atenção em alguém.

Beau levou a mão ao rosto dela, usando o polegar para acariciar sua bochecha. O toque era leve, quase hesitante.

— Eu não quero te intimidar. Eu só quero que você saiba que não tem mais ninguém, Ana. Nunca teve, desde o dia em que você jogou aquele guardanapo em mim no refeitório porque eu estava rindo alto demais.

— Você estava sendo um barulhento — ela lembrou, um pequeno sorriso surgindo.

— E você foi a única que teve coragem de me mandar calar a boca. Eu me apaixonei ali mesmo.

Ana sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. O "apaixonado" não era mais uma suposição. Estava ali, dito em voz alta, pairando no ar entre eles como uma promessa.

— Eu também — ela confessou, a voz quase inaudível. — Mas eu achei que você era só... o Beau. O cara que gosta de festas e de flertar com todo mundo.

— Eu flerto com todo mundo para ver se você fica com ciúmes — ele admitiu, parecendo um pouco envergonhado. — O que é patético, eu sei.

— É um pouco patético, sim — ela concordou, soltando uma risadinha. — Mas funcionou. Eu queria chutar a canela de metade daquelas líderes de torcida.

Beau riu, um som rico e cheio de alívio. Ele inclinou a testa contra a dela, fechando os olhos por um momento.

— Então... o que a gente faz agora? — ele perguntou. — Porque eu realmente quero te beijar, mas não quero que você faça uma piada no meio e me deixe sem graça.

— Eu não prometo nada — Ana disse, embora suas mãos tivessem subido para descansar no peito dele, agarrando o tecido da camisa. — Mas acho que você pode arriscar.

Beau não precisou de um segundo convite. Ele inclinou a cabeça e selou os lábios nos dela. O beijo começou calmo, uma exploração suave que carregava meses de expectativa acumulada. Mas logo se intensificou, tornando-se urgente e profundo. Beau a puxou para mais perto, as mãos descendo para a cintura dela, enquanto Ana se perdia na sensação de finalmente estar onde pertencia.

Quando eles se separaram para respirar, Beau ainda a mantinha em seus braços, como se tivesse medo de que ela desaparecesse se ele a soltasse.

— Uau — ele murmurou, os olhos brilhando. — Definitivamente melhor que um touchdown.

Ana sorriu, sentindo-se mais confiante agora que o segredo estava exposto.

— Foi bom. Mas não deixe isso subir à cabeça, Maxwell. Eu ainda sou uma crítica rigorosa.

— Ah, é? — Ele deu um sorriso de lado, aquele que costumava derreter metade do campus, mas que agora era só dela. — E o que o capitão precisa fazer para conseguir uma nota máxima?

— Bem — ela disse, fingindo pensar enquanto enrolava uma mecha de cabelo dele nos dedos —, começar por me tirar dessa festa e me levar para comer algo que não seja pizza de fraternidade seria um bom começo.

— Seus desejos são ordens, Vitória.

Eles desceram as escadas de mãos dadas. Beau não escondia o sorriso triunfante, e Ana, apesar da timidez que ainda a fazia baixar o rosto de vez em quando, não soltou a mão dele nem por um segundo.

Enquanto atravessavam a sala principal, os amigos de Beau começaram a assobiar e a gritar.

— Finalmente, Maxwell! — gritou um dos jogadores de linha ofensiva. — A gente não aguentava mais você choramingando pelos cantos por causa dela!

Ana olhou para Beau, surpresa.

— Você choramingava?

Beau ficou vermelho, uma visão rara para qualquer um na Briar University.

— Eles exageram — ele resmungou, apressando o passo em direção à porta. — Eu apenas... expressava meus sentimentos de forma vocal.

— Ele tinha um mural com o seu nome, Ana! — gritou outro amigo, rindo.

— Mentira! É mentira! — Beau exclamou, empurrando a porta da frente e levando-a para o ar fresco da noite.

Ana estava rindo tanto que mal conseguia andar.

— Um mural, Beau? Sério?

— Não era um mural — ele disse, tentando manter a dignidade enquanto a levava para o seu jipe estacionado na rua. — Era apenas um calendário onde eu marcava os dias em que você falava comigo.

— Isso é ainda pior! — ela exclamou, parando ao lado do carro e olhando para ele com adoração. — Você é um bobo, Beau Maxwell.

— Sou o seu bobo — ele corrigiu, abrindo a porta do passageiro para ela com um floreio dramático. — E eu pretendo ser por muito tempo.

Ana entrou no carro, sentindo o coração leve. Beau deu a volta, pulou no banco do motorista e, antes de ligar o motor, inclinou-se para dar um beijo rápido na ponta do nariz dela.

A noite estava apenas começando, e para Ana Vitória, o quarterback estrela da Briar tinha acabado de fazer a jogada mais importante da sua vida: ele tinha finalmente admitido que, fora de campo, ele jogava apenas para um público de uma pessoa só. E ela estava mais do que pronta para ser sua maior fã.
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