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Fanfic mdt morapessy
Fandom: Mundo torajo
Criado: 13/06/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraFantasiaAventuraCiúmesSolarpunk
Entre Câmeras e Espinhos
O sol da tarde filtrava-se pelas frestas das árvores no Mundo Torajo, criando padrões de luz e sombra que dançavam sobre a pele aveludada de Pessy. Ela estava sentada em um banco de madeira, balançando levemente as pernas enquanto observava o movimento ao seu redor. Pessy era, sem dúvida, a personificação da doçura; sua curiosidade a levava a explorar cada canto daquele universo vibrante, mas, ultimamente, sua mente estava ocupada por algo muito mais complexo do que novas descobertas geográficas: seus próprios sentimentos.
Ela soltou um suspiro baixo, sentindo o coração apertar. Como era possível gostar de duas pessoas tão diferentes ao mesmo tempo? De um lado, havia Jay, com seu otimismo contagiante e seu sonho inabalável de se tornar o maior repórter que o mundo já vira. Do outro, Morajo, com seu jeito fechado, seu estilo emo e aquela aura de mistério que, embora muitas vezes viesse acompanhada de um mau humor crônico, escondia uma profundidade que só Pessy parecia notar.
— Você está suspirando de novo — disse uma voz grave e arrastada logo atrás dela.
Pessy deu um pequeno pulo, virando-se rapidamente para encontrar Morajo encostado em um tronco de árvore. Ele vestia suas roupas escuras habituais, o cabelo caindo levemente sobre os olhos, e a expressão de desdém que ele usava como uma armadura.
— Morajo! Que susto você me deu — respondeu Pessy, sentindo as bochechas esquentarem. — Eu só estava... pensando.
— Pensar demais estraga o cérebro — murmurou ele, aproximando-se com as mãos nos bolsos. Ele se sentou ao lado dela, mantendo uma distância que parecia segura, mas seus olhos, por um breve segundo, suavizaram-se ao olhar para ela. — O que foi? O Jay te deu algum bolo de novo porque estava ocupado "entrevistando" uma pedra?
— Não seja bobo, o Jay é dedicado — defendeu ela, embora com um sorriso brincalhão. — Ele tem grandes planos. E você sabe que ele leva a carreira de repórter a sério.
— Ele leva tudo a sério demais, menos o que importa — Morajo desviou o olhar, chutando uma pedrinha no chão. — Mas enfim, se você quer ficar aqui perdendo tempo com pensamentos profundos, o problema é seu.
— Eu não me importo de perder tempo se você estiver aqui — disse Pessy, com uma coragem que nem sabia que tinha.
Morajo congelou por um instante. Ele não era bom com demonstrações de afeto, e seu coração, embora ele tentasse negar, acelerou de uma forma irritante.
— Tanto faz — ele resmungou, mas não se levantou.
O silêncio que se seguiu não era desconfortável, mas foi interrompido pelo som de passos rápidos e o barulho metálico de um tripé sendo carregado. Jay apareceu correndo, com sua câmera pendurada no pescoço e um bloco de notas na mão. Seu rosto estava iluminado pelo entusiasmo.
— Pessy! Você não vai acreditar! — exclamou Jay, parando na frente deles e tentando recuperar o fôlego. — Eu consegui uma pista sobre o mistério das frutas desaparecidas no setor sul. Isso vai ser a minha grande reportagem, o furo de reportagem do ano!
Ele parou de falar ao notar a presença de Morajo. O sorriso de Jay vacilou levemente, mas ele logo recuperou a postura, ajeitando a gola da camisa.
— Ah, oi, Morajo. Não vi você aí nas sombras.
— É onde as pessoas normais ficam para fugir do sol e de repórteres barulhentos — retrucou Morajo, cruzando os braços.
— Ignora ele, Jay — disse Pessy, levantando-se e indo até o amigo. — Me conta mais! Você acha que é perigoso?
Jay sentiu o peito estufar de orgulho ao ver o interesse nos olhos de Pessy. Ele sempre achou que ela era a garota mais bonita e inteligente do Mundo Torajo, e ter a atenção dela era melhor do que qualquer prêmio de jornalismo.
— Pode ser um pouco — disse Jay, baixando o tom de voz para dar um ar dramático. — Mas um bom repórter vai até o fim pela verdade. Na verdade, eu estava pensando... você gostaria de vir comigo? Sabe, como minha assistente de campo? Ou melhor, como minha consultora especial?
Pessy abriu um sorriso radiante. A ideia de uma aventura com Jay parecia maravilhosa.
— Eu adoraria, Jay!
— Ela não vai a lugar nenhum com você para se meter em confusão — interveio Morajo, levantando-se bruscamente. — Você mal consegue segurar essa câmera sem tropeçar nos próprios pés, Jay. Como vai proteger a Pessy se algo acontecer?
Jay arqueou as sobrancelhas, encarando o outro.
— Eu não preciso "protegê-la" como se ela fosse um troféu, Morajo. A Pessy é perfeitamente capaz. Mas, ao contrário de você, eu quero compartilhar as coisas com ela, em vez de ficar sentado em um canto reclamando da vida.
— Você não sabe do que está falando — rosnou Morajo, dando um passo à frente.
— Ah, eu sei sim — Jay não recuou. — Eu sei que você fica todo irritadinho toda vez que eu chego perto dela. Por que você não admite logo que está com ciúmes?
A tensão entre os dois era quase palpável. Pessy olhava de um para o outro, o coração batendo forte. Ela amava o entusiasmo de Jay, a forma como ele a fazia sentir que o mundo era cheio de possibilidades. Mas ela também se sentia atraída pela vulnerabilidade escondida de Morajo, pelo jeito que ele, apesar de todo o mau humor, sempre parecia estar por perto quando ela precisava de alguém para ouvir o silêncio.
— Parem com isso, vocês dois! — pediu Pessy, colocando-se entre eles. — Não há motivo para brigar.
— Ele começou — disseram os dois ao mesmo tempo, apontando um para o outro.
Pessy não pôde evitar e soltou uma gargalhada. A situação era absurda, mas havia uma verdade subjacente que ela não podia mais ignorar. Ambos gostavam dela. E ela, de uma forma confusa e intensa, gostava de ambos.
— Tudo bem, vamos fazer o seguinte — propôs Pessy, olhando para Jay e depois para Morajo. — Jay, eu vou com você na sua reportagem. E Morajo, você vem com a gente para garantir que ninguém se meta em confusão "real".
Morajo revirou os olhos, mas havia um brilho de satisfação neles.
— Eu não tenho nada melhor para fazer mesmo. Alguém tem que garantir que o Jay não filme o próprio pé o tempo todo.
— Eu nunca fiz isso! — protestou Jay, embora tenha verificado rapidamente a lente da câmera. — Só uma vez, e foi por causa de um ângulo artístico!
— Sei — ironizou Morajo.
O trio começou a caminhar em direção ao setor sul. Jay ia na frente, narrando o que via como se já estivesse transmitindo ao vivo, enquanto Pessy caminhava entre os dois. De vez em quando, a mão de Jay roçava na dela, e ele lhe lançava um sorriso encorajador. Do outro lado, Morajo caminhava em silêncio, mas Pessy notava como ele se mantinha atento a cada movimento dela, pronto para oferecer um braço se ela tropeçasse nas raízes expostas do caminho.
— Então, Pessy — disse Jay, diminuindo o passo para ficar lado a lado com ela —, o que você acha que devemos perguntar se encontrarmos o suspeito?
— Acho que devemos primeiro observar — sugeriu ela. — Ver o que eles estão fazendo com as frutas. Talvez não seja um roubo, talvez seja algo diferente.
— Brilhante! — exclamou Jay. — "A Perspectiva de Pessy: O Olhar por Trás do Mistério". Esse vai ser o subtítulo da matéria.
— Você é muito brega — comentou Morajo, embora sem a agressividade de antes.
— E você é um estraga-prazeres — retrucou Jay, mas dessa vez havia um tom de camaradagem relutante em sua voz.
Conforme avançavam, a floresta tornava-se mais densa. O ar estava carregado com o perfume das flores silvestres e o som dos pássaros. Pessy sentia-se estranhamente feliz. Ali, entre o repórter sonhador e o emo de coração mole, ela sentia que pertencia a algum lugar.
— Esperem — sussurrou Morajo, parando de repente e estendendo o braço para que os outros parassem também. — Ouviram isso?
Jay preparou a câmera, os olhos brilhando de antecipação. Pessy segurou a respiração. No meio de uma clareira à frente, viram um pequeno grupo de criaturas transportando cestos cheios de frutas brilhantes.
— É agora! — sussurrou Jay. — Pessy, segura o microfone para mim?
— Claro, Jay.
Ela pegou o equipamento, sentindo a adrenalina correr pelas veias. Morajo, por sua vez, deu um passo à frente, posicionando-se de forma a cobrir qualquer flanco caso as criaturas resolvessem atacar.
— Fiquem atrás de mim — ordenou Morajo em voz baixa.
— Relaxa, Morajo — disse Jay, ajustando o foco. — É só uma entrevista.
— Uma entrevista com ladrões, Jay. Use o cérebro.
Jay ignorou o comentário e fez um sinal para Pessy. Eles avançaram lentamente.
— Com licença! — a voz de Jay ecoou pela clareira, fazendo as criaturas pularem de susto. — Jay aqui, do Noticiário Torajo! Poderiam nos dizer o que estão fazendo com todas essas frutas? É para um festival ou estamos diante do maior escândalo de contrabando da década?
As criaturas se entreolharam, confusas. Uma delas, que parecia ser a líder, aproximou-se timidamente.
— Nós... nós estamos apenas levando as frutas para a Vila das Águas. O rio secou e as árvores de lá morreram. Estamos apenas compartilhando a colheita.
O silêncio caiu sobre o grupo. Jay baixou a câmera lentamente, a expressão de "furo de reportagem" desaparecendo para dar lugar a algo mais suave e compreensivo.
— Ah... — Jay coçou a nuca, parecendo um pouco envergonhado. — Então não é um roubo?
— Claro que não — respondeu a criatura. — Por que roubaríamos o que a terra nos dá de graça para todos?
Morajo soltou um suspiro pesado, mas havia um meio sorriso em seus lábios.
— Eu disse que você estava exagerando, Jay.
— Cala a boca, Morajo — murmurou Jay, mas sem raiva. Ele se virou para as criaturas. — Bem, isso ainda é uma ótima história! "Solidariedade no Mundo Torajo: A Vila que se Uniu para Salvar os Vizinhos". O que acham?
Pessy sorriu, sentindo um imenso orgulho de Jay por mudar o foco da matéria tão rápido, e de Morajo por estar ali, pronto para defendê-los, mesmo que não fosse necessário.
— Eu acho uma história linda, Jay — disse ela, aproximando-se dele e tocando seu ombro.
Jay olhou para ela, os olhos cheios de admiração.
— Obrigado, Pessy. Eu não teria conseguido esse ângulo sem você.
Morajo se aproximou, parando do outro lado de Pessy. Ele não disse nada, mas colocou a mão no bolso e tirou uma pequena flor silvestre que havia colhido pelo caminho, estendendo-a para ela sem olhar diretamente em seus olhos.
— Tome. Combina com você.
Pessy pegou a flor, maravilhada. Suas bochechas tornaram-se da cor de um pêssego maduro.
— Obrigada, Morajo. É linda.
Ali, na clareira, enquanto o sol começava a se pôr e a pintar o céu de tons alaranjados e roxos, Pessy percebeu que não precisava escolher. O Mundo Torajo era vasto o suficiente para abrigar a ambição de Jay e o mistério de Morajo. E ela, no centro de tudo, estava exatamente onde queria estar.
— Bem — disse Jay, guardando o equipamento —, agora que resolvemos o "mistério", que tal voltarmos? Eu pago um lanche para todo mundo.
— Só se não for nada saudável — reclamou Morajo, embora estivesse caminhando ao lado deles.
— Eu conheço um lugar que serve uns shakes escuros que você vai adorar — riu Jay.
Pessy caminhava entre os dois, segurando a flor de Morajo em uma mão e o braço de Jay com a outra. Ela sabia que o futuro poderia ser complicado, e que os sentimentos entre os três ainda teriam muitas voltas a dar, mas naquele momento, sob o céu do Mundo Torajo, tudo parecia perfeito.
— Sabe de uma coisa? — disse Pessy, olhando para os dois.
— O quê? — perguntaram Jay e Morajo em uníssono.
— Eu acho que essa foi a melhor reportagem de todas.
Jay sorriu, Morajo deu de ombros com um sorrisinho de canto, e os três seguiram caminho, desaparecendo entre as sombras e as luzes da floresta, unidos por uma amizade que, aos poucos, transformava-se em algo muito mais profundo.
Ela soltou um suspiro baixo, sentindo o coração apertar. Como era possível gostar de duas pessoas tão diferentes ao mesmo tempo? De um lado, havia Jay, com seu otimismo contagiante e seu sonho inabalável de se tornar o maior repórter que o mundo já vira. Do outro, Morajo, com seu jeito fechado, seu estilo emo e aquela aura de mistério que, embora muitas vezes viesse acompanhada de um mau humor crônico, escondia uma profundidade que só Pessy parecia notar.
— Você está suspirando de novo — disse uma voz grave e arrastada logo atrás dela.
Pessy deu um pequeno pulo, virando-se rapidamente para encontrar Morajo encostado em um tronco de árvore. Ele vestia suas roupas escuras habituais, o cabelo caindo levemente sobre os olhos, e a expressão de desdém que ele usava como uma armadura.
— Morajo! Que susto você me deu — respondeu Pessy, sentindo as bochechas esquentarem. — Eu só estava... pensando.
— Pensar demais estraga o cérebro — murmurou ele, aproximando-se com as mãos nos bolsos. Ele se sentou ao lado dela, mantendo uma distância que parecia segura, mas seus olhos, por um breve segundo, suavizaram-se ao olhar para ela. — O que foi? O Jay te deu algum bolo de novo porque estava ocupado "entrevistando" uma pedra?
— Não seja bobo, o Jay é dedicado — defendeu ela, embora com um sorriso brincalhão. — Ele tem grandes planos. E você sabe que ele leva a carreira de repórter a sério.
— Ele leva tudo a sério demais, menos o que importa — Morajo desviou o olhar, chutando uma pedrinha no chão. — Mas enfim, se você quer ficar aqui perdendo tempo com pensamentos profundos, o problema é seu.
— Eu não me importo de perder tempo se você estiver aqui — disse Pessy, com uma coragem que nem sabia que tinha.
Morajo congelou por um instante. Ele não era bom com demonstrações de afeto, e seu coração, embora ele tentasse negar, acelerou de uma forma irritante.
— Tanto faz — ele resmungou, mas não se levantou.
O silêncio que se seguiu não era desconfortável, mas foi interrompido pelo som de passos rápidos e o barulho metálico de um tripé sendo carregado. Jay apareceu correndo, com sua câmera pendurada no pescoço e um bloco de notas na mão. Seu rosto estava iluminado pelo entusiasmo.
— Pessy! Você não vai acreditar! — exclamou Jay, parando na frente deles e tentando recuperar o fôlego. — Eu consegui uma pista sobre o mistério das frutas desaparecidas no setor sul. Isso vai ser a minha grande reportagem, o furo de reportagem do ano!
Ele parou de falar ao notar a presença de Morajo. O sorriso de Jay vacilou levemente, mas ele logo recuperou a postura, ajeitando a gola da camisa.
— Ah, oi, Morajo. Não vi você aí nas sombras.
— É onde as pessoas normais ficam para fugir do sol e de repórteres barulhentos — retrucou Morajo, cruzando os braços.
— Ignora ele, Jay — disse Pessy, levantando-se e indo até o amigo. — Me conta mais! Você acha que é perigoso?
Jay sentiu o peito estufar de orgulho ao ver o interesse nos olhos de Pessy. Ele sempre achou que ela era a garota mais bonita e inteligente do Mundo Torajo, e ter a atenção dela era melhor do que qualquer prêmio de jornalismo.
— Pode ser um pouco — disse Jay, baixando o tom de voz para dar um ar dramático. — Mas um bom repórter vai até o fim pela verdade. Na verdade, eu estava pensando... você gostaria de vir comigo? Sabe, como minha assistente de campo? Ou melhor, como minha consultora especial?
Pessy abriu um sorriso radiante. A ideia de uma aventura com Jay parecia maravilhosa.
— Eu adoraria, Jay!
— Ela não vai a lugar nenhum com você para se meter em confusão — interveio Morajo, levantando-se bruscamente. — Você mal consegue segurar essa câmera sem tropeçar nos próprios pés, Jay. Como vai proteger a Pessy se algo acontecer?
Jay arqueou as sobrancelhas, encarando o outro.
— Eu não preciso "protegê-la" como se ela fosse um troféu, Morajo. A Pessy é perfeitamente capaz. Mas, ao contrário de você, eu quero compartilhar as coisas com ela, em vez de ficar sentado em um canto reclamando da vida.
— Você não sabe do que está falando — rosnou Morajo, dando um passo à frente.
— Ah, eu sei sim — Jay não recuou. — Eu sei que você fica todo irritadinho toda vez que eu chego perto dela. Por que você não admite logo que está com ciúmes?
A tensão entre os dois era quase palpável. Pessy olhava de um para o outro, o coração batendo forte. Ela amava o entusiasmo de Jay, a forma como ele a fazia sentir que o mundo era cheio de possibilidades. Mas ela também se sentia atraída pela vulnerabilidade escondida de Morajo, pelo jeito que ele, apesar de todo o mau humor, sempre parecia estar por perto quando ela precisava de alguém para ouvir o silêncio.
— Parem com isso, vocês dois! — pediu Pessy, colocando-se entre eles. — Não há motivo para brigar.
— Ele começou — disseram os dois ao mesmo tempo, apontando um para o outro.
Pessy não pôde evitar e soltou uma gargalhada. A situação era absurda, mas havia uma verdade subjacente que ela não podia mais ignorar. Ambos gostavam dela. E ela, de uma forma confusa e intensa, gostava de ambos.
— Tudo bem, vamos fazer o seguinte — propôs Pessy, olhando para Jay e depois para Morajo. — Jay, eu vou com você na sua reportagem. E Morajo, você vem com a gente para garantir que ninguém se meta em confusão "real".
Morajo revirou os olhos, mas havia um brilho de satisfação neles.
— Eu não tenho nada melhor para fazer mesmo. Alguém tem que garantir que o Jay não filme o próprio pé o tempo todo.
— Eu nunca fiz isso! — protestou Jay, embora tenha verificado rapidamente a lente da câmera. — Só uma vez, e foi por causa de um ângulo artístico!
— Sei — ironizou Morajo.
O trio começou a caminhar em direção ao setor sul. Jay ia na frente, narrando o que via como se já estivesse transmitindo ao vivo, enquanto Pessy caminhava entre os dois. De vez em quando, a mão de Jay roçava na dela, e ele lhe lançava um sorriso encorajador. Do outro lado, Morajo caminhava em silêncio, mas Pessy notava como ele se mantinha atento a cada movimento dela, pronto para oferecer um braço se ela tropeçasse nas raízes expostas do caminho.
— Então, Pessy — disse Jay, diminuindo o passo para ficar lado a lado com ela —, o que você acha que devemos perguntar se encontrarmos o suspeito?
— Acho que devemos primeiro observar — sugeriu ela. — Ver o que eles estão fazendo com as frutas. Talvez não seja um roubo, talvez seja algo diferente.
— Brilhante! — exclamou Jay. — "A Perspectiva de Pessy: O Olhar por Trás do Mistério". Esse vai ser o subtítulo da matéria.
— Você é muito brega — comentou Morajo, embora sem a agressividade de antes.
— E você é um estraga-prazeres — retrucou Jay, mas dessa vez havia um tom de camaradagem relutante em sua voz.
Conforme avançavam, a floresta tornava-se mais densa. O ar estava carregado com o perfume das flores silvestres e o som dos pássaros. Pessy sentia-se estranhamente feliz. Ali, entre o repórter sonhador e o emo de coração mole, ela sentia que pertencia a algum lugar.
— Esperem — sussurrou Morajo, parando de repente e estendendo o braço para que os outros parassem também. — Ouviram isso?
Jay preparou a câmera, os olhos brilhando de antecipação. Pessy segurou a respiração. No meio de uma clareira à frente, viram um pequeno grupo de criaturas transportando cestos cheios de frutas brilhantes.
— É agora! — sussurrou Jay. — Pessy, segura o microfone para mim?
— Claro, Jay.
Ela pegou o equipamento, sentindo a adrenalina correr pelas veias. Morajo, por sua vez, deu um passo à frente, posicionando-se de forma a cobrir qualquer flanco caso as criaturas resolvessem atacar.
— Fiquem atrás de mim — ordenou Morajo em voz baixa.
— Relaxa, Morajo — disse Jay, ajustando o foco. — É só uma entrevista.
— Uma entrevista com ladrões, Jay. Use o cérebro.
Jay ignorou o comentário e fez um sinal para Pessy. Eles avançaram lentamente.
— Com licença! — a voz de Jay ecoou pela clareira, fazendo as criaturas pularem de susto. — Jay aqui, do Noticiário Torajo! Poderiam nos dizer o que estão fazendo com todas essas frutas? É para um festival ou estamos diante do maior escândalo de contrabando da década?
As criaturas se entreolharam, confusas. Uma delas, que parecia ser a líder, aproximou-se timidamente.
— Nós... nós estamos apenas levando as frutas para a Vila das Águas. O rio secou e as árvores de lá morreram. Estamos apenas compartilhando a colheita.
O silêncio caiu sobre o grupo. Jay baixou a câmera lentamente, a expressão de "furo de reportagem" desaparecendo para dar lugar a algo mais suave e compreensivo.
— Ah... — Jay coçou a nuca, parecendo um pouco envergonhado. — Então não é um roubo?
— Claro que não — respondeu a criatura. — Por que roubaríamos o que a terra nos dá de graça para todos?
Morajo soltou um suspiro pesado, mas havia um meio sorriso em seus lábios.
— Eu disse que você estava exagerando, Jay.
— Cala a boca, Morajo — murmurou Jay, mas sem raiva. Ele se virou para as criaturas. — Bem, isso ainda é uma ótima história! "Solidariedade no Mundo Torajo: A Vila que se Uniu para Salvar os Vizinhos". O que acham?
Pessy sorriu, sentindo um imenso orgulho de Jay por mudar o foco da matéria tão rápido, e de Morajo por estar ali, pronto para defendê-los, mesmo que não fosse necessário.
— Eu acho uma história linda, Jay — disse ela, aproximando-se dele e tocando seu ombro.
Jay olhou para ela, os olhos cheios de admiração.
— Obrigado, Pessy. Eu não teria conseguido esse ângulo sem você.
Morajo se aproximou, parando do outro lado de Pessy. Ele não disse nada, mas colocou a mão no bolso e tirou uma pequena flor silvestre que havia colhido pelo caminho, estendendo-a para ela sem olhar diretamente em seus olhos.
— Tome. Combina com você.
Pessy pegou a flor, maravilhada. Suas bochechas tornaram-se da cor de um pêssego maduro.
— Obrigada, Morajo. É linda.
Ali, na clareira, enquanto o sol começava a se pôr e a pintar o céu de tons alaranjados e roxos, Pessy percebeu que não precisava escolher. O Mundo Torajo era vasto o suficiente para abrigar a ambição de Jay e o mistério de Morajo. E ela, no centro de tudo, estava exatamente onde queria estar.
— Bem — disse Jay, guardando o equipamento —, agora que resolvemos o "mistério", que tal voltarmos? Eu pago um lanche para todo mundo.
— Só se não for nada saudável — reclamou Morajo, embora estivesse caminhando ao lado deles.
— Eu conheço um lugar que serve uns shakes escuros que você vai adorar — riu Jay.
Pessy caminhava entre os dois, segurando a flor de Morajo em uma mão e o braço de Jay com a outra. Ela sabia que o futuro poderia ser complicado, e que os sentimentos entre os três ainda teriam muitas voltas a dar, mas naquele momento, sob o céu do Mundo Torajo, tudo parecia perfeito.
— Sabe de uma coisa? — disse Pessy, olhando para os dois.
— O quê? — perguntaram Jay e Morajo em uníssono.
— Eu acho que essa foi a melhor reportagem de todas.
Jay sorriu, Morajo deu de ombros com um sorrisinho de canto, e os três seguiram caminho, desaparecendo entre as sombras e as luzes da floresta, unidos por uma amizade que, aos poucos, transformava-se em algo muito mais profundo.
