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Oliver!!

Fandom: FPE

Criado: 13/06/2026

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Preso na Teia do Azar

O corredor leste da Paper School estava estranhamente silencioso naquela tarde, um contraste absoluto com a habitual cacofonia de gritos, risadas e o som de armários batendo. Oliver caminhava com sua característica postura desleixada, as botas pretas ecoando levemente contra o chão polido. Em sua mão direita, ele segurava uma barra de sabão de lavanda, da qual ele deu uma mordida generosa, mastigando o bloco sólido como se fosse a mais refinada das iguarias.

— Nada mal... — murmurou ele para si mesmo, sentindo o gosto adstringente e o frescor químico preencherem sua boca. — Mas o azul ainda é mais crocante.

Oliver estava de bom humor. Ele, Zip e Edward tinham acabado de pregar uma peça em um dos alunos mais novos, e a sensação de superioridade ainda corria por suas veias. Com seu braço de lápis balançando ao lado do corpo e seu longo cabelo branco rastejando quase até os tornozelos, ele parecia a própria personificação da travessura. A marca de "A+" em seu cabelo brilhava sob as luzes fluorescentes, um símbolo irônico de sua posição naquela escola de pesadelos.

Ele dobrou uma esquina pouco frequentada, um atalho que levava aos fundos do laboratório de ciências. O teto ali era mais alto e as sombras pareciam se alongar de forma pouco natural. Oliver, porém, não sentia medo. Ele era o valentão, o mestre das pegadinhas. O que poderia assustá-lo?

De repente, algo branco e cintilante chamou sua atenção no topo da parede.

— O que é aquilo? Algum projeto de artes mal acabado? — Ele parou, estreitando os olhos.

Antes que pudesse processar a imagem, um movimento súbito ocorreu acima dele. Uma massa densa de fios brancos e pegajosos despencou do teto com a velocidade de um raio. Oliver tentou saltar para trás, mas seus pés escorregaram no chão encerado. Em um piscar de olhos, as fibras resistentes o envolveram, prendendo seus braços contra o corpo e imobilizando seu braço de lápis.

— Mas o que diabos...! — O grito de Oliver foi interrompido por uma tira grossa de teia que cruzou sua boca, selando seus lábios com uma força impressionante.

Ele foi içado do chão, pendurado como um casulo malformado a poucos metros de altura. Seus olhos se arregalaram em pânico. Ele tentou chutar, mas as meias brancas e as botas pretas estavam agora fundidas em um emaranhado de seda aracnídea. O sabonete que ele comia caiu no chão, produzindo um som oco ao quicar.

— Mmmph! Mmmph! — Oliver tentou gritar, mas o som saiu abafado, uma vibração inútil contra a mordaça de teia.

Ele forçou os músculos, tentando usar a ponta afiada de seu braço de lápis para rasgar as fibras, mas a teia era elástica e estranhamente forte, absorvendo cada movimento seu. O silêncio do corredor agora parecia opressor. Ele estava sozinho.

"Zip! Edward!", ele gritou em sua mente, a voz ecoando dentro de seu próprio crânio com um desespero que ele raramente sentia. "Onde estão vocês, seus idiotas? Me tirem daqui!"

As horas passaram de forma agonizante. A escola foi ficando cada vez mais fria conforme a noite caía. Oliver, exausto de tanto lutar, ficou pendurado ali, observando as sombras dançarem nas paredes. Ele nunca tinha se sentido tão pequeno. A Paper School era um lugar perigoso para quem ficava vulnerável, e ele sabia disso melhor do que ninguém. Cada estalo na estrutura do prédio o fazia estremecer, temendo que o "dono" daquela teia aparecesse para reclamar sua presa.

***

Na manhã seguinte, o sol mal havia começado a filtrar-se pelas janelas altas da escola quando dois vultos familiares apareceram no início do corredor.

Zip caminhava com as mãos nos bolsos, chutando uma bolinha de papel amassada, enquanto Edward ajustava seus óculos, parecendo levemente irritado.

— Eu estou te falando, Zip, ele não respondeu nenhuma das minhas mensagens ontem à noite — disse Edward, sua voz ecoando no espaço vazio. — Oliver pode ser idiota, mas ele nunca perde a chance de planejar a bagunça de quarta-feira.

— Talvez ele tenha encontrado um estoque de sabonete artesanal e entrou em coma alimentar — Zip brincou, embora houvesse um traço de preocupação em seu tom. — Mas sério, ele sumiu do mapa.

Eles continuaram andando até que Zip parou bruscamente, quase fazendo Edward tropeçar nela.

— O que foi agora? — reclamou Edward.

— Escuta... — Zip inclinou a cabeça.

Um som rítmico e abafado vinha de algum lugar à frente. Era um "mmmph-mmmph" constante, misturado com o som de algo raspando na parede.

— Vem de lá! — Edward apontou para o corredor lateral.

Eles correram e, ao dobrarem a esquina, estancaram. Lá estava Oliver, pendurado como um ornamento bizarro. Seu cabelo branco estava todo bagunçado, o laço preto pendendo por um fio, e ele parecia exausto. Ao ver os amigos, os olhos de Oliver brilharam com uma mistura de fúria e alívio.

— Oliver?! — Zip explodiu em uma gargalhada histérica, apontando para o amigo. — Cara, o que você fez? Tentou lutar contra uma aranha gigante e perdeu?

— Mmmph!! Mmmph-mmmph!! — Oliver sacudiu o corpo violentamente, o rosto ficando vermelho de raiva.

— Calma, calma! — Edward aproximou-se, analisando a estrutura da teia com curiosidade científica. — Isso é fascinante... as fibras têm uma composição química que lembra polímero de papel...

— Edward, menos ciência e mais faca! — Zip o empurrou para o lado, pegando um pequeno canivete que carregava na mochila. — Segura ele, senão ele vai cair de cara no chão.

Edward posicionou-se embaixo de Oliver, preparando-se para o peso. Zip começou a serrar as fibras grossas que prendiam o valentão ao teto.

— Você está pesadinho, hein, Oliver? — provocou Zip enquanto cortava. — Deve ser todo esse sabão acumulado.

Com um estalo final, a teia cedeu. Oliver caiu sobre Edward, e ambos foram parar no chão em um emaranhado de pernas, braços e fios brancos. Zip rapidamente usou o canivete para cortar a mordaça que prendia a boca de Oliver.

Assim que seus lábios ficaram livres, Oliver soltou um suspiro profundo, tossindo um pouco para limpar a garganta.

— Finalmente! — ele gritou, a voz rouca. — Eu vou encontrar quem fez isso e vou transformar essa pessoa em um desenho de palito!

— De nada, a propósito — disse Zip, ajudando-o a se levantar enquanto Edward tentava tirar os restos de teia de seus próprios óculos.

Oliver começou a arrancar os pedaços de seda de seu uniforme preto. Ele pegou o sabonete que ainda estava no chão, limpou-o na bermuda branca e deu uma mordida raivosa.

— Eu fiquei ali a noite toda! — reclamou Oliver, apontando o braço de lápis para o teto. — Vocês demoraram uma eternidade!

— Nós não tínhamos como saber que o grande Oliver seria derrotado por uma teia de aranha — Edward comentou, limpando a poeira das roupas. — Como você se deixou prender por isso?

— Ela caiu do teto! Foi uma emboscada! — Oliver cruzou os braços, bufando. — E não era uma aranha comum. Aquilo foi... pessoal.

Zip deu um tapinha nas costas dele, rindo.

— Bem, pelo menos agora temos uma história ótima para contar para o resto da escola.

Oliver parou de mastigar o sabonete e olhou para ela com um olhar mortal.

— Se você contar isso para alguém, Zip, eu juro que escondo todos os seus cadernos no telhado da biblioteca.

Zip levantou as mãos em sinal de rendição, embora o sorriso travesso não saísse de seu rosto.

— Ok, ok. Segredo de valentão. Mas você nos deve uma.

— Tanto faz — resmungou Oliver, ajeitando seu longo rabo de cavalo e começando a andar pelo corredor como se nada tivesse acontecido. — Agora vamos. Eu preciso de um sabonete de limão para tirar esse gosto de poeira da boca.

Edward e Zip se entreolharam e o seguiram. Oliver podia estar agindo como se estivesse tudo bem, mas de vez em quando ele olhava para o teto, garantindo que nada mais estivesse à espreita nas sombras da Paper School. Afinal, naquele lugar, até as paredes tinham dentes — ou, no caso dele, teias.
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