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Sinful advice
Fandom: LMSY
Criado: 13/06/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoEstudo de PersonagemCiúmesRealismo
O Equilíbrio do Caos e a Ordem
O corredor do bloco administrativo do campus era revestido de um silêncio quase sagrado, interrompido apenas pelo tique-taque rítmico do relógio de parede e pelo som das páginas sendo viradas na sala 402. Lookmhee Punyapat, com seus 1,75m de postura impecável e óculos de armação fina, deslizava os olhos por um relatório acadêmico com a precisão de um cirurgião. Aos 34 anos, ela era o pilar de integridade da instituição. Seu pai, o reitor emérito, confiara a ela a disciplina e o aconselhamento dos alunos, e Lookmhee nunca permitira que uma única regra fosse quebrada sob sua vigília.
Até que Sonya Saranphat entrou em sua vida.
A porta da sala de aconselhamento abriu-se sem que ninguém batesse, e o aroma de chiclete de morango invadiu o ambiente antes mesmo da figura caótica aparecer. Sonya, de 22 anos, entrou com os cabelos castanho-claros levemente ondulados em total desalinho, a camisa do uniforme meio para fora da calça e um sorriso que era, ao mesmo tempo, um pedido de desculpas e um desafio.
— Bom dia, Conselheira Punyapat! — Sonya anunciou, jogando sua mochila em cima da cadeira de veludo azul, destinada aos alunos em crise. — Senti saudades? Porque eu senti.
Lookmhee não levantou o olhar imediatamente. Ela terminou de anotar uma observação em sua agenda, fechou a caneta-tinteiro com um clique seco e só então encarou a jovem à sua frente.
— Srta. Saranphat. — A voz de Lookmhee era um veludo frio. — São dez horas da manhã. A aula de Macroeconomia começou há quarenta minutos. O que a traz aqui, além do seu hábito crônico de ignorar o cronograma acadêmico?
Sonya sentou-se, cruzando as pernas de forma relaxada, e inclinou o corpo para frente, apoiando o queixo nas mãos.
— O professor de Macroeconomia tem uma voz que me dá sono, sabia? É como um ASMR de tédio. — Ela piscou para a conselheira. — Mas aqui... aqui é diferente. O ar condicionado é melhor e a companhia é muito mais interessante.
Lookmhee suspirou, ajustando os óculos. Ela deveria estar irritada. Sonya era o seu maior fracasso profissional: uma aluna que reprovara três vezes, que jogava Uno no fundo da sala e que parecia ter como missão de vida testar a paciência da administração. No entanto, havia algo naquela energia inesgotável que fazia o coração metódico de Lookmhee bater fora do compasso.
— Você está no seu quarto ano tentando passar em disciplinas do segundo, Sonya. — Lookmhee levantou-se e caminhou até a estante de livros, buscando um arquivo específico. — Se não levar seus estudos a sério, nem mesmo a minha paciência poderá salvá-la da expulsão.
— Ah, então você admite que tem paciência comigo? — Sonya se levantou também, seguindo-a como uma sombra persistente. — Eu achei que eu fosse apenas um "problema a ser resolvido" no seu caderninho de regras.
Lookmhee parou diante da estante, sentindo a proximidade da garota. Sonya era alguns centímetros mais baixa, o que a obrigava a olhar um pouco para cima, mas a audácia em seus olhos compensava qualquer diferença de altura.
— Você é um desafio, Srta. Saranphat. — Lookmhee virou-se, ficando a poucos centímetros de distância. — Um desafio que eu pretendo vencer através da disciplina.
— E se eu não quiser disciplina? — Sonya sussurrou, a voz perdendo o tom brincalhão e ganhando um matiz mais profundo, carregado de uma intenção que Lookmhee conhecia bem, mas se recusava a nomear. — E se eu preferir o caos? O meu caos combina com a sua ordem, não acha?
Lookmhee sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela era uma mulher de lógica, de silêncios e de livros. Sonya era o sol escaldante, o barulho e a rebeldia. Eram mundos que não deveriam se tocar, separados por doze anos de idade, por hierarquia e pelo peso do sobrenome Punyapat.
— Sonya, você é jovem demais para entender certas coisas — disse Lookmhee, tentando retomar sua autoridade, embora sua voz tivesse falhado levemente no final da frase.
— Jovem demais? — Sonya soltou uma risada curta e deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal da conselheira. — Eu tenho 22 anos, Conselheira. Eu sei exatamente o que eu quero. E o que eu quero não está nos livros de economia ou nas regras do seu pai.
Lookmhee sentiu as costas baterem na madeira fria da estante. A proximidade era perigosa. Ela conseguia ver as pequenas sardas no nariz de Sonya e o brilho de determinação em seus olhos.
— Eu sou velha para você — retrucou Lookmhee, a última linha de defesa de sua mente racional.
— É exatamente isso que faz você ser tão interessante, Punyapat — Sonya rebateu, aproximando o rosto do pescoço da outra mulher, apenas o suficiente para que seu hálito quente roçasse a pele de Lookmhee. — Essa sua pose de inabalável... eu adoro pensar no que seria necessário para fazer você perder o controle.
— Sonya... saia daqui. Agora. — O comando de Lookmhee soou mais como um apelo do que como uma ordem.
Sonya sorriu, um sorriso vitorioso, e se afastou lentamente, pegando sua mochila.
— Tudo bem. Eu vou para a aula. Mas só porque você pediu com esse tom de voz que me deixa arrepiada. Até amanhã, Conselheira.
Quando a porta se fechou, Lookmhee deixou o ar escapar dos pulmões. Suas mãos tremiam levemente. Ela voltou para sua mesa, mas as letras nos relatórios pareciam dançar, sem sentido. Ela era a barreira inquebrável, a conselheira perfeita. Mas Sonya Saranphat não era apenas uma aluna encrenqueira; ela era uma força da natureza que estava começando a corroer as fundações da vida perfeitamente estruturada de Lookmhee.
***
As semanas que se seguiram foram um jogo de gato e rato. Sonya continuava chegando atrasada, mas agora, em vez de ir para a diretoria, ela ia direto para a sala de Lookmhee com "dúvidas existenciais".
Em uma tarde chuvosa de terça-feira, Lookmhee estava em sua sala lendo um clássico de literatura tailandesa quando Sonya entrou, desta vez sem o barulho habitual. Ela estava encharcada da chuva, o cabelo castanho grudado no rosto e os ombros encolhidos.
— O que aconteceu? — Lookmhee levantou-se imediatamente, o instinto protetor falando mais alto que qualquer regra.
— O meu carro quebrou no meio do caminho, e eu esqueci o guarda-chuva — Sonya disse, tremendo levemente. — Eu tentei correr, mas...
Sem dizer uma palavra, Lookmhee foi até o pequeno armário em sua sala e pegou uma toalha limpa que guardava para emergências e um de seus cardigãs reservas.
— Seque-se. Você vai ficar doente.
Lookmhee aproximou-se e, com uma delicadeza que raramente mostrava, começou a secar o cabelo de Sonya. O silêncio na sala era diferente agora; não era o silêncio tenso das provocações, mas algo mais íntimo, mais denso.
— Por que você cuida tanto de mim, se eu sou o seu maior problema? — Sonya perguntou, olhando para cima, os olhos castanhos brilhando sob a luz suave do abajur.
Lookmhee parou o movimento da toalha. Ela estava tão perto que podia sentir o calor emanando do corpo de Sonya.
— Porque você não é um problema, Sonya. Você é... — Lookmhee buscou a palavra certa, mas a lógica a abandonou. — Você é alguém que merece ser cuidada. Mesmo que se esforce tanto para provar o contrário.
Sonya segurou os pulsos de Lookmhee, impedindo-a de se afastar.
— Você sabe que isso é perigoso, não sabe? — Sonya sussurrou. — Se alguém entrar por aquela porta... se o seu pai descobrir que a filha perfeita dele está sendo "corrompida" pela pior aluna do campus...
— Ninguém vai entrar — Lookmhee respondeu, a voz rouca. — E eu não sou perfeita, Sonya. Eu só aprendi a esconder minhas imperfeições melhor do que você.
— Então me mostre uma delas — desafiou a jovem. — Me mostre que você é humana.
Lookmhee sabia que deveria recuar. Ela sabia que sua carreira, sua reputação e a confiança de seu pai estavam em jogo. Mas, ao olhar para Sonya, ela não viu a garota encrenqueira ou a aluna preguiçosa. Ela viu a única pessoa que realmente a enxergava por trás dos óculos e da fachada de gelo.
Quebrando séculos de autocontrole, Lookmhee inclinou-se e selou a distância entre as duas.
O beijo foi uma colisão de mundos. Tinha o sabor da chuva e da urgência contida por tempo demais. Sonya soltou um som baixo na garganta, uma mistura de surpresa e triunfo, e envolveu o pescoço de Lookmhee com os braços, puxando-a para mais perto, querendo fundir sua energia caótica à estabilidade da outra.
Lookmhee, por sua vez, agiu com uma possessividade que a surpreendeu. Suas mãos, sempre tão delicadas ao virar páginas de livros, agora seguravam a cintura de Sonya com firmeza, como se estivesse reivindicando algo que sempre lhe pertencera. O ciúme que sentia quando via Sonya rindo com outros alunos, a irritação constante com sua falta de disciplina... tudo aquilo agora fazia sentido. Era desejo. Era amor, em sua forma mais crua e proibida.
Quando se separaram, ambas estavam ofegantes. Lookmhee encostou a testa na de Sonya, os olhos fechados.
— Isso não pode acontecer, Sonya. É contra todas as regras que eu ajudei a construir.
— As regras foram feitas para serem questionadas, Conselheira — Sonya disse, com um sorriso suave, acariciando o rosto de Lookmhee. — E você sabe que eu sou excelente em questionar a autoridade.
Lookmhee abriu os olhos e sorriu levemente, um sorriso real que poucas pessoas tinham o privilégio de ver.
— Você vai me dar um trabalho imenso, não vai?
— O melhor trabalho da sua vida — Sonya prometeu.
A chuva continuava batendo na janela, isolando-as do resto do mundo. Ali, dentro daquela sala que exalava ordem e tradição, o caos havia finalmente encontrado seu porto seguro, e a ordem havia descoberto que, às vezes, é preciso se perder para realmente se encontrar. O relacionamento era proibido, as classes sociais eram distintas e a hierarquia era um abismo entre elas, mas, naquele momento, nada disso importava. Lookmhee Punyapat e Sonya Saranphat eram apenas duas almas que haviam decidido que o amor valia o risco de qualquer punição.
Até que Sonya Saranphat entrou em sua vida.
A porta da sala de aconselhamento abriu-se sem que ninguém batesse, e o aroma de chiclete de morango invadiu o ambiente antes mesmo da figura caótica aparecer. Sonya, de 22 anos, entrou com os cabelos castanho-claros levemente ondulados em total desalinho, a camisa do uniforme meio para fora da calça e um sorriso que era, ao mesmo tempo, um pedido de desculpas e um desafio.
— Bom dia, Conselheira Punyapat! — Sonya anunciou, jogando sua mochila em cima da cadeira de veludo azul, destinada aos alunos em crise. — Senti saudades? Porque eu senti.
Lookmhee não levantou o olhar imediatamente. Ela terminou de anotar uma observação em sua agenda, fechou a caneta-tinteiro com um clique seco e só então encarou a jovem à sua frente.
— Srta. Saranphat. — A voz de Lookmhee era um veludo frio. — São dez horas da manhã. A aula de Macroeconomia começou há quarenta minutos. O que a traz aqui, além do seu hábito crônico de ignorar o cronograma acadêmico?
Sonya sentou-se, cruzando as pernas de forma relaxada, e inclinou o corpo para frente, apoiando o queixo nas mãos.
— O professor de Macroeconomia tem uma voz que me dá sono, sabia? É como um ASMR de tédio. — Ela piscou para a conselheira. — Mas aqui... aqui é diferente. O ar condicionado é melhor e a companhia é muito mais interessante.
Lookmhee suspirou, ajustando os óculos. Ela deveria estar irritada. Sonya era o seu maior fracasso profissional: uma aluna que reprovara três vezes, que jogava Uno no fundo da sala e que parecia ter como missão de vida testar a paciência da administração. No entanto, havia algo naquela energia inesgotável que fazia o coração metódico de Lookmhee bater fora do compasso.
— Você está no seu quarto ano tentando passar em disciplinas do segundo, Sonya. — Lookmhee levantou-se e caminhou até a estante de livros, buscando um arquivo específico. — Se não levar seus estudos a sério, nem mesmo a minha paciência poderá salvá-la da expulsão.
— Ah, então você admite que tem paciência comigo? — Sonya se levantou também, seguindo-a como uma sombra persistente. — Eu achei que eu fosse apenas um "problema a ser resolvido" no seu caderninho de regras.
Lookmhee parou diante da estante, sentindo a proximidade da garota. Sonya era alguns centímetros mais baixa, o que a obrigava a olhar um pouco para cima, mas a audácia em seus olhos compensava qualquer diferença de altura.
— Você é um desafio, Srta. Saranphat. — Lookmhee virou-se, ficando a poucos centímetros de distância. — Um desafio que eu pretendo vencer através da disciplina.
— E se eu não quiser disciplina? — Sonya sussurrou, a voz perdendo o tom brincalhão e ganhando um matiz mais profundo, carregado de uma intenção que Lookmhee conhecia bem, mas se recusava a nomear. — E se eu preferir o caos? O meu caos combina com a sua ordem, não acha?
Lookmhee sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela era uma mulher de lógica, de silêncios e de livros. Sonya era o sol escaldante, o barulho e a rebeldia. Eram mundos que não deveriam se tocar, separados por doze anos de idade, por hierarquia e pelo peso do sobrenome Punyapat.
— Sonya, você é jovem demais para entender certas coisas — disse Lookmhee, tentando retomar sua autoridade, embora sua voz tivesse falhado levemente no final da frase.
— Jovem demais? — Sonya soltou uma risada curta e deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal da conselheira. — Eu tenho 22 anos, Conselheira. Eu sei exatamente o que eu quero. E o que eu quero não está nos livros de economia ou nas regras do seu pai.
Lookmhee sentiu as costas baterem na madeira fria da estante. A proximidade era perigosa. Ela conseguia ver as pequenas sardas no nariz de Sonya e o brilho de determinação em seus olhos.
— Eu sou velha para você — retrucou Lookmhee, a última linha de defesa de sua mente racional.
— É exatamente isso que faz você ser tão interessante, Punyapat — Sonya rebateu, aproximando o rosto do pescoço da outra mulher, apenas o suficiente para que seu hálito quente roçasse a pele de Lookmhee. — Essa sua pose de inabalável... eu adoro pensar no que seria necessário para fazer você perder o controle.
— Sonya... saia daqui. Agora. — O comando de Lookmhee soou mais como um apelo do que como uma ordem.
Sonya sorriu, um sorriso vitorioso, e se afastou lentamente, pegando sua mochila.
— Tudo bem. Eu vou para a aula. Mas só porque você pediu com esse tom de voz que me deixa arrepiada. Até amanhã, Conselheira.
Quando a porta se fechou, Lookmhee deixou o ar escapar dos pulmões. Suas mãos tremiam levemente. Ela voltou para sua mesa, mas as letras nos relatórios pareciam dançar, sem sentido. Ela era a barreira inquebrável, a conselheira perfeita. Mas Sonya Saranphat não era apenas uma aluna encrenqueira; ela era uma força da natureza que estava começando a corroer as fundações da vida perfeitamente estruturada de Lookmhee.
***
As semanas que se seguiram foram um jogo de gato e rato. Sonya continuava chegando atrasada, mas agora, em vez de ir para a diretoria, ela ia direto para a sala de Lookmhee com "dúvidas existenciais".
Em uma tarde chuvosa de terça-feira, Lookmhee estava em sua sala lendo um clássico de literatura tailandesa quando Sonya entrou, desta vez sem o barulho habitual. Ela estava encharcada da chuva, o cabelo castanho grudado no rosto e os ombros encolhidos.
— O que aconteceu? — Lookmhee levantou-se imediatamente, o instinto protetor falando mais alto que qualquer regra.
— O meu carro quebrou no meio do caminho, e eu esqueci o guarda-chuva — Sonya disse, tremendo levemente. — Eu tentei correr, mas...
Sem dizer uma palavra, Lookmhee foi até o pequeno armário em sua sala e pegou uma toalha limpa que guardava para emergências e um de seus cardigãs reservas.
— Seque-se. Você vai ficar doente.
Lookmhee aproximou-se e, com uma delicadeza que raramente mostrava, começou a secar o cabelo de Sonya. O silêncio na sala era diferente agora; não era o silêncio tenso das provocações, mas algo mais íntimo, mais denso.
— Por que você cuida tanto de mim, se eu sou o seu maior problema? — Sonya perguntou, olhando para cima, os olhos castanhos brilhando sob a luz suave do abajur.
Lookmhee parou o movimento da toalha. Ela estava tão perto que podia sentir o calor emanando do corpo de Sonya.
— Porque você não é um problema, Sonya. Você é... — Lookmhee buscou a palavra certa, mas a lógica a abandonou. — Você é alguém que merece ser cuidada. Mesmo que se esforce tanto para provar o contrário.
Sonya segurou os pulsos de Lookmhee, impedindo-a de se afastar.
— Você sabe que isso é perigoso, não sabe? — Sonya sussurrou. — Se alguém entrar por aquela porta... se o seu pai descobrir que a filha perfeita dele está sendo "corrompida" pela pior aluna do campus...
— Ninguém vai entrar — Lookmhee respondeu, a voz rouca. — E eu não sou perfeita, Sonya. Eu só aprendi a esconder minhas imperfeições melhor do que você.
— Então me mostre uma delas — desafiou a jovem. — Me mostre que você é humana.
Lookmhee sabia que deveria recuar. Ela sabia que sua carreira, sua reputação e a confiança de seu pai estavam em jogo. Mas, ao olhar para Sonya, ela não viu a garota encrenqueira ou a aluna preguiçosa. Ela viu a única pessoa que realmente a enxergava por trás dos óculos e da fachada de gelo.
Quebrando séculos de autocontrole, Lookmhee inclinou-se e selou a distância entre as duas.
O beijo foi uma colisão de mundos. Tinha o sabor da chuva e da urgência contida por tempo demais. Sonya soltou um som baixo na garganta, uma mistura de surpresa e triunfo, e envolveu o pescoço de Lookmhee com os braços, puxando-a para mais perto, querendo fundir sua energia caótica à estabilidade da outra.
Lookmhee, por sua vez, agiu com uma possessividade que a surpreendeu. Suas mãos, sempre tão delicadas ao virar páginas de livros, agora seguravam a cintura de Sonya com firmeza, como se estivesse reivindicando algo que sempre lhe pertencera. O ciúme que sentia quando via Sonya rindo com outros alunos, a irritação constante com sua falta de disciplina... tudo aquilo agora fazia sentido. Era desejo. Era amor, em sua forma mais crua e proibida.
Quando se separaram, ambas estavam ofegantes. Lookmhee encostou a testa na de Sonya, os olhos fechados.
— Isso não pode acontecer, Sonya. É contra todas as regras que eu ajudei a construir.
— As regras foram feitas para serem questionadas, Conselheira — Sonya disse, com um sorriso suave, acariciando o rosto de Lookmhee. — E você sabe que eu sou excelente em questionar a autoridade.
Lookmhee abriu os olhos e sorriu levemente, um sorriso real que poucas pessoas tinham o privilégio de ver.
— Você vai me dar um trabalho imenso, não vai?
— O melhor trabalho da sua vida — Sonya prometeu.
A chuva continuava batendo na janela, isolando-as do resto do mundo. Ali, dentro daquela sala que exalava ordem e tradição, o caos havia finalmente encontrado seu porto seguro, e a ordem havia descoberto que, às vezes, é preciso se perder para realmente se encontrar. O relacionamento era proibido, as classes sociais eram distintas e a hierarquia era um abismo entre elas, mas, naquele momento, nada disso importava. Lookmhee Punyapat e Sonya Saranphat eram apenas duas almas que haviam decidido que o amor valia o risco de qualquer punição.
