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Fandom: Naruto

Criado: 13/06/2026

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RomanceFofuraHumorFatias de VidaHistória DomésticaCenário CanônicoEstudo de Personagem
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A Inocência de um Gênio

O luar de Konoha filtrava-se pelas frestas das janelas do complexo Uchiha, desenhando listras de prata sobre o tatame. Itachi estava sentado em silêncio, os olhos focados em um pergaminho antigo sobre táticas de contenção, mas sua mente não estava no texto. Ao seu lado, Shisui parecia inquieto. O brilho habitual nos olhos do Uchiha mais velho estava turvo por uma névoa de frustração que Itachi, apesar de toda a sua genialidade tática e Sharingan precoce, não conseguia decifrar completamente.

Eles namoravam oficialmente há meses. Para o mundo exterior, eram os dois prodígios mais letais da vila. Entre quatro paredes, eram apenas dois jovens tentando navegar pelas águas desconhecidas do primeiro amor. Ou, pelo menos, era o que Itachi pensava.

— Itachi... — Shisui murmurou, fechando o pergaminho do namorado com um gesto suave. — Você não acha que já estudamos o suficiente por hoje?

Itachi piscou, voltando suas íris escuras para Shisui. Havia uma suavidade em sua expressão que ele só permitia que Shisui visse.

— A disciplina é a chave para a perfeição, Shisui. Você mesmo me disse isso durante o último treino.

Shisui soltou um suspiro pesado, passando a mão pelos cabelos rebeldes.

— Eu estava falando de shurikenjutsu, não de passar a noite de sexta-feira lendo sobre selamentos de barreira de nível C.

Antes que Itachi pudesse responder, Shisui inclinou-se para frente, reduzindo a distância entre eles. O coração de Itachi deu um salto rítmico, algo que acontecia sempre que Shisui entrava em seu espaço pessoal. O beijo começou casto, um simples encostar de lábios, mas Shisui logo aprofundou o contato.

As mãos de Shisui, calejadas pelo uso da katana, subiram para o rosto de Itachi, antes de descerem lentamente pelo pescoço, parando nos ombros. Itachi sentia o calor emanando do corpo do outro. Ele fechou os olhos, entregando-se à sensação. Para Itachi, aquilo era o ápice da intimidade: a conexão de almas, o silêncio compartilhado, o carinho terno.

No entanto, para Shisui, a temperatura estava subindo de uma forma que ele mal conseguia controlar. Suas mãos desceram mais, apertando a cintura de Itachi de forma possessiva, puxando-o para mais perto, até que não houvesse um milímetro de ar entre seus peitos.

— Shisui? — Itachi murmurou entre os beijos, sua voz soando um pouco confusa. — Você está tremendo. Está com frio? A temperatura caiu bastante esta noite.

Shisui parou por um segundo, a testa encostada na de Itachi. Ele olhou para o namorado, procurando qualquer sinal de malícia ou provocação, mas só encontrou aquela preocupação genuína e irritantemente pura.

— Não, Itachi. Eu não estou com frio — Shisui respondeu, a voz uma oitava mais grave. — Na verdade, estou com muito calor.

— Talvez você esteja com febre — Itachi disse, levando a mão à testa de Shisui com uma expressão séria. — O esforço excessivo na missão de ontem pode ter afetado seu sistema imunológico. Eu deveria preparar um chá de ervas.

Shisui fechou os olhos e contou até dez mentalmente. Ele amava Itachi. Amava como ele era capaz de prever o movimento de dez inimigos ao mesmo tempo, mas era incapaz de notar que o namorado estava subindo pelas paredes de desejo.

— O chá não vai ajudar, Itachi — Shisui disse, tentando novamente. Ele puxou Itachi para o seu colo de forma repentina.

Foi um movimento rápido. Itachi, pego de surpresa, acabou sentado sobre as coxas de Shisui, as pernas de cada lado do quadril do mais velho. A posição era íntima, perigosa. Itachi sentiu algo firme e quente pressionando contra sua coxa.

— Oh — Itachi exclamou, os olhos levemente arregalados. — Shisui, você está carregando alguma arma escondida sob a calça? É desconfortável. Você sabe que não devemos relaxar com equipamentos que possam disparar acidentalmente.

Shisui soltou um som que era metade risada, metade gemido de agonia. O rosto do Uchiha mais velho estava ficando vermelho.

— Não é uma arma, Itachi... Quer dizer, não desse tipo.

— Então o que é? — Itachi perguntou, inclinando a cabeça com uma curiosidade quase infantil. — É algum novo protótipo de pergaminho de invocação?

Shisui sentiu que sua sanidade estava por um fio. Ele amava aquela inocência, mas ela era sua maior tortura. O contato físico, a pressão de Itachi sobre ele, o cheiro de sabonete neutro e floresta que emanava da pele do mais novo... era demais.

— Eu... eu esqueci que deixei o fogo aceso na cozinha! — Shisui mentiu descaradamente, levantando-se tão rápido que quase derrubou Itachi no tatame.

— Mas nós nem usamos a cozinha hoje — Itachi observou, ajustando sua postura com elegância, sem entender o motivo do súbito pânico do namorado.

— Eu vou verificar! — Shisui gritou, já correndo em direção ao banheiro, desaparecendo em um Shunshin repentino que deixou apenas algumas folhas flutuando no ar.

Itachi ficou sozinho no quarto, piscando os olhos calmamente. Ele olhou para a porta do banheiro, ouvindo o som da água fria sendo ligada.

— Shisui tem estado muito esquecido ultimamente — Itachi murmurou para si mesmo, voltando a abrir o pergaminho. — E sua temperatura corporal flutua de forma alarmante. Talvez eu deva consultar o histórico médico do clã sobre disfunções térmicas em usuários de Katon.

Alguns minutos depois, Shisui voltou, o cabelo pingando água e a expressão visivelmente mais calma, embora exausta. Ele se sentou a uma distância segura de Itachi, respirando fundo.

— Melhor? — perguntou Itachi, estendendo uma toalha.

— Sim, Itachi. Muito melhor — Shisui mentiu, aceitando a toalha.

— Shisui, eu estive pensando — começou Itachi, e Shisui sentiu um lampejo de esperança. Será que ele finalmente tinha entendido? — Sobre aquele volume que senti agora pouco. Se não era uma arma, e você diz que não está doente, só pode haver uma explicação lógica.

Shisui prendeu a respiração.

— E qual seria? — perguntou ele, esperançoso.

— Você está treinando uma nova técnica de endurecimento muscular localizada — afirmou Itachi com absoluta convicção. — É impressionante. Eu não sabia que era possível focar o chakra de forma tão intensa em uma área tão específica sem o uso de selos de mão.

Shisui enterrou o rosto na toalha, soltando um som abafado que poderia ser um grito de frustração.

— Sim, Itachi. É exatamente isso. Uma técnica de endurecimento. Muito avançada.

— Você poderia me ensinar? — Itachi perguntou, aproximando-se novamente, com os olhos brilhando de interesse intelectual. — Eu adoraria entender a circulação de chakra envolvida nesse processo.

Shisui olhou para Itachi. O rosto do namorado estava a poucos centímetros do seu. A pele era perfeita, os cílios longos, a expressão cheia de uma admiração genuína. Shisui sentiu seu coração amolecer. Ele não conseguia ficar bravo, nem mesmo com aquela lerdeza monumental para assuntos românticos.

— Itachi — Shisui disse suavemente, pegando as mãos do namorado. — Algumas técnicas você não aprende nos pergaminhos. E você não as pratica por curiosidade acadêmica.

— Não? — Itachi franziu a testa. — Mas tudo o que é digno de nota pode ser estudado e replicado.

— Isso é diferente — Shisui explicou, aproximando-se novamente, mas desta vez mantendo as mãos apenas nas mãos de Itachi. — É algo que acontece quando você gosta muito de alguém. Quando você quer estar o mais perto possível dessa pessoa.

Itachi ficou em silêncio por um longo momento, processando a informação. Suas engrenagens mentais, sempre tão rápidas, pareciam estar girando em uma direção completamente nova.

— Então... — Itachi começou devagar — ...aquela reação física... tem relação com os seus sentimentos por mim?

— Graças aos sábios, sim! — Shisui exclamou, quase aliviado. — Sim, Itachi. Exatamente.

Itachi olhou para baixo, para as mãos unidas. Suas bochechas ganharam um tom leve de rosa, a primeira evidência de que a ficha finalmente estava começando a cair.

— Eu li sobre o desejo humano em livros de psicologia — Itachi disse, a voz baixa. — Mas os autores sempre descreviam como algo irracional e perturbador para a mente de um shinobi. Eu não achei que você... que nós...

— Itachi, eu sou um shinobi, mas também sou um homem — Shisui disse, com ternura. — E eu amo você. Não é algo "perturbador", é apenas natural.

Itachi olhou nos olhos de Shisui. O Sharingan não estava ativo, mas a intensidade do olhar era a mesma.

— Sinto muito por ser tão... analítico — Itachi pediu desculpas. — Eu passo tanto tempo tentando entender o mundo através da lógica que às vezes esqueço que nem tudo segue um manual de instruções.

Shisui sorriu, puxando Itachi para um abraço apertado, um abraço de verdade, sem segundas intenções imediatas, apenas para confortá-lo.

— Tudo bem, gênio. Eu tenho paciência. Temos todo o tempo do mundo.

Itachi descansou a cabeça no ombro de Shisui, fechando os olhos. O calor que sentia agora era reconfortante, não mais confuso.

— Shisui? — Itachi chamou após um tempo.

— Sim?

— Se essa "técnica" é uma resposta aos seus sentimentos... — Itachi hesitou, as orelhas ficando vermelhas. — ...significa que eu deveria tentar retribuir de alguma forma?

Shisui sentiu o coração disparar novamente. Ele se afastou um pouco para olhar para Itachi, vendo a seriedade nos olhos do namorado. Itachi estava sendo sincero. Ele queria aprender.

— Só se você se sentir confortável, Itachi. Não há pressa.

Itachi assentiu solenemente.

— Eu gostaria de entender. Não como um experimento, mas... porque é você.

Shisui sentiu que poderia derreter ali mesmo. A inocência de Itachi era, ao mesmo tempo, sua maior barreira e sua característica mais adorável. Ele se inclinou e beijou a ponta do nariz de Itachi.

— Então, vamos começar devagar — sugeriu Shisui. — Sem pressa, sem pergaminhos e, definitivamente, sem pensar em táticas de guerra.

— Entendido — disse Itachi, permitindo-se um pequeno e raro sorriso. — Mas, Shisui?

— Sim?

— Se você sentir necessidade de usar o banheiro novamente... eu prometo não perguntar sobre o fogo na cozinha.

Shisui riu, uma risada aberta e honesta que ecoou pelo quarto silencioso.

— Obrigado, Itachi. Isso já é um grande progresso.

E ali, sob a proteção da noite e o silêncio do clã, o prodígio que tudo sabia começou a aprender a lição mais complexa de todas: aquela que não se lê, mas se sente na ponta dos dedos e no calor de um toque compartilhado. Itachi ainda era inocente, mas, com Shisui ao seu lado, ele estava finalmente começando a descobrir que o mundo era muito maior — e muito mais quente — do que qualquer missão de Rank S poderia ensinar.
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