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Narusasu

Fandom: Naruto

Criado: 13/06/2026

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RomanceDor/ConfortoFofuraHistória DomésticaCenário CanônicoDramaEstudo de PersonagemAngústiaDivergência
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Além do Horizonte das Sombras

A poeira da Quarta Grande Guerra Ninja ainda parecia assentar sobre o mundo, mas para Naruto Uzumaki, o silêncio era o som mais ensurdecedor de todos. Ele estava parado nos portões de Konoha, observando a figura solitária de capa escura que se afastava sob o sol poente. Sasuke Uchiha estava partindo novamente. Desta vez, não como um renegado, mas como um homem em busca de redenção.

O peito de Naruto apertou. Ele havia passado anos perseguindo aquelas costas, quebrando ossos e derramando lágrimas para trazer Sasuke de volta à luz. E agora que ele finalmente estava ali, livre de ódios ancestrais e maldições, ele estava indo embora de novo.

— Você não vai simplesmente deixá-lo ir, vai? — A voz de Sakura ecoou atrás dele, suave e triste.

Naruto não respondeu. Ele apenas começou a correr.

Ele não usou o Modo Sábio ou o chakra de Kurama. Ele correu com suas próprias pernas, sentindo o impacto de suas sandálias no solo batido, o vento chicoteando seu rosto e o braço enfaixado pesando levemente ao lado do corpo. Ele alcançou Sasuke a alguns quilômetros da vila, onde a floresta se tornava mais densa e as sombras se alongavam.

— Sasuke! — gritou Naruto, sua voz rouca e vibrante, cortando a quietude da tarde.

O Uchiha parou. Ele não se virou imediatamente, mas seus ombros ficaram tensos. Naruto parou a poucos metros de distância, ofegante, as mãos nos joelhos.

— Eu sabia que você viria — disse Sasuke, sua voz baixa e monocórdica, mas sem a frieza de outrora. — Você é barulhento demais para me deixar partir em paz.

— E você é teimoso demais para perceber que não precisa fazer isso sozinho! — Naruto se endireitou, limpando o suor da testa. — A guerra acabou, Sasuke. Nós vencemos. Por que você tem que ir embora agora que finalmente estamos do mesmo lado?

Sasuke finalmente se virou. O Rinnegan e o Sharingan estavam ocultos sob o cabelo, mas o olhar que ele lançou a Naruto era intenso, carregado de uma melancolia que ele não mostrava a mais ninguém. Para o mundo, Sasuke era o vingador frio ou o herói redimido; para Naruto, ele era apenas Sasuke.

— Meus pecados não desaparecem porque o mundo está em paz, Naruto — explicou Sasuke, dando um passo à frente. — Eu preciso ver o mundo com meus próprios olhos, sem o filtro do ódio. Eu preciso entender quem eu sou sem o peso do nome Uchiha me esmagando.

— Mas você pode fazer isso em casa! — Naruto deu um passo impetuoso, diminuindo a distância entre eles. — Eu prometi que traria você de volta, e eu trouxe. Mas eu não trouxe você de volta para ser um fantasma que vaga pelas estradas. Eu trouxe você de volta porque... porque eu preciso de você aqui!

Houve um silêncio pesado. O vento sussurrou entre as folhas das árvores, e o sol mergulhou mais fundo no horizonte, tingindo o céu de laranja e púrpura. Sasuke olhou para Naruto, realmente olhou para ele, notando a determinação feroz naqueles olhos azuis que nunca haviam desistido dele.

— Por que, Naruto? — perguntou Sasuke, sua voz falhando por um breve segundo. — Por que você foi tão longe por mim? Eu tentei te matar. Eu cortei nossos laços tantas vezes que eles deveriam ter virado pó.

Naruto soltou uma risada curta, sem humor, e deu mais um passo, parando a centímetros de Sasuke. O calor que emanava de Naruto era quase palpável, uma contrapartida direta à aura fria e contida do Uchiha.

— Porque dói — disse Naruto, sua voz subitamente baixa e séria, perdendo todo o tom brincalhão. — Dói mais do que qualquer ferida que você já me causou. Ver você sozinho, carregando toda aquela escuridão... eu sentia isso em mim também. A gente é igual, Sasuke. Eu sempre soube disso. Mas é mais do que isso agora.

Sasuke sentiu o coração acelerar, uma sensação que ele raramente permitia que aflorasse.

— O que você está tentando dizer, seu idiota? — Sasuke desviou o olhar, mas não se afastou.

— Eu estou dizendo que eu amo você! — Naruto gritou, sua voz ecoando pela floresta, assustando alguns pássaros próximos. — Eu amo você de um jeito que me deixa louco. Eu passei anos pensando em como te trazer de volta, em como te fazer sorrir de novo. Eu não quero ser o Hokage se você não estiver lá para ver. Eu não quero um futuro onde você seja apenas uma lembrança.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Naruto estava trêmulo, a respiração errática, o rosto vermelho não só pelo esforço, mas pela exposição crua de sua alma. Ele esperava qualquer coisa: um soco, um xingamento, ou que Sasuke simplesmente desse as costas e fosse embora para sempre.

Em vez disso, ele sentiu uma mão agarrar a frente de sua jaqueta laranja.

Sasuke o puxou com força, eliminando o último espaço entre eles. O beijo foi desesperado, uma colisão de anos de saudade, dor e um afeto que nenhum dos dois sabia como expressar com palavras. Tinha gosto de sal e de urgência. Naruto soltou um som abafado de surpresa, mas imediatamente envolveu a cintura de Sasuke com seu braço, trazendo-o para mais perto, como se temesse que ele pudesse se dissolver em fumaça.

Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. A testa de Sasuke repousava contra a de Naruto, seus olhos fechados.

— Você é um idiota, Naruto — sussurrou Sasuke, a voz embargada. — Um idiota barulhento e irritante.

— E você me ama por isso — rebateu Naruto, abrindo um sorriso largo e úmido, as lágrimas finalmente escapando.

— Eu amo — admitiu Sasuke, e a confissão pareceu tirar um peso imenso de seus ombros. — Eu tentei odiar você porque era mais fácil. Amar você... amar você me tornava fraco. Ou era o que eu pensava. Mas no Vale do Fim, quando vi que você estava disposto a morrer comigo só para não me deixar sozinho... eu percebi que essa era a minha única força real.

Naruto soluçou, escondendo o rosto no pescoço de Sasuke. O cheiro de Sasuke — floresta e algo metálico, como chuva — o inundou, trazendo uma paz que ele não sentia desde que eram crianças no Time 7.

— Então não vá — pediu Naruto contra a pele dele. — Fique comigo.

Sasuke suspirou, passando a mão única pelos cabelos espetados de Naruto, um gesto de carinho que ele nunca se permitira antes.

— Eu preciso ir, Naruto. Não para fugir de você, mas para poder voltar para você por inteiro. Se eu ficar agora, serei apenas uma sombra do que posso ser. Eu preciso encontrar minha própria paz para poder ser digno da luz que você emana.

Naruto se afastou um pouco, olhando nos olhos de Sasuke. Ele viu a sinceridade ali, a vulnerabilidade que Sasuke só mostrava a ele.

— Promete? — perguntou Naruto, estendendo o dedo mindinho, um gesto infantil que arrancou um meio sorriso genuíno de Sasuke.

— Eu prometo — disse Sasuke. Ele não entrelaçou o mindinho, mas em vez disso, tocou a testa de Naruto com dois dedos, o gesto que Itachi costumava fazer. — Eu voltarei. E quando eu voltar, não haverá mais sombras entre nós.

Naruto sorriu, o tipo de sorriso que poderia iluminar uma nação inteira. Ele sabia que a jornada de Sasuke era necessária, e pela primeira vez, ele não sentia que estava perdendo o amigo. Ele estava apenas esperando pelo retorno de sua outra metade.

— É bom mesmo — disse Naruto, recuperando seu tom barulhento enquanto limpava as lágrimas com a manga da jaqueta. — Porque eu vou me tornar Hokage enquanto você estiver fora, e vou preparar o melhor banquete de ramen da história para quando você chegar!

Sasuke soltou uma risada baixa, uma raridade que fez o coração de Naruto dar saltos.

— Veremos, Naruto. Veremos.

Eles ficaram ali por mais algum tempo, trocando promessas silenciosas sob o crepúsculo. Quando Sasuke finalmente se virou para seguir seu caminho, ele não parecia mais um homem carregando o mundo nas costas. Ele caminhava com leveza.

Naruto o observou até que ele fosse apenas um ponto no horizonte. Ele sabia que a estrada seria longa e que haveria dias de solidão, mas agora, havia um fio invisível que os conectava, mais forte do que qualquer jutsu ou linhagem sanguínea.

— Eu vou te esperar, Sasuke — murmurou Naruto para o vento.

E, pela primeira vez na vida, ele sabia que a resposta voltaria com a brisa da manhã.
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