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Fandom: Naruto

Criado: 13/06/2026

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RomanceDramaAçãoCenário CanônicoLinguagem ExplícitaEstudo de PersonagemDivergência
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Areia Escaldante e Argila Explosiva

O deserto era um mar de silêncio interrompido apenas pelo som rítmico dos passos sobre a areia. O sol do meio-dia castigava a paisagem, mas para Gaara, o Kazekage de Suna, o calor era um velho conhecido. Suas costas carregavam a pesada cabaça de areia, e seus olhos verdes, cercados por olheiras profundas, mantinham-se fixos na estrada à frente.

Atrás dele, com as mãos presas por algemas de selamento de chakra especialmente forjadas em Iwagakure, caminhava Deidara. O renegado da Akatsuki estava incomumente quieto, embora a expressão em seu rosto fosse de puro desdém. Sua franja loira caía sobre o olho esquerdo, e ele chutava a areia com irritação a cada poucos passos.

— Sabe, Kazekage... — começou Deidara, sua voz carregada de sarcasmo. — Ser escoltado pessoalmente pelo líder de uma vila é uma honra que eu dispensaria. Preferia ter explodido você naquela luta em vez de estar sendo levado de volta para aquele buraco que chamam de Vila da Pedra.

Gaara não se virou. Sua voz era calma, quase gélida.

— Você cometeu crimes contra a sua vila de origem e contra as Nações Unidas. O Tsuchikage exigiu sua custódia para o julgamento final. Eu apenas estou garantindo que você chegue vivo.

— "Vivo" é um conceito relativo quando se trata de Iwa — resmungou Deidara, olhando para as próprias mãos inutilizadas. Sem argila e sem chakra, sua "arte" estava silenciada.

Eles estavam atravessando uma região de desfiladeiros rochosos na fronteira entre o País do Vento e o País da Terra. Era uma zona cinzenta, um labirinto de pedras altas que projetavam sombras longas e enganosas.

De repente, a areia aos pés de Gaara estremeceu.

— Fique parado — ordenou Gaara, a areia de sua cabaça já começando a vazar e flutuar ao redor deles como uma barreira defensiva.

— O que foi? Algum fã seu querendo autógrafo? — Deidara tentou rir, mas parou quando viu uma figura encapuzada surgir no topo de um dos desfiladeiros.

Não era um ninja comum. O estranho não usava protetor de testa e carregava um cajado adornado com fitas vermelhas e símbolos que Gaara não reconheceu imediatamente. Antes que o Kazekage pudesse atacar, o ninja realizou uma sequência rápida de selos.

— Estilo Oculto: Névoa dos Desejos Incendiários! — gritou o atacante.

Uma fumaça rosada e densa explodiu ao redor de Gaara e Deidara. Gaara reagiu instantaneamente, criando um escudo de areia em forma de cúpula para protegê-los, mas a névoa era diferente de qualquer veneno físico. Ela não penetrava pelos pulmões; ela parecia se infiltrar diretamente pelos poros e pelo sistema circulatório de chakra.

— O que é isso? — Deidara tossiu, sentindo uma onda de calor súbita atingir seu estômago. — Cheira a flores... e algo doce demais.

Gaara sentiu seu controle sobre a areia fraquejar. Por um momento, a barreira oscilou e desmoronou, voltando para a cabaça. Ele caiu de joelhos, o coração batendo contra as costelas como um tambor frenético.

— É um genjutsu de área... misturado com substâncias alquímicas — sussurrou Gaara, sua respiração tornando-se pesada.

O atacante desapareceu tão rápido quanto surgiu, deixando apenas o rastro daquela névoa impregnada no ar e nos corpos dos dois homens. No deserto, o silêncio voltou, mas agora estava carregado de uma tensão elétrica e sufocante.

— Ei, Kazekage... — Deidara soltou um gemido baixo, caindo sentado na areia. — Eu estou me sentindo... estranho. Muito estranho.

Gaara tentou se levantar, mas suas pernas pareciam feitas de chumbo. O calor que sentia não vinha mais do sol. Era um incêndio interno, uma necessidade visceral que ele nunca havia experimentado. Como alguém que viveu a maior parte da vida isolado e temido, Gaara sempre teve um controle absoluto sobre suas emoções e impulsos. Mas aquele jutsu estava derretendo suas defesas.

— É um afrodisíaco — disse Gaara, a voz rouca, lutando para manter a compostura. — O jutsu foi projetado para incapacitar através da sobrecarga sensorial.

Deidara soltou uma risada nervosa, mas seus olhos azuis estavam dilatados e fixos no pescoço de Gaara.

— Um jutsu sexual? Que tipo de ninja pervertido faz isso? — Ele puxou o colarinho da própria capa da Akatsuki, buscando ar. — Hum... eu sinto como se meu sangue estivesse fervendo. E você não está ajudando, ficando aí parado com essa cara de santo.

Gaara olhou para o prisioneiro. As algemas de Deidara ainda estavam no lugar, mas o loiro se contorcia, as bocas em suas mãos abrindo e fechando involuntariamente, as línguas lambendo as palmas em busca de algo que não sabiam o que era.

— Precisamos... nos afastar — disse Gaara, embora seu corpo desse um passo na direção oposta, aproximando-se de Deidara.

— Me afastar? — Deidara se arrastou para trás até bater as costas em uma rocha. — Eu estou preso, esqueceu? E você é a única coisa aqui que não é feita de pedra ou areia.

O Kazekage se aproximou, a areia ao redor dele agitando-se de forma errática, respondendo ao seu estado emocional turbulento. Ele se ajoelhou na frente de Deidara. A proximidade permitiu que sentissem o calor emanando um do outro. O cheiro da névoa ainda estava neles, agindo como um catalisador.

— Eu não consigo... conter isso — admitiu Gaara, sua mão subindo trêmula para o rosto de Deidara.

Deidara inclinou a cabeça para o toque, fechando os olhos. O contato da pele fria de Gaara contra sua pele febril foi como um choque elétrico.

— Então não contenha — sussurrou Deidara, a arrogância substituída por uma urgência desesperada. — Se eu vou morrer em Iwa, que pelo menos eu exploda com estilo uma última vez.

Gaara puxou Deidara pelo colarinho, eliminando a distância entre eles. O beijo foi caótico, uma colisão de dentes e línguas que refletia a luta interna de ambos contra o feitiço. O Kazekage, sempre tão contido, agora agia por puro instinto, suas mãos descendo para os quadris de Deidara, puxando-o para mais perto.

— Droga, Gaara... — arquejou Deidara contra os lábios do ruivo. — Essas algemas... tire isso.

Gaara hesitou por meio segundo. Sua mente lógica dizia que libertar um criminoso de alto nível era traição. Mas o jutsu não permitia lógica. Com um movimento rápido de chakra, ele desfez o selo das algemas.

As mãos de Deidara estavam livres. Ele não as usou para atacar. Em vez disso, ele as enterrou nos cabelos ruivos de Gaara, puxando-o para mais perto, enquanto as bocas em suas mãos começaram a percorrer a pele do pescoço do Kazekage, criando sensações que faziam Gaara soltar gemidos baixos e guturais.

— Você é muito mais quente do que parece — provocou Deidara, embora sua voz estivesse embargada.

Gaara não respondeu com palavras. Ele empurrou Deidara contra a areia macia que ele mesmo havia providenciado para amortecer a queda. Suas roupas foram descartadas com pressa, a urgência sobrepujando qualquer pudor. Sob o céu vasto e o sol que começava a baixar, os dois inimigos se tornaram apenas dois corpos buscando alívio em meio ao delírio provocado pelo jutsu.

Cada toque era amplificado. Quando Gaara passava as mãos pelo corpo esguio e marcado de Deidara, o loiro arqueava as costas, a pele brilhando de suor. A areia ao redor deles subia em pequenas espirais, criando uma barreira de privacidade contra o mundo exterior, um casulo de proteção que Gaara mantinha inconscientemente.

— Isso... — Deidara ofegou, as unhas cravando-se nos ombros de Gaara enquanto o Kazekage se movia contra ele com uma intensidade avassaladora. — Isso é... uma arte... verdadeira.

Gaara sentia que estava perdendo sua identidade, fundindo-se com o calor e com o homem abaixo dele. A solidão que o acompanhara por anos parecia, naquele momento, ser preenchida por uma explosão de sensações que ele nunca permitira a si mesmo imaginar.

— Deidara... — O nome saiu como uma prece dos lábios de Gaara.

Eles se perderam um no outro por um tempo que pareceu eterno. O deserto, antes um campo de batalha ou uma rota de transporte, transformou-se no palco de uma união improvável e frenética. O jutsu agia como uma maré, subindo e descendo, empurrando-os para o limite de seus sentidos.

Quando o sol finalmente tocou o horizonte, tingindo o céu de laranja e roxo, a névoa rosada havia se dissipado completamente. O efeito do jutsu começou a minguar, deixando para trás apenas a exaustão e o peso da realidade.

Gaara estava deitado de lado, a respiração voltando ao normal. Deidara estava ao seu lado, olhando para o céu, o cabelo loiro espalhado pela areia como fios de ouro. O silêncio que se seguiu não era mais tenso, mas sim carregado de uma estranha compreensão.

— Então... — Deidara quebrou o silêncio, sua voz ainda um pouco trêmula. — Acho que isso conta como um incidente diplomático, hum?

Gaara sentou-se, recuperando sua túnica. Ele não olhou para Deidara imediatamente. Sua expressão estava voltando à neutralidade habitual, mas havia algo diferente em seus olhos — uma suavidade que não estava lá antes.

— Foi um ataque inimigo — disse Gaara, finalmente olhando para o loiro. — Fomos vítimas de um jutsu de manipulação.

Deidara soltou uma risada curta, sentando-se também. Ele olhou para os próprios pulsos, onde as marcas das algemas ainda estavam visíveis, e depois para as mãos de Gaara.

— Um jutsu de manipulação, claro. É uma boa desculpa para o conselho de Suna. Mas nós dois sabemos que aquela "explosão" não foi só culpa da névoa.

Gaara permaneceu em silêncio por um momento. Ele estendeu a mão e, por um breve segundo, tocou o rosto de Deidara de forma quase terna.

— Eu vou levá-lo para Iwa. É o meu dever.

Deidara suspirou, mas não recuou do toque.

— Eu sei. E eu vou tentar fugir assim que cruzarmos a fronteira. É o meu estilo.

Gaara levantou-se e ofereceu a mão para ajudar Deidara a se erguer. Quando o loiro aceitou, o Kazekage o puxou para perto, falando baixo, apenas para ele ouvir.

— Se você fugir... certifique-se de que eu não seja o único enviado para caçá-lo novamente. Porque da próxima vez, pode não haver névoa para culpar.

Deidara sorriu, um sorriso genuíno e desafiador.

— Vou levar isso em conta, Kazekage.

Gaara pegou as algemas de selamento da areia. Por um momento, ele hesitou antes de prendê-las novamente nos pulsos de Deidara. O selo foi reativado, e o fluxo de chakra de Deidara foi novamente contido.

— Temos que continuar — disse Gaara, voltando a caminhar em direção ao norte. — O Tsuchikage está esperando.

Deidara seguiu-o, caminhando com uma leveza que não possuía antes. Ele olhou para as costas de Gaara, para a cabaça de areia e para o símbolo de "Amor" tatuado na testa do ruivo.

— Ei, Gaara! — chamou Deidara.

O Kazekage parou e olhou por cima do ombro.

— O que foi?

— Aquilo... — Deidara fez um gesto vago com a cabeça para o lugar onde estavam deitados minutos antes. — Foi uma arte efêmera, mas admito... teve o seu valor.

Gaara não sorriu, mas seus olhos brilharam por um instante sob a luz do crepúsculo.

— Vamos logo.

Eles continuaram a jornada pelo deserto. Dois ninjas, dois inimigos, unidos por um momento de loucura induzida que, no fundo, sabiam que havia mudado algo entre eles para sempre. A areia guardaria o segredo daquela tarde, escondendo sob suas dunas a prova de que, mesmo entre o gelo e a explosão, existia um calor capaz de consumir tudo o que encontrava pelo caminho.
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