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The Queen

Fandom: The Lion king

Criado: 14/06/2026

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Sombras e Garras sob o Luar de Pride Rock

O calor residual da savana ainda pulsava contra o ventre de Ray enquanto ela se espreguiçava sobre uma das saliências rochosas mais altas da Pedra do Reino. O sol havia se posto, deixando para trás um rastro de violeta e carmesim, mas para Ray, o dia estava apenas começando. Como parte da guarda privada de Simba e Nala, sua função era garantir que nenhum perigo — ou curiosos indesejados — se aproximasse dos aposentos reais.

Ela lambeu uma das patas dianteiras com uma lentidão deliberada, seus olhos amarelados brilhando com uma frieza que intimidava até os leões mais experientes do bando. Ray não era conhecida por sua empatia. Na verdade, ela sentia um prazer quase pecaminoso em ver o medo nos olhos de quem ousava desafiar as fronteiras.

— Você está sendo negligente, Ray. — A voz de Simba ecoou atrás dela, profunda e autoritária.

Ray não se virou imediatamente. Ela deixou o silêncio pairar, um pequeno jogo de poder que ela adorava jogar, antes de girar o pescoço com uma elegância letal. O rei estava ali, sua juba ruiva despenteada pelo vento noturno, a musculatura tensa sob a pele dourada.

— Negligente, Majestade? — Ray soltou um riso baixo, quase um ronronar sarcástico. — Eu diria que estou apenas apreciando a vista. E que vista magnífica o senhor oferece esta noite.

Simba franziu o cenho, mas não recuou. Havia uma tensão estranha entre eles, algo que ia além do dever. Ray se levantou, caminhando ao redor dele com passos silenciosos, sua cauda roçando levemente o flanco do leão.

— A guarda privada deveria estar vigiando as fronteiras leste, não admirando o rei como se ele fosse uma presa — disse Simba, embora sua voz tivesse perdido um pouco da firmeza inicial.

— Oh, mas você é uma presa, Simba — sussurrou Ray, parando bem diante dele, focinho a focinho. — Apenas uma que ainda não percebeu que a armadilha já fechou.

Ela soltou uma risada curta e seca quando viu o brilho de incerteza nos olhos dele. Ray adorava desestabilizar os outros. Para ela, a moralidade era uma sugestão e a etiqueta real era apenas um obstáculo para o que realmente importava: o controle.

— Nala está esperando por você — continuou ela, a voz carregada de um deboche sutil. — Mas se quiser ficar aqui e discutir minha "negligência", eu ficaria feliz em mostrar exatamente o quão... dedicada eu posso ser.

Simba soltou um rosnado baixo, mas não era de raiva. Era algo mais primitivo.

— Você joga um jogo perigoso, Ray.

— Perigo é a única coisa que me mantém acordada, Simba — respondeu ela, lambendo o próprio lábio superior de forma lenta. — Agora vá. Antes que eu decida que o rei precisa de uma lição de etiqueta que ele não esquecerá tão cedo.

Simba se afastou, mas Ray notou como ele hesitou por um segundo antes de descer para a caverna principal. Ela sorriu, as presas brilhando sob a luz da lua.

A noite avançou e o ar se tornou mais denso. Ray desceu de seu posto, movendo-se pelas sombras da Pedra do Reino. Ela gostava de observar o bando enquanto dormiam. Havia algo de vulnerável e quase ridículo em ver predadores tão poderosos entregues ao sono, totalmente nus diante do mundo, sem as defesas que o ego lhes proporcionava durante o dia.

Ela encontrou Nala perto da entrada de uma das câmaras menores. A rainha estava deitada, sua pelagem clara quase prateada sob o luar. Nala abriu os olhos assim que sentiu a presença de Ray.

— Ele voltou perturbado — disse Nala, sem precisar de nomes.

Ray sentou-se, apoiando o peso nas patas traseiras, exibindo sua forma elegante e poderosa sem a menor ponta de timidez. Na savana, a nudez era a norma, mas Ray a usava como uma arma, uma forma de afirmar sua confiança absoluta.

— Simba se perturba com facilidade quando confrontado com a verdade — disse Ray, inclinando a cabeça. — Ele é um rei magnífico, Nala, mas às vezes esquece que o fogo que queima dentro de nós não pode ser contido por coroas.

Nala levantou-se e caminhou até Ray. A rainha era mais graciosa, mas Ray tinha uma crueza que desafiava a ordem real.

— Você gosta de provocar, não é? — Nala esticou o pescoço, cheirando o ar ao redor de Ray. — De sentir o poder que tem sobre os outros.

— Eu gosto de ver as máscaras caírem — admitiu Ray, seus olhos fixos nos de Nala. — E você, Majestade? O que você sente quando vê seu reino dormindo sob seus pés? Orgulho? Ou um desejo secreto de que algo... selvagem aconteça?

Nala soltou um suspiro que era quase um gemido. O calor entre as duas era palpável. Ray sentiu uma onde de sadismo percorrer sua espinha; ela adorava levar as pessoas ao limite da sanidade e da compostura.

— Você é uma criatura perversa, Ray — murmurou Nala, aproximando-se ainda mais, até que seus corpos quase se tocassem.

— Sou o que vocês precisam que eu seja — respondeu Ray, sua voz descendo para um tom perigosamente rouco. — Sou a sombra que guarda seus segredos. E sou a dor que faz vocês se sentirem vivos.

Ray esticou a língua e deu uma lambida lenta e firme no pescoço de Nala, sentindo a rainha estremecer. O contato era elétrico, carregado de uma tensão que as leis da savana raramente permitiam.

— Se Simba nos visse... — começou Nala, a respiração curta.

— Simba está ocupado demais tentando convencer a si mesmo de que é um santo — interrompeu Ray com um riso cruel. — Mas nós sabemos a verdade, não sabemos? No fundo, somos todos animais. E animais não têm vergonha.

Ray recuou um passo, deliciando-se com o olhar de desejo e confusão no rosto de Nala. Ela não queria apenas o ato físico; ela queria a alma, o controle total sobre a vontade da rainha.

— Vá para ele agora — ordenou Ray, sua voz fria novamente. — Leve esse calor para a cama real. Use-o para lembrá-lo de que ele é um leão, não um símbolo.

Nala hesitou, seus olhos brilhando com uma mistura de luxúria e indignação.

— Você se diverte com isso, não é? — perguntou a rainha.

— Imensamente — respondeu Ray, voltando a caminhar em direção à borda da rocha. — É o único motivo pelo qual eu ainda não matei metade deste bando. O tédio é o meu maior inimigo, Majestade.

Ray deixou Nala para trás e voltou para a noite. Ela encontrou um grupo de hienas tentando se esgueirar perto das bordas das Terras do Reino. Normalmente, ela apenas as expulsaria, mas esta noite ela estava se sentindo... inspirada.

— Ora, ora — disse ela, surgindo das sombras como um fantasma. As hienas congelaram, os olhos arregalados. — Parece que temos convidados para o jantar. O problema é que eu ainda não decidi quem será o prato principal.

As hienas começaram a rir nervosamente, aquele som agudo e irritante que Ray detestava.

— Nós só estávamos de passagem, guarda! — gaguejou uma delas.

Ray avançou, seus movimentos rápidos como um chicote. Em um piscar de olhos, ela tinha a hiena líder presa sob suas garras, a pressão apenas o suficiente para furar a pele, mas não para matar. Ela se inclinou, sussurrando no ouvido do animal trêmulo.

— Eu adoro o som que vocês fazem quando param de rir — disse ela, um sorriso sádico curvando seus lábios. — É um silêncio tão... puro.

Ela soltou a hiena com um empurrão violento.

— Corram. Se eu vir vocês novamente antes do amanhecer, eu vou me certificar de que a próxima coisa que vocês sintam seja o gosto do próprio medo.

As hienas fugiram em desabalada carreira, desaparecendo na escuridão. Ray limpou as garras na grama seca, sentindo uma satisfação fria. Ela olhou para cima, para as estrelas — os grandes reis do passado, como diziam as lendas.

— Espero que estejam assistindo — murmurou ela para o céu noturno. — Porque o show está apenas começando.

Ela voltou para a Pedra do Reino, onde o silêncio agora era quase absoluto. Ao passar pelo corredor que levava aos aposentos reais, ela ouviu sons abafados vindos de dentro. Simba e Nala. O ritmo da savana continuava, movido pelo desejo, pelo poder e pela escuridão que Ray tão bem representava.

Ela se deitou novamente em seu posto, o corpo relaxado, a mente afiada. Ela era a guarda privada, a sombra nos pés do trono, a leoa que não temia o fogo porque ela mesma era a chama que consumia.

— Durmam bem, minhas majestades — sussurrou ela para o vento, fechando os olhos com um sorriso predatório. — Amanhã, eu terei novos jogos para jogar.

A savana permaneceu em silêncio sob seu comando, uma vasta extensão de terra e carne, esperando pelo próximo capricho de sua protetora mais cruel. Ray não precisava de coroas ou títulos. Ela tinha o medo deles, e para ela, isso era mais doce do que qualquer reinado.

O sol eventualmente surgiria, trazendo consigo a luz que exporia a nudez de todos os seres vivos, mas Ray sabia que a verdadeira escuridão nunca ia embora. Ela apenas esperava, paciente, nas fendas da alma de cada leão que ousava se chamar de rei. E ela estaria lá, sempre, para lembrá-los de que, sob a pele e o orgulho, eles eram apenas animais famintos.

— Que dia adorável será amanhã — concluiu ela, mergulhando em um sono leve e perigoso, sonhando com o brilho do pânico nos olhos alheios.
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