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Abbie x miss circle

Fandom: FPE

Criado: 14/06/2026

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Atração Magnética e o Pânico de Papel

O corredor da Paper School parecia mais longo do que o normal naquele dia. Abbie caminhava com os ombros encolhidos, as mãos apertando as alças da mochila como se sua vida dependesse disso. Seus olhos grandes e alertas escaneavam cada armário, cada porta e cada sombra que se movia. Naquela escola, o perigo não vinha apenas das notas baixas, mas das professoras que pareciam saídas de um pesadelo.

O caule de maçã no topo de sua cabeça balançava conforme ele apressava o passo. Ele só queria encontrar um lugar calmo para respirar, longe dos gritos de Miss Circle ou das brincadeiras pesadas dos outros alunos. Foi então que ele viu uma porta entreaberta, uma que ele nunca tinha notado antes. Era uma sala escura, sem janelas, que parecia exalar um ar de mistério e, curiosamente, silêncio.

— Só um minuto... — sussurrou ele para si mesmo, a voz falhando. — Só preciso de um minuto de paz.

Ele empurrou a porta e entrou. O ambiente era dominado por sombras, mas ele conseguia distinguir grandes caixas metálicas presas às paredes. Eram painéis elétricos, cheios de fios e luzes indicadoras apagadas. O cheiro de ozônio e metal velho preenchia o ar. Abbie deu alguns passos hesitantes, sentindo o chão frio sob seus sapatos pretos.

De repente, um estalo alto ecoou pela sala.

ZUMMMMM!

Uma das caixas de eletricidade, pintada de um azul vibrante, acendeu-se subitamente. Faíscas azuis saltaram dos terminais e uma luz pulsante começou a iluminar o recinto de forma intermitente. Abbie deu um pulo, o coração disparando contra as costelas.

— Ai, meu Deus! — exclamou ele, recuando instintivamente. — Eu não devia estar aqui, eu não devia estar aqui!

Em seu pânico, ele não olhou para onde estava pisando. O chão daquela sala não era feito de madeira ou concreto comum, mas de placas metálicas foscas. Assim que o calcanhar de seu sapato direito tocou uma placa específica próxima ao gerador azul, um som metálico seco ressoou.

CLACK!

Abbie tentou levantar o pé, mas ele não se moveu. Era como se o chão tivesse criado mãos e agarrado seu sapato.

— O quê? — Ele puxou com mais força, o pânico subindo pela garganta. — Por favor, agora não!

Ele tentou usar o outro pé para ganhar alavancagem, mas assim que o pé esquerdo tocou o chão, o mesmo aconteceu. Seus sapatos, que possuíam pequenas placas de metal na sola para durabilidade, estavam agora firmemente selados ao piso magnético. O gerador azul estava criando um campo eletromagnético de alta intensidade, transformando o chão em um imã gigante.

— Não, não, não! — Abbie começou a suar frio. Suas pernas tremiam.

Ele tentou puxar o corpo para cima, mas o magnetismo era forte demais para sua estrutura franzina. Em um movimento desajeitado de luta, ele perdeu o equilíbrio. Seus braços giraram no ar, tentando encontrar algo onde se segurar, mas não havia nada além de ar e faíscas.

Com um baque surdo, Abbie caiu de bunda no chão metálico.

O impacto foi seco, mas o pior veio a seguir. O magnetismo não afetava apenas seus sapatos. O fecho de metal de sua bermuda branca, a fivela de seu cinto e até mesmo os botões metálicos ocultos em seu colete preto foram atraídos para baixo com uma força implacável.

— Ah! — Abbie soltou um gemido agudo, sentindo-se pregado ao chão.

Ele tentou se mover, tentando arrastar o corpo para longe da zona de influência do gerador azul, mas cada movimento parecia exigir o esforço de carregar um caminhão. Ele estava sentado, com as pernas esticadas e presas, e o quadril colado ao metal. O esforço fazia seu rosto queimar de vergonha e esforço.

— Por que essas coisas sempre acontecem comigo? — lamentou-se, sentindo as lágrimas picarem seus olhos. — Alguém... alguém me ajuda?

Ele olhou para a porta, que estava a apenas alguns metros de distância, mas parecia estar a quilômetros. Ele tentou girar o corpo, mas o atrito e a força magnética o mantinham em uma posição humilhante. Ele começou a imaginar o que aconteceria se Miss Circle entrasse ali e o visse naquela situação. Ela provavelmente riria antes de usar seu compasso gigante para "corrigir" sua desastrice.

— Eu preciso sair... eu preciso... — Ele tentou empurrar o chão com as mãos, mas suas mãos escorregavam no metal frio.

Abbie sentiu o rosto esquentar intensamente. Ele estava sozinho em uma sala escura, preso ao chão como um ímã de geladeira descartado, e a situação era tão absurda que ele se sentia ridículo. O caule de maçã em sua cabeça estava murcho, refletindo seu estado de espírito desesperado.

Ele tentou se sacudir, balançando o tronco para os lados na esperança de que o impulso quebrasse a atração magnética.

— Vamos... solta... solta! — gritava ele, a voz embargada.

A cada tentativa de se mover, o som do metal rangendo contra o metal ecoava na sala silenciosa. O gerador azul continuava a zumbir, parecendo zombar de sua fraqueza. Abbie parou por um momento, ofegante, o peito subindo e descendo rapidamente sob a camisa branca. Ele estava exausto e o medo de ser pego ali era maior do que a dor do impacto da queda.

— Se eu tirar os sapatos... — sussurrou ele, tendo uma ideia súbita.

Ele esticou as mãos para os cadarços, mas o magnetismo puxava seus braços para baixo devido aos pequenos detalhes metálicos em seus punhos. Era uma luta contra uma força invisível e onipresente. Ele conseguiu tocar o cadarço do sapato direito, mas antes que pudesse desamarrá-lo, o gerador azul soltou um estalo mais forte e a intensidade do brilho aumentou.

Abbie sentiu um puxão ainda mais forte. Seu corpo foi achatado contra o chão de forma ainda mais firme.

— Socorro! — ele finalmente gritou, perdendo toda a compostura. — Alguém me tira daqui! Eu prometo que vou estudar mais! Eu prometo que não vou mais me esconder!

O silêncio da escola parecia absoluto, quebrado apenas pelo zumbido elétrico. Abbie fechou os olhos com força, o rosto agora de um vermelho profundo de pura humilhação e terror. Ele estava preso, vulnerável e completamente à mercê da estranha física da Paper School.

Ele tentou uma última vez se arrastar, usando os cotovelos como alavancas. Ele conseguiu mover-se alguns milímetros, mas a exaustão o abateu. Ele deitou a cabeça no chão frio, sentindo-se pequeno e derrotado.

— Eu vou ficar aqui para sempre... — soluçou ele. — Vou virar parte da decoração da sala de máquinas...

Enquanto ele lamentava sua sorte, a luz do corredor pareceu mudar. Ele ouviu passos pesados se aproximando da porta entreaberta. O pânico de Abbie atingiu um novo patamar. Seria uma das professoras? Seria Lana ou Abbie? Ou pior, seria Alice?

— Tem alguém aí dentro? — Uma voz ecoou do corredor, soando curiosa e autoritária.

Abbie prendeu a respiração. Ele queria ser resgatado, mas a ideia de ser visto naquela posição, colado ao chão como um pedaço de papel molhado, era quase pior do que o destino de ser esquecido ali. Ele tentou se encolher, mas o magnetismo não permitia nem mesmo que ele se abraçasse adequadamente.

— Por favor, que não seja a Miss Circle... — rezou ele em um sussurro inaudível, enquanto a porta começava a se abrir lentamente, revelando uma silhueta alta contra a luz do corredor.

Abbie fechou os olhos, esperando pelo pior, enquanto o zumbido do gerador azul parecia atingir seu ápice, vibrando através de seus ossos e selando seu destino magnético naquela sala esquecida.
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