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O ódio atravessando o amor
Fandom: Engene - Enhypen
Criado: 14/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaCenário CanônicoLinguagem ExplícitaEstudo de Personagem
Frequências Desafinadas e Ritmos de Ódio
O estúdio de ensaio da HYBE parecia menor do que o habitual naquela noite, o ar saturado com o cheiro de madeira polida e o ozônio dos equipamentos eletrônicos ligados. Gabby ajustou o retorno de ouvido, sentindo o peso familiar da correia do baixo sobre o ombro. Ela encarou o próprio reflexo no espelho: um metro e sessenta de pura determinação, os cabelos escuros com leves luzes mel emoldurando um rosto que, naquele momento, transbordava irritação.
Do outro lado da sala, ajustando os punhos de sua camisa de treino preta, estava Park Sunghoon. O "Príncipe do Gelo" do ENHYPEN parecia fazer jus ao apelido, mantendo uma expressão de tédio absoluto que fazia o sangue de Gabby ferver.
Eles haviam sido selecionados para uma performance especial de colaboração: ela, a musicista e dançarina prodígio da equipe de suporte; ele, o idol de elite. O problema era que a química entre eles era tão volátil quanto nitroglicerina.
— Se você errar essa nota de novo, Gabby, vamos ficar aqui até o nascer do sol — disse Sunghoon, a voz fria cortando o silêncio do estúdio.
Gabby soltou uma risada seca, ajustando o volume no amplificador com um movimento brusco.
— Eu não errei a nota, Sunghoon. Eu mudei o arranjo para compensar o fato de que você entrou atrasado no segundo tempo do refrão. Talvez se você passasse menos tempo admirando seu próprio reflexo e mais tempo contando os tempos, estaríamos em sincronia.
Sunghoon se virou para ela, os olhos estreitos. Ele caminhou lentamente em sua direção, cada passo calculado, a aura de arrogância o precedendo.
— Eu sou um profissional. Eu não atraso — ele rebateu, parando a poucos centímetros dela. Ele era consideravelmente mais alto, forçando Gabby a inclinar a cabeça para trás para manter o contato visual. — Você é apenas teimosa. Acha que porque sabe tocar cinco instrumentos e dançar contemporâneo, pode ditar o ritmo para mim?
— Eu dito o ritmo porque eu sou o ritmo, Park — ela retrucou, a voz baixa e perigosa. — E se você não consegue acompanhar meus oitenta quilos de talento se movendo no palco, o problema é da sua falta de fôlego, não da minha técnica.
A tensão entre eles não era nova. Vinha de meses de trocas de farpas nos corredores, de olhares atravessados na cafeteria e de uma competição silenciosa para ver quem era o mais perfeccionista. Mas ali, sob as luzes fluorescentes e o silêncio da madrugada, o ódio parecia ter ganhado uma textura nova, mais densa.
— Vamos de novo — Sunghoon ordenou, voltando para o centro da sala. — Do topo. E tente não transformar a música em um funeral.
Gabby respirou fundo, fechando os olhos por um segundo para não avançar no pescoço dele. Ela posicionou os dedos nas cordas do baixo. O som grave e vibrante preencheu a sala, um pulso rítmico que reverberava no chão. Quando a batida eletrônica entrou, ela largou o instrumento no suporte e se juntou a ele no centro do estúdio para a transição de dança.
A coreografia era intensa, uma fusão de movimentos urbanos com a fluidez do contemporâneo. No início, eles se moviam como dois predadores se cercando. Gabby era ágil, seus movimentos carregavam uma força que contrastava com a elegância gélida de Sunghoon.
Em um momento de transição, ele precisou segurá-la pela cintura para um giro. As mãos dele, firmes e quentes, queimaram através da malha da blusa dela. O contato foi elétrico. Gabby sentiu um arrepio percorrer sua espinha, e por um milésimo de segundo, o ódio foi substituído por algo que ela se recusava a nomear.
Eles se separaram bruscamente, seguindo a sequência, mas o ar no estúdio havia mudado. Não era mais apenas sobre a dança. Era sobre a proximidade forçada, sobre o suor que brilhava na pele de ambos e sobre a respiração que ficava cada vez mais pesada.
— Você está tensa — sussurrou Sunghoon durante um passo em que seus rostos ficaram a centímetros de distância. — O que foi? O "grande talento" está perdendo a linha?
— Cala a boca — ela respondeu entre dentes, os olhos fixos nos dele.
A música chegou ao clímax. O passo final exigia que Sunghoon a puxasse para perto, as costas de Gabby coladas ao peito dele, enquanto ele inclinava o corpo dela levemente para trás. Quando o movimento aconteceu, o impacto foi maior do que o ensaiado. O corpo de Gabby encontrou o de Sunghoon com uma força que expulsou o ar de seus pulmões.
A música parou, mas nenhum deles se moveu.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Gabby conseguia sentir o coração de Sunghoon batendo contra suas costas, um ritmo frenético que desmentia sua expressão calma. A mão dele, ainda espalmada contra a cintura dela, apertou o tecido da camisa, os dedos se enterrando levemente em sua pele.
— Você me odeia tanto assim? — a voz dele saiu mais baixa, rouca, bem próxima ao ouvido dela.
Gabby sentiu o hálito quente dele em seu pescoço e fechou os olhos, lutando contra a sensação de que suas pernas poderiam ceder a qualquer momento.
— Com cada fibra do meu ser — ela respondeu, embora sua voz tenha saído menos firme do que pretendia.
Ela se virou nos braços dele, ainda presa pelo círculo que ele formava com o corpo. Agora, eles estavam frente a frente. A diferença de altura fazia com que ela tivesse que olhar para cima, encontrando olhos que não brilhavam mais com desprezo, mas com uma intensidade sombria e faminta.
— Engraçado — disse Sunghoon, dando um passo à frente, forçando-a a recuar até que suas costas batessem no espelho frio do estúdio. Ele colocou as mãos no vidro, uma de cada lado da cabeça dela, prendendo-a. — Porque eu sinto que esse ódio é a única coisa que me mantém acordado nesses ensaios.
— Então você admite que eu te afeto — Gabby provocou, tentando recuperar a pose, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas. — O grande Sunghoon perde o controle perto de mim?
Ele se inclinou mais, o rosto tão próximo que as pontas de seus narizes se roçaram. A tensão era quase palpável, uma corda esticada ao limite, pronta para arrebentar.
— Você não tem ideia do quanto — ele murmurou.
A mão de Sunghoon desceu do espelho e subiu pela lateral do braço de Gabby, parando em seu pescoço. O polegar dele traçou a linha do maxilar dela com uma lentidão torturante. Gabby sentiu um calor intenso subir por seu corpo. Ela deveria empurrá-lo, deveria dizer algo sarcástico, mas sua voz parecia ter morrido na garganta.
— Você fala demais, Gabby — ele continuou, os olhos descendo para os lábios dela e voltando para os olhos. — Mas quando você dança... quando você toca esse baixo... você parece querer me destruir.
— Talvez eu queira mesmo — ela sussurrou, as mãos subindo hesitantes para o peito dele, sentindo a firmeza dos músculos sob o tecido fino. — Talvez eu queira ver você perder essa máscara de perfeição.
Sunghoon soltou um riso curto, sem humor, e se aproximou ainda mais, eliminando qualquer espaço restante entre eles. O calor emanando de seus corpos criava uma bolha de eletricidade no estúdio vazio.
— Então tente — ele desafiou.
O desafio foi o estopim. Gabby puxou-o pela gola da camisa, e por um momento, o mundo parou. Eles não se beijaram, não ainda. Eles apenas ficaram ali, as respirações se misturando, os olhos travados em uma batalha de vontades. O ódio estava lá, vivo e pulsante, mas estava se transformando em algo muito mais perigoso: uma necessidade visceral.
— Você é insuportável — ela declarou, a voz trêmula.
— E você é a pessoa mais irritante que já conheci — ele rebateu, a mão no pescoço dela apertando levemente, puxando-a para mais perto.
— Eu não aguento o jeito que você me olha — Gabby continuou, a mão subindo para os cabelos escuros dele, os dedos se enroscando nos fios.
— Então feche os olhos — Sunghoon ordenou.
Mas nenhum dos dois fechou. Eles queriam ver o estrago que estavam causando um ao outro. Sunghoon deslizou a mão pela lateral do corpo de Gabby, sentindo as curvas que ele fingia ignorar durante o dia, mas que assombravam seus pensamentos à noite. A firmeza do corpo de dançarina dela, a força que ela emanava, tudo nele clamava por uma reação.
— Se alguém entrar... — ela começou, mas foi interrompida pelo polegar dele pressionando seu lábio inferior.
— Ninguém vai entrar. São três da manhã. Somos só nós, o seu baixo desafinado e o meu ego inflado.
Gabby soltou um som que era metade risada, metade suspiro. A tensão havia atingido um ponto de não retorno. O ódio que sentiam era a faísca, e o estúdio era o barril de pólvora.
— Eu ainda te odeio, Sunghoon — ela afirmou, embora seus dedos estivessem agora traçando o contorno da orelha dele.
— Ótimo — ele respondeu, o rosto descendo para o pescoço dela, onde ele deixou um beijo demorado e quente que a fez arquear as costas contra o espelho. — Continue me odiando. É muito mais interessante do que qualquer outra coisa que eu já senti.
Gabby sentiu os joelhos fraquejarem quando os dentes dele roçaram levemente sua pele. Ela agarrou os ombros dele, buscando equilíbrio. Aquele era o Park Sunghoon que ninguém via: intenso, possessivo e completamente desarmado de sua cortesia habitual.
— Você... — ela tentou falar, mas ele voltou a encará-la, a expressão agora carregada de uma urgência crua.
— O quê? Vai dizer que eu estou errado? Vai dizer que não sente esse peso entre nós toda vez que entramos nesta sala?
Gabby não respondeu com palavras. Ela simplesmente reduziu a distância mínima que restava e colou seus lábios nos dele.
O beijo não foi suave. Foi uma colisão. Foi a explosão de meses de frustração, insultos e desejo reprimido. Tinha gosto de desafio e de rendição ao mesmo tempo. Sunghoon a pressionou com mais força contra o espelho, as mãos agora possessivas, explorando cada centímetro das costas dela, enquanto Gabby o puxava para si como se ele fosse seu único oxigênio.
Eles se separaram apenas o suficiente para respirar, as testas encostadas, os peitos subindo e descendo em sincronia.
— Isso não muda nada — ela disse, a voz rouca, os lábios inchados.
Sunghoon deu um sorriso de lado, um brilho perigoso nos olhos.
— Eu sei. Amanhã eu ainda vou criticar seu tempo, e você ainda vai dizer que eu sou um robô sem alma.
— Exatamente — ela concordou, puxando-o novamente para baixo. — Mas agora... agora você vai calar a boca e me mostrar que esse seu título de príncipe serve para alguma coisa além de fotos de revista.
Sunghoon soltou uma risada sombria, as mãos descendo para as coxas de Gabby e a suspendendo com facilidade. Ela entrelaçou as pernas na cintura dele, sentindo a força do corpo dele sustentando o seu.
— Com prazer, Gabby. Com todo o prazer do mundo.
Naquela noite, as luzes do estúdio da HYBE permaneceram acesas por muito mais tempo do que o necessário. E entre o som da respiração ofegante e o reflexo de dois corpos entregues a uma tensão que não podia mais ser contida, o ódio e o desejo se tornaram indistinguíveis, criando uma melodia própria que nenhum deles jamais conseguiria esquecer.
Do outro lado da sala, ajustando os punhos de sua camisa de treino preta, estava Park Sunghoon. O "Príncipe do Gelo" do ENHYPEN parecia fazer jus ao apelido, mantendo uma expressão de tédio absoluto que fazia o sangue de Gabby ferver.
Eles haviam sido selecionados para uma performance especial de colaboração: ela, a musicista e dançarina prodígio da equipe de suporte; ele, o idol de elite. O problema era que a química entre eles era tão volátil quanto nitroglicerina.
— Se você errar essa nota de novo, Gabby, vamos ficar aqui até o nascer do sol — disse Sunghoon, a voz fria cortando o silêncio do estúdio.
Gabby soltou uma risada seca, ajustando o volume no amplificador com um movimento brusco.
— Eu não errei a nota, Sunghoon. Eu mudei o arranjo para compensar o fato de que você entrou atrasado no segundo tempo do refrão. Talvez se você passasse menos tempo admirando seu próprio reflexo e mais tempo contando os tempos, estaríamos em sincronia.
Sunghoon se virou para ela, os olhos estreitos. Ele caminhou lentamente em sua direção, cada passo calculado, a aura de arrogância o precedendo.
— Eu sou um profissional. Eu não atraso — ele rebateu, parando a poucos centímetros dela. Ele era consideravelmente mais alto, forçando Gabby a inclinar a cabeça para trás para manter o contato visual. — Você é apenas teimosa. Acha que porque sabe tocar cinco instrumentos e dançar contemporâneo, pode ditar o ritmo para mim?
— Eu dito o ritmo porque eu sou o ritmo, Park — ela retrucou, a voz baixa e perigosa. — E se você não consegue acompanhar meus oitenta quilos de talento se movendo no palco, o problema é da sua falta de fôlego, não da minha técnica.
A tensão entre eles não era nova. Vinha de meses de trocas de farpas nos corredores, de olhares atravessados na cafeteria e de uma competição silenciosa para ver quem era o mais perfeccionista. Mas ali, sob as luzes fluorescentes e o silêncio da madrugada, o ódio parecia ter ganhado uma textura nova, mais densa.
— Vamos de novo — Sunghoon ordenou, voltando para o centro da sala. — Do topo. E tente não transformar a música em um funeral.
Gabby respirou fundo, fechando os olhos por um segundo para não avançar no pescoço dele. Ela posicionou os dedos nas cordas do baixo. O som grave e vibrante preencheu a sala, um pulso rítmico que reverberava no chão. Quando a batida eletrônica entrou, ela largou o instrumento no suporte e se juntou a ele no centro do estúdio para a transição de dança.
A coreografia era intensa, uma fusão de movimentos urbanos com a fluidez do contemporâneo. No início, eles se moviam como dois predadores se cercando. Gabby era ágil, seus movimentos carregavam uma força que contrastava com a elegância gélida de Sunghoon.
Em um momento de transição, ele precisou segurá-la pela cintura para um giro. As mãos dele, firmes e quentes, queimaram através da malha da blusa dela. O contato foi elétrico. Gabby sentiu um arrepio percorrer sua espinha, e por um milésimo de segundo, o ódio foi substituído por algo que ela se recusava a nomear.
Eles se separaram bruscamente, seguindo a sequência, mas o ar no estúdio havia mudado. Não era mais apenas sobre a dança. Era sobre a proximidade forçada, sobre o suor que brilhava na pele de ambos e sobre a respiração que ficava cada vez mais pesada.
— Você está tensa — sussurrou Sunghoon durante um passo em que seus rostos ficaram a centímetros de distância. — O que foi? O "grande talento" está perdendo a linha?
— Cala a boca — ela respondeu entre dentes, os olhos fixos nos dele.
A música chegou ao clímax. O passo final exigia que Sunghoon a puxasse para perto, as costas de Gabby coladas ao peito dele, enquanto ele inclinava o corpo dela levemente para trás. Quando o movimento aconteceu, o impacto foi maior do que o ensaiado. O corpo de Gabby encontrou o de Sunghoon com uma força que expulsou o ar de seus pulmões.
A música parou, mas nenhum deles se moveu.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Gabby conseguia sentir o coração de Sunghoon batendo contra suas costas, um ritmo frenético que desmentia sua expressão calma. A mão dele, ainda espalmada contra a cintura dela, apertou o tecido da camisa, os dedos se enterrando levemente em sua pele.
— Você me odeia tanto assim? — a voz dele saiu mais baixa, rouca, bem próxima ao ouvido dela.
Gabby sentiu o hálito quente dele em seu pescoço e fechou os olhos, lutando contra a sensação de que suas pernas poderiam ceder a qualquer momento.
— Com cada fibra do meu ser — ela respondeu, embora sua voz tenha saído menos firme do que pretendia.
Ela se virou nos braços dele, ainda presa pelo círculo que ele formava com o corpo. Agora, eles estavam frente a frente. A diferença de altura fazia com que ela tivesse que olhar para cima, encontrando olhos que não brilhavam mais com desprezo, mas com uma intensidade sombria e faminta.
— Engraçado — disse Sunghoon, dando um passo à frente, forçando-a a recuar até que suas costas batessem no espelho frio do estúdio. Ele colocou as mãos no vidro, uma de cada lado da cabeça dela, prendendo-a. — Porque eu sinto que esse ódio é a única coisa que me mantém acordado nesses ensaios.
— Então você admite que eu te afeto — Gabby provocou, tentando recuperar a pose, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas. — O grande Sunghoon perde o controle perto de mim?
Ele se inclinou mais, o rosto tão próximo que as pontas de seus narizes se roçaram. A tensão era quase palpável, uma corda esticada ao limite, pronta para arrebentar.
— Você não tem ideia do quanto — ele murmurou.
A mão de Sunghoon desceu do espelho e subiu pela lateral do braço de Gabby, parando em seu pescoço. O polegar dele traçou a linha do maxilar dela com uma lentidão torturante. Gabby sentiu um calor intenso subir por seu corpo. Ela deveria empurrá-lo, deveria dizer algo sarcástico, mas sua voz parecia ter morrido na garganta.
— Você fala demais, Gabby — ele continuou, os olhos descendo para os lábios dela e voltando para os olhos. — Mas quando você dança... quando você toca esse baixo... você parece querer me destruir.
— Talvez eu queira mesmo — ela sussurrou, as mãos subindo hesitantes para o peito dele, sentindo a firmeza dos músculos sob o tecido fino. — Talvez eu queira ver você perder essa máscara de perfeição.
Sunghoon soltou um riso curto, sem humor, e se aproximou ainda mais, eliminando qualquer espaço restante entre eles. O calor emanando de seus corpos criava uma bolha de eletricidade no estúdio vazio.
— Então tente — ele desafiou.
O desafio foi o estopim. Gabby puxou-o pela gola da camisa, e por um momento, o mundo parou. Eles não se beijaram, não ainda. Eles apenas ficaram ali, as respirações se misturando, os olhos travados em uma batalha de vontades. O ódio estava lá, vivo e pulsante, mas estava se transformando em algo muito mais perigoso: uma necessidade visceral.
— Você é insuportável — ela declarou, a voz trêmula.
— E você é a pessoa mais irritante que já conheci — ele rebateu, a mão no pescoço dela apertando levemente, puxando-a para mais perto.
— Eu não aguento o jeito que você me olha — Gabby continuou, a mão subindo para os cabelos escuros dele, os dedos se enroscando nos fios.
— Então feche os olhos — Sunghoon ordenou.
Mas nenhum dos dois fechou. Eles queriam ver o estrago que estavam causando um ao outro. Sunghoon deslizou a mão pela lateral do corpo de Gabby, sentindo as curvas que ele fingia ignorar durante o dia, mas que assombravam seus pensamentos à noite. A firmeza do corpo de dançarina dela, a força que ela emanava, tudo nele clamava por uma reação.
— Se alguém entrar... — ela começou, mas foi interrompida pelo polegar dele pressionando seu lábio inferior.
— Ninguém vai entrar. São três da manhã. Somos só nós, o seu baixo desafinado e o meu ego inflado.
Gabby soltou um som que era metade risada, metade suspiro. A tensão havia atingido um ponto de não retorno. O ódio que sentiam era a faísca, e o estúdio era o barril de pólvora.
— Eu ainda te odeio, Sunghoon — ela afirmou, embora seus dedos estivessem agora traçando o contorno da orelha dele.
— Ótimo — ele respondeu, o rosto descendo para o pescoço dela, onde ele deixou um beijo demorado e quente que a fez arquear as costas contra o espelho. — Continue me odiando. É muito mais interessante do que qualquer outra coisa que eu já senti.
Gabby sentiu os joelhos fraquejarem quando os dentes dele roçaram levemente sua pele. Ela agarrou os ombros dele, buscando equilíbrio. Aquele era o Park Sunghoon que ninguém via: intenso, possessivo e completamente desarmado de sua cortesia habitual.
— Você... — ela tentou falar, mas ele voltou a encará-la, a expressão agora carregada de uma urgência crua.
— O quê? Vai dizer que eu estou errado? Vai dizer que não sente esse peso entre nós toda vez que entramos nesta sala?
Gabby não respondeu com palavras. Ela simplesmente reduziu a distância mínima que restava e colou seus lábios nos dele.
O beijo não foi suave. Foi uma colisão. Foi a explosão de meses de frustração, insultos e desejo reprimido. Tinha gosto de desafio e de rendição ao mesmo tempo. Sunghoon a pressionou com mais força contra o espelho, as mãos agora possessivas, explorando cada centímetro das costas dela, enquanto Gabby o puxava para si como se ele fosse seu único oxigênio.
Eles se separaram apenas o suficiente para respirar, as testas encostadas, os peitos subindo e descendo em sincronia.
— Isso não muda nada — ela disse, a voz rouca, os lábios inchados.
Sunghoon deu um sorriso de lado, um brilho perigoso nos olhos.
— Eu sei. Amanhã eu ainda vou criticar seu tempo, e você ainda vai dizer que eu sou um robô sem alma.
— Exatamente — ela concordou, puxando-o novamente para baixo. — Mas agora... agora você vai calar a boca e me mostrar que esse seu título de príncipe serve para alguma coisa além de fotos de revista.
Sunghoon soltou uma risada sombria, as mãos descendo para as coxas de Gabby e a suspendendo com facilidade. Ela entrelaçou as pernas na cintura dele, sentindo a força do corpo dele sustentando o seu.
— Com prazer, Gabby. Com todo o prazer do mundo.
Naquela noite, as luzes do estúdio da HYBE permaneceram acesas por muito mais tempo do que o necessário. E entre o som da respiração ofegante e o reflexo de dois corpos entregues a uma tensão que não podia mais ser contida, o ódio e o desejo se tornaram indistinguíveis, criando uma melodia própria que nenhum deles jamais conseguiria esquecer.
