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O ódio japones
Fandom: Engene - Enhypen
Criado: 14/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaHistória DomésticaLinguagem ExplícitaEstudo de PersonagemCenário CanônicoPWP (Enredo? Que enredo?)PsicológicoSombrioCiúmesUA (Universo Alternativo)Violência Gráfica
Entre o Ódio e o Ritmo
A porta do dormitório não apenas se fechou; ela pareceu selar o destino de Gabby da pior maneira possível. O espaço era pequeno demais para duas personalidades tão explosivas, e o ar já parecia rarefeito, saturado pelo desprezo mútuo que vinha sendo alimentado nos corredores da empresa nos últimos meses.
Gabby jogou sua mochila pesada na cama da esquerda, o impacto fazendo o colchão ranger. Ela passou a mão pelos cabelos escuros, cujas luzes discretas brilhavam sob a lâmpada fluorescente, e soltou um suspiro que era metade cansaço e metade puro ódio. Com seus 1,60m de altura, ela sabia que muitos a subestimavam, mas sua presença como dançarina e musicista era imponente o suficiente para fazer qualquer um recuar.
Qualquer um, menos ele.
— Tira essa merda de mochila daí agora — a voz de Ni-ki cortou o silêncio como uma lâmina fria.
Ele estava encostado no batente da janela, a silhueta de 1,86m bloqueando a pouca luz que vinha de fora. O cabelo preto, com mechas estrategicamente mais claras que caíam sobre os olhos, dava a ele um ar de vilão de anime que Gabby detestava profundamente.
— A cama é minha, o quarto é metade meu e eu coloco as minhas coisas onde eu bem entender, seu projeto de poste — Gabby retrucou, virando-se para encará-lo com o queixo erguido.
Ni-ki deu um passo à frente, a expressão de tédio dando lugar a uma irritação genuína.
— Você é uma anã abusada, não é? — Ele riu, um som seco e sem humor. — Eu não sei como a gerência achou que colocar uma amadora como você no mesmo teto que um profissional seria uma boa ideia. Você mal alcança o pedal do piano sem ajuda, imagina dividir espaço comigo.
— Amadora? — Gabby sentiu o sangue ferver. — Eu estava compondo e dançando antes de você aprender a falar coreano direito, seu moleque insolente. Você acha que porque tem milhões de fãs e essa altura toda, é intocável? Pra mim, você é só um pirralho que precisa de um choque de realidade.
— O único choque aqui vai ser a sua cara contra a parede se você não calar essa boca — Ni-ki sibilou, aproximando-se mais.
— Tenta a sorte, Ni-ki. Juro por Deus, eu te quebro no meio e uso suas pernas de baqueta.
Eles ficaram ali, a centímetros de distância. A diferença de altura era ridícula, mas Gabby não recuava um milímetro. Ela conseguia sentir o calor emanando dele, o cheiro de suor e perfume caro que sempre o acompanhava após os ensaios. O ódio era palpável, uma corda esticada ao máximo, prestes a arrebentar.
As semanas seguintes foram um inferno coreografado. No estúdio de dança, eles eram como dois predadores disputando território. Gabby, com suas curvas e seu centro de gravidade baixo, tinha uma força e uma precisão que irritavam Ni-ki, porque ele não conseguia encontrar falhas técnicas nela. Ele, por outro lado, movia-se com uma fluidez quase sobrenatural, cada movimento sendo uma afronta direta à existência de Gabby.
No quarto, a guerra era silenciosa e mesquinha. Ele deixava as roupas de treino suadas perto da mala dela; ela aumentava o volume do metrônomo enquanto ele tentava dormir.
— Você é patética — Ni-ki disse certa noite, jogando-se na cama dele enquanto Gabby revisava uma partitura. — Passa horas tentando acertar esse arranjo e ainda soa como lixo.
— E você passa horas na frente do espelho e continua com essa cara de quem chupou limão mofado — ela respondeu sem desviar os olhos do papel. — Vai se foder, Ni-ki. De verdade.
— Vai você. Se é que alguém teria coragem de chegar perto de uma metida a besta como você.
Gabby largou a caneta com força e se levantou.
— O que você disse?
Ni-ki levantou-se também, a altura dele mergulhando Gabby em uma sombra intimidadora.
— Você ouviu. Você é insuportável. Ninguém aguenta ficar no mesmo raio de dois metros de você sem querer te dar um soco ou sair correndo.
— Engraçado — ela deu um passo à frente, batendo o dedo no peito sólido dele —, porque você não sai de perto de mim. Vive me provocando, vive me olhando nos ensaios. Tá obcecado, é isso? Precisa de uma aula de como ser um ser humano decente ou só quer atenção?
Ni-ki segurou o pulso dela, os dedos longos e fortes fechando-se com firmeza.
— Obcecado por você? Não viaja. Eu sinto nojo de cada vez que tenho que respirar o mesmo ar que você.
— Então para de respirar! — ela gritou, tentando puxar o braço. — Me solta, seu idiota!
— Só quando você admitir que é uma fracassada que só está aqui por cota!
O insulto foi a gota d'água. Gabby não pensou; ela usou sua força de dançarina para empurrá-lo com tudo. Ni-ki, pego de surpresa, tropeçou para trás, mas não soltou o pulso dela, levando-a junto.
Eles caíram na cama dele com um baque surdo.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Gabby estava caída por cima dele, as mãos espalmadas no peito de Ni-ki, sentindo o coração dele martelar contra as costelas em um ritmo frenético. O rosto dela estava a poucos centímetros do dele. Ela conseguia ver as nuances das mechas claras em seu cabelo e a intensidade sombria em seus olhos escuros.
A raiva ainda estava lá, mas algo novo, denso e perigoso, começou a se infiltrar na atmosfera. A tensão que antes era puramente agressiva transformou-se em algo elétrico, uma estática que fazia os pelos dos braços de Gabby se arrepiarem.
Ni-ki não a empurrou. Suas mãos, que antes apertavam os pulsos dela com raiva, agora relaxaram, mas permaneceram ali, subindo lentamente pelos braços dela até alcançarem seus ombros.
— Sai de cima de mim — ele sussurrou, mas a voz não tinha a mesma aspereza de antes. Estava rouca, instável.
— Me obriga — Gabby desafiou, embora sua própria voz tivesse falhado.
Ela podia sentir o peso do corpo dele sob o seu, a firmeza de seus músculos. O ódio que sentia parecia ter se distorcido, tornando-se uma necessidade violenta de confrontá-lo de uma forma diferente. Ela odiava o jeito que ele a tratava, odiava a arrogância dele, mas, naquele momento, odiava ainda mais o fato de que seu corpo estava reagindo à proximidade dele.
Os olhos de Ni-ki desceram para os lábios de Gabby. Ele soltou um xingamento baixo em japonês, algo que soou como uma maldição e um desejo ao mesmo tempo.
— Você é a pessoa mais irritante que eu já conheci na minha vida — ele disse, a respiração quente batendo no rosto dela.
— E você é um desgraçado que eu adoraria nunca ter visto — ela retrucou, aproximando o rosto ainda mais, o desafio queimando em seus olhos.
— Então por que você ainda está aqui? — Ni-ki subiu uma das mãos para a nuca de Gabby, os dedos se enroscando nos fios escuros. — Por que não sai logo?
— Porque eu não fujo de nada. Especialmente de você.
Ni-ki soltou uma risada curta, quase um rosnado, e antes que Gabby pudesse processar, ele reduziu a distância restante.
O beijo não foi doce. Foi uma colisão. Foi a culminação de meses de insultos, de olhares atravessados e de uma competição feroz. Era carregado de dentes, de urgência e daquela mesma raiva que os definia, mas agora canalizada para um desejo avassalador.
Gabby soltou um gemido de frustração contra a boca dele, as mãos subindo para o cabelo de Ni-ki, puxando as mechas claras com força. Ele respondeu apertando a cintura dela, puxando-a para mais perto, se é que isso era possível, querendo apagar qualquer espaço entre seus corpos.
Eles se separaram por um segundo, ambos ofegantes, os rostos vermelhos e os lábios inchados.
— Eu te odeio tanto — Gabby sibilou, os olhos brilhando com uma mistura de fúria e luxúria.
— Eu te odeio mais — Ni-ki respondeu, a voz vibrando profundamente. — Você não faz ideia do quanto.
Ele a puxou de volta para outro beijo, este ainda mais intenso. A mão de Ni-ki desceu pelas costas de Gabby, sentindo a curva de seu corpo, a firmeza de seus músculos de dançarina. Ele sempre a chamara de pequena, mas agora, sentindo-a contra si, ela parecia monumental.
Gabby sentia que estava perdendo o controle, e ela odiava perder o controle. Mas com Ni-ki, tudo era extremo. Se eles iam se odiar, seria com cada fibra de seus seres. E se eles iam se desejar, seria como um incêndio florestal que consome tudo em seu caminho.
— Isso não muda nada — ela disse entre beijos, a voz falha enquanto ele descia os lábios para o seu pescoço, encontrando um ponto sensível que a fez arquear as costas.
— Não muda — ele concordou, a voz abafada contra a pele dela. — Você ainda é uma idiota.
— E você ainda é um babaca.
Ni-ki parou por um momento, olhando-a de baixo com um sorriso torto e perigoso que Gabby nunca tinha visto antes. Era um sorriso que dizia que ele sabia exatamente o poder que tinha sobre ela naquele momento, e que ele estava adorando cada segundo.
— Ótimo — ele disse, puxando-a para baixo novamente. — Porque eu não quero gostar de você. Eu só quero isso.
A tensão no quarto, que antes era uma barreira intransponível, agora era o que os mantinha unidos. Cada movimento era uma disputa, cada toque era uma reivindicação. Era feio, era caótico e era absolutamente viciante.
Naquela noite, as palavras de baixo calão foram substituídas por respirações pesadas e confissões sussurradas de um desejo que nenhum dos dois queria admitir. No pequeno dormitório, entre as partituras espalhadas e as roupas de treino, Gabby e Ni-ki descobriram que a linha entre o ódio puro e a paixão desenfreada era muito mais fina do que eles imaginavam.
E enquanto o sol começava a surgir no horizonte, iluminando as mechas claras no cabelo de Ni-ki e o rosto sereno, mas ainda desafiador de Gabby, ambos sabiam que o ensaio do dia seguinte seria o mais difícil de suas vidas. Porque agora, além do ritmo da música, eles tinham que lidar com o ritmo frenético que um despertava no outro.
— Ni-ki? — Gabby chamou baixinho, quando o cansaço finalmente começou a vencer a adrenalina.
— O que é? — ele respondeu, os olhos fechados, mas o braço ainda possessivamente em volta da cintura dela.
— Amanhã, se você mencionar minha altura no estúdio, eu te mato.
Ni-ki soltou uma risada baixa, um som que, pela primeira vez, não soou como um insulto.
— Tenta a sorte, baixinha.
Ela sorriu contra o peito dele, fechando os olhos. A guerra estava longe de acabar, mas, por enquanto, a trégua era a coisa mais intensa que ela já havia experimentado.
Gabby jogou sua mochila pesada na cama da esquerda, o impacto fazendo o colchão ranger. Ela passou a mão pelos cabelos escuros, cujas luzes discretas brilhavam sob a lâmpada fluorescente, e soltou um suspiro que era metade cansaço e metade puro ódio. Com seus 1,60m de altura, ela sabia que muitos a subestimavam, mas sua presença como dançarina e musicista era imponente o suficiente para fazer qualquer um recuar.
Qualquer um, menos ele.
— Tira essa merda de mochila daí agora — a voz de Ni-ki cortou o silêncio como uma lâmina fria.
Ele estava encostado no batente da janela, a silhueta de 1,86m bloqueando a pouca luz que vinha de fora. O cabelo preto, com mechas estrategicamente mais claras que caíam sobre os olhos, dava a ele um ar de vilão de anime que Gabby detestava profundamente.
— A cama é minha, o quarto é metade meu e eu coloco as minhas coisas onde eu bem entender, seu projeto de poste — Gabby retrucou, virando-se para encará-lo com o queixo erguido.
Ni-ki deu um passo à frente, a expressão de tédio dando lugar a uma irritação genuína.
— Você é uma anã abusada, não é? — Ele riu, um som seco e sem humor. — Eu não sei como a gerência achou que colocar uma amadora como você no mesmo teto que um profissional seria uma boa ideia. Você mal alcança o pedal do piano sem ajuda, imagina dividir espaço comigo.
— Amadora? — Gabby sentiu o sangue ferver. — Eu estava compondo e dançando antes de você aprender a falar coreano direito, seu moleque insolente. Você acha que porque tem milhões de fãs e essa altura toda, é intocável? Pra mim, você é só um pirralho que precisa de um choque de realidade.
— O único choque aqui vai ser a sua cara contra a parede se você não calar essa boca — Ni-ki sibilou, aproximando-se mais.
— Tenta a sorte, Ni-ki. Juro por Deus, eu te quebro no meio e uso suas pernas de baqueta.
Eles ficaram ali, a centímetros de distância. A diferença de altura era ridícula, mas Gabby não recuava um milímetro. Ela conseguia sentir o calor emanando dele, o cheiro de suor e perfume caro que sempre o acompanhava após os ensaios. O ódio era palpável, uma corda esticada ao máximo, prestes a arrebentar.
As semanas seguintes foram um inferno coreografado. No estúdio de dança, eles eram como dois predadores disputando território. Gabby, com suas curvas e seu centro de gravidade baixo, tinha uma força e uma precisão que irritavam Ni-ki, porque ele não conseguia encontrar falhas técnicas nela. Ele, por outro lado, movia-se com uma fluidez quase sobrenatural, cada movimento sendo uma afronta direta à existência de Gabby.
No quarto, a guerra era silenciosa e mesquinha. Ele deixava as roupas de treino suadas perto da mala dela; ela aumentava o volume do metrônomo enquanto ele tentava dormir.
— Você é patética — Ni-ki disse certa noite, jogando-se na cama dele enquanto Gabby revisava uma partitura. — Passa horas tentando acertar esse arranjo e ainda soa como lixo.
— E você passa horas na frente do espelho e continua com essa cara de quem chupou limão mofado — ela respondeu sem desviar os olhos do papel. — Vai se foder, Ni-ki. De verdade.
— Vai você. Se é que alguém teria coragem de chegar perto de uma metida a besta como você.
Gabby largou a caneta com força e se levantou.
— O que você disse?
Ni-ki levantou-se também, a altura dele mergulhando Gabby em uma sombra intimidadora.
— Você ouviu. Você é insuportável. Ninguém aguenta ficar no mesmo raio de dois metros de você sem querer te dar um soco ou sair correndo.
— Engraçado — ela deu um passo à frente, batendo o dedo no peito sólido dele —, porque você não sai de perto de mim. Vive me provocando, vive me olhando nos ensaios. Tá obcecado, é isso? Precisa de uma aula de como ser um ser humano decente ou só quer atenção?
Ni-ki segurou o pulso dela, os dedos longos e fortes fechando-se com firmeza.
— Obcecado por você? Não viaja. Eu sinto nojo de cada vez que tenho que respirar o mesmo ar que você.
— Então para de respirar! — ela gritou, tentando puxar o braço. — Me solta, seu idiota!
— Só quando você admitir que é uma fracassada que só está aqui por cota!
O insulto foi a gota d'água. Gabby não pensou; ela usou sua força de dançarina para empurrá-lo com tudo. Ni-ki, pego de surpresa, tropeçou para trás, mas não soltou o pulso dela, levando-a junto.
Eles caíram na cama dele com um baque surdo.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Gabby estava caída por cima dele, as mãos espalmadas no peito de Ni-ki, sentindo o coração dele martelar contra as costelas em um ritmo frenético. O rosto dela estava a poucos centímetros do dele. Ela conseguia ver as nuances das mechas claras em seu cabelo e a intensidade sombria em seus olhos escuros.
A raiva ainda estava lá, mas algo novo, denso e perigoso, começou a se infiltrar na atmosfera. A tensão que antes era puramente agressiva transformou-se em algo elétrico, uma estática que fazia os pelos dos braços de Gabby se arrepiarem.
Ni-ki não a empurrou. Suas mãos, que antes apertavam os pulsos dela com raiva, agora relaxaram, mas permaneceram ali, subindo lentamente pelos braços dela até alcançarem seus ombros.
— Sai de cima de mim — ele sussurrou, mas a voz não tinha a mesma aspereza de antes. Estava rouca, instável.
— Me obriga — Gabby desafiou, embora sua própria voz tivesse falhado.
Ela podia sentir o peso do corpo dele sob o seu, a firmeza de seus músculos. O ódio que sentia parecia ter se distorcido, tornando-se uma necessidade violenta de confrontá-lo de uma forma diferente. Ela odiava o jeito que ele a tratava, odiava a arrogância dele, mas, naquele momento, odiava ainda mais o fato de que seu corpo estava reagindo à proximidade dele.
Os olhos de Ni-ki desceram para os lábios de Gabby. Ele soltou um xingamento baixo em japonês, algo que soou como uma maldição e um desejo ao mesmo tempo.
— Você é a pessoa mais irritante que eu já conheci na minha vida — ele disse, a respiração quente batendo no rosto dela.
— E você é um desgraçado que eu adoraria nunca ter visto — ela retrucou, aproximando o rosto ainda mais, o desafio queimando em seus olhos.
— Então por que você ainda está aqui? — Ni-ki subiu uma das mãos para a nuca de Gabby, os dedos se enroscando nos fios escuros. — Por que não sai logo?
— Porque eu não fujo de nada. Especialmente de você.
Ni-ki soltou uma risada curta, quase um rosnado, e antes que Gabby pudesse processar, ele reduziu a distância restante.
O beijo não foi doce. Foi uma colisão. Foi a culminação de meses de insultos, de olhares atravessados e de uma competição feroz. Era carregado de dentes, de urgência e daquela mesma raiva que os definia, mas agora canalizada para um desejo avassalador.
Gabby soltou um gemido de frustração contra a boca dele, as mãos subindo para o cabelo de Ni-ki, puxando as mechas claras com força. Ele respondeu apertando a cintura dela, puxando-a para mais perto, se é que isso era possível, querendo apagar qualquer espaço entre seus corpos.
Eles se separaram por um segundo, ambos ofegantes, os rostos vermelhos e os lábios inchados.
— Eu te odeio tanto — Gabby sibilou, os olhos brilhando com uma mistura de fúria e luxúria.
— Eu te odeio mais — Ni-ki respondeu, a voz vibrando profundamente. — Você não faz ideia do quanto.
Ele a puxou de volta para outro beijo, este ainda mais intenso. A mão de Ni-ki desceu pelas costas de Gabby, sentindo a curva de seu corpo, a firmeza de seus músculos de dançarina. Ele sempre a chamara de pequena, mas agora, sentindo-a contra si, ela parecia monumental.
Gabby sentia que estava perdendo o controle, e ela odiava perder o controle. Mas com Ni-ki, tudo era extremo. Se eles iam se odiar, seria com cada fibra de seus seres. E se eles iam se desejar, seria como um incêndio florestal que consome tudo em seu caminho.
— Isso não muda nada — ela disse entre beijos, a voz falha enquanto ele descia os lábios para o seu pescoço, encontrando um ponto sensível que a fez arquear as costas.
— Não muda — ele concordou, a voz abafada contra a pele dela. — Você ainda é uma idiota.
— E você ainda é um babaca.
Ni-ki parou por um momento, olhando-a de baixo com um sorriso torto e perigoso que Gabby nunca tinha visto antes. Era um sorriso que dizia que ele sabia exatamente o poder que tinha sobre ela naquele momento, e que ele estava adorando cada segundo.
— Ótimo — ele disse, puxando-a para baixo novamente. — Porque eu não quero gostar de você. Eu só quero isso.
A tensão no quarto, que antes era uma barreira intransponível, agora era o que os mantinha unidos. Cada movimento era uma disputa, cada toque era uma reivindicação. Era feio, era caótico e era absolutamente viciante.
Naquela noite, as palavras de baixo calão foram substituídas por respirações pesadas e confissões sussurradas de um desejo que nenhum dos dois queria admitir. No pequeno dormitório, entre as partituras espalhadas e as roupas de treino, Gabby e Ni-ki descobriram que a linha entre o ódio puro e a paixão desenfreada era muito mais fina do que eles imaginavam.
E enquanto o sol começava a surgir no horizonte, iluminando as mechas claras no cabelo de Ni-ki e o rosto sereno, mas ainda desafiador de Gabby, ambos sabiam que o ensaio do dia seguinte seria o mais difícil de suas vidas. Porque agora, além do ritmo da música, eles tinham que lidar com o ritmo frenético que um despertava no outro.
— Ni-ki? — Gabby chamou baixinho, quando o cansaço finalmente começou a vencer a adrenalina.
— O que é? — ele respondeu, os olhos fechados, mas o braço ainda possessivamente em volta da cintura dela.
— Amanhã, se você mencionar minha altura no estúdio, eu te mato.
Ni-ki soltou uma risada baixa, um som que, pela primeira vez, não soou como um insulto.
— Tenta a sorte, baixinha.
Ela sorriu contra o peito dele, fechando os olhos. A guerra estava longe de acabar, mas, por enquanto, a trégua era a coisa mais intensa que ela já havia experimentado.
