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Fandom: Naruto

Criado: 14/06/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFofuraHistória DomésticaMpregGravidez Não Planejada/IndesejadaCenário CanônicoFatias de VidaHumor
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O Segredo sob a Máscara e o Peso da Culpa

A vila de Konoha ainda parecia ressoar com os ecos da celebração que parou o mundo ninja. O casamento de Naruto e Sasuke não foi apenas uma união política ou o selar de um vínculo de amizade que se tornou amor; foi a prova viva de que a paz era possível. Durante dias, o saquê fluiu como rios e a música não cessou. Até mesmo Kakashi Hatake, o Sexto Hokage, conhecido por sua reserva e seriedade inabalável, permitiu-se baixar a guarda.

Naquela noite fatídica, o brilho das lanternas de papel parecia dançar diante dos olhos de Iruka Umino. Ele sempre fora um homem de sorrisos gentis, o porto seguro de Naruto, mas sua resistência ao álcool era, para dizer o mínimo, pífia. Após alguns brindes entusiasmados com os outros Jounins, o mundo de Iruka tornou-se um borrão de cores quentes e risadas abafadas.

Kakashi, que geralmente observava tudo de longe com seu olhar enigmático por trás da máscara, encontrou-se ao lado de Iruka. Talvez fosse a melancolia de ver seus alunos crescidos, ou talvez o cansaço de anos carregando o peso da vila nas costas, mas ele também bebeu mais do que pretendia. O que começou como uma conversa nostálgica sobre os tempos da Academia terminou em passos trôpegos em direção ao apartamento mais próximo.

A manhã seguinte foi um despertar brutal. Lençóis bagunçados, roupas espalhadas pelo chão e um silêncio ensurdecedor que pesava mais do que qualquer Jutsu de gravidade. Kakashi partira antes mesmo de Iruka abrir os olhos, deixando para trás apenas o cheiro residual de sândalo e a sensação de um erro irreparável.

Três meses se passaram.

Iruka estava sentado em sua mesa na Academia, cercado por pilhas de papéis, mas seus olhos não conseguiam focar nas notas dos alunos. Sua mão repousava, quase inconscientemente, sobre o abdômen. Ele se sentia diferente. Náuseas matinais que ele atribuía ao estresse, um cansaço que não passava e uma sensibilidade sensorial que o deixava tonto.

Quando o médico da vila confirmou a suspeita, o mundo de Iruka desabou. Um homem, um ninja, carregando uma vida. Era raro, mas em linhagens especiais e com certas manipulações de chakra acidentais, não era impossível. O medo gelou seu sangue. Como ele contaria ao Hokage? Como enfrentaria o homem que, desde aquela noite, o evitava como se ele fosse uma praga?

Kakashi tinha se tornado um mestre em fuga. Sempre que via o coque de Iruka à distância, ele dobrava a esquina. Se eles se cruzavam no prédio administrativo, Kakashi fingia estar imerso em documentos importantes. A culpa o corroía. Ele se lembrava da vulnerabilidade de Iruka, do jeito que o professor sorria entre soluços de embriaguez, e sentia que tinha se aproveitado da bondade e do estado de Iruka. Ele, o Hokage, deveria ter tido mais controle.

Naquela tarde, Iruka decidiu que não podia mais esconder. Ele precisava de apoio. E as primeiras pessoas que ele procurou foram aquelas que ele considerava sua família.

— Você está o quê, Iruka-sensei? — O grito de Naruto ecoou pelas paredes do escritório de Sasuke.

O Uchiha, que geralmente mantinha uma expressão de tédio, arregalou o único olho visível, a mão paralisada enquanto guardava uma kunai. Sakura, que estava presente para entregar relatórios médicos, deixou os papéis caírem no chão, sua expressão alternando entre choque e uma fúria crescente.

— Eu estou grávido — repetiu Iruka, a voz trêmula. — E o Kakashi-san... ele não fala comigo desde o casamento. Ele foge de mim.

— Aquele... aquele Kakashi-sensei idiota! — Naruto bateu o punho na mesa, fazendo a madeira estalar. — Como ele pode fazer isso? Depois de tudo?

— Ele acha que eu não lembro — disse Iruka, baixando a cabeça. — Ou talvez ele se arrependa tanto que não consegue nem olhar na minha cara. Eu estou com medo, Naruto. Eu não sei o que fazer.

Sakura caminhou até Iruka e colocou a mão em seu ombro, sua aura emanando uma pressão perigosa que faria qualquer inimigo tremer.

— Iruka-san, não se preocupe com a parte médica, eu cuidarei de tudo — disse ela, com a voz baixa e letal. — Mas quanto ao Kakashi... Sasuke, você vem comigo?

— Com certeza — respondeu Sasuke, sua voz soando como o aço de uma espada sendo desembainhada. — Ele precisa aprender uma lição sobre responsabilidade.

— Eu vou junto! — exclamou Naruto, já ativando o modo sábio sem perceber, a pigmentação ao redor dos olhos denunciando sua fúria protetora. — Ele é o meu sensei, mas você é o meu pai, Iruka-sensei! Ninguém faz você chorar e sai impune!

Enquanto isso, no topo do prédio do Hokage, Kakashi suspirava, olhando para o horizonte. Ele sentia um peso no peito que nem mesmo o título de Sexto conseguia aliviar. Ele amava a companhia de Iruka, sempre amara, mas a vergonha de ter perdido o controle naquela noite o impedia de se aproximar. Ele achava que Iruka o odiava por ter permitido que aquilo acontecesse.

De repente, a porta de seu escritório foi arrombada. Literalmente. Os pedaços de madeira voaram enquanto três de seus alunos mais poderosos entravam no recinto.

— Kakashi Hatake! — gritou Sakura, seus punhos brilhando com chakra verde, mas não para curar.

— O que é isso? — Kakashi levantou-se, instintivamente levando a mão à máscara. — Sakura? Naruto? Sasuke?

— Como você pôde ser tão covarde? — Naruto avançou, agarrando o colarinho do uniforme de Hokage de Kakashi. — O Iruka-sensei está sofrendo! Ele está assustado!

— Naruto, acalme-se, eu... eu sei que errei — disse Kakashi, os olhos baixos. — Eu não deveria ter deixado as coisas chegarem àquele ponto no casamento. Eu sinto muito por ter desrespeitado o Iruka.

— Desrespeitado? — Sasuke deu um passo à frente, seu Sharingan brilhando levemente. — Você o deixou sozinho para lidar com as consequências. Você fugiu como um gariptô assustado.

— Consequências? — Kakashi franziu a testa, a confusão substituindo a culpa momentaneamente. — Do que vocês estão falando? Eu só achei que ele queria esquecer o que aconteceu...

— Ele está grávido, seu idiota de cabelos prateados! — Sakura gritou, a paciência se esgotando.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Kakashi sentiu como se tivesse sido atingido por um Chidori direto no coração. Suas pernas fraquejaram e ele caiu de volta em sua cadeira, os olhos arregalados.

— Grávido? — sussurrou ele. — Iruka... um filho? Meu?

— Sim! — Naruto o sacudiu. — E enquanto ele passava mal e se preocupava com o futuro, você estava aqui, fingindo que ele não existia! Que tipo de homem você é?

A culpa que Kakashi sentia antes não era nada comparada à avalanche de remorso que o atingiu agora. Ele não fugia por desdém; fugia por achar que era indigno. Mas, ao fazer isso, ele cometera o crime supremo contra a pessoa mais gentil que conhecia.

— Onde ele está? — perguntou Kakashi, a voz agora firme, embora carregada de emoção.

— Ele está na Academia — disse Sakura, cruzando os braços. — E se você não consertar isso agora, Kakashi, o cargo de Hokage será a menor das suas preocupações. Eu mesma garantirei que você passe o resto da vida no hospital.

Kakashi não esperou por mais avisos. Em um movimento de Shushin, ele desapareceu do escritório, deixando apenas uma nuvem de fumaça para trás.

Ele surgiu no corredor da Academia, ofegante. O cheiro de giz e madeira velha era familiar, mas seu coração batia tão forte que ele mal conseguia ouvir os sons ao redor. Ele caminhou até a sala de Iruka e parou diante da porta entreaberta.

Lá dentro, Iruka estava sentado, olhando para uma pequena foto de Naruto quando criança. Ele parecia tão frágil, tão solitário.

Kakashi bateu levemente na porta e entrou. Iruka deu um sobressalto, seus olhos castanhos encontrando os de Kakashi. O medo e a esperança que brilharam naqueles olhos rasgaram a alma do ninja copiador.

— Iruka... — começou Kakashi, sua voz falhando.

— Você veio — disse Iruka, a voz quase um sussurro. — Naruto e os outros te contaram, não foi?

— Eles me contaram — Kakashi aproximou-se lentamente, caindo de joelhos diante da cadeira de Iruka, uma posição de humildade que ele raramente assumia. — Iruka, me perdoe. Eu sou um idiota. Eu fugi porque achei que você me odiava por aquela noite. Eu achei que tinha tirado vantagem de você e não conseguia encarar minha própria vergonha.

Iruka piscou, as lágrimas começando a rolar.

— Você achou que eu te odiava? Kakashi... eu nunca poderia te odiar. Eu só... eu pensei que eu não significava nada para você. Que eu era apenas um erro de uma noite de bebedeira.

— Nunca — Kakashi pegou a mão de Iruka, apertando-a com delicadeza. — Você é a luz desta vila, Iruka. Você é o homem que cuidou do Naruto quando ninguém mais queria. Aquela noite... para mim, foi o momento mais real da minha vida em anos. Eu só tive medo de ter estragado tudo.

Iruka soluçou, inclinando-se para frente e encostando a testa na de Kakashi.

— E agora? O que vamos fazer?

— Agora — disse Kakashi, deslizando a mão para o ventre de Iruka com uma reverência quase sagrada —, eu vou ser o homem que vocês dois merecem. Eu não vou mais fugir. Eu vou estar aqui para cada enjoo, para cada exame e para cada passo desse caminho.

Iruka sorriu, o primeiro sorriso verdadeiro em meses, e Kakashi sentiu que o peso do mundo finalmente se tornara suportável.

— Naruto vai querer ser o padrinho — comentou Iruka, limpando as lágrimas.

— Ele e o Sasuke provavelmente vão tentar treinar o bebê antes mesmo de ele nascer — Kakashi riu baixo, sentindo uma paz que nunca imaginou ser possível. — Mas antes disso, eu tenho muitos meses de desculpas para compensar.

Do lado de fora, escondidos no corredor, Naruto, Sasuke e Sakura observavam a cena. Naruto sorria de orelha a orelha, Sakura limpava uma lágrima discreta e Sasuke apenas deu um leve "Hmpf" de satisfação. A família estava crescendo, e em Konoha, os laços eram a força mais poderosa de todas.
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