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Ghost Face
Fandom: Bts
Criado: 14/06/2026
Tags
UA (Universo Alternativo)PsicológicoSombrioSuspenseCrimeHorrorCiúmesDramaEstudo de Personagem
O Silêncio Tem Olhos Negros
A luz amarelada dos postes de Seul oscilava enquanto Kim Nari apressava o passo pela calçada úmida. O cheiro de gordura e desinfetante do restaurante onde trabalhava ainda parecia impregnado em seu uniforme, um lembrete constante de mais um turno exaustivo de doze horas. Suas pernas latejavam, mas o cansaço era suplantado por uma sensação incômoda que a perseguia desde que cruzara a esquina da cafeteria que fechava cedo.
Era aquela sensação de estar sendo observada. O peso de um olhar que não vinha de lugar nenhum e, ao mesmo tempo, de todos os lugares.
Ao chegar à entrada de seu prédio residencial, um edifício antigo com paredes descascadas, Nari suspirou de alívio. Ela subiu as escadas rapidamente, evitando o elevador que sempre fazia barulhos sinistros, e trancou a porta do seu pequeno apartamento com três voltas na chave. Só então ela se permitiu relaxar os ombros.
— Finalmente em casa — murmurou para o vazio, jogando a bolsa sobre o sofá de segunda mão.
O silêncio do apartamento era seu refúgio, ou deveria ser. Ela caminhou até a cozinha para encher um copo de água, mas o som vibrante de seu celular sobre a mesa a fez dar um sobressalto. O aparelho deslizou alguns milímetros sobre a madeira, iluminando o ambiente escuro com um brilho azulado e estéril.
Nari franziu o cenho. Eram quase duas da manhã. Quem estaria mandando mensagem àquela hora?
Com a mão levemente trêmula, ela pegou o aparelho. Não havia nome, apenas um número desconhecido composto por uma sequência estranha de dígitos.
"Você fica linda de azul, Nari. Mas o avental esconde o quanto você está magra. Coma algo antes de dormir."
O copo de água escorregou da mão dela, estilhaçando-se no chão. A água molhou suas meias, mas ela não sentiu o frio. Seus olhos estavam fixos na tela. Ela estava usando uma blusa azul por baixo do avental do restaurante hoje.
— Quem é? — sussurrou ela, as mãos começando a suar.
Ela digitou rapidamente: "Quem é você? Como conseguiu meu número?".
A resposta veio em segundos, como se a pessoa estivesse apenas esperando o sinal de vida.
"Alguém que presta atenção quando ninguém mais presta. Alguém que viu o cara da mesa quatro olhando para suas pernas hoje. Eu não gostei do jeito que ele olhou."
O coração de Nari disparou, martelando contra as costelas. Ela correu até a janela e puxou as cortinas com força, fechando qualquer fresta que pudesse dar visão para o exterior. Seu apartamento ficava no terceiro andar; era impossível alguém ver detalhes tão íntimos a menos que estivesse... onde? No prédio da frente? Ou dentro do restaurante?
O celular vibrou novamente. Desta vez, era uma chamada de vídeo.
Nari sentiu o estômago revirar. Ela recusou a chamada instantaneamente. O telefone tocou de novo. Recusou. Bloqueou o número.
— Idiota, doente — ela xingou, tentando controlar a respiração. — É só um trote. Algum cliente esquisito que conseguiu meu nome no crachá.
Ela se sentou no chão da cozinha, longe das janelas, e começou a limpar os cacos de vidro mecanicamente. Mas o silêncio durou pouco. Seu celular vibrou novamente. Um novo número desconhecido.
"Bloquear é falta de educação, Nari-ah. Eu só quero cuidar de você."
Lágrimas de frustração e medo começaram a arder em seus olhos. Ela desligou o aparelho completamente, segurando o botão de energia até que a tela ficasse preta. O silêncio voltou, mas agora era pesado, sufocante. Ela se encolheu no canto da cozinha, abraçando os joelhos, esperando que o amanhecer chegasse logo.
O que ela não sabia era que, do outro lado da rua, nas sombras de um beco onde a luz do poste não alcançava, um jovem de capuz preto observava a janela dela. Jeon Jungkook girava um canivete borboleta entre os dedos com uma destreza hipnótica. O metal brilhava fracamente a cada movimento.
Ele guardou o celular no bolso da jaqueta de couro e sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos escuros e intensos.
— Você está com medo, não está? — ele murmurou para o vento, sua voz era um barítono suave e perigoso. — É bom. O medo faz você ficar alerta. Faz você precisar de mim.
Jungkook não era um estranho comum. Ele a seguia há meses. Ele conhecia sua rotina, o café que ela gostava, o fato de ela sempre conferir se a porta estava trancada duas vezes — embora hoje ela tivesse conferido três. Ele gostava dessa mudança. Significava que ele estava causando um impacto.
No dia seguinte, Nari tentou agir como se nada tivesse acontecido. As olheiras profundas foram escondidas com corretivo, e ela seguiu para o trabalho com o celular desligado dentro da bolsa. Ela se sentia paranoica, olhando por cima do ombro a cada cinco minutos. Cada cliente que entrava no restaurante era um suspeito.
— Nari, você está bem? — perguntou o gerente, um homem de meia-idade chamado Sr. Choi. — Parece que viu um fantasma.
— Só não dormi bem, senhor — respondeu ela, forçando um sorriso que não convenceu ninguém.
— Bem, tem uma entrega para você nos fundos. Chegou agora há pouco.
Nari sentiu um calafrio.
— Entrega? Eu não pedi nada.
Ela caminhou lentamente até a área de serviço. Sobre a mesa de inox, havia uma caixa preta elegante, amarrada com uma fita de cetim vermelha. Não havia cartão, apenas o nome dela escrito em uma caligrafia perfeita e angular.
Com as mãos trêmulas, ela desamarrou a fita. Dentro da caixa, havia um prato de kimbap fresco — exatamente como o que ela costumava comer quando estava com pressa — e um pequeno envelope preto.
Ela abriu o envelope.
"Você não comeu nada ontem à noite. Eu avisei que você precisava se alimentar. Por favor, não me ignore de novo. Eu odeio quando você me ignora."
Nari soltou o bilhete como se ele estivesse em chamas. Ela olhou em volta, desesperada. A porta dos fundos estava entreaberta. O vento frio de outono soprava para dentro, trazendo consigo o cheiro de chuva e algo mais... um perfume amadeirado, caro e marcante.
— Quem está aí? — ela gritou, sua voz falhando.
Ninguém respondeu. Ela correu até a porta e olhou para o beco. Estava vazio, exceto por um gato de rua que revirava uma lata de lixo. No entanto, pregado na parede de tijolos bem à sua frente, havia um pequeno pedaço de fita adesiva segurando uma foto.
Nari caminhou até lá, sentindo que suas pernas poderiam ceder a qualquer momento. Ela arrancou a foto da parede.
Era uma foto dela, tirada há poucos minutos, através da fresta da porta dos fundos. Ela parecia pálida, assustada. Mas o que a fez perder o fôlego foi o que estava escrito no verso da imagem, em tinta vermelha.
"O preto combina mais com você do que o azul. Fica mais parecida comigo."
— Chega! — ela gritou para o nada, as lágrimas finalmente caindo. — Me deixa em paz! O que você quer de mim?
— Eu quero tudo, Nari-ah.
A voz veio de trás dela, vinda de dentro da cozinha. Nari girou o corpo tão rápido que ficou tonta.
Parado junto à mesa de inox, onde antes estava apenas a caixa, agora estava um homem. Ele usava roupas inteiramente pretas, uma jaqueta de couro que realçava seus ombros largos e uma máscara que cobria metade de seu rosto, deixando apenas os olhos visíveis. Olhos que ela reconheceria em qualquer lugar, embora nunca os tivesse visto de perto: eram negros, profundos como um abismo e brilhantes com uma intensidade predatória.
Ele segurava o canivete borboleta, fechando-o com um estalo metálico seco.
— Você... — Nari recuou, batendo as costas na parede fria do beco. — Como você entrou aqui?
— A porta estava aberta — disse Jungkook, dando um passo à frente, entrando na luz fraca da área de serviço. Ele retirou a máscara, revelando um rosto de uma beleza quase irreal, mas marcada por uma expressão de possessividade fria. — Você deveria ser mais cuidadosa. O mundo é um lugar perigoso para uma garota tão bonita e sozinha.
— Quem é você? — ela perguntou, a voz quase um sussurro.
— Alguém que te ama mais do que você consegue entender — ele respondeu, inclinando a cabeça para o lado. — Alguém que remove os obstáculos do seu caminho. Lembra do Sr. Park? Aquele vizinho que ficava te encarando no corredor?
Nari sentiu o sangue congelar. O Sr. Park havia desaparecido há uma semana. A polícia achou que ele tinha apenas se mudado sem avisar.
— O que você fez com ele? — perguntou ela, o terror tomando conta de cada fibra de seu ser.
Jungkook deu mais um passo, agora perigosamente perto. Ele estendeu a mão e, com as costas dos dedos, acariciou o rosto pálido de Nari. Ela tentou se esquivar, mas ele foi mais rápido, segurando seu queixo com uma firmeza que não admitia resistência.
— Ele não vai mais te incomodar — disse ele, com um sorriso calmo que contrastava terrivelmente com suas palavras. — Ninguém vai. Eu limpei o mundo para você, Nari. Agora, só restamos nós dois.
— Você é louco... — ela soluçou.
— Talvez — admitiu ele, aproximando o rosto do dela até que ela pudesse sentir o calor de sua respiração. — Mas sou o único louco que vai te proteger. Aquelas mensagens, as ligações... eu só queria que você soubesse que eu estou sempre aqui. Mesmo quando você desliga o telefone, eu não desapareço. Eu sou a sombra que te segue. Eu sou o ar que você respira.
Ele soltou o queixo dela e guardou o canivete no bolso, pegando a caixa de kimbap da mesa.
— Agora, coma — ordenou ele, sua voz voltando a ser suave, quase carinhosa. — Você precisa de forças. Temos uma longa noite pela frente.
— Eu não vou a lugar nenhum com você — disse Nari, tentando encontrar uma coragem que não possuía.
Jungkook suspirou, um som de decepção que a fez estremecer.
— Eu esperava que você não dissesse isso. Eu realmente tentei ser gentil, Nari. Tentei fazer com que fosse sua escolha.
Ele se aproximou novamente, mas desta vez não houve carícia. Ele agarrou o pulso dela com uma força que certamente deixaria marcas.
— Mas se você prefere do jeito difícil, eu também sei jogar assim — sussurrou ele em seu ouvido. — Você pode correr, se quiser. Eu adoro uma caçada. Mas lembre-se: eu sempre te encontro no final.
Ele a soltou e deu um passo para trás, desaparecendo nas sombras do corredor interno do restaurante tão silenciosamente quanto havia surgido.
Nari ficou ali, parada no beco, o coração disparado e o som do estalo do canivete ainda ecoando em sua mente. Ela olhou para o celular desligado em sua bolsa. Ela sabia que, no momento em que o ligasse, haveria uma nova mensagem. E ela sabia, com uma certeza aterrorizante, que não importava quantas portas ela trancasse ou quantos números ela bloqueasse...
Jeon Jungkook já tinha a chave para tudo o que ela era.
O restaurante, antes um lugar de rotina e tédio, agora parecia uma armadilha. As luzes fluorescentes piscavam acima dela, e o silêncio da área de serviço tornou-se pesado. Ela olhou para a caixa de kimbap sobre a mesa.
Lentamente, com os dedos trêmulos, Nari pegou um dos pedaços. Ela não tinha fome, mas a ameaça implícita na voz dele ainda pairava no ar. Ela comeu, as lágrimas escorrendo silenciosamente por seu rosto, enquanto sentia o olhar dele — aquele olhar que ela agora sabia pertencer a um par de olhos negros e obcecados — observando-a de algum lugar que ela não podia ver.
A caçada havia começado oficialmente, e Nari temia que, para Jungkook, o prêmio não fosse apenas sua companhia, mas sua total e completa rendição.
— Vejo você em casa, Nari-ah — a voz dele pareceu flutuar no vento, vinda de lugar nenhum.
Ela fechou os olhos, desejando que tudo fosse um pesadelo, mas o gosto do kimbap em sua boca era real demais. E o medo, cortante como uma lâmina, dizia que aquele era apenas o primeiro capítulo de uma história da qual ela talvez nunca conseguisse escapar.
Era aquela sensação de estar sendo observada. O peso de um olhar que não vinha de lugar nenhum e, ao mesmo tempo, de todos os lugares.
Ao chegar à entrada de seu prédio residencial, um edifício antigo com paredes descascadas, Nari suspirou de alívio. Ela subiu as escadas rapidamente, evitando o elevador que sempre fazia barulhos sinistros, e trancou a porta do seu pequeno apartamento com três voltas na chave. Só então ela se permitiu relaxar os ombros.
— Finalmente em casa — murmurou para o vazio, jogando a bolsa sobre o sofá de segunda mão.
O silêncio do apartamento era seu refúgio, ou deveria ser. Ela caminhou até a cozinha para encher um copo de água, mas o som vibrante de seu celular sobre a mesa a fez dar um sobressalto. O aparelho deslizou alguns milímetros sobre a madeira, iluminando o ambiente escuro com um brilho azulado e estéril.
Nari franziu o cenho. Eram quase duas da manhã. Quem estaria mandando mensagem àquela hora?
Com a mão levemente trêmula, ela pegou o aparelho. Não havia nome, apenas um número desconhecido composto por uma sequência estranha de dígitos.
"Você fica linda de azul, Nari. Mas o avental esconde o quanto você está magra. Coma algo antes de dormir."
O copo de água escorregou da mão dela, estilhaçando-se no chão. A água molhou suas meias, mas ela não sentiu o frio. Seus olhos estavam fixos na tela. Ela estava usando uma blusa azul por baixo do avental do restaurante hoje.
— Quem é? — sussurrou ela, as mãos começando a suar.
Ela digitou rapidamente: "Quem é você? Como conseguiu meu número?".
A resposta veio em segundos, como se a pessoa estivesse apenas esperando o sinal de vida.
"Alguém que presta atenção quando ninguém mais presta. Alguém que viu o cara da mesa quatro olhando para suas pernas hoje. Eu não gostei do jeito que ele olhou."
O coração de Nari disparou, martelando contra as costelas. Ela correu até a janela e puxou as cortinas com força, fechando qualquer fresta que pudesse dar visão para o exterior. Seu apartamento ficava no terceiro andar; era impossível alguém ver detalhes tão íntimos a menos que estivesse... onde? No prédio da frente? Ou dentro do restaurante?
O celular vibrou novamente. Desta vez, era uma chamada de vídeo.
Nari sentiu o estômago revirar. Ela recusou a chamada instantaneamente. O telefone tocou de novo. Recusou. Bloqueou o número.
— Idiota, doente — ela xingou, tentando controlar a respiração. — É só um trote. Algum cliente esquisito que conseguiu meu nome no crachá.
Ela se sentou no chão da cozinha, longe das janelas, e começou a limpar os cacos de vidro mecanicamente. Mas o silêncio durou pouco. Seu celular vibrou novamente. Um novo número desconhecido.
"Bloquear é falta de educação, Nari-ah. Eu só quero cuidar de você."
Lágrimas de frustração e medo começaram a arder em seus olhos. Ela desligou o aparelho completamente, segurando o botão de energia até que a tela ficasse preta. O silêncio voltou, mas agora era pesado, sufocante. Ela se encolheu no canto da cozinha, abraçando os joelhos, esperando que o amanhecer chegasse logo.
O que ela não sabia era que, do outro lado da rua, nas sombras de um beco onde a luz do poste não alcançava, um jovem de capuz preto observava a janela dela. Jeon Jungkook girava um canivete borboleta entre os dedos com uma destreza hipnótica. O metal brilhava fracamente a cada movimento.
Ele guardou o celular no bolso da jaqueta de couro e sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos escuros e intensos.
— Você está com medo, não está? — ele murmurou para o vento, sua voz era um barítono suave e perigoso. — É bom. O medo faz você ficar alerta. Faz você precisar de mim.
Jungkook não era um estranho comum. Ele a seguia há meses. Ele conhecia sua rotina, o café que ela gostava, o fato de ela sempre conferir se a porta estava trancada duas vezes — embora hoje ela tivesse conferido três. Ele gostava dessa mudança. Significava que ele estava causando um impacto.
No dia seguinte, Nari tentou agir como se nada tivesse acontecido. As olheiras profundas foram escondidas com corretivo, e ela seguiu para o trabalho com o celular desligado dentro da bolsa. Ela se sentia paranoica, olhando por cima do ombro a cada cinco minutos. Cada cliente que entrava no restaurante era um suspeito.
— Nari, você está bem? — perguntou o gerente, um homem de meia-idade chamado Sr. Choi. — Parece que viu um fantasma.
— Só não dormi bem, senhor — respondeu ela, forçando um sorriso que não convenceu ninguém.
— Bem, tem uma entrega para você nos fundos. Chegou agora há pouco.
Nari sentiu um calafrio.
— Entrega? Eu não pedi nada.
Ela caminhou lentamente até a área de serviço. Sobre a mesa de inox, havia uma caixa preta elegante, amarrada com uma fita de cetim vermelha. Não havia cartão, apenas o nome dela escrito em uma caligrafia perfeita e angular.
Com as mãos trêmulas, ela desamarrou a fita. Dentro da caixa, havia um prato de kimbap fresco — exatamente como o que ela costumava comer quando estava com pressa — e um pequeno envelope preto.
Ela abriu o envelope.
"Você não comeu nada ontem à noite. Eu avisei que você precisava se alimentar. Por favor, não me ignore de novo. Eu odeio quando você me ignora."
Nari soltou o bilhete como se ele estivesse em chamas. Ela olhou em volta, desesperada. A porta dos fundos estava entreaberta. O vento frio de outono soprava para dentro, trazendo consigo o cheiro de chuva e algo mais... um perfume amadeirado, caro e marcante.
— Quem está aí? — ela gritou, sua voz falhando.
Ninguém respondeu. Ela correu até a porta e olhou para o beco. Estava vazio, exceto por um gato de rua que revirava uma lata de lixo. No entanto, pregado na parede de tijolos bem à sua frente, havia um pequeno pedaço de fita adesiva segurando uma foto.
Nari caminhou até lá, sentindo que suas pernas poderiam ceder a qualquer momento. Ela arrancou a foto da parede.
Era uma foto dela, tirada há poucos minutos, através da fresta da porta dos fundos. Ela parecia pálida, assustada. Mas o que a fez perder o fôlego foi o que estava escrito no verso da imagem, em tinta vermelha.
"O preto combina mais com você do que o azul. Fica mais parecida comigo."
— Chega! — ela gritou para o nada, as lágrimas finalmente caindo. — Me deixa em paz! O que você quer de mim?
— Eu quero tudo, Nari-ah.
A voz veio de trás dela, vinda de dentro da cozinha. Nari girou o corpo tão rápido que ficou tonta.
Parado junto à mesa de inox, onde antes estava apenas a caixa, agora estava um homem. Ele usava roupas inteiramente pretas, uma jaqueta de couro que realçava seus ombros largos e uma máscara que cobria metade de seu rosto, deixando apenas os olhos visíveis. Olhos que ela reconheceria em qualquer lugar, embora nunca os tivesse visto de perto: eram negros, profundos como um abismo e brilhantes com uma intensidade predatória.
Ele segurava o canivete borboleta, fechando-o com um estalo metálico seco.
— Você... — Nari recuou, batendo as costas na parede fria do beco. — Como você entrou aqui?
— A porta estava aberta — disse Jungkook, dando um passo à frente, entrando na luz fraca da área de serviço. Ele retirou a máscara, revelando um rosto de uma beleza quase irreal, mas marcada por uma expressão de possessividade fria. — Você deveria ser mais cuidadosa. O mundo é um lugar perigoso para uma garota tão bonita e sozinha.
— Quem é você? — ela perguntou, a voz quase um sussurro.
— Alguém que te ama mais do que você consegue entender — ele respondeu, inclinando a cabeça para o lado. — Alguém que remove os obstáculos do seu caminho. Lembra do Sr. Park? Aquele vizinho que ficava te encarando no corredor?
Nari sentiu o sangue congelar. O Sr. Park havia desaparecido há uma semana. A polícia achou que ele tinha apenas se mudado sem avisar.
— O que você fez com ele? — perguntou ela, o terror tomando conta de cada fibra de seu ser.
Jungkook deu mais um passo, agora perigosamente perto. Ele estendeu a mão e, com as costas dos dedos, acariciou o rosto pálido de Nari. Ela tentou se esquivar, mas ele foi mais rápido, segurando seu queixo com uma firmeza que não admitia resistência.
— Ele não vai mais te incomodar — disse ele, com um sorriso calmo que contrastava terrivelmente com suas palavras. — Ninguém vai. Eu limpei o mundo para você, Nari. Agora, só restamos nós dois.
— Você é louco... — ela soluçou.
— Talvez — admitiu ele, aproximando o rosto do dela até que ela pudesse sentir o calor de sua respiração. — Mas sou o único louco que vai te proteger. Aquelas mensagens, as ligações... eu só queria que você soubesse que eu estou sempre aqui. Mesmo quando você desliga o telefone, eu não desapareço. Eu sou a sombra que te segue. Eu sou o ar que você respira.
Ele soltou o queixo dela e guardou o canivete no bolso, pegando a caixa de kimbap da mesa.
— Agora, coma — ordenou ele, sua voz voltando a ser suave, quase carinhosa. — Você precisa de forças. Temos uma longa noite pela frente.
— Eu não vou a lugar nenhum com você — disse Nari, tentando encontrar uma coragem que não possuía.
Jungkook suspirou, um som de decepção que a fez estremecer.
— Eu esperava que você não dissesse isso. Eu realmente tentei ser gentil, Nari. Tentei fazer com que fosse sua escolha.
Ele se aproximou novamente, mas desta vez não houve carícia. Ele agarrou o pulso dela com uma força que certamente deixaria marcas.
— Mas se você prefere do jeito difícil, eu também sei jogar assim — sussurrou ele em seu ouvido. — Você pode correr, se quiser. Eu adoro uma caçada. Mas lembre-se: eu sempre te encontro no final.
Ele a soltou e deu um passo para trás, desaparecendo nas sombras do corredor interno do restaurante tão silenciosamente quanto havia surgido.
Nari ficou ali, parada no beco, o coração disparado e o som do estalo do canivete ainda ecoando em sua mente. Ela olhou para o celular desligado em sua bolsa. Ela sabia que, no momento em que o ligasse, haveria uma nova mensagem. E ela sabia, com uma certeza aterrorizante, que não importava quantas portas ela trancasse ou quantos números ela bloqueasse...
Jeon Jungkook já tinha a chave para tudo o que ela era.
O restaurante, antes um lugar de rotina e tédio, agora parecia uma armadilha. As luzes fluorescentes piscavam acima dela, e o silêncio da área de serviço tornou-se pesado. Ela olhou para a caixa de kimbap sobre a mesa.
Lentamente, com os dedos trêmulos, Nari pegou um dos pedaços. Ela não tinha fome, mas a ameaça implícita na voz dele ainda pairava no ar. Ela comeu, as lágrimas escorrendo silenciosamente por seu rosto, enquanto sentia o olhar dele — aquele olhar que ela agora sabia pertencer a um par de olhos negros e obcecados — observando-a de algum lugar que ela não podia ver.
A caçada havia começado oficialmente, e Nari temia que, para Jungkook, o prêmio não fosse apenas sua companhia, mas sua total e completa rendição.
— Vejo você em casa, Nari-ah — a voz dele pareceu flutuar no vento, vinda de lugar nenhum.
Ela fechou os olhos, desejando que tudo fosse um pesadelo, mas o gosto do kimbap em sua boca era real demais. E o medo, cortante como uma lâmina, dizia que aquele era apenas o primeiro capítulo de uma história da qual ela talvez nunca conseguisse escapar.
