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Swin
Fandom: Naruto
Criado: 14/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoOmegaversoHistória DomésticaMpregEstudo de PersonagemDivergênciaCenário Canônico
As Sombras do Amanhã
O silêncio das montanhas era quebrado apenas pelo som rítmico da Samehada sendo afiada e pelo farfalhar das folhas de chá que Itachi preparava com a precisão de um ritual. A casa, construída em madeira escura e cercada por uma barreira de jutsus que garantia que nenhum intruso os encontrasse, era o porto seguro que ambos jamais acreditaram que teriam. O passado de sangue e deserção parecia uma vida inteira de distância, uma cicatriz que já não doía tanto, mas que ainda deixava marcas profundas na pele e na alma.
Itachi moveu-se com a elegância silenciosa de sempre. Como um Ômega, sua presença era magnética, mas havia uma serenidade em seus olhos que só surgiu após a reconciliação com Sasuke e o fim da Quarta Grande Guerra Ninja. Ele usava um yukata leve, e seus cabelos longos estavam presos de forma frouxa.
Kisame, sentado na varanda, observava o horizonte. O Alfa era uma presença imponente, uma força da natureza que, nas mãos de Itachi, tornava-se mansa como um lago estagnado. Ele sentiu o aroma do chá de jasmim — o favorito de Itachi — e, logo depois, o cheiro suave de sândalo e chuva que emanava do companheiro.
— O chá está pronto, Kisame — anunciou Itachi, sua voz baixa e melodiosa ecoando pelo corredor de madeira.
Kisame soltou um suspiro pesado, guardando a pedra de amolar. Ele se levantou, seus músculos tencionando-se sob a pele azulada, e caminhou até a mesa baixa onde Itachi o esperava.
— Você está pensativo hoje — comentou Itachi, servindo o líquido fumegante nas xícaras de cerâmica. — Mais do que o habitual.
Kisame esboçou um sorriso de lado, mostrando suas presas afiadas.
— Apenas lembrando da visita da semana passada — respondeu o Alfa, aceitando a xícara. — Sarada está ficando cada vez mais parecida com o pai na teimosia, mas tem a doçura da mãe. E o pequeno Menma... ele é uma cópia fiel do Naruto, não é?
Itachi permitiu-se um pequeno sorriso, aquele que raramente mostrava ao mundo, mas que era frequente quando estavam a sós.
— Sim. Sasuke parece exausto, mas há uma luz nele que eu nunca pensei que veria novamente. Ele encontrou o que eu sempre quis que ele tivesse: um lar.
Kisame tomou um gole do chá, sentindo o calor descer por sua garganta. O silêncio que se seguiu não foi desconfortável, mas estava carregado de algo que Kisame vinha guardando no fundo de seu peito. Ver Sasuke com seus filhos, ver a dinâmica de uma família crescendo, havia despertado algo instintivo e doloroso no Alfa. Ele queria aquilo. Ele queria ver Itachi carregando um fruto do que eles construíram. Mas ele sabia o terreno perigoso em que estava pisando.
— Itachi-san... — Kisame começou, hesitando por um segundo. — Você já parou para pensar em como seria? Se este lugar não fosse apenas um refúgio para dois renegados, mas um lar para três?
O movimento de Itachi com a xícara parou no ar. Seus olhos negros se fixaram no vapor que subia do chá. Ele sabia exatamente do que Kisame estava falando. O vínculo entre eles era profundo o suficiente para que os desejos do Alfa começassem a transbordar através de seu cheiro, por mais que Kisame tentasse esconder.
— O mundo ainda é um lugar perigoso, Kisame — disse Itachi, sua voz mantendo a calma, embora um leve tremor passasse por suas mãos. — Nós somos quem somos. O sangue em nossas mãos não seca apenas porque mudamos de cenário.
— Nós pagamos nossas dívidas — insistiu Kisame, inclinando-se um pouco para frente. — Sasuke nos perdoou. O mundo nos esqueceu. Estamos em paz.
— A paz é frágil — rebateu Itachi, finalmente olhando para o companheiro. — Eu passei minha vida inteira protegendo uma criança de um destino cruel. Eu não sei se suportaria a ideia de trazer alguém a este mundo sabendo que a linhagem Uchiha carrega uma maldição de ódio. E se ele sofrer? E se o passado bater à nossa porta e eu não puder protegê-lo?
Kisame colocou sua mão grande e áspera sobre a mão pálida de Itachi. O toque era gentil, um contraste gritante com a aparência feroz do Alfa.
— Você não estaria sozinho — disse ele suavemente. — Eu passaria cada segundo da minha existência garantindo que nada chegasse perto dele. Ou de você.
Itachi desviou o olhar. O medo não era de Kisame, nem da capacidade deles de lutar. Era o medo interno, o trauma de ter sido o carrasco de seu próprio clã. A ideia de paternidade, para Itachi, estava intrinsecamente ligada à perda e ao sacrifício.
— Eu preciso de tempo, Kisame — murmurou o Ômega. — Não é que eu não queira... é que eu não sei se sou capaz de ser o que um filho precisaria.
— Você é a pessoa mais altruísta que eu já conheci, Itachi — Kisame sorriu com tristeza. — Você já é tudo o que um pai deveria ser. Só tem medo de admitir.
A conversa encerrou-se ali, mas o peso dela permaneceu no ar como uma névoa densa. Nos dias seguintes, o cotidiano seguiu seu curso, mas Kisame notou que Itachi estava mais observador. À noite, quando se deitavam, Itachi buscava o calor de Kisame com mais urgência, como se tentasse encontrar respostas no bater do coração do Alfa.
Algumas semanas depois, uma nova visita quebrou a rotina. O som de risadas infantis anunciou a chegada antes mesmo que eles cruzassem a barreira. Naruto e Sasuke apareceram, carregando mochilas e as duas crianças.
— Tio Itachi! Tio Kisame! — Sarada correu à frente, os óculos vermelhos escorregando pelo nariz enquanto ela abraçava a cintura de Itachi.
Itachi, com uma suavidade que sempre surpreendia Kisame, retribuiu o abraço e afagou os cabelos da sobrinha.
— Bem-vinda, Sarada. Você cresceu desde o mês passado.
— É porque eu estou treinando muito! — exclamou a menina, orgulhosa.
Naruto aproximou-se com Menma nos braços. O bebê, com seus cabelos loiros espetados e as marcas de bigode nas bochechas, ganiu de alegria ao ver Kisame.
— Parece que ele sentiu falta do "peixão" — brincou Naruto, entregando o bebê para um Kisame momentaneamente surpreso.
Kisame segurou o recém-nascido com uma cautela quase cômica. Menma era tão pequeno em suas mãos imensas, mas o Alfa sorria de uma forma que Itachi raramente via — uma expressão de puro encantamento.
— Ele está pesado, Naruto — comentou Kisame, balançando o bebê levemente. — Vai ser um guerreiro forte.
Sasuke aproximou-se de Itachi, observando a cena de lado.
— Ele não para de falar nisso, não é? — perguntou o irmão mais novo, sua voz baixa para que apenas Itachi ouvisse.
— Do que você está falando? — desconversou Itachi.
— Do cheiro dele — disse Sasuke, direto como sempre. — Kisame cheira a desejo e expectativa. E você, irmão... você cheira a medo.
Itachi suspirou, cruzando os braços.
— É complicado, Sasuke. Nem todos temos a sua coragem de recomeçar do zero.
— Eu não tive coragem — corrigiu Sasuke, olhando para Sarada que agora tentava ensinar um selo de mão para Kisame. — Eu tive necessidade. Eu precisava de algo que me lembrasse que a vida é mais do que vingança ou dever. Você merece isso também.
Mais tarde, após o jantar, quando as crianças já dormiam e Naruto e Sasuke descansavam no quarto de hóspedes, Itachi encontrou Kisame na varanda. O Alfa olhava para a lua, a expressão melancólica.
Itachi caminhou até ele e, pela primeira vez, iniciou o contato, abraçando Kisame por trás, apoiando o rosto em suas costas largas.
— Eu vi como você olhou para o Menma hoje — sussurrou Itachi.
Kisame soltou um suspiro longo.
— Ele é... uma promessa de futuro, Itachi. Eu passei anos sendo apenas uma ferramenta de morte. Com você, eu aprendi a ser um homem. Com um filho... eu acho que aprenderia a ser humano.
Itachi apertou o abraço. O cheiro de Kisame estava carregado de uma melancolia doce, o aroma de um Alfa que ansiava por proteger e prover, não por instinto de dominação, mas por amor.
— Eu tenho pesadelos, Kisame — confessou Itachi, a voz abafada pelo tecido da roupa do outro. — Eu sonho com o sangue nas ruas de Konoha. Eu sonho com o dia em que tive que deixar Sasuke sozinho. Eu morro de medo de que, se tivermos um filho, o destino encontre uma forma de tirar a luz dele, como tirou a minha.
Kisame virou-se nos braços de Itachi, segurando o rosto do Ômega entre as mãos.
— Então nós seremos a escuridão que protege essa luz — disse Kisame com firmeza. — Deixe o destino tentar. Ele terá que passar pela Samehada e pelo seu Amaterasu antes de chegar perto do que é nosso.
Itachi olhou nos olhos pequenos e sinceros de Kisame. Ele viu ali uma segurança que nenhuma técnica ninja poderia proporcionar. Era a segurança de ser amado incondicionalmente.
— Você realmente acha que... que seríamos bons nisso? — perguntou Itachi, uma vulnerabilidade rara transparecendo em seu tom.
— Eu acho que você já é o melhor tio que a Sarada poderia ter. E eu... bom, eu sou ótimo em espantar monstros sob a cama — Kisame deu um sorriso largo, tentando aliviar a tensão.
Itachi soltou uma risada curta, sentindo o peso em seu peito diminuir um pouco. Ele encostou a testa na de Kisame.
— Talvez... — começou Itachi — talvez possamos parar de usar os supressores no próximo ciclo.
O coração de Kisame falhou uma batida. Ele não esperava uma rendição tão súbita, ou talvez não fosse uma rendição, mas um ato de fé.
— Você tem certeza? — perguntou o Alfa, a voz rouca de emoção. — Eu não quero te pressionar, Itachi-san. Eu posso esperar mais dez anos, se for preciso.
Itachi negou com a cabeça, fechando os olhos e aproveitando o calor que emanava de Kisame.
— O tempo não vai apagar o passado, Kisame. Mas talvez o futuro possa dar um novo sentido a ele. Eu quero tentar. Com você.
Kisame envolveu Itachi em um abraço esmagador, tirando-o do chão por um momento. O Ômega riu, uma risada clara que parecia purificar o ar noturno. Pela primeira vez em décadas, Itachi não estava pensando no que havia perdido, mas no que estava prestes a ganhar.
— Eu prometo a você — sussurrou Kisame contra o pescoço de Itachi, onde a marca de união deles pulsava suavemente. — Ele será o filhote mais protegido de todas as nações.
— Eu não duvido disso — respondeu Itachi, retribuindo o abraço com a mesma intensidade.
Naquela noite, sob o brilho da lua que outrora fora testemunha de tragédias, um novo pacto foi selado. Não um pacto de sangue ou de guerra, mas um de esperança. O ninja que carregara o mundo nas costas e o espadachim que vivera entre mentiras finalmente permitiram-se sonhar com algo simples, comum e extraordinário: uma família.
Enquanto o vento soprava suavemente pelas montanhas, trazendo o cheiro do chá e da terra molhada, o medo que assombrava Itachi começou, finalmente, a se dissipar, dando lugar a uma curiosidade mansa sobre como seria o rosto de uma criança que tivesse os olhos dele e o sorriso de Kisame. E, pela primeira vez, o futuro não parecia uma ameaça, mas um convite.
Itachi moveu-se com a elegância silenciosa de sempre. Como um Ômega, sua presença era magnética, mas havia uma serenidade em seus olhos que só surgiu após a reconciliação com Sasuke e o fim da Quarta Grande Guerra Ninja. Ele usava um yukata leve, e seus cabelos longos estavam presos de forma frouxa.
Kisame, sentado na varanda, observava o horizonte. O Alfa era uma presença imponente, uma força da natureza que, nas mãos de Itachi, tornava-se mansa como um lago estagnado. Ele sentiu o aroma do chá de jasmim — o favorito de Itachi — e, logo depois, o cheiro suave de sândalo e chuva que emanava do companheiro.
— O chá está pronto, Kisame — anunciou Itachi, sua voz baixa e melodiosa ecoando pelo corredor de madeira.
Kisame soltou um suspiro pesado, guardando a pedra de amolar. Ele se levantou, seus músculos tencionando-se sob a pele azulada, e caminhou até a mesa baixa onde Itachi o esperava.
— Você está pensativo hoje — comentou Itachi, servindo o líquido fumegante nas xícaras de cerâmica. — Mais do que o habitual.
Kisame esboçou um sorriso de lado, mostrando suas presas afiadas.
— Apenas lembrando da visita da semana passada — respondeu o Alfa, aceitando a xícara. — Sarada está ficando cada vez mais parecida com o pai na teimosia, mas tem a doçura da mãe. E o pequeno Menma... ele é uma cópia fiel do Naruto, não é?
Itachi permitiu-se um pequeno sorriso, aquele que raramente mostrava ao mundo, mas que era frequente quando estavam a sós.
— Sim. Sasuke parece exausto, mas há uma luz nele que eu nunca pensei que veria novamente. Ele encontrou o que eu sempre quis que ele tivesse: um lar.
Kisame tomou um gole do chá, sentindo o calor descer por sua garganta. O silêncio que se seguiu não foi desconfortável, mas estava carregado de algo que Kisame vinha guardando no fundo de seu peito. Ver Sasuke com seus filhos, ver a dinâmica de uma família crescendo, havia despertado algo instintivo e doloroso no Alfa. Ele queria aquilo. Ele queria ver Itachi carregando um fruto do que eles construíram. Mas ele sabia o terreno perigoso em que estava pisando.
— Itachi-san... — Kisame começou, hesitando por um segundo. — Você já parou para pensar em como seria? Se este lugar não fosse apenas um refúgio para dois renegados, mas um lar para três?
O movimento de Itachi com a xícara parou no ar. Seus olhos negros se fixaram no vapor que subia do chá. Ele sabia exatamente do que Kisame estava falando. O vínculo entre eles era profundo o suficiente para que os desejos do Alfa começassem a transbordar através de seu cheiro, por mais que Kisame tentasse esconder.
— O mundo ainda é um lugar perigoso, Kisame — disse Itachi, sua voz mantendo a calma, embora um leve tremor passasse por suas mãos. — Nós somos quem somos. O sangue em nossas mãos não seca apenas porque mudamos de cenário.
— Nós pagamos nossas dívidas — insistiu Kisame, inclinando-se um pouco para frente. — Sasuke nos perdoou. O mundo nos esqueceu. Estamos em paz.
— A paz é frágil — rebateu Itachi, finalmente olhando para o companheiro. — Eu passei minha vida inteira protegendo uma criança de um destino cruel. Eu não sei se suportaria a ideia de trazer alguém a este mundo sabendo que a linhagem Uchiha carrega uma maldição de ódio. E se ele sofrer? E se o passado bater à nossa porta e eu não puder protegê-lo?
Kisame colocou sua mão grande e áspera sobre a mão pálida de Itachi. O toque era gentil, um contraste gritante com a aparência feroz do Alfa.
— Você não estaria sozinho — disse ele suavemente. — Eu passaria cada segundo da minha existência garantindo que nada chegasse perto dele. Ou de você.
Itachi desviou o olhar. O medo não era de Kisame, nem da capacidade deles de lutar. Era o medo interno, o trauma de ter sido o carrasco de seu próprio clã. A ideia de paternidade, para Itachi, estava intrinsecamente ligada à perda e ao sacrifício.
— Eu preciso de tempo, Kisame — murmurou o Ômega. — Não é que eu não queira... é que eu não sei se sou capaz de ser o que um filho precisaria.
— Você é a pessoa mais altruísta que eu já conheci, Itachi — Kisame sorriu com tristeza. — Você já é tudo o que um pai deveria ser. Só tem medo de admitir.
A conversa encerrou-se ali, mas o peso dela permaneceu no ar como uma névoa densa. Nos dias seguintes, o cotidiano seguiu seu curso, mas Kisame notou que Itachi estava mais observador. À noite, quando se deitavam, Itachi buscava o calor de Kisame com mais urgência, como se tentasse encontrar respostas no bater do coração do Alfa.
Algumas semanas depois, uma nova visita quebrou a rotina. O som de risadas infantis anunciou a chegada antes mesmo que eles cruzassem a barreira. Naruto e Sasuke apareceram, carregando mochilas e as duas crianças.
— Tio Itachi! Tio Kisame! — Sarada correu à frente, os óculos vermelhos escorregando pelo nariz enquanto ela abraçava a cintura de Itachi.
Itachi, com uma suavidade que sempre surpreendia Kisame, retribuiu o abraço e afagou os cabelos da sobrinha.
— Bem-vinda, Sarada. Você cresceu desde o mês passado.
— É porque eu estou treinando muito! — exclamou a menina, orgulhosa.
Naruto aproximou-se com Menma nos braços. O bebê, com seus cabelos loiros espetados e as marcas de bigode nas bochechas, ganiu de alegria ao ver Kisame.
— Parece que ele sentiu falta do "peixão" — brincou Naruto, entregando o bebê para um Kisame momentaneamente surpreso.
Kisame segurou o recém-nascido com uma cautela quase cômica. Menma era tão pequeno em suas mãos imensas, mas o Alfa sorria de uma forma que Itachi raramente via — uma expressão de puro encantamento.
— Ele está pesado, Naruto — comentou Kisame, balançando o bebê levemente. — Vai ser um guerreiro forte.
Sasuke aproximou-se de Itachi, observando a cena de lado.
— Ele não para de falar nisso, não é? — perguntou o irmão mais novo, sua voz baixa para que apenas Itachi ouvisse.
— Do que você está falando? — desconversou Itachi.
— Do cheiro dele — disse Sasuke, direto como sempre. — Kisame cheira a desejo e expectativa. E você, irmão... você cheira a medo.
Itachi suspirou, cruzando os braços.
— É complicado, Sasuke. Nem todos temos a sua coragem de recomeçar do zero.
— Eu não tive coragem — corrigiu Sasuke, olhando para Sarada que agora tentava ensinar um selo de mão para Kisame. — Eu tive necessidade. Eu precisava de algo que me lembrasse que a vida é mais do que vingança ou dever. Você merece isso também.
Mais tarde, após o jantar, quando as crianças já dormiam e Naruto e Sasuke descansavam no quarto de hóspedes, Itachi encontrou Kisame na varanda. O Alfa olhava para a lua, a expressão melancólica.
Itachi caminhou até ele e, pela primeira vez, iniciou o contato, abraçando Kisame por trás, apoiando o rosto em suas costas largas.
— Eu vi como você olhou para o Menma hoje — sussurrou Itachi.
Kisame soltou um suspiro longo.
— Ele é... uma promessa de futuro, Itachi. Eu passei anos sendo apenas uma ferramenta de morte. Com você, eu aprendi a ser um homem. Com um filho... eu acho que aprenderia a ser humano.
Itachi apertou o abraço. O cheiro de Kisame estava carregado de uma melancolia doce, o aroma de um Alfa que ansiava por proteger e prover, não por instinto de dominação, mas por amor.
— Eu tenho pesadelos, Kisame — confessou Itachi, a voz abafada pelo tecido da roupa do outro. — Eu sonho com o sangue nas ruas de Konoha. Eu sonho com o dia em que tive que deixar Sasuke sozinho. Eu morro de medo de que, se tivermos um filho, o destino encontre uma forma de tirar a luz dele, como tirou a minha.
Kisame virou-se nos braços de Itachi, segurando o rosto do Ômega entre as mãos.
— Então nós seremos a escuridão que protege essa luz — disse Kisame com firmeza. — Deixe o destino tentar. Ele terá que passar pela Samehada e pelo seu Amaterasu antes de chegar perto do que é nosso.
Itachi olhou nos olhos pequenos e sinceros de Kisame. Ele viu ali uma segurança que nenhuma técnica ninja poderia proporcionar. Era a segurança de ser amado incondicionalmente.
— Você realmente acha que... que seríamos bons nisso? — perguntou Itachi, uma vulnerabilidade rara transparecendo em seu tom.
— Eu acho que você já é o melhor tio que a Sarada poderia ter. E eu... bom, eu sou ótimo em espantar monstros sob a cama — Kisame deu um sorriso largo, tentando aliviar a tensão.
Itachi soltou uma risada curta, sentindo o peso em seu peito diminuir um pouco. Ele encostou a testa na de Kisame.
— Talvez... — começou Itachi — talvez possamos parar de usar os supressores no próximo ciclo.
O coração de Kisame falhou uma batida. Ele não esperava uma rendição tão súbita, ou talvez não fosse uma rendição, mas um ato de fé.
— Você tem certeza? — perguntou o Alfa, a voz rouca de emoção. — Eu não quero te pressionar, Itachi-san. Eu posso esperar mais dez anos, se for preciso.
Itachi negou com a cabeça, fechando os olhos e aproveitando o calor que emanava de Kisame.
— O tempo não vai apagar o passado, Kisame. Mas talvez o futuro possa dar um novo sentido a ele. Eu quero tentar. Com você.
Kisame envolveu Itachi em um abraço esmagador, tirando-o do chão por um momento. O Ômega riu, uma risada clara que parecia purificar o ar noturno. Pela primeira vez em décadas, Itachi não estava pensando no que havia perdido, mas no que estava prestes a ganhar.
— Eu prometo a você — sussurrou Kisame contra o pescoço de Itachi, onde a marca de união deles pulsava suavemente. — Ele será o filhote mais protegido de todas as nações.
— Eu não duvido disso — respondeu Itachi, retribuindo o abraço com a mesma intensidade.
Naquela noite, sob o brilho da lua que outrora fora testemunha de tragédias, um novo pacto foi selado. Não um pacto de sangue ou de guerra, mas um de esperança. O ninja que carregara o mundo nas costas e o espadachim que vivera entre mentiras finalmente permitiram-se sonhar com algo simples, comum e extraordinário: uma família.
Enquanto o vento soprava suavemente pelas montanhas, trazendo o cheiro do chá e da terra molhada, o medo que assombrava Itachi começou, finalmente, a se dissipar, dando lugar a uma curiosidade mansa sobre como seria o rosto de uma criança que tivesse os olhos dele e o sorriso de Kisame. E, pela primeira vez, o futuro não parecia uma ameaça, mas um convite.
