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Water

Fandom: Demon Slayer

Criado: 14/06/2026

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A Calmaria e o Furacão: O Limite da Inocência

A mansão de Sanemi Shinazugawa raramente era um lugar de paz, mas, desde que ele e Giyu Tomioka começaram a namorar, o silêncio que antes era preenchido por gritos de treinamento agora era ocupado por uma tensão de um tipo completamente diferente. Para os outros Hashiras, a união era um enigma digno de estudo. Como o homem mais explosivo do esquadrão e o mais apático poderiam dividir o mesmo espaço sem que a casa viesse abaixo?

O problema, no entanto, não era a convivência. O problema era a comunicação. Ou a falta dela.

Sanemi estava sentado na varanda de madeira, observando a lua. Ao seu lado, Tomioka bebia chá com a expressão de quem estava contemplando o vazio absoluto. Eles estavam juntos há meses. Beijos haviam se tornado comuns — beijos intensos, às vezes agressivos por parte de Sanemi, que Tomioka aceitava com uma passividade que oscilava entre a doçura e a irritante falta de iniciativa.

— Giyu — rosnou Sanemi, a voz rouca pela frustração acumulada.

— Sim? — Tomioka inclinou a cabeça, os olhos azuis profundos refletindo a luz da lua. Ele parecia um boneco de porcelana, intocado pelas tempestades que assolavam o peito do Hashira do Vento.

— Você não acha que... — Sanemi hesitou, fechando os punhos sobre os joelhos — que a gente está estagnado?

Tomioka piscou, confuso.

— Estagnado? Não. Eu sinto que minhas técnicas de respiração melhoraram desde que começamos a treinar juntos.

Sanemi sentiu uma veia saltar em sua têmpora.

— Não estou falando de treinamento, seu idiota! Estou falando de nós. De nós dois. Aqui.

— Ah — Tomioka tomou mais um gole de chá. — Eu gosto de estar aqui. Você faz um bom chá, Sanemi.

O Hashira do Vento soltou um suspiro pesado, quase um rosnado. Ele queria mais. Ele queria sentir a pele de Giyu contra a sua sem as camadas de tecido do uniforme. Queria ouvir sons que não fossem monossílabos educados. Mas Tomioka parecia viver em um mundo onde o conceito de desejo carnal era uma lenda urbana ou algo que só acontecia com outras pessoas.

A oportunidade perfeita — ou o que Sanemi pensou ser a oportunidade — surgiu dois dias depois, durante uma missão conjunta em uma vila remota nas montanhas. O demônio era fraco, mas a chuva que caiu logo após a batalha era implacável. Eles encontraram abrigo em uma pequena cabana abandonada, apertada e fria.

Sanemi estava sentado em um canto, tentando se aquecer, quando Tomioka se aproximou. O Hashira da Água parecia não se importar com o frio, mas suas roupas estavam encharcadas, colando-se ao corpo magro e definido.

— Você vai pegar um resfriado — disse Tomioka, aproximando-se sem aviso.

— Eu estou bem — rebateu Sanemi, embora estivesse tremendo levemente.

Sem pedir permissão, Tomioka sentou-se. Mas ele não sentou ao lado de Sanemi. Devido ao espaço reduzido e à sua própria lógica peculiar de que "corpos juntos geram mais calor", ele se acomodou diretamente no colo de Sanemi, de costas para ele.

O Hashira do Vento congelou. O peso de Giyu sobre suas coxas era firme, e o cheiro de chuva misturado ao aroma natural de sândalo do outro homem subiu-lhe à cabeça instantaneamente. Sanemi sentiu o sangue migrar para o sul de seu corpo com uma velocidade alarmante.

— O que você está fazendo, Giyu? — a voz de Sanemi saiu mais baixa do que o pretendido.

— Compartilhando calor corporal — respondeu Tomioka com simplicidade, encostando as costas no peito cicatrizado de Sanemi. — É o método mais eficiente em situações de sobrevivência. Li isso em um manual.

Sanemi cerrou os dentes. Seus braços, involuntariamente, envolveram a cintura de Tomioka, puxando-o para mais perto. A fricção do movimento fez com que algo rígido e pulsante sob o uniforme de Sanemi pressionasse diretamente a base da coluna de Tomioka.

Sanemi prendeu a respiração, esperando uma reação. Um tapa, um susto, um olhar de compreensão. Qualquer coisa.

Tomioka se mexeu um pouco, tentando se acomodar melhor, e sentiu o volume. Ele franziu a testa, mas não se afastou. Em vez disso, ele se inclinou um pouco para trás, pressionando ainda mais o local.

— Sanemi? — chamou Tomioka, a voz calma.

— O quê? — Sanemi estava suando, apesar do frio da montanha.

— Você esqueceu de tirar alguma arma do bolso? Tem algo duro me cutucando. Está desconfortável.

Sanemi sentiu que ia explodir. Ele enterrou o rosto no pescoço de Tomioka, dando uma mordida leve na pele pálida, o que fez o Hashira da Água soltar um suspiro curto de surpresa.

— Não é uma arma, Giyu — rosnou Sanemi contra a pele dele. — É você. Você faz isso comigo.

Tomioka ficou imóvel por um longo momento. Sanemi achou que finalmente ele tinha entendido. Mas então, Giyu virou o rosto levemente, olhando-o por cima do ombro com uma expressão de genuína preocupação.

— Eu estou te causando algum tipo de inchaço alérgico? — perguntou Tomioka. — Shinobu disse que algumas plantas nessas montanhas causam reações inflamatórias rápidas. Devemos procurar um médico quando a chuva parar?

Sanemi soltou Tomioka tão bruscamente que o outro quase caiu no chão de terra da cabana. O Hashira do Vento levantou-se, andando de um lado para o outro como um animal enjaulado.

— Inchaço alérgico? — Sanemi gritou, as cicatrizes em seu rosto parecendo mais vermelhas sob a luz fraca. — Você é o homem mais inteligente que eu conheço para matar onis, mas é um completo imbecil para todo o resto!

Tomioka levantou-se lentamente, limpando a poeira do hakama.

— Por que você está gritando? Eu só me preocupei com a sua saúde.

— Eu não quero um médico, Giyu! — Sanemi avançou, parando a centímetros do rosto de Tomioka. Ele segurou o rosto do moreno com as duas mãos, os polegares pressionando as bochechas com força, mas sem machucar. — Eu quero você. Eu quero que você pare de agir como se fôssemos dois velhos tomando chá e perceba que eu estou morrendo de vontade de te levar para a cama desde o dia em que te beijei pela primeira vez!

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som da chuva batendo no telhado de palha. Tomioka piscou. Uma, duas, três vezes. Suas orelhas começaram a ficar vermelhas, um contraste gritante com sua pele alva.

— Oh — disse Tomioka. Foi um "oh" pequeno, carregado de uma compreensão tardia que quase fez Sanemi rir de desespero. — Você quer dizer... o ato de procriação? Mas não podemos procriar, Sanemi. Somos ambos homens.

Sanemi bateu a própria testa contra a de Tomioka, soltando um gemido de frustração.

— Não é sobre procriar, seu idiota! É sobre prazer. É sobre eu te mostrar o quanto eu te desejo. É sobre... — Sanemi hesitou, baixando o tom — é sobre eu não conseguir mais ficar perto de você sem querer te tocar em lugares que o seu manual de sobrevivência não menciona.

Tomioka ficou em silêncio, processando a informação. Ele olhou para baixo, para a calça de Sanemi, e depois voltou a olhar para os olhos furiosos e brilhantes do namorado.

— Então... aquele volume não era uma reação alérgica? — perguntou Tomioka, a voz agora um pouco mais trêmula.

— Não — respondeu Sanemi, a voz falhando. — Era eu querendo você. Agora.

Tomioka estendeu a mão e tocou o peito de Sanemi, sentindo o coração dele batendo como um tambor de guerra. Um pequeno sorriso, quase imperceptível, surgiu nos lábios do Hashira da Água.

— Entendo — disse Tomioka. — Peço desculpas pela minha ignorância. Eu não sabia que o desejo humano se manifestava de forma tão... física e desconfortável.

Ele deu um passo à frente, fechando o pouco espaço que restava entre eles.

— Se isso é algo que você quer, Sanemi... e se isso significa que ficaremos ainda mais próximos... eu gostaria de tentar. Embora eu não saiba exatamente o que fazer.

Sanemi sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A inocência de Tomioka era desarmante, mas o convite em seus olhos — mesmo que carregado de curiosidade clínica — era tudo o que ele precisava.

— Você não precisa saber o que fazer — sussurrou Sanemi, puxando Tomioka para um beijo que não tinha nada de gentil. Era um beijo de posse, de fome, de meses de frustração sendo liberados de uma só vez.

Tomioka soltou um som baixo na garganta, algo entre um suspiro e um gemido, e suas mãos agarraram o uniforme de Sanemi, puxando-o para mais perto.

— Eu vou te ensinar tudo — prometeu Sanemi entre beijos, descendo para o pescoço de Giyu. — Mas, da próxima vez que eu estiver com um "inchaço", por favor, não me mande para a Shinobu.

Tomioka soltou uma risada curta e suave, o som mais bonito que Sanemi já tinha ouvido.

— Prometo. Mas, Sanemi?

— O quê?

— Se for doer como uma ferida de batalha, eu prefiro o chá.

Sanemi riu, uma risada rouca e genuína, antes de derrubar Tomioka sobre o manto que haviam estendido no chão.

— Não vai doer como uma batalha, Giyu. Eu prometo que vai ser muito melhor.

Naquela noite, sob o som da chuva e o abrigo de uma cabana esquecida, o Hashira do Vento finalmente encontrou a calmaria que tanto buscava, e o Hashira da Água descobriu que havia sensações que nenhum manual de sobrevivência seria capaz de descrever.
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