Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Amor doce

Fandom: amor doce university life

Criado: 14/06/2026

Tags

RomanceDramaAngústiaMistérioEstudo de PersonagemDivergênciaCiúmes
Índice

Sombras de Ouro e Cicatrizes do Passado

O ar de Anteros Academy tinha o mesmo cheiro de café torrado e papel antigo, mas para Haley, tudo parecia estranhamente fora de foco. Após anos nos Estados Unidos, mergulhada em livros de Biomedicina e tentando enterrar memórias que insistiam em brotar como ervas daninhas, ela estava de volta. O campus era o mesmo, mas ela não era mais a garota que partira com o coração na mão.

Caminhando pelo pátio, ela sentiu um braço enlaçar seu pescoço com uma energia que só uma pessoa possuía.

— Se eu soubesse que você ficaria tão deusa depois de uma temporada na terra do Tio Sam, eu teria te buscado no aeroporto de limusine! — Alexy exclamou, os cabelos azuis vibrando sob o sol da manhã.

— Menos, Alexy, bem menos — Haley riu, sentindo o aperto reconfortante do amigo. — Eu só quero terminar esse último ano sem grandes dramas.

— Sem dramas? Com a gente? — Rosalya apareceu do outro lado, com seu habitual sorriso astuto e olhos que pareciam ler a alma. Ela abraçou Haley com força. — Sentimos sua falta, amiga. Mas se prepare, porque o comitê de boas-vindas está agitado.

— O que você quer dizer com isso, Rosa? — Haley perguntou, sentindo um frio súbito na espinha.

— Digamos que o "representante de turma favorito" de todo mundo passou por uma... metamorfose — Rosalya fez uma careta, ajeitando uma mecha de seu cabelo platinado. — E ele não está exatamente distribuindo formulários de inscrição hoje em dia.

Haley não teve tempo de processar a informação. O grupo caminhava em direção ao prédio principal quando o som de uma moto potente ecoou pelo estacionamento. Um rapaz desceu do veículo, mas não era o Castiel — que já era esperado estar em uma dessas. O homem que tirou o capacete tinha cabelos loiros, curtos na lateral e com uma franja rebelde caída para a esquerda. Ele vestia uma jaqueta de couro gasta e se movia com uma confiança agressiva que Haley não reconhecia.

Era Nathaniel. Mas não o *seu* Nathaniel.

Os olhos dourados dele cruzaram o pátio e pararam nela. Por um segundo, o tempo congelou. Haley notou a cicatriz no lábio superior dele, um detalhe novo que contava uma história de violência que ela desconhecia. O olhar dele, antes doce e encorajador, agora era gélido, impenetrável.

— Olha só quem resolveu dar as caras — uma voz feminina e estridente interrompeu o transe.

Yeleen se aproximou de Nathaniel, deslizando a mão pelo braço dele de forma possessiva. Ela lançou um olhar de puro desdém para Haley.

— Oi, Nathaniel — Haley disse, sua voz saindo mais firme do que ela esperava.

Nathaniel deu um passo à frente, ignorando o aperto de Yeleen por um momento. O cheiro dele mudara; não era mais o aroma de sabonete e livros novos, mas sim de couro e algo metálico.

— Haley. Faz tempo — ele disse, com uma voz rouca que enviou arrepios indesejados pela coluna dela. — Achei que tivesse decidido que a Europa era melhor que este lugar encardido.

— Decidi que tinha assuntos pendentes aqui — ela respondeu, estreitando os olhos. — Mas vejo que muita coisa mudou. Onde está o seu distintivo de representante, Nath?

Ele soltou uma risada seca, sem nenhum pingo de humor.

— Eu cansei de seguir regras que não foram feitas para mim. Agora, se me der licença, eu tenho coisas mais interessantes para fazer do que relembrar o ensino médio.

Ele deu as costas, caminhando em direção à saída do campus com Yeleen trotando ao seu lado, lançando um olhar vitorioso para Haley.

— O que foi isso? — Haley perguntou, chocada. — Ele parece... outra pessoa.

— Ele é outra pessoa — Kim surgiu das sombras de um corredor, encostada na parede com os braços cruzados. — Ele passa mais tempo na minha academia batendo no saco de pancadas do que nas aulas de Direito. Ele está se metendo em coisa pesada, Haley.

— Kim! — Haley abraçou a amiga. — Você sabe o que aconteceu com ele?

— O Nathaniel que você conheceu morreu faz tempo, garota — Kim suspirou, o tom honesto de sempre. — Ele não se fala com os pais, mora sozinho em um lugar duvidoso e só confia em poucas pessoas. Eu sou uma delas, mas nem eu consigo tirar tudo dele.

— Ele ainda é um idiota, se quer saber minha opinião — uma voz grave e sarcástica veio de trás delas.

Castiel estava lá, encostado em uma árvore, com sua habitual jaqueta vermelha e o olhar cínico. O líder do Crowstorm parecia ainda mais imponente agora que era uma estrela do rock, mas a insolência permanecia intacta.

— Castiel — Haley sorriu levemente. — Ainda guardando rancor do Nathaniel?

— Eu não guardo rancor, eu guardo fatos — Castiel deu de ombros, embora seu olhar tenha desviado rapidamente para uma figura loira que se aproximava.

Ambre caminhava pelo pátio como se estivesse em uma passarela de Paris. Ela mudara muito; a agressividade infantil fora substituída por uma elegância sedutora, embora o brilho de superioridade ainda estivesse lá.

— Haley! — Ambre exclamou, surpreendendo a todos com um tom que não era de ódio. — Ouvi dizer que a biomedicina americana estava devolvendo as peças defeituosas.

— Ambre, continua gentil como um coice de mula — Haley rebateu, mas com um sorriso. Elas não eram amigas, mas havia um respeito mútuo agora.

Ambre parou ao lado de Castiel, e Haley notou o modo como a modelo evitou olhar diretamente para o músico, enquanto ele, por sua vez, parecia subitamente interessado em seus próprios sapatos.

— Meu irmão está um caos, Haley — Ambre disse em voz baixa, sua fachada de modelo caindo por um instante. — Se você voltou para tentar salvá-lo, pegue uma senha. Ele não quer ser salvo.

— Eu não voltei para salvá-lo. Voltei pela minha carreira — Haley mentiu, sentindo o peso do olhar de Rosalya sobre si.

Mais tarde, no refeitório, o clima estava tenso. Melody estava sentada em uma mesa próxima, observando cada movimento de Nathaniel, que comia sozinho em um canto, ignorando Yeleen que tentava chamar sua atenção.

— Ela ainda é obcecada por ele — Alexy sussurrou para Haley. — A Melody não aceita que foi rejeitada. Ela olha para qualquer garota que chega perto dele como se quisesse cometer um crime.

— E a Yeleen? — Haley perguntou.

— A ficante da vez — Rosalya respondeu, revirando os olhos. — Eles têm algo "fixo", mas todo mundo sabe que o Nathaniel não se entrega a ninguém. Ele é como um fantasma.

Haley sentiu uma pontada de tristeza. Ela se lembrou das noites em que estudavam juntos na biblioteca, da timidez dele, do jeito perfeccionista com que organizava seus cadernos. Aquele Nathaniel parecia ter sido apagado por uma realidade cruel.

Decidida a não deixar a primeira impressão ditar seu retorno, Haley esperou Nathaniel sair do refeitório e o seguiu até uma área mais isolada do campus.

— Nathaniel, espera! — ela chamou.

Ele parou, mas não se virou imediatamente. Seus ombros estavam tensos.

— O que você quer, Haley? — ele perguntou, finalmente virando-se. Sob a luz do sol, a cicatriz em seu lábio parecia mais profunda.

— Eu quero entender — ela disse, aproximando-se. — O que aconteceu com você? Por que essa armadura toda?

Nathaniel deu um passo em direção a ela, diminuindo a distância até que Haley pudesse sentir o calor que emanava dele. Ele era mais alto agora, mais forte.

— As pessoas mudam, Haley. Você foi embora e seguiu sua vida. Eu fiquei e tive que aprender a sobreviver à minha — ele disse, a voz baixa e perigosa. — Eu não sou mais o garoto que você deixou para trás.

— Eu vejo isso — ela sussurrou, estendendo a mão para tocar o braço dele, mas ele se esquivou. — Mas eu ainda vejo o Nathaniel nos seus olhos. Você ainda se importa, por mais que tente fingir que não.

Um lampejo de algo antigo — dor, saudade, talvez amor — passou pelos olhos dourados dele antes de ser substituído pela frieza costumeira.

— Você não sabe de nada — ele disse, ríspido. — Fique longe de mim, Haley. Para o seu próprio bem. Eu não sou mais seguro para você.

— É isso que você diz para a Yeleen também? — a pergunta saiu antes que ela pudesse evitar.

Nathaniel soltou um riso amargo.

— A Yeleen sabe exatamente o que eu sou. Ela não espera nada de mim. Esse é o seu problema: você sempre espera que eu seja o herói da história. Mas eu cansei de ser o herói.

Ele se aproximou novamente, desta vez tão perto que ela podia ver as pequenas manchas escuras em suas íris douradas.

— Se você quer terminar o seu curso em paz, finja que eu sou apenas um estranho — ele murmurou, seu hálito quente contra o rosto dela. — Porque se você continuar cavando, não vai gostar do que vai encontrar.

Ele se afastou e saiu caminhando, deixando Haley parada no meio do corredor, com o coração batendo descompassado. Ela sabia que ele estava mentindo. Kim sabia, e talvez até Ambre soubesse. Nathaniel ainda sentia algo, um fogo que ele tentava apagar com indiferença e socos em sacos de pancadas.

De longe, Yeleen observava a cena, seus olhos estreitados em puro ódio. Ela não permitiria que a "garota americana" estragasse o que ela tinha construído com Nathaniel.

Haley respirou fundo, limpando uma lágrima solitária que teimava em cair. Ela viera para terminar a faculdade, mas agora percebia que sua maior lição não estaria nos livros de biomedicina. Estaria em decifrar o código de silêncio de Nathaniel e descobrir o que o transformara naquele homem quebrado.

Enquanto isso, no estúdio de música, Castiel dedilhava sua guitarra com uma fúria contida. Ambre estava sentada no sofá, folheando uma revista de moda, mas seus olhos frequentemente fugiam para o músico.

— Você toca como se estivesse querendo matar alguém, Castiel — ela comentou, sem tirar os olhos da revista.

— Talvez eu esteja — ele resmungou. — Esse campus ficou pequeno demais com a volta de certas pessoas.

— Você está com medo que a Haley mude as coisas? — Ambre perguntou, finalmente fechando a revista.

— Eu não sinto medo, Ambre. Mas o Nathaniel... ele está no limite. E se a Haley for o empurrão que ele precisa, pode ser para cima ou para o abismo.

Ambre levantou-se e caminhou até a porta, parando por um segundo.

— Às vezes, o abismo é o único lugar onde a gente consegue ver a luz de verdade — ela disse, saindo e deixando Castiel sozinho com suas notas dissonantes.

A noite caiu sobre Anteros Academy, trazendo consigo segredos e promessas silenciosas. Haley abriu seu livro de anatomia em seu quarto, mas as palavras se misturavam. Ela só conseguia pensar nos olhos dourados de Nathaniel e na cicatriz que ele carregava. O último ano estava apenas começando, e ela sabia que as feridas do passado estavam longe de cicatrizar.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic