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Amor doce

Fandom: amor doce university life

Criado: 14/06/2026

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RomanceDramaAngústiaCiúmesEstudo de PersonagemDivergênciaCenário Canônico
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Sombras do Passado e Luzes de Neon

O sol da Califórnia parecia brilhar com uma intensidade diferente em Laguna Beach. Para Haley, o ar salgado que vinha do oceano trazia consigo uma mistura sufocante de nostalgia e ansiedade. Quatro anos. Havia se passado quase meia década desde que ela partira para os Estados Unidos, deixando para trás as ruas estreitas, os dramas escolares e, principalmente, o garoto que detinha todas as suas memórias de "primeira vez".

Caminhar pelo campus da Anteros Academy para o seu primeiro dia de volta no curso de Biomedicina era como viver um déjà vu constante. No entanto, o peso dos livros em sua mochila e a maturidade em seus traços aos 24 anos lembravam que ela não era mais aquela menina insegura.

— Haley! Pelo amor de Deus, me diz que é você ou eu vou ter um ataque cardíaco agora mesmo! — O grito agudo de Alexy ecoou pelo corredor principal, atraindo olhares de vários estudantes.

Antes que ela pudesse reagir, foi envolvida por um abraço duplo. O cheiro do perfume caro de Rosalya e a energia vibrante de Alexy a atingiram como uma onda. Rosalya estava radiante, com seu estilo impecável e os cabelos platinados perfeitamente alinhados. Alexy, com seus fios azuis elétricos e um sorriso que poderia iluminar a cidade inteira, não parava de saltitar.

— Vocês não mudaram absolutamente nada! — Haley riu, sentindo as lágrimas arderem nos olhos enquanto retribuía o abraço.

— Ah, querida, nós só melhoramos com o tempo, como um bom vinho — Rosalya disse, afastando-se para analisar o rosto da amiga. — Mas olhe para você! Essa temporada fora te fez muito bem. Está com cara de mulher decidida, embora eu ainda consiga ver a garota brava de sempre por trás desses olhos.

— Eu senti tanta falta de vocês — confessou Haley, enquanto começavam a caminhar em direção à saída do prédio. — As chamadas de vídeo não faziam justiça.

— Temos tanto para fofocar que eu acho que precisaríamos de uma semana inteira trancados em um quarto — Alexy comentou, gesticulando dramaticamente. — Mas, por enquanto, temos um plano. Hoje à noite, o bar Snake Room. É onde todo mundo se encontra agora.

Haley sentiu um frio na barriga. Ela sabia o que aquela frase significava.

— "Todo mundo" inclui... ele? — A pergunta saiu mais baixa do que ela pretendia.

Rosalya e Alexy trocaram um olhar cúmplice, aquele tipo de olhar que amigos de longa data compartilham quando sabem que estão entrando em terreno perigoso.

— O Nathaniel mudou, Haley — Rosalya começou, o tom de voz tornando-se mais sério. — Ele não é mais aquele representante de turma certinho que usava suéter e seguia todas as regras. Ele... bem, você vai ver. Ele frequenta a academia da Kim agora, luta, e tem andado com um pessoal meio pesado.

— Ele se tornou o bad boy supremo da faculdade — Alexy completou, com uma careta. — E, sinceramente? Ele está mais gato do que nunca, mas o gênio está insuportável. E ele está sempre acompanhado.

— Acompanhado? — Haley arqueou a sobrancelha, sentindo uma pontada involuntária de ciúme.

— Yeleen — disse Rosalya, revirando os olhos. — Ela estuda com a gente. É bonita, mas tem o carisma de uma porta de ferro e é super possessiva. Eles têm esse "rolo" fixo faz um tempo.

Haley respirou fundo, tentando manter a compostura. Ela tinha vindo para terminar seus estudos, mas mentiria se dissesse que Nathaniel não era uma das razões principais para sua volta. Ela precisava saber se o que sentia ainda era real ou apenas uma sombra do passado.


A noite em Laguna Beach era quente. O Snake Room estava lotado, o som de rock alternativo e o burburinho de conversas preenchiam o ambiente escuro, iluminado apenas por luzes de neon roxas e azuis. Haley usava um vestido ajustado que acentuava suas curvas e deixava seus ombros à mostra, sentindo-se confiante, mas com o coração martelando contra as costelas.

— Ali, no canto — Alexy sussurrou, apontando discretamente para uma mesa nos fundos.

Haley seguiu o olhar do amigo e seu mundo parou por um segundo.

Nathaniel estava sentado em uma poltrona de couro, segurando um copo de bebida. Ele não usava mais as camisas sociais engomadas. Em vez disso, uma regata preta revelava braços musculosos e tatuagens que ela nunca imaginou que ele teria. O cabelo loiro estava mais curto nas laterais, com a franja jogada de lado de forma rebelde. Havia uma pequena cicatriz no lábio superior que lhe dava um ar perigoso. Ele parecia mais velho, mais duro, e incrivelmente magnético.

Ao lado dele, uma garota de cabelos escuros e expressão entediada, Yeleen, mantinha a mão possessivamente sobre o ombro dele.

— Ele parece... outra pessoa — Haley murmurou.

— Ele é outra pessoa — Rosalya respondeu. — Mas a Kim me disse que, no fundo, ele ainda é o Nathaniel. Só que ele enterrou o lado bom muito fundo.

Haley não conseguiu se conter. Antes que a coragem a abandonasse, ela começou a caminhar em direção à mesa. Ela sentia os olhares de Alexy e Rosa em suas costas, mas não parou.

Quando ela parou diante da mesa, Nathaniel estava rindo de algo que um rapaz ao lado dizia. Ele não percebeu sua presença de imediato.

— O curso de Direito está te deixando lento, Nath? Ou é só a bebida? — A voz de Haley saiu clara, apesar do tremor interno.

O riso de Nathaniel morreu instantaneamente. Ele congelou por um milésimo de segundo antes de levantar os olhos dourados. Quando o olhar dele encontrou o dela, Haley sentiu um choque elétrico atravessar sua espinha. A surpresa brilhou naquelas íris cor de mel, seguida rapidamente por algo que parecia dor, e então, uma máscara de indiferença fria caiu sobre o rosto dele.

— Haley? — A voz dele estava mais grave, rouca. Ele se levantou lentamente, revelando o quanto tinha ficado mais alto e imponente. — O que você está fazendo aqui?

— Eu voltei para terminar a faculdade — ela respondeu, tentando sustentar o olhar. — Senti saudades da cidade. E das pessoas.

Yeleen, que até então apenas observava, levantou-se também, estreitando os olhos. Ela se aproximou de Nathaniel, entrelaçando o braço no dele de forma ostensiva.

— E quem é essa, Nath? — Yeleen perguntou, a voz carregada de sarcasmo. — Mais uma fã do Crowstorm ou alguma ex-namorada de colégio que não sabe a hora de seguir em frente?

Haley sentiu o sangue ferver. Ela olhou para Yeleen com desprezo.

— Eu sou Haley. E você deve ser a garota que ocupa o tempo dele enquanto ele não tem nada melhor para fazer — Haley rebateu, a língua afiada que Nathaniel tanto conhecia voltando à tona.

— Escuta aqui, garota... — Yeleen começou, mas Nathaniel a interrompeu, colocando a mão sobre o braço dela.

— Chega, Yeleen — ele disse, secamente. Seus olhos nunca deixaram os de Haley. — Você mudou.

— Todo mundo muda, Nathaniel — Haley deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. O cheiro dele — uma mistura de sândalo e algo metálico — a atingiu em cheio. — Mas alguns mudam para se proteger, outros mudam porque se perderam. Qual é o seu caso?

Nathaniel soltou um riso amargo, desprovido de qualquer alegria.

— Eu não me perdi, Haley. Eu finalmente me encontrei. O garoto que você conhecia morreu faz tempo. Ele era um idiota que tentava agradar a todo mundo. Eu cansei disso.

— É mesmo? — Haley arqueou a sobrancelha, notando como ele apertava o copo na mão com força. — Porque eu ainda vejo o mesmo brilho nos seus olhos quando você fica bravo. Você ainda é péssimo em esconder o que sente.

— Você não sabe de nada — ele sibilou, inclinando-se para perto dela, ignorando completamente Yeleen, que bufava de raiva ao lado. — Você foi embora. Ficou quatro anos em outro país enquanto as coisas aqui desmoronavam. Não ache que pode chegar agora e ler a minha mente como se nada tivesse acontecido.

— Eu nunca quis ir embora, Nath! — Haley exclamou, esquecendo-se por um momento das pessoas ao redor. — E eu nunca deixei de pensar em você.

O silêncio que se seguiu foi tenso. Nathaniel parecia lutar contra o impulso de tocar o rosto dela ou de gritar. O ciúme era evidente na forma como ele olhava para ela, analisando cada detalhe de sua aparência, como se quisesse recuperar o tempo perdido, ao mesmo tempo em que a raiva por ela tê-lo "abandonado" ardia em seu peito.

— Que cena patética — Yeleen interrompeu, puxando Nathaniel pelo braço. — Nath, o Castiel e a Ambre acabaram de chegar. Vamos para a área VIP. Não perca seu tempo com... isso.

Nathaniel hesitou. Ele olhou para Haley, e por um breve momento, a máscara de bad boy caiu. Ela viu o Nathaniel dela. O Nathaniel que amava gatos, que lia livros clássicos e que tinha medo de decepcionar as pessoas. Mas foi apenas um relance.

— Bem-vinda de volta, Haley — ele disse, a voz fria novamente. — Mas não espere que eu te receba com flores.

Ele se virou e começou a caminhar com Yeleen, mas Haley notou que ele não a abraçou de volta quando a garota se aninhou nele.

— Isso não acabou, Nathaniel! — Haley gritou para as costas dele.

Ele parou por um segundo, os ombros tensos, mas não olhou para trás.

Logo em seguida, um vulto vermelho passou por Haley. Era Castiel, com sua guitarra em uma capa nas costas, acompanhado por uma Ambre deslumbrante em um vestido de grife.

— Haley? — Ambre parou, surpresa. — Meu Deus, você voltou mesmo.

— Oi, Ambre — Haley disse, tentando recuperar o fôlego.

— Você continua causando confusão, não é? — Castiel deu um sorriso de lado, tipicamente sarcástico. — O Nathaniel está de mau humor faz dois anos. Acho que agora ele vai ficar insuportável de vez.

— Ele é um idiota — Haley resmungou, cruzando os braços.

— Ele é meu irmão e eu o conheço — Ambre disse, aproximando-se de Haley e falando baixo. — Ele não esqueceu você, Haley. Nem por um segundo. Mas ele está machucado. E a Yeleen... bem, ela é o que ele usa para tentar esquecer o que dói.

Castiel colocou a mão no ombro de Ambre, um gesto que não passou despercebido por Haley. Havia algo ali também.

— Vamos, Ambre. O show vai começar logo — Castiel chamou, seu tom de voz suavizando ligeiramente ao falar com a loira.

Haley ficou ali, parada no meio do bar, enquanto seus amigos se aproximavam novamente.

— E aí? — Alexy perguntou, ansioso. — Como foi o reencontro com o ex-futuro-amor-da-sua-vida?

— Foi um desastre — Haley disse, mas havia um sorriso determinado em seus lábios. — Ele está diferente, está arrogante e aquela Yeleen é um pesadelo.

— Mas? — Rosalya incentivou.

— Mas ele ainda me ama — Haley afirmou, olhando para a área VIP onde Nathaniel agora se sentava, olhando fixamente para o nada, ignorando a bebida à sua frente. — Eu vi nos olhos dele. Ele pode tentar ser o bad boy que quiser, mas ele ainda é o meu Nathaniel. E eu não vou desistir dele tão fácil.

Rosalya sorriu e abraçou a amiga.

— Então é melhor você se preparar, Haley. Porque se o Nathaniel que a gente conhecia era difícil, esse novo Nathaniel é uma fortaleza.

— Eu sempre gostei de desafios — Haley respondeu, sentindo a adrenalina correr por suas veias.

A noite estava apenas começando, e a volta de Haley para Laguna Beach prometia abalar não apenas a vida de Nathaniel, mas todas as estruturas que ele tinha construído para se proteger do mundo. O jogo de gato e rato havia recomeçado, e dessa vez, Haley não pretendia perder.

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