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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 14/06/2026

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DramaAngústiaSombrioAçãoSobrevivênciaSuspenseCenário CanônicoHorror
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O Gosto Amargo da Nota Zero

A luz neon dos corredores da Escola Saint Paul parecia mais pálida do que o normal naquela tarde. Oliver caminhava com sua habitual confiança desleixada, os longos cabelos brancos balançando conforme ele se movia. Na mão direita, ele segurava uma barra de sabonete de lavanda, da qual tirava lascas generosas com os dentes afiados, mastigando-as como se fossem o mais refinado chocolate. O braço esquerdo, aquele lápis gigante e funcional, batia ritmicamente contra sua perna.

Para Oliver, a vida era uma grande piada, e ele, Zip e Edward eram os únicos que sabiam o final. No entanto, o destino decidiu pregar uma peça nele.

Tudo aconteceu rápido demais. Um vulto alto, o som metálico de um compasso raspando no chão de pedra e, de repente, a escuridão.

Quando Oliver recobrou a consciência, ele não estava mais nos corredores ou no pátio. Ele sentiu o toque de lençóis ásperos sob seu corpo. Ele estava deitado em uma cama de metal, dentro de uma sala fria que cheirava a giz e desinfetante. Seus olhos se arregalaram ao ver a figura imponente diante dele.

Miss Circle.

A professora de matemática estava ali, segurando seu compasso gigante, cujas pontas brilhavam perigosamente sob a luz fraca. O rosto dela, geralmente uma máscara de crueldade calculada, exibia um sorriso distorcido.

— Oliver, Oliver... — a voz dela era um sussurro ríspido que fez os pelos da nuca do garoto se arrepiarem. — Você sempre achou que as regras não se aplicavam a você por ser um dos meus "favoritos".

Ela estendeu uma folha de papel. No topo, em letras grandes e vermelhas, brilhava um "0". O círculo ao redor do número parecia uma sentença de morte.

Oliver sentiu o sangue fugir do rosto, ficando tão pálido quanto seus próprios cabelos.

— M-Miss Circle! — ele gaguejou, tentando se sentar, mas percebendo que seus movimentos estavam limitados. — Eu posso explicar! Foi um erro, eu juro! O Edward trocou as folhas, ou talvez o sabonete que eu comi estivesse estragado e afetou meu raciocínio... eu posso refazer! Eu tiro um A+, eu prometo!

— Tarde demais para promessas, Oliver — interrompeu ela, aproximando-se com passos lentos. — Erros em matemática são fatais nesta escola. E você sabe o que acontece com quem falha.

Antes que Oliver pudesse gritar por socorro, Miss Circle agiu com uma velocidade desumana. Ela o virou bruscamente. Oliver sentiu o aperto áspero de cordas de cânhamo rodeando seus pulsos e subindo por suas costas, prendendo seus braços de forma que ele mal conseguia se mexer. Ele tentou lutar, chutando as pernas e balançando o cabelo longo, mas a força da professora era absoluta.

— Parem! Socorro! Zip! Edward! — ele gritava, a voz carregada de um estresse que ele raramente demonstrava. — Miss Circle, isso não é engraçado! Eu sou o Oliver!

— Silêncio — ordenou ela.

Para garantir que ele não fizesse mais barulho, ela retirou de seu bolso um acessório de couro negro: uma mordaça de bola. Sem hesitar, ela a forçou na boca de Oliver. O garoto sentiu o couro frio e a esfera rígida pressionando sua língua bifurcada, forçando sua mandíbula a permanecer aberta. As tiras foram presas com firmeza atrás de sua cabeça, deixando apenas seus dentes afiados visíveis ao redor da bola.

— Mmmph! Mmmph-mmm! — Oliver tentava gritar, mas o som saía abafado e desesperado. Ele se debatia na cama, as botas pretas batendo no colchão, os chifres raspando na cabeceira de metal.

Miss Circle não parecia nem um pouco incomodada com a resistência dele. Com um movimento rápido, ela segurou a gola da camisa preta dele e a removeu, expondo o torso do garoto. Oliver congelou, a respiração ofegante subindo e descendo em seu peito pálido.

A professora estendeu a mão livre e, com um dedo longo, tocou levemente o umbigo de Oliver.

O rosto do garoto instantaneamente mudou de pálido para um vermelho intenso. Ele sentiu uma mistura de humilhação e pavor absoluto. Era uma invasão de espaço que ele nunca imaginou sofrer, vinda justamente da professora que ele tanto admirava e temia.

— Você ficará aqui refletindo sobre cada questão que errou — disse Miss Circle, guardando o compasso. — Voltarei em breve para decidir se você merece uma segunda chance ou se será descartado como o lixo que os alunos medíocres são.

Ela deu as costas e saiu, trancando a porta pesada de metal atrás de si.

Oliver ficou sozinho no silêncio opressor da sala. Sua mente era um turbilhão de pensamentos furiosos e desesperados. "Como ela pôde fazer isso?", "Eu vou matá-la!", "Alguém me tire daqui!". Ele tentava forçar as cordas, sentindo o atrito queimar sua pele, mas a mordaça impedia qualquer tentativa de roer os nós. O gosto do sabonete que ele comera antes agora parecia amargo e seco em sua garganta.

Minutos que pareceram horas se passaram. O único som era o da sua própria respiração abafada.

De repente, um barulho veio do duto de ventilação no alto da parede. A grade foi removida silenciosamente e duas figuras conhecidas saltaram para dentro da sala.

Zip e Edward caíram de pé, olhando em volta com cautela até que seus olhos pousaram na cama.

— Oliver? — Edward sussurrou, os olhos arregalados por trás dos óculos.

— Cara, o que aconteceu com você? — Zip perguntou, segurando o riso por um momento antes de perceber a gravidade da situação. — A Miss Circle realmente perdeu a linha dessa vez.

Oliver começou a se debater freneticamente, emitindo sons abafados e agudos.

— MMMMPH! MMMMM-MMMPH! — Ele olhava para as cordas em suas costas e depois para os amigos, implorando com os olhos.

— Calma, calma! — disse Zip, aproximando-se e analisando os nós. — Nossa, ela apertou isso com vontade. Edward, me ajuda aqui!

— Eu estou tentando! — Edward puxou uma pequena ferramenta de seu bolso. — Se ela pegar a gente aqui, estamos mortos. Oliver, para de se mexer, senão eu vou acabar te cortando!

Oliver obedeceu, embora seus músculos estivessem tensos de puro estresse. Ele sentiu a pressão das cordas diminuir conforme Edward trabalhava com precisão cirúrgica. Assim que o primeiro nó cedeu, a tensão em seus ombros relaxou.

— Pronto, as mãos estão livres — anunciou Edward.

Oliver não esperou que eles tirassem a mordaça. Ele mesmo levou as mãos trêmulas à nuca, desatando as fivelas de couro com pressa. Quando a bola finalmente saiu de sua boca, ele tossiu e respirou fundo, massageando a mandíbula dolorida.

— Aquela... aquela louca! — Oliver explodiu em um sussurro furioso, a voz ainda um pouco rouca. — Ela me deu zero! Um zero! E depois me amarrou como se eu fosse um pedaço de carne!

— A gente viu a nota no mural dos professores — Zip comentou, ajudando-o a encontrar sua camisa. — Sabíamos que ela ia surtar, mas não achamos que seria tão rápido.

Oliver vestiu a camisa rapidamente, ajustando o laço em seu cabelo que havia se afrouxado durante a luta. Ele ainda estava vermelho de vergonha pela forma como fora exposto, mas a raiva agora superava o constrangimento.

— Precisamos sair daqui antes que ela volte — Edward disse, olhando ansiosamente para a porta. — Ela foi buscar mais "material de correção".

— Eu não vou esquecer isso — Oliver rosnou, pegando um pedaço de sabonete que havia caído no chão e colocando-o na boca para acalmar os nervos. O gosto da lavanda agora era o gosto da vingança. — Ninguém faz isso com o Oliver e sai impune. Nem mesmo ela.

— Vamos logo, herói — Zip o puxou pelo braço de lápis. — A vingança vem depois. Agora, a prioridade é não virar estatística.

Os três amigos escalaram de volta para o duto de ventilação, desaparecendo nas sombras da escola, deixando para trás apenas as cordas cortadas e a marca de um zero que, para Oliver, nunca mais se repetiria.
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