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Ódio mestiço
Fandom: Engene - Enhypen
Criado: 15/06/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaCenário CanônicoEstudo de PersonagemCiúmesFofura
Batidas e Faíscas
O som rítmico das baquetas batendo no pad de treino ecoava pela sala de ensaio espelhada da HYBE, preenchendo o silêncio da madrugada. Gabby estava concentrada, os cabelos escuros com leves luzes douradas presos em um coque frouxo que ameaçava cair a qualquer momento. Suas curvas, que ela movia com a agilidade de uma dançarina profissional, acompanhavam o movimento dos braços. Para ela, a percussão não era apenas música; era matemática, força e sentimento.
A porta da sala se abriu com um estrondo controlado, e o ar pareceu esfriar instantaneamente. Ela não precisou olhar pelo reflexo do espelho para saber quem era. O cheiro de perfume cítrico e o som dos passos pesados de quem se sentia o dono do mundo eram inconfundíveis.
— Você ainda está aqui? — A voz de Ni-ki soou profunda e carregada de um desdém quase teatral. — Eu reservei a sala para praticar o solo de "Chaconne".
Gabby parou o movimento das baquetas no ar, sentindo o suor escorrer pela nuca. Ela se virou lentamente, encarando a figura alta de 1,86m que a observava da porta. Ni-ki parecia um personagem de anime que ganhou vida, com seu cabelo preto e mechas claras caindo sobre os olhos intensos.
— O relógio deve estar quebrado no Japão, Nishimura — Gabby retrucou, limpando a testa com o dorso da mão. — Minha reserva vai até as duas da manhã. São uma e quarenta e cinco.
Ni-ki deu alguns passos para dentro, diminuindo a distância entre eles. A diferença de altura era gritante, obrigando Gabby a inclinar a cabeça para trás para manter o contato visual.
— Quinze minutos não vão mudar o fato de que você está errando o tempo do terceiro compasso — ele disse, com um sorriso de canto que ela detestava. — Como percussionista, você deveria ser mais precisa.
— Como dançarino, você deveria saber que eu estou testando uma síncope proposital — ela rebateu, cruzando os braços sobre o peito. — Mas acho que seu ego é grande demais para entender nuances musicais.
Eles se encararam. O ódio entre os dois era algo lendário entre os trainees e o staff. Começou com uma rasteira acidental em um ensaio geral e evoluiu para uma guerra fria de comentários ácidos e competições silenciosas. Mas, nos últimos meses, algo havia mudado. A hostilidade não tinha mais aquele gosto amargo de desprezo puro; agora, queimava com uma eletricidade que fazia os pelos do braço de Gabby se arrepiarem sempre que ele chegava perto.
— Prove — Ni-ki desafiou, jogando a mochila no canto da sala. — Mostre-me essa sua "nuance".
Gabby cerrou os dentes, mas pegou as baquetas novamente. Ela começou a tocar, um ritmo complexo e tribal, usando o corpo inteiro para dar peso às batidas. Ni-ki observava cada movimento. Ele não admitiria nem sob tortura, mas a forma como Gabby se movia, a confiança que ela exalava apesar de não seguir os padrões magros da indústria, era hipnotizante. Ela era poderosa, sólida como a batida de um tambor.
Quando ela terminou, estava ofegante. O silêncio que se seguiu foi denso. Ni-ki não zombou. Em vez disso, ele começou a marcar o tempo com os pés, seguindo o ritmo que ela acabara de criar.
— O movimento de quadril no segundo tempo está atrasado — ele comentou, mas sua voz estava mais baixa, menos agressiva. — Se você girar o peso para a perna esquerda antes da batida do bumbo, ganha mais agilidade.
— Eu sei dançar, Ni-ki.
— Eu sei que sabe. Mas você é teimosa demais para aceitar ajuda.
Ele se aproximou mais, parando logo atrás dela. Gabby podia sentir o calor que emanava do corpo dele. Ni-ki estendeu a mão e tocou o braço dela, posicionando-o um pouco mais para cima. O toque foi como um choque elétrico.
— Aqui — ele sussurrou perto do ouvido dela. — Mantenha o eixo aqui.
Gabby engoliu em seco. A tensão na sala mudou de "quero te matar" para "não consigo parar de olhar para a sua boca" em questão de segundos. Ela se virou bruscamente, ficando a centímetros do peito dele.
— Por que você faz isso? — ela perguntou, a voz falhando levemente.
— Faço o quê? — Ni-ki arqueou uma sobrancelha, mas não recuou.
— Por que age como se me odiasse, mas sempre aparece onde eu estou? Por que critica cada passo meu, mas é o primeiro a me defender quando o coreógrafo exagera?
Ni-ki soltou um suspiro curto, uma risada sem humor. Ele desviou o olhar por um segundo antes de focar novamente nos olhos castanhos dela.
— Porque você é irritante, Gabby. Você é barulhenta, você ocupa espaço, você desafia cada palavra que eu digo. E, por algum motivo que eu ainda não entendi, eu não consigo parar de pensar no quanto isso me atrai.
O coração de Gabby deu um salto. Ela esperava um insulto, não uma confissão.
— Você é um idiota — ela murmurou, mas não se afastou.
— E você é uma percussionista de quinta — ele respondeu, mas sua mão subiu para o rosto dela, o polegar acariciando a bochecha suada.
O clima mudou completamente. Ni-ki inclinou a cabeça, os olhos fixos nos lábios de Gabby. A tensão sexual era tão palpável que parecia uma terceira pessoa na sala. Ele se aproximou lentamente, dando a ela todo o tempo do mundo para recuar. Mas Gabby não recuou. Ela segurou a gola da camiseta preta dele e o puxou para baixo.
O beijo foi tudo o que a relação deles representava: intenso, competitivo e carregado de uma necessidade reprimida por meses. Ni-ki a pressionou contra a parede de espelhos, as mãos grandes encontrando o caminho até a cintura dela, apertando com firmeza. Gabby soltou um gemido baixo, passando as mãos pelo cabelo dele, desfazendo o penteado perfeito do ídol.
Quando se separaram para buscar ar, as testas continuaram encostadas.
— Eu ainda te odeio — ela ofegou, embora estivesse sorrindo.
— Eu também — Ni-ki respondeu, a voz rouca. — Especialmente quando você usa esse perfume de baunilha que me desconcentra nos ensaios.
Ele a beijou novamente, mas desta vez foi mais calmo, quase doce. Ele a envolveu em um abraço, sentindo a diferença de altura e como ela se encaixava perfeitamente contra ele.
— Sabe — Ni-ki disse, passando a mão pelos cabelos dela —, você fica bonita quando está brava. Mas fica melhor ainda quando está tocando.
Gabby se afastou um pouco, o rosto corado.
— Não tente ser fofo agora, Nishimura. Não combina com a sua imagem de "bad boy" dançarino.
— Com você, eu posso abrir uma exceção — ele deu um beijo rápido na ponta do nariz dela. — Agora, saia da sala. Eu realmente preciso praticar.
— Nem pensar! — Gabby riu, pegando suas baquetas do chão. — Agora que você admitiu que gosta da minha "nuance", você vai dançar enquanto eu marco o tempo.
Ni-ki revirou os olhos, mas havia um brilho de diversão neles que Gabby nunca tinha visto antes.
— Tudo bem, percussionista. Mas se você errar uma batida, eu vou te cobrar com juros.
— E como seriam esses juros? — ela perguntou, desafiadora.
Ni-ki sorriu, aquele sorriso ladino que agora fazia as pernas dela tremerem.
— Mais uma hora de "treino" depois que as luzes se apagarem.
Gabby bateu as baquetas uma na outra, marcando quatro tempos, e a música começou novamente. Mas, desta vez, as batidas e os passos estavam em perfeita harmonia, transformando a rivalidade em algo que nenhum dos dois estava pronto para admitir, mas que ambos não conseguiam mais ignorar.
No final daquela madrugada, entre risadas e novos beijos roubados entre uma sequência e outra, os "inimigos" da HYBE descobriram que o ritmo mais difícil de dominar não era o de uma música, mas o do próprio coração.
A porta da sala se abriu com um estrondo controlado, e o ar pareceu esfriar instantaneamente. Ela não precisou olhar pelo reflexo do espelho para saber quem era. O cheiro de perfume cítrico e o som dos passos pesados de quem se sentia o dono do mundo eram inconfundíveis.
— Você ainda está aqui? — A voz de Ni-ki soou profunda e carregada de um desdém quase teatral. — Eu reservei a sala para praticar o solo de "Chaconne".
Gabby parou o movimento das baquetas no ar, sentindo o suor escorrer pela nuca. Ela se virou lentamente, encarando a figura alta de 1,86m que a observava da porta. Ni-ki parecia um personagem de anime que ganhou vida, com seu cabelo preto e mechas claras caindo sobre os olhos intensos.
— O relógio deve estar quebrado no Japão, Nishimura — Gabby retrucou, limpando a testa com o dorso da mão. — Minha reserva vai até as duas da manhã. São uma e quarenta e cinco.
Ni-ki deu alguns passos para dentro, diminuindo a distância entre eles. A diferença de altura era gritante, obrigando Gabby a inclinar a cabeça para trás para manter o contato visual.
— Quinze minutos não vão mudar o fato de que você está errando o tempo do terceiro compasso — ele disse, com um sorriso de canto que ela detestava. — Como percussionista, você deveria ser mais precisa.
— Como dançarino, você deveria saber que eu estou testando uma síncope proposital — ela rebateu, cruzando os braços sobre o peito. — Mas acho que seu ego é grande demais para entender nuances musicais.
Eles se encararam. O ódio entre os dois era algo lendário entre os trainees e o staff. Começou com uma rasteira acidental em um ensaio geral e evoluiu para uma guerra fria de comentários ácidos e competições silenciosas. Mas, nos últimos meses, algo havia mudado. A hostilidade não tinha mais aquele gosto amargo de desprezo puro; agora, queimava com uma eletricidade que fazia os pelos do braço de Gabby se arrepiarem sempre que ele chegava perto.
— Prove — Ni-ki desafiou, jogando a mochila no canto da sala. — Mostre-me essa sua "nuance".
Gabby cerrou os dentes, mas pegou as baquetas novamente. Ela começou a tocar, um ritmo complexo e tribal, usando o corpo inteiro para dar peso às batidas. Ni-ki observava cada movimento. Ele não admitiria nem sob tortura, mas a forma como Gabby se movia, a confiança que ela exalava apesar de não seguir os padrões magros da indústria, era hipnotizante. Ela era poderosa, sólida como a batida de um tambor.
Quando ela terminou, estava ofegante. O silêncio que se seguiu foi denso. Ni-ki não zombou. Em vez disso, ele começou a marcar o tempo com os pés, seguindo o ritmo que ela acabara de criar.
— O movimento de quadril no segundo tempo está atrasado — ele comentou, mas sua voz estava mais baixa, menos agressiva. — Se você girar o peso para a perna esquerda antes da batida do bumbo, ganha mais agilidade.
— Eu sei dançar, Ni-ki.
— Eu sei que sabe. Mas você é teimosa demais para aceitar ajuda.
Ele se aproximou mais, parando logo atrás dela. Gabby podia sentir o calor que emanava do corpo dele. Ni-ki estendeu a mão e tocou o braço dela, posicionando-o um pouco mais para cima. O toque foi como um choque elétrico.
— Aqui — ele sussurrou perto do ouvido dela. — Mantenha o eixo aqui.
Gabby engoliu em seco. A tensão na sala mudou de "quero te matar" para "não consigo parar de olhar para a sua boca" em questão de segundos. Ela se virou bruscamente, ficando a centímetros do peito dele.
— Por que você faz isso? — ela perguntou, a voz falhando levemente.
— Faço o quê? — Ni-ki arqueou uma sobrancelha, mas não recuou.
— Por que age como se me odiasse, mas sempre aparece onde eu estou? Por que critica cada passo meu, mas é o primeiro a me defender quando o coreógrafo exagera?
Ni-ki soltou um suspiro curto, uma risada sem humor. Ele desviou o olhar por um segundo antes de focar novamente nos olhos castanhos dela.
— Porque você é irritante, Gabby. Você é barulhenta, você ocupa espaço, você desafia cada palavra que eu digo. E, por algum motivo que eu ainda não entendi, eu não consigo parar de pensar no quanto isso me atrai.
O coração de Gabby deu um salto. Ela esperava um insulto, não uma confissão.
— Você é um idiota — ela murmurou, mas não se afastou.
— E você é uma percussionista de quinta — ele respondeu, mas sua mão subiu para o rosto dela, o polegar acariciando a bochecha suada.
O clima mudou completamente. Ni-ki inclinou a cabeça, os olhos fixos nos lábios de Gabby. A tensão sexual era tão palpável que parecia uma terceira pessoa na sala. Ele se aproximou lentamente, dando a ela todo o tempo do mundo para recuar. Mas Gabby não recuou. Ela segurou a gola da camiseta preta dele e o puxou para baixo.
O beijo foi tudo o que a relação deles representava: intenso, competitivo e carregado de uma necessidade reprimida por meses. Ni-ki a pressionou contra a parede de espelhos, as mãos grandes encontrando o caminho até a cintura dela, apertando com firmeza. Gabby soltou um gemido baixo, passando as mãos pelo cabelo dele, desfazendo o penteado perfeito do ídol.
Quando se separaram para buscar ar, as testas continuaram encostadas.
— Eu ainda te odeio — ela ofegou, embora estivesse sorrindo.
— Eu também — Ni-ki respondeu, a voz rouca. — Especialmente quando você usa esse perfume de baunilha que me desconcentra nos ensaios.
Ele a beijou novamente, mas desta vez foi mais calmo, quase doce. Ele a envolveu em um abraço, sentindo a diferença de altura e como ela se encaixava perfeitamente contra ele.
— Sabe — Ni-ki disse, passando a mão pelos cabelos dela —, você fica bonita quando está brava. Mas fica melhor ainda quando está tocando.
Gabby se afastou um pouco, o rosto corado.
— Não tente ser fofo agora, Nishimura. Não combina com a sua imagem de "bad boy" dançarino.
— Com você, eu posso abrir uma exceção — ele deu um beijo rápido na ponta do nariz dela. — Agora, saia da sala. Eu realmente preciso praticar.
— Nem pensar! — Gabby riu, pegando suas baquetas do chão. — Agora que você admitiu que gosta da minha "nuance", você vai dançar enquanto eu marco o tempo.
Ni-ki revirou os olhos, mas havia um brilho de diversão neles que Gabby nunca tinha visto antes.
— Tudo bem, percussionista. Mas se você errar uma batida, eu vou te cobrar com juros.
— E como seriam esses juros? — ela perguntou, desafiadora.
Ni-ki sorriu, aquele sorriso ladino que agora fazia as pernas dela tremerem.
— Mais uma hora de "treino" depois que as luzes se apagarem.
Gabby bateu as baquetas uma na outra, marcando quatro tempos, e a música começou novamente. Mas, desta vez, as batidas e os passos estavam em perfeita harmonia, transformando a rivalidade em algo que nenhum dos dois estava pronto para admitir, mas que ambos não conseguiam mais ignorar.
No final daquela madrugada, entre risadas e novos beijos roubados entre uma sequência e outra, os "inimigos" da HYBE descobriram que o ritmo mais difícil de dominar não era o de uma música, mas o do próprio coração.
