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Loja do Caos
Fandom: Omegaverse
Criado: 15/06/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoOmegaversoDiscriminaçãoEstudo de PersonagemHistória Doméstica
O Aroma do Segredo sob as Luzes de Neon
A luz fluorescente do Pão de Açúcar refletia no piso de granito polido, criando uma atmosfera que Ren já conhecia bem. Eram seis horas da tarde, o horário de pico, e o som dos bipes dos scanners misturava-se ao burburinho constante dos clientes e à música ambiente suave que tentava, sem muito sucesso, acalmar os ânimos de quem tinha pressa.
Ren ajeitou o avental verde sobre o uniforme, sentindo o tecido pinicar levemente seu pescoço. Ele respirou fundo, concentrando-se em manter sua postura ereta e o olhar focado. Para todos ali, ele era apenas mais um jovem aprendiz, eficiente e prestativo. Ninguém desconfiava que, por baixo das camadas de inibidores químicos e do adesivo bloqueador de feromônios colado atrás de sua orelha, batia o coração de um ômega.
Trabalhar em um ambiente dominado por alfas e betas era como caminhar em uma corda bamba. Ren sabia que, se descobrissem sua casta, o tratamento mudaria instantaneamente. Ele seria visto como frágil, ou pior, como um alvo. Por isso, ele se esforçava o dobro.
— Próximo, por favor — disse Ren com um sorriso educado, embora seus dedos estivessem ligeiramente trêmulos.
O cliente era um alfa alto, vestindo um terno caro que exalava um cheiro amadeirado e agressivo. Ele jogou as compras na esteira sem olhar para Ren, mas, conforme o atendimento avançava, o homem começou a observar o rapaz com uma intensidade desconfortável.
— Você é novo aqui, não é? — perguntou o alfa, inclinando-se sobre o balcão. O tom de voz era baixo, carregado de uma dominância desnecessária para uma transação de supermercado.
— Sim, senhor. Sou jovem aprendiz — respondeu Ren, mantendo os olhos fixos na tela do computador. — São cento e vinte reais e cinquenta centavos.
— Você tem um jeito diferente... — O homem esticou o braço para pegar a nota fiscal, deixando seus dedos roçarem propositalmente na mão de Ren. — Um cheiro que o bloqueador não consegue esconder totalmente. É doce.
Ren sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele recolheu a mão rapidamente, fingindo organizar os comprovantes de cartão.
— Deve ser o perfume da seção de limpeza, senhor. Tenha uma boa noite.
O alfa soltou um riso anasalado, mas finalmente se retirou, deixando Ren com o coração acelerado. Ele odiava aquela vulnerabilidade. Ele só queria trabalhar, aprender e ser independente.
— Tudo bem por aqui, Ren? — Uma voz profunda e calma ecoou logo atrás dele.
Ren sobressaltou-se. Ele se virou e deu de cara com Lucas, o fiscal de caixa que havia começado naquela unidade há apenas uma semana. Lucas era um alfa, mas não como os outros. Ele não exalava aquela arrogância barulhenta; seu cheiro era algo mais sutil, como terra molhada e couro, algo que, estranhamente, fazia os instintos de Ren se acalmarem em vez de entrarem em alerta.
— Sim, Lucas. Só um cliente um pouco impaciente — mentiu Ren, forçando um sorriso simpático.
Lucas estreitou os olhos levemente, observando o suor frio na têmpora do rapaz.
— Se alguém te incomodar, você me avisa. Meu trabalho é garantir que tudo corra bem, inclusive para quem está operando o caixa.
— Obrigado, eu agradeço muito — disse Ren, voltando-se para o próximo cliente antes que a conversa se estendesse.
As horas seguintes foram um borrão de códigos de barras e sacolas plásticas. No entanto, o corpo de Ren começou a protestar. Ele sentiu uma onda de calor súbita, uma pontada na base da coluna que o fez perder o fôlego por um segundo. Ele conferiu o relógio: faltavam apenas trinta minutos para o fim do turno.
"Não agora", pensou desesperado. "O bloqueador deveria durar até as oito."
Talvez fosse o estresse do encontro com o alfa anterior, ou talvez seu ciclo estivesse se adiantando por causa do cansaço. Ren sentiu que seu cheiro — uma mistura delicada de lírios e baunilha — estava começando a vazar pelas frestas de sua defesa química.
Quando finalmente terminou o turno, ele correu para o vestiário dos funcionários, que ficava nos fundos, perto do estoque. Ele precisava trocar de roupa e sair dali o mais rápido possível. O corredor estava mal iluminado e silencioso, exceto pelo som de seus próprios passos apressados.
Ao chegar perto dos armários, Ren sentiu uma tontura forte e precisou se apoiar na parede. Foi nesse momento que a porta do vestiário se abriu e Lucas saiu de lá, já sem o colete de fiscal.
O impacto visual foi imediato. No espaço fechado do corredor, o olfato de um alfa era triplicado. Lucas parou bruscamente, as narinas dilatando-se enquanto o ar ao redor deles ficava pesado com o aroma doce e inebriante que emanava de Ren.
— Ren? — Lucas deu um passo à frente, sua voz soando mais rouca do que o normal.
— Eu... eu já estou indo embora, Lucas. Com licença — Ren tentou passar por ele, mas suas pernas fraquejaram.
Lucas agiu rápido, segurando-o pelos ombros para evitar que ele caísse. O toque enviou uma descarga elétrica pelo corpo de Ren, que soltou um gemido baixo, imediatamente cobrindo a boca com a mão, mortificado.
— Você é um ômega — afirmou Lucas. Não era uma pergunta. Seus olhos agora tinham um brilho dourado, a marca de um alfa que acabou de encontrar algo precioso.
— Por favor — sussurrou Ren, as lágrimas começando a arder em seus olhos. — Não conta para o gerente. Eu preciso desse emprego. Eu faço tudo certo, eu sou cuidadoso...
Lucas soltou um suspiro pesado e, para a surpresa de Ren, não se afastou com desprezo nem avançou com agressividade. Em vez disso, ele puxou Ren para mais perto, envolvendo-o em um abraço protetor que abafou o cheiro do ômega contra seu próprio corpo.
— Calma. Respira — disse Lucas, encostando o queixo no topo da cabeça de Ren. — Eu não vou contar para ninguém.
Ren ficou estático por alguns segundos, o rosto enterrado no peito do alfa. O cheiro de Lucas era como um porto seguro em meio à tempestade de seus próprios hormônios. Aos poucos, a tensão começou a sair de seus músculos.
— Você sabia? — perguntou Ren, com a voz abafada.
— Eu desconfiava desde o primeiro dia — confessou Lucas, relaxando um pouco o abraço, mas mantendo as mãos na cintura do rapaz. — Você é educado demais, cuidadoso demais... e seus olhos sempre parecem estar esperando um ataque. Além disso, nenhum beta tem uma pele tão macia quanto a sua.
Ren sentiu o rosto queimar de vergonha.
— Eu achei que os bloqueadores fossem infalíveis.
— Para a maioria, eles são — explicou Lucas, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Ren. — Mas eu tenho um olfato muito sensível. E o seu cheiro... ele é difícil de ignorar, Ren.
Ren baixou o olhar, sentindo-se exposto.
— O que acontece agora? Você vai me reportar? As regras da loja dizem que...
— As regras da loja são antigas e injustas — interrompeu Lucas com firmeza. — Você é o melhor aprendiz que já passou por aqui em meses. Seus caixas nunca dão diferença, você é o único que trata as senhorinhas com paciência de verdade. Eu não vou deixar que te mandem embora por ser quem você é.
Ren sentiu um peso enorme sair de seus ombros. Ele olhou para Lucas, vendo sinceridade em cada linha do rosto do alfa.
— Por que você está me ajudando? — perguntou em voz baixa.
Lucas deu um sorriso de canto, um gesto que fez o coração de Ren errar uma batida.
— Porque alfas deveriam proteger, não oprimir. E porque... bem, eu gostaria de te conhecer melhor. Fora desse uniforme e longe desses bloqueadores que parecem te deixar tão cansado.
Ren piscou, surpreso com a confissão direta. Ele sempre fora tímido, acostumado a se esconder nas sombras para evitar problemas. Receber a atenção positiva de um alfa como Lucas era algo que ele nunca havia imaginado.
— Eu... eu gostaria disso também — admitiu Ren, sua voz quase um sussurro. — Mas ainda tenho medo.
— Eu sei — disse Lucas, estendendo a mão para acariciar o rosto de Ren com o polegar. — Vamos fazer assim: eu te levo em casa hoje. Você descansa, e amanhã a gente conversa sobre como manter seu segredo seguro aqui dentro. Eu vou ficar de olho nos outros alfas para você. Ninguém vai chegar perto o suficiente para sentir nada.
Ren sentiu uma onda de gratidão tão forte que seus olhos voltaram a marejar.
— Obrigado, Lucas. De verdade.
— Não precisa agradecer — Lucas pegou a mochila de Ren que estava caída no chão e a entregou a ele. — Agora vamos. O ar aqui está ficando muito doce, e eu não quero ter que lutar com nenhum outro funcionário que decida aparecer para fazer hora extra.
Ren soltou uma risadinha nervosa, a primeira em muito tempo. Ele seguiu Lucas em direção à saída dos fundos, sentindo-se, pela primeira vez, não como uma presa se escondendo, mas como alguém que finalmente encontrou um aliado.
Enquanto caminhavam pelo estacionamento sob o céu estrelado de São Paulo, Ren percebeu que, embora o medo de ser descoberto ainda existisse, a solidão que o acompanhava havia desaparecido. O Pão de Açúcar continuaria sendo o mesmo lugar barulhento e caótico no dia seguinte, mas agora, ele tinha um alfa que não apenas conhecia seu segredo, como estava disposto a guardá-lo como se fosse seu.
— Ren? — Lucas chamou, já perto do carro.
— Sim?
— Lírios. É o seu cheiro, não é?
Ren sorriu, um sorriso verdadeiro que iluminou seu rosto de forma que nenhum cliente jamais vira.
— É sim. Com um pouco de baunilha.
— É perfeito — disse Lucas, abrindo a porta para ele. — Combina com você.
E ali, no silêncio da noite, Ren soube que sua vida de esconderijos estava prestes a ganhar cores que ele nunca se atreveu a sonhar.
Ren ajeitou o avental verde sobre o uniforme, sentindo o tecido pinicar levemente seu pescoço. Ele respirou fundo, concentrando-se em manter sua postura ereta e o olhar focado. Para todos ali, ele era apenas mais um jovem aprendiz, eficiente e prestativo. Ninguém desconfiava que, por baixo das camadas de inibidores químicos e do adesivo bloqueador de feromônios colado atrás de sua orelha, batia o coração de um ômega.
Trabalhar em um ambiente dominado por alfas e betas era como caminhar em uma corda bamba. Ren sabia que, se descobrissem sua casta, o tratamento mudaria instantaneamente. Ele seria visto como frágil, ou pior, como um alvo. Por isso, ele se esforçava o dobro.
— Próximo, por favor — disse Ren com um sorriso educado, embora seus dedos estivessem ligeiramente trêmulos.
O cliente era um alfa alto, vestindo um terno caro que exalava um cheiro amadeirado e agressivo. Ele jogou as compras na esteira sem olhar para Ren, mas, conforme o atendimento avançava, o homem começou a observar o rapaz com uma intensidade desconfortável.
— Você é novo aqui, não é? — perguntou o alfa, inclinando-se sobre o balcão. O tom de voz era baixo, carregado de uma dominância desnecessária para uma transação de supermercado.
— Sim, senhor. Sou jovem aprendiz — respondeu Ren, mantendo os olhos fixos na tela do computador. — São cento e vinte reais e cinquenta centavos.
— Você tem um jeito diferente... — O homem esticou o braço para pegar a nota fiscal, deixando seus dedos roçarem propositalmente na mão de Ren. — Um cheiro que o bloqueador não consegue esconder totalmente. É doce.
Ren sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele recolheu a mão rapidamente, fingindo organizar os comprovantes de cartão.
— Deve ser o perfume da seção de limpeza, senhor. Tenha uma boa noite.
O alfa soltou um riso anasalado, mas finalmente se retirou, deixando Ren com o coração acelerado. Ele odiava aquela vulnerabilidade. Ele só queria trabalhar, aprender e ser independente.
— Tudo bem por aqui, Ren? — Uma voz profunda e calma ecoou logo atrás dele.
Ren sobressaltou-se. Ele se virou e deu de cara com Lucas, o fiscal de caixa que havia começado naquela unidade há apenas uma semana. Lucas era um alfa, mas não como os outros. Ele não exalava aquela arrogância barulhenta; seu cheiro era algo mais sutil, como terra molhada e couro, algo que, estranhamente, fazia os instintos de Ren se acalmarem em vez de entrarem em alerta.
— Sim, Lucas. Só um cliente um pouco impaciente — mentiu Ren, forçando um sorriso simpático.
Lucas estreitou os olhos levemente, observando o suor frio na têmpora do rapaz.
— Se alguém te incomodar, você me avisa. Meu trabalho é garantir que tudo corra bem, inclusive para quem está operando o caixa.
— Obrigado, eu agradeço muito — disse Ren, voltando-se para o próximo cliente antes que a conversa se estendesse.
As horas seguintes foram um borrão de códigos de barras e sacolas plásticas. No entanto, o corpo de Ren começou a protestar. Ele sentiu uma onda de calor súbita, uma pontada na base da coluna que o fez perder o fôlego por um segundo. Ele conferiu o relógio: faltavam apenas trinta minutos para o fim do turno.
"Não agora", pensou desesperado. "O bloqueador deveria durar até as oito."
Talvez fosse o estresse do encontro com o alfa anterior, ou talvez seu ciclo estivesse se adiantando por causa do cansaço. Ren sentiu que seu cheiro — uma mistura delicada de lírios e baunilha — estava começando a vazar pelas frestas de sua defesa química.
Quando finalmente terminou o turno, ele correu para o vestiário dos funcionários, que ficava nos fundos, perto do estoque. Ele precisava trocar de roupa e sair dali o mais rápido possível. O corredor estava mal iluminado e silencioso, exceto pelo som de seus próprios passos apressados.
Ao chegar perto dos armários, Ren sentiu uma tontura forte e precisou se apoiar na parede. Foi nesse momento que a porta do vestiário se abriu e Lucas saiu de lá, já sem o colete de fiscal.
O impacto visual foi imediato. No espaço fechado do corredor, o olfato de um alfa era triplicado. Lucas parou bruscamente, as narinas dilatando-se enquanto o ar ao redor deles ficava pesado com o aroma doce e inebriante que emanava de Ren.
— Ren? — Lucas deu um passo à frente, sua voz soando mais rouca do que o normal.
— Eu... eu já estou indo embora, Lucas. Com licença — Ren tentou passar por ele, mas suas pernas fraquejaram.
Lucas agiu rápido, segurando-o pelos ombros para evitar que ele caísse. O toque enviou uma descarga elétrica pelo corpo de Ren, que soltou um gemido baixo, imediatamente cobrindo a boca com a mão, mortificado.
— Você é um ômega — afirmou Lucas. Não era uma pergunta. Seus olhos agora tinham um brilho dourado, a marca de um alfa que acabou de encontrar algo precioso.
— Por favor — sussurrou Ren, as lágrimas começando a arder em seus olhos. — Não conta para o gerente. Eu preciso desse emprego. Eu faço tudo certo, eu sou cuidadoso...
Lucas soltou um suspiro pesado e, para a surpresa de Ren, não se afastou com desprezo nem avançou com agressividade. Em vez disso, ele puxou Ren para mais perto, envolvendo-o em um abraço protetor que abafou o cheiro do ômega contra seu próprio corpo.
— Calma. Respira — disse Lucas, encostando o queixo no topo da cabeça de Ren. — Eu não vou contar para ninguém.
Ren ficou estático por alguns segundos, o rosto enterrado no peito do alfa. O cheiro de Lucas era como um porto seguro em meio à tempestade de seus próprios hormônios. Aos poucos, a tensão começou a sair de seus músculos.
— Você sabia? — perguntou Ren, com a voz abafada.
— Eu desconfiava desde o primeiro dia — confessou Lucas, relaxando um pouco o abraço, mas mantendo as mãos na cintura do rapaz. — Você é educado demais, cuidadoso demais... e seus olhos sempre parecem estar esperando um ataque. Além disso, nenhum beta tem uma pele tão macia quanto a sua.
Ren sentiu o rosto queimar de vergonha.
— Eu achei que os bloqueadores fossem infalíveis.
— Para a maioria, eles são — explicou Lucas, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Ren. — Mas eu tenho um olfato muito sensível. E o seu cheiro... ele é difícil de ignorar, Ren.
Ren baixou o olhar, sentindo-se exposto.
— O que acontece agora? Você vai me reportar? As regras da loja dizem que...
— As regras da loja são antigas e injustas — interrompeu Lucas com firmeza. — Você é o melhor aprendiz que já passou por aqui em meses. Seus caixas nunca dão diferença, você é o único que trata as senhorinhas com paciência de verdade. Eu não vou deixar que te mandem embora por ser quem você é.
Ren sentiu um peso enorme sair de seus ombros. Ele olhou para Lucas, vendo sinceridade em cada linha do rosto do alfa.
— Por que você está me ajudando? — perguntou em voz baixa.
Lucas deu um sorriso de canto, um gesto que fez o coração de Ren errar uma batida.
— Porque alfas deveriam proteger, não oprimir. E porque... bem, eu gostaria de te conhecer melhor. Fora desse uniforme e longe desses bloqueadores que parecem te deixar tão cansado.
Ren piscou, surpreso com a confissão direta. Ele sempre fora tímido, acostumado a se esconder nas sombras para evitar problemas. Receber a atenção positiva de um alfa como Lucas era algo que ele nunca havia imaginado.
— Eu... eu gostaria disso também — admitiu Ren, sua voz quase um sussurro. — Mas ainda tenho medo.
— Eu sei — disse Lucas, estendendo a mão para acariciar o rosto de Ren com o polegar. — Vamos fazer assim: eu te levo em casa hoje. Você descansa, e amanhã a gente conversa sobre como manter seu segredo seguro aqui dentro. Eu vou ficar de olho nos outros alfas para você. Ninguém vai chegar perto o suficiente para sentir nada.
Ren sentiu uma onda de gratidão tão forte que seus olhos voltaram a marejar.
— Obrigado, Lucas. De verdade.
— Não precisa agradecer — Lucas pegou a mochila de Ren que estava caída no chão e a entregou a ele. — Agora vamos. O ar aqui está ficando muito doce, e eu não quero ter que lutar com nenhum outro funcionário que decida aparecer para fazer hora extra.
Ren soltou uma risadinha nervosa, a primeira em muito tempo. Ele seguiu Lucas em direção à saída dos fundos, sentindo-se, pela primeira vez, não como uma presa se escondendo, mas como alguém que finalmente encontrou um aliado.
Enquanto caminhavam pelo estacionamento sob o céu estrelado de São Paulo, Ren percebeu que, embora o medo de ser descoberto ainda existisse, a solidão que o acompanhava havia desaparecido. O Pão de Açúcar continuaria sendo o mesmo lugar barulhento e caótico no dia seguinte, mas agora, ele tinha um alfa que não apenas conhecia seu segredo, como estava disposto a guardá-lo como se fosse seu.
— Ren? — Lucas chamou, já perto do carro.
— Sim?
— Lírios. É o seu cheiro, não é?
Ren sorriu, um sorriso verdadeiro que iluminou seu rosto de forma que nenhum cliente jamais vira.
— É sim. Com um pouco de baunilha.
— É perfeito — disse Lucas, abrindo a porta para ele. — Combina com você.
E ali, no silêncio da noite, Ren soube que sua vida de esconderijos estava prestes a ganhar cores que ele nunca se atreveu a sonhar.
