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Hm
Fandom: O príncipe cruel
Criado: 15/06/2026
Tags
RomanceFantasiaSombrioAngústiaCiúmesHistória DomésticaEstudo de PersonagemCenário Canônico
O Brilho do Ouro e o Veneno do Vinho
O Grande Rei de Elfhame não era conhecido por sua paciência, e muito menos por sua benevolência. Sentado em seu trono de raízes retorcidas, Cardan Greenbriar observava o salão com um tédio que beirava a hostilidade. Seus olhos negros, brilhantes como obsidiana, ignoravam os cortesãos que se curvavam e as fadas que sussurravam intrigas. Seu foco estava fixo em um único ponto, ou melhor, em uma única pessoa que parecia flutuar naquele ambiente hostil com uma pureza que Cardan considerava quase ofensiva.
Leo estava sentado em um banco de pedra próximo a uma das janelas altas, alheio ao peso do olhar real sobre si. Ele era pequeno, com uma estrutura magra que parecia delicada demais para o mundo brutal das fadas. Seus cabelos loiros captavam a luz do luar, criando uma aura quase angelical ao redor de sua pele pálida. Ele estava concentrado em tentar consertar a asa quebrada de uma pequena libélula mecânica, um presente que recebera de um artesão da Corte Inferior.
Cardan sentiu aquela velha pontada de possessividade arder em seu peito. Ele odiava como Leo sorria para todos, como sua ingenuidade o impedia de ver as garras escondidas sob as luvas de seda dos nobres. Ele queria Leo em uma redoma de vidro, onde apenas os olhos do Rei pudessem admirá-lo.
— Por que ele insiste em se misturar com essa gentalha? — Cardan sibilou para ninguém em particular, embora o General ao seu lado tenha estremecido.
O Rei se levantou, a capa de veludo arrastando-se pesadamente pelo chão de pedra. Ele caminhou entre os convidados, que se afastavam como se ele fosse uma praga — e, de certa forma, ele era. Ao chegar perto de Leo, ele parou, sua sombra cobrindo o rapaz.
— Você parece excessivamente ocupado com ninharias, Leo — disse Cardan, sua voz carregada de um sarcasmo afiado.
Leo ergueu o rosto, e um sorriso genuíno iluminou suas feições. Ele não temia Cardan. Para a frustração e o deleite secreto do Rei, Leo o via apenas como... Cardan.
— Majestade! — Leo exclamou, os olhos brilhando. — Veja, quase consegui fazê-la voar de novo. Não é fascinante?
Cardan inclinou-se, aproximando-se o suficiente para sentir o cheiro de Leo — algo que lembrava maçãs frescas e chuva. Ele estendeu a mão longa, com unhas impecavelmente cuidadas, e tocou o brinquedo com desprezo.
— É um lixo de ferro — Cardan murmurou, mas seus olhos nunca deixaram o rosto de Leo. — Você deveria estar se banqueteando, ou dançando. Ou melhor ainda, deveria estar nos meus aposentos, onde é seguro.
Leo soltou uma risadinha suave, achando que o Rei estava apenas sendo dramático, como de costume.
— Mas aqui é seguro, Cardan. Todos têm sido tão gentis hoje. Até Locke me ofereceu uma taça de vinho de sabugueiro mais cedo.
O maxilar de Cardan travou. A menção a Locke fez seu sangue ferver. Ele sabia exatamente que tipo de "gentileza" Locke oferecia, e a ideia de Leo sendo alvo daqueles jogos cruéis o deixava possesso.
— Locke é uma serpente — Cardan disse, a voz subindo de tom. — E você é um tolo por aceitar qualquer coisa dele.
— Oh, não seja bobo — Leo respondeu, levantando-se e limpando as mãos na túnica simples. — Ele só estava sendo amigável. Eu quero ser amigo de todos aqui, especialmente de você. Você é o meu melhor amigo, sabia?
Cardan sentiu um gosto amargo na boca. "Amigo". Aquela palavra era um insulto. Ele não queria ser amigo de Leo; ele queria ser o dono de Leo. Queria que cada pensamento, cada suspiro e cada centímetro daquela pele pálida pertencesse exclusivamente à Coroa. Mais especificamente, ao homem por trás dela.
— Eu não sou seu amigo, Leo — Cardan rosnou, dando um passo à frente, forçando o rapaz a recuar contra a moldura da janela. — Eu sou o seu Rei. E como seu Rei, eu exijo que você pare de distribuir sorrisos para seres que devorariam seu coração se tivessem a chance.
Leo piscou, os olhos grandes e ingênuos demonstrando uma leve confusão. Ele estendeu a mão e, com uma coragem que ninguém mais em Elfhame possuía, tocou o ombro de Cardan.
— Você está de mau humor de novo — constatou Leo com doçura. — Talvez precise de um pouco de ar fresco. Vamos caminhar pelos jardins?
Cardan olhou para a mão de Leo em seu ombro. Ele deveria quebrá-la. Deveria punir tamanha audácia. Em vez disso, sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. Ele era patético quando se tratava daquele humano.
— Venha logo — disse Cardan, segurando o pulso de Leo com uma firmeza que beirava a possessividade, mas cuidando para não machucá-lo. — Antes que eu decida trancá-lo na torre mais alta para garantir que ninguém mais olhe para você.
— Você diz coisas tão engraçadas — Leo riu, deixando-se levar pelos corredores do palácio.
Eles saíram para os jardins de leite e mel, onde as flores brilhavam com luz própria sob a lua. O silêncio da noite era quebrado apenas pelo som distante da música da festa e pelo farfalhar das folhas. Cardan finalmente soltou o pulso de Leo, mas permaneceu perigosamente perto.
— Leo — começou Cardan, sua voz agora baixa e perigosa —, você entende o que acontece com as coisas que eu desejo?
Leo inclinou a cabeça para o lado, observando uma borboleta noturna.
— Você as consegue? — sugeriu ele, de forma simples. — Afinal, você é o Grande Rei. Pode ter tudo o que quiser.
— Exatamente — Cardan sussurrou, aproximando-se tanto que Leo podia sentir o calor emanando do corpo da fada. — E eu quero você. Só para mim. Não quero que fale com Locke, não quero que sorria para Nicasia, e certamente não quero que procure "amizade" em nenhum outro lugar que não seja em meu olhar.
Leo olhou para Cardan, os olhos loiros encontrando a escuridão profunda dos olhos do Rei. Ele sorriu, aquela expressão pura que fazia Cardan querer destruir o mundo e protegê-lo ao mesmo tempo.
— Mas eu já sou seu amigo, Cardan. Eu não vou a lugar nenhum. Você não precisa ficar com ciúmes.
— Ciúmes? — Cardan soltou uma risada seca e sem humor. — Eu sou o Grande Rei de Elfhame. Eu não sinto ciúmes, Leo. Eu sinto fome. E você é a única coisa que parece capaz de saciá-la, embora seja pequeno e irritantemente doce.
Leo riu novamente, achando que Cardan estava usando uma daquelas metáforas poéticas e cruéis que as fadas tanto gostavam.
— Você é tão dramático. É por isso que gosto de você. Você é diferente de todos os outros. Eles são todos tão sérios e assustadores, mas você... você é apenas o meu Cardan.
Cardan fechou os olhos por um momento, lutando contra o impulso de sacudir Leo até que ele entendesse o perigo que corria. A ingenuidade de Leo era sua armadura, mas também era a corda com a qual ele estava, inconscientemente, enforcando a sanidade de Cardan.
— Você é um perigo para si mesmo — murmurou Cardan.
Ele estendeu a mão e acariciou a bochecha de Leo com as costas dos dedos. A pele era tão macia quanto as pétalas das flores que os cercavam. Leo inclinou-se para o toque, fechando os olhos por um breve segundo, como um gato apreciando um carinho.
— Sabe — disse Leo em voz baixa —, eu fico feliz que você me queira por perto. Às vezes, este lugar parece um pouco solitário. É bom saber que tenho alguém que realmente se importa.
Cardan sentiu uma pontada de culpa, um sentimento que ele raramente experimentava. Ele não se importava da maneira "boa" que Leo imaginava. Ele era obsessivo. Ele queria controlar cada passo de Leo, queria saber o que ele comia, o que ele sonhava e quem ele via. Mas, ao olhar para aquele rosto inocente, Cardan percebeu que teria que jogar o jogo de Leo por um tempo.
— Sim — disse Cardan, sua voz suavizando-se apenas para ele. — Eu me importo. Mais do que você pode imaginar, seu pequeno tolo.
— Viu? — Leo sorriu triunfante. — Eu sabia que você tinha um coração aí embaixo de todo esse couro e ouro.
— Não se engane, Leo — Cardan rebateu, embora sem a agressividade de antes. — Se eu tiver um coração, ele é feito de veneno e espinhos.
— Bem, então eu acho que sou imune a veneno — Leo brincou, dando um tapinha amigável no braço de Cardan.
O Rei suspirou, derrotado pela pureza de Leo. Ele o puxou para mais perto, passando um braço possessivo pelos ombros magros do rapaz, guiando-o de volta para o palácio, mas desta vez em direção aos seus aposentos privados, longe dos olhos famintos da corte.
— Vamos — disse Cardan. — Vou pedir que tragam frutas e vinho. Vinho de verdade, não aquela porcaria que Locke te deu. E você vai ficar lá, onde eu possa vigiar você.
— Isso soa como uma festa do pijama! — Leo exclamou, animado.
Cardan revirou os olhos, uma expressão de exasperação fingida escondendo o desejo possessivo que queimava em suas veias.
— Sim, Leo. Uma festa do pijama. Exatamente isso.
Enquanto caminhavam, Cardan jurou a si mesmo que, pouco a pouco, ele faria Leo entender. Ele quebraria aquela ingenuidade com beijos e promessas sombrias até que Leo percebesse que não havia espaço para "amigos" no mundo que Cardan estava construindo para os dois. Leo seria dele, e de mais ninguém. E o melhor de tudo era que Leo entraria naquela gaiola de ouro sorrindo, acreditando estar nos braços de seu melhor amigo.
— Cardan? — Leo chamou, enquanto subiam as escadas em espiral.
— O que é agora? — o Rei respondeu, impaciente.
— Obrigado por ser tão legal comigo. Eu sei que as pessoas dizem que você é mau, mas eu acho que você é a fada mais gentil de todas.
Cardan parou por um momento, as sombras das tochas dançando em seu rosto aristocrático. Ele olhou para Leo, que o observava com total sinceridade.
— Se alguém mais ouvir você dizer isso, eu serei obrigado a executá-lo para manter minha reputação — Cardan disse, mas havia um brilho quase carinhoso em seus olhos negros.
— Seu segredo está a salvo comigo — prometeu Leo, piscando um olho.
Cardan apenas balançou a cabeça e continuou a andar, apertando um pouco mais o abraço ao redor dos ombros de Leo. O mundo poderia queimar, a coroa poderia cair, mas ali, na penumbra de Elfhame, ele tinha exatamente o que queria. E ele nunca, jamais, o deixaria ir.
Leo estava sentado em um banco de pedra próximo a uma das janelas altas, alheio ao peso do olhar real sobre si. Ele era pequeno, com uma estrutura magra que parecia delicada demais para o mundo brutal das fadas. Seus cabelos loiros captavam a luz do luar, criando uma aura quase angelical ao redor de sua pele pálida. Ele estava concentrado em tentar consertar a asa quebrada de uma pequena libélula mecânica, um presente que recebera de um artesão da Corte Inferior.
Cardan sentiu aquela velha pontada de possessividade arder em seu peito. Ele odiava como Leo sorria para todos, como sua ingenuidade o impedia de ver as garras escondidas sob as luvas de seda dos nobres. Ele queria Leo em uma redoma de vidro, onde apenas os olhos do Rei pudessem admirá-lo.
— Por que ele insiste em se misturar com essa gentalha? — Cardan sibilou para ninguém em particular, embora o General ao seu lado tenha estremecido.
O Rei se levantou, a capa de veludo arrastando-se pesadamente pelo chão de pedra. Ele caminhou entre os convidados, que se afastavam como se ele fosse uma praga — e, de certa forma, ele era. Ao chegar perto de Leo, ele parou, sua sombra cobrindo o rapaz.
— Você parece excessivamente ocupado com ninharias, Leo — disse Cardan, sua voz carregada de um sarcasmo afiado.
Leo ergueu o rosto, e um sorriso genuíno iluminou suas feições. Ele não temia Cardan. Para a frustração e o deleite secreto do Rei, Leo o via apenas como... Cardan.
— Majestade! — Leo exclamou, os olhos brilhando. — Veja, quase consegui fazê-la voar de novo. Não é fascinante?
Cardan inclinou-se, aproximando-se o suficiente para sentir o cheiro de Leo — algo que lembrava maçãs frescas e chuva. Ele estendeu a mão longa, com unhas impecavelmente cuidadas, e tocou o brinquedo com desprezo.
— É um lixo de ferro — Cardan murmurou, mas seus olhos nunca deixaram o rosto de Leo. — Você deveria estar se banqueteando, ou dançando. Ou melhor ainda, deveria estar nos meus aposentos, onde é seguro.
Leo soltou uma risadinha suave, achando que o Rei estava apenas sendo dramático, como de costume.
— Mas aqui é seguro, Cardan. Todos têm sido tão gentis hoje. Até Locke me ofereceu uma taça de vinho de sabugueiro mais cedo.
O maxilar de Cardan travou. A menção a Locke fez seu sangue ferver. Ele sabia exatamente que tipo de "gentileza" Locke oferecia, e a ideia de Leo sendo alvo daqueles jogos cruéis o deixava possesso.
— Locke é uma serpente — Cardan disse, a voz subindo de tom. — E você é um tolo por aceitar qualquer coisa dele.
— Oh, não seja bobo — Leo respondeu, levantando-se e limpando as mãos na túnica simples. — Ele só estava sendo amigável. Eu quero ser amigo de todos aqui, especialmente de você. Você é o meu melhor amigo, sabia?
Cardan sentiu um gosto amargo na boca. "Amigo". Aquela palavra era um insulto. Ele não queria ser amigo de Leo; ele queria ser o dono de Leo. Queria que cada pensamento, cada suspiro e cada centímetro daquela pele pálida pertencesse exclusivamente à Coroa. Mais especificamente, ao homem por trás dela.
— Eu não sou seu amigo, Leo — Cardan rosnou, dando um passo à frente, forçando o rapaz a recuar contra a moldura da janela. — Eu sou o seu Rei. E como seu Rei, eu exijo que você pare de distribuir sorrisos para seres que devorariam seu coração se tivessem a chance.
Leo piscou, os olhos grandes e ingênuos demonstrando uma leve confusão. Ele estendeu a mão e, com uma coragem que ninguém mais em Elfhame possuía, tocou o ombro de Cardan.
— Você está de mau humor de novo — constatou Leo com doçura. — Talvez precise de um pouco de ar fresco. Vamos caminhar pelos jardins?
Cardan olhou para a mão de Leo em seu ombro. Ele deveria quebrá-la. Deveria punir tamanha audácia. Em vez disso, sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. Ele era patético quando se tratava daquele humano.
— Venha logo — disse Cardan, segurando o pulso de Leo com uma firmeza que beirava a possessividade, mas cuidando para não machucá-lo. — Antes que eu decida trancá-lo na torre mais alta para garantir que ninguém mais olhe para você.
— Você diz coisas tão engraçadas — Leo riu, deixando-se levar pelos corredores do palácio.
Eles saíram para os jardins de leite e mel, onde as flores brilhavam com luz própria sob a lua. O silêncio da noite era quebrado apenas pelo som distante da música da festa e pelo farfalhar das folhas. Cardan finalmente soltou o pulso de Leo, mas permaneceu perigosamente perto.
— Leo — começou Cardan, sua voz agora baixa e perigosa —, você entende o que acontece com as coisas que eu desejo?
Leo inclinou a cabeça para o lado, observando uma borboleta noturna.
— Você as consegue? — sugeriu ele, de forma simples. — Afinal, você é o Grande Rei. Pode ter tudo o que quiser.
— Exatamente — Cardan sussurrou, aproximando-se tanto que Leo podia sentir o calor emanando do corpo da fada. — E eu quero você. Só para mim. Não quero que fale com Locke, não quero que sorria para Nicasia, e certamente não quero que procure "amizade" em nenhum outro lugar que não seja em meu olhar.
Leo olhou para Cardan, os olhos loiros encontrando a escuridão profunda dos olhos do Rei. Ele sorriu, aquela expressão pura que fazia Cardan querer destruir o mundo e protegê-lo ao mesmo tempo.
— Mas eu já sou seu amigo, Cardan. Eu não vou a lugar nenhum. Você não precisa ficar com ciúmes.
— Ciúmes? — Cardan soltou uma risada seca e sem humor. — Eu sou o Grande Rei de Elfhame. Eu não sinto ciúmes, Leo. Eu sinto fome. E você é a única coisa que parece capaz de saciá-la, embora seja pequeno e irritantemente doce.
Leo riu novamente, achando que Cardan estava usando uma daquelas metáforas poéticas e cruéis que as fadas tanto gostavam.
— Você é tão dramático. É por isso que gosto de você. Você é diferente de todos os outros. Eles são todos tão sérios e assustadores, mas você... você é apenas o meu Cardan.
Cardan fechou os olhos por um momento, lutando contra o impulso de sacudir Leo até que ele entendesse o perigo que corria. A ingenuidade de Leo era sua armadura, mas também era a corda com a qual ele estava, inconscientemente, enforcando a sanidade de Cardan.
— Você é um perigo para si mesmo — murmurou Cardan.
Ele estendeu a mão e acariciou a bochecha de Leo com as costas dos dedos. A pele era tão macia quanto as pétalas das flores que os cercavam. Leo inclinou-se para o toque, fechando os olhos por um breve segundo, como um gato apreciando um carinho.
— Sabe — disse Leo em voz baixa —, eu fico feliz que você me queira por perto. Às vezes, este lugar parece um pouco solitário. É bom saber que tenho alguém que realmente se importa.
Cardan sentiu uma pontada de culpa, um sentimento que ele raramente experimentava. Ele não se importava da maneira "boa" que Leo imaginava. Ele era obsessivo. Ele queria controlar cada passo de Leo, queria saber o que ele comia, o que ele sonhava e quem ele via. Mas, ao olhar para aquele rosto inocente, Cardan percebeu que teria que jogar o jogo de Leo por um tempo.
— Sim — disse Cardan, sua voz suavizando-se apenas para ele. — Eu me importo. Mais do que você pode imaginar, seu pequeno tolo.
— Viu? — Leo sorriu triunfante. — Eu sabia que você tinha um coração aí embaixo de todo esse couro e ouro.
— Não se engane, Leo — Cardan rebateu, embora sem a agressividade de antes. — Se eu tiver um coração, ele é feito de veneno e espinhos.
— Bem, então eu acho que sou imune a veneno — Leo brincou, dando um tapinha amigável no braço de Cardan.
O Rei suspirou, derrotado pela pureza de Leo. Ele o puxou para mais perto, passando um braço possessivo pelos ombros magros do rapaz, guiando-o de volta para o palácio, mas desta vez em direção aos seus aposentos privados, longe dos olhos famintos da corte.
— Vamos — disse Cardan. — Vou pedir que tragam frutas e vinho. Vinho de verdade, não aquela porcaria que Locke te deu. E você vai ficar lá, onde eu possa vigiar você.
— Isso soa como uma festa do pijama! — Leo exclamou, animado.
Cardan revirou os olhos, uma expressão de exasperação fingida escondendo o desejo possessivo que queimava em suas veias.
— Sim, Leo. Uma festa do pijama. Exatamente isso.
Enquanto caminhavam, Cardan jurou a si mesmo que, pouco a pouco, ele faria Leo entender. Ele quebraria aquela ingenuidade com beijos e promessas sombrias até que Leo percebesse que não havia espaço para "amigos" no mundo que Cardan estava construindo para os dois. Leo seria dele, e de mais ninguém. E o melhor de tudo era que Leo entraria naquela gaiola de ouro sorrindo, acreditando estar nos braços de seu melhor amigo.
— Cardan? — Leo chamou, enquanto subiam as escadas em espiral.
— O que é agora? — o Rei respondeu, impaciente.
— Obrigado por ser tão legal comigo. Eu sei que as pessoas dizem que você é mau, mas eu acho que você é a fada mais gentil de todas.
Cardan parou por um momento, as sombras das tochas dançando em seu rosto aristocrático. Ele olhou para Leo, que o observava com total sinceridade.
— Se alguém mais ouvir você dizer isso, eu serei obrigado a executá-lo para manter minha reputação — Cardan disse, mas havia um brilho quase carinhoso em seus olhos negros.
— Seu segredo está a salvo comigo — prometeu Leo, piscando um olho.
Cardan apenas balançou a cabeça e continuou a andar, apertando um pouco mais o abraço ao redor dos ombros de Leo. O mundo poderia queimar, a coroa poderia cair, mas ali, na penumbra de Elfhame, ele tinha exatamente o que queria. E ele nunca, jamais, o deixaria ir.
