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Fandom: O príncipe cruel

Criado: 15/06/2026

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RomanceFantasiaSombrioEstudo de PersonagemCiúmesRecontarNoir Gótico
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O Labirinto de Espinhos e Mel

As sombras de Elfhame nunca foram apenas a ausência de luz; elas eram vivas, densas e, naquela noite, pareciam sussurrar o nome de Abel enquanto ele corria. O ar estava carregado com o cheiro de musgo úmido e o perfume inebriante das flores de leite, que desabrochavam apenas sob o luar de prata. Abel sentia o coração martelar contra as costelas, uma cadência rápida que não era apenas fruto do cansaço físico, mas de uma antecipação deliciosa e aterrorizante.

Atrás dele, passos leves e deliberados esmagavam as folhas secas. Cardan não estava correndo. Ele nunca precisava correr. O príncipe mais novo de Elfhame movia-se com a elegância predatória de uma serpente, seus olhos negros como poços de tinta refletindo a luz das estrelas de uma forma que nenhum humano jamais conseguiria replicar.

— Você está ficando sem fôlego, Abel — a voz de Cardan flutuou pela brisa, carregada de um sarcasmo cortante que fazia os pelos da nuca de Abel se arrepiarem. — É uma pena que a mortalidade seja um fardo tão pesado para suas pernas.

Abel parou perto de um salgueiro cujos ramos caíam como cortinas de seda verde. Ele se apoiou no tronco, tentando controlar a respiração. Seus olhos castanhos brilhavam com uma provocação silenciosa enquanto ele olhava por cima do ombro.

— Talvez eu só queira que você se sinta vitorioso por uma vez, Cardan — respondeu Abel, a voz ainda um pouco trêmula. — Você parece tão desesperado pela minha atenção.

Cardan emergiu da escuridão. Ele usava uma túnica de veludo preto bordada com fios de ouro que pareciam se contorcer como vermes sob a luz da lua. Seu cabelo, tão escuro quanto as asas de um corvo, estava bagunçado de uma maneira que Abel sabia ser perfeitamente calculada. O príncipe parou a poucos passos de distância, inclinando a cabeça para o lado.

— Desesperado? — Cardan soltou uma risada curta e seca, um som que vibrou no peito de Abel. — Eu sou um príncipe da Grande Corte. Eu não conheço o desespero. Eu apenas... aprecio a caça. E você, meu caro mortal, é a presa mais insolente que já cruzou meu caminho.

— E ainda assim, você não consegue tirar os olhos de mim — provocou Abel, dando um passo ousado em direção a ele. — Por que não vai importunar seus irmãos? Ou talvez torturar algum pobre súdito que realmente tenha medo de você?

Cardan estreitou os olhos. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Abel até que o humano pudesse sentir o cheiro de vinho de amora e perigo que emanava dele.

— Eles são entediantes — murmurou Cardan, sua voz descendo para um tom perigosamente baixo. — Eles veem a coroa, ou o monstro, ou o bêbado. Mas você... você olha para mim como se eu fosse algo que pudesse ser compreendido. Como se pudesse me tocar sem queimar os dedos.

Abel sentiu o calor subir pelo seu pescoço. Ele sabia que Cardan estava jogando, que o príncipe adorava fingir uma vulnerabilidade quase patética para atrair as pessoas para suas teias de manipulação. Cardan se fazia de bobo, de vítima das circunstâncias da corte, mas Abel via através da máscara. Ele via a crueldade afiada e a possessividade que Cardan tentava esconder sob camadas de deboche.

— Talvez eu não tenha medo do fogo — disse Abel, estendendo a mão para ajustar o colarinho desleixado da túnica de Cardan. Seus dedos roçaram a pele pálida e fria do pescoço do príncipe, e ele sentiu Cardan retesar-se sob seu toque.

— Você deveria ter — Cardan agarrou o pulso de Abel com uma força que beirava a dor, mas não o soltou. — Você é tão frágil, Abel. Um tropeço, uma palavra errada de uma fada trapaceira, e você desapareceria deste mundo. Eu poderia esmagar seus ossos com um pensamento.

— Mas você não vai — Abel sorriu, um sorriso pequeno e astuto que sempre conseguia desarmar o príncipe. — Porque você ficaria terrivelmente entediado sem mim. E porque, apesar de todo o seu ódio pela mortalidade, você não consegue parar de observar como meu sangue corre sob a pele.

Cardan soltou um rosnado baixo, puxando Abel para mais perto até que seus narizes quase se tocassem. O cheiro de magia e terra molhada era sufocante.

— Eu odeio o modo como você me olha — mentiu Cardan, embora, como uma fada, ele não pudesse mentir. No entanto, em Elfhame, a verdade era uma arma que podia ser moldada. Ele realmente odiava a vulnerabilidade que aquele olhar lhe causava, o que tornava a frase tecnicamente verdadeira em sua mente distorcida. — Eu odeio o fato de que você se sente seguro na minha presença.

— Eu me sinto seguro porque sei que você me quer inteiro — respondeu Abel, sua timidez usual dando lugar a uma coragem alimentada pela adrenalina da perseguição. Ele deslizou a mão livre pelas costas de Cardan, sentindo a curvatura da cauda do príncipe se agitar sob o tecido fino. — Você é possessivo, Cardan. Você não quer que ninguém mais brinque com o seu brinquedo humano favorito.

Os olhos de Cardan brilharam com uma luz depravada. Ele inclinou a cabeça, os lábios roçando a orelha de Abel.

— Você acha que isso é uma brincadeira? — sussurrou ele, e Abel sentiu um calafrio percorrer sua espinha que não tinha nada a ver com o frio da noite. — Eu poderia mantê-lo acorrentado ao meu pé, alimentando-o com frutas que o fariam esquecer seu próprio nome. Eu poderia transformá-lo em algo que só respondesse ao meu comando.

— Mas você prefere me perseguir pela floresta — disse Abel, afastando-se apenas o suficiente para olhar Cardan nos olhos. — Você prefere o jogo. Você prefere quando eu o desafio.

Cardan soltou o pulso de Abel, mas apenas para envolver sua cintura e puxá-lo contra si com uma urgência que revelava sua obsessão.

— Você é uma criatura irritante — disse o príncipe, sua voz carregada de um desejo que ele tentava disfarçar como desprezo. — Um pequeno mortal que age como se fosse o dono do meu tempo.

— E eu não sou? — provocou Abel, rindo suavemente.

Cardan ficou em silêncio por um momento, observando o brilho nos olhos de Abel. Ele odiava o quanto aquele humano era esperto, o quanto ele percebia as nuances de sua personalidade que Cardan passava séculos escondendo do resto da corte. Abel era o único que não recuava diante de sua crueldade gratuita e que não se impressionava com seus títulos.

— Você é — admitiu Cardan, a verdade saindo de seus lábios como um veneno doce. — Mas não se engane, Abel. Eu sou uma fada má. Eu não sinto amor da forma como seus poetas mortais escrevem. O que eu sinto por você é algo muito mais sombrio. É uma fome que não acaba.

— Então me devore — desafiou Abel, sua voz mal passando de um sussurro.

O príncipe de Elfhame não precisou de outro convite. Ele pressionou Abel contra o tronco do salgueiro, suas mãos subindo para emoldurar o rosto do mortal. Havia uma urgência desesperada em seus movimentos, uma necessidade de provar que, apesar de toda a sua magia e imortalidade, ele era o único que estava verdadeiramente preso naquela relação.

— Você me provoca porque sabe que eu permito — murmurou Cardan contra os lábios de Abel. — Você se diverte com o meu autocontrole.

— Eu me divirto vendo você perder o controle — corrigiu Abel, deslizando os braços pelo pescoço de Cardan, puxando-o para baixo.

O beijo foi como tudo em Elfhame: violento, doce e perigoso. Tinha o gosto de vinho encantado e de segredos guardados por tempo demais. Cardan beijava como se estivesse tentando reivindicar a alma de Abel, suas mãos apertando os quadris do humano com uma possessividade que não deixava margem para dúvidas. Abel respondeu com a mesma intensidade, sua timidez desaparecendo sob a pele de Cardan.

Quando se afastaram, ambos estavam ofegantes. Cardan limpou o lábio inferior com o polegar, um sorriso cruel e satisfeito brincando em seu rosto.

— Agora — disse o príncipe, seus olhos negros fixos nos de Abel —, a caçada recomeça. Eu lhe darei uma vantagem de dez segundos antes de buscá-lo novamente. E desta vez, Abel, se eu o pegar, não serei tão gentil.

Abel soltou uma risada, um som claro que pareceu iluminar a floresta sombria.

— Você nunca é gentil, Cardan. E é por isso que eu ainda estou aqui.

Sem esperar pela contagem, Abel se virou e correu para a densidão das árvores, sua risada ecoando entre os carvalhos antigos. Cardan ficou parado por um momento, observando a figura do mortal desaparecer na penumbra. Ele sentia o coração — aquela coisa incômoda e traidora em seu peito — bater com uma força renovada.

Ele era um príncipe. Ele era um monstro. Ele era um mestre da manipulação.

Mas, enquanto começava a caminhar lentamente na direção que Abel seguira, Cardan sabia a verdade que nunca admitiria em voz alta para ninguém além das sombras: ele seguiria aquele mortal até o fim do mundo, apenas para ver o brilho de desafio em seus olhos mais uma vez.

— Um... dois... três... — Cardan começou a contar, sua voz arrastada e cheia de uma promessa perigosa. — Prepare-se, meu doce Abel. O rei da noite está chegando.

A floresta pareceu se fechar ao redor dele, as árvores curvando-se como se prestassem homenagem ao seu príncipe e ao seu obsessivo, estranho e absoluto amor por um simples mortal. Em Elfhame, nada era o que parecia, mas a fome de Cardan por Abel era a coisa mais real e assustadora que já existira naquelas terras feéricas.
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