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Entre bastidores

Fandom: Khunno

Criado: 15/06/2026

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O Limiar do Amanhã

O ano de 2026 havia chegado com a força de um furacão na vida de Gemini Norawit e Fourth Nattawat. O que antes eram apenas promessas de dois adolescentes tímidos nos corredores da GMMTV, agora era a realidade consolidada de dois homens que dominavam a indústria do entretenimento tailandês. No entanto, entre os ensaios para shows esgotados e as reuniões de roteiro, algo havia mudado. A linha tênue que Fourth mencionara anos atrás em uma live casual — aquela sobre o futuro ser incerto, mas provável — estava prestes a ser rompida.

As gravações de Ticket to Heaven tinham terminado há pouco menos de um mês, mas o resíduo emocional dos personagens ainda pairava sobre eles. No set, a proximidade física era uma exigência do roteiro; fora dele, tornou-se uma necessidade vital.

Naquela tarde de terça-feira, o prédio da GMMTV fervilhava. Gemini estava sentado no sofá da sala de descanso dos artistas, com o violão apoiado na coxa, dedilhando uma melodia melancólica. Ele parecia distraído, mas seus olhos buscavam a porta a cada cinco segundos. Quando Fourth finalmente entrou, carregando dois copos de café e com o cabelo levemente bagunçado pelo vento, o rosto de Gemini iluminou-se instantaneamente.

— Você demorou — disse Gemini, deixando o violão de lado e estendendo a mão para o café.

— A reunião com a marca de roupas se estendeu — Fourth respondeu, sentando-se tão perto de Gemini que seus ombros se tocaram. — E o trânsito de Bangkok não perdoa nem quem tem pressa.

Fourth entregou o copo, mas não retirou a mão imediatamente. Seus dedos roçaram os de Gemini por um tempo longo demais para ser considerado apenas um gesto entre amigos.

— Você tem pressa para chegar onde, Fourth? — Gemini perguntou em um sussurro, os olhos fixos nos lábios do outro.

Fourth sentiu o rosto esquentar. Apesar dos anos de convivência, a intensidade de Gemini ainda o desarmava.

— Para chegar aqui — admitiu Fourth, baixando o tom de voz. — Senti sua falta hoje.

— Passamos dez horas juntos ontem — Gemini riu, mas havia um brilho terno em seu olhar. — Como pode sentir falta em tão pouco tempo?

— Você sabe que é diferente agora — Fourth desviou o olhar para o café, sentindo o coração acelerar. — Depois da última cena de Ticket to Heaven... parece que não conseguimos mais voltar para o "normal".

Gemini suspirou, deixando o café na mesa de centro e aproximando-se ainda mais. Ele passou o braço por trás dos ombros de Fourth, puxando-o para perto. Na Tailândia, o contato físico em público, mesmo entre amigos próximos, era comum, mas havia uma eletricidade entre eles que os colegas de empresa já começavam a notar. Mark e Winny, que passavam pelo corredor, trocaram olhares significativos ao verem a cena pela porta entreaberta.

— O "normal" era uma mentira que a gente contava para nós mesmos porque tínhamos medo — Gemini disse, a voz firme. — Tínhamos dezoito, dezenove anos. Agora temos vinte e dois. Eu não quero mais ser apenas o seu "parceiro de cena" favorito, Fourth.

— As pessoas estão falando, Gem — Fourth murmurou, encostando a cabeça no ombro do maior. — Vi os comentários no Twitter ontem. Alguém nos filmou naquele jantar com nossas famílias. Disseram que parecemos um casal real.

— E eles estão errados? — Gemini rebateu, brincando com os fios de cabelo da nuca de Fourth.

— Minha mãe perguntou de você hoje de manhã — Fourth confessou, rindo baixo. — Ela disse que você anda muito "atencioso". Ela sabe, Gemini. As famílias sempre sabem.

— A minha também — Gemini sorriu. — Minha mãe comprou aquele conjunto de seda que você gostou e me deu para te entregar. Ela disse: "Dê ao seu Nong, ele trabalha demais". Acho que ela já te aceitou como genro antes mesmo de eu te pedir em namoro oficialmente.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Era preenchido pela respiração pesada de ambos e pelo som distante do tráfego da cidade. Fourth sentia-se seguro ali, mas o peso da fama e as expectativas dos fãs ainda o deixavam cauteloso. Nas lives, eles tentavam manter a compostura, mas as mãos de Gemini sempre buscavam a cintura de Fourth, e Fourth sempre acabava se escondendo atrás do ombro de Gemini quando ficava tímido.

— Temos o evento da marca de relógios amanhã — lembrou Fourth. — Vai ter muita imprensa. Precisamos ser cuidadosos.

— Eu prometo tentar — disse Gemini, embora seu sorriso sugerisse o contrário. — Mas não prometo não olhar para você como se você fosse a única pessoa na sala. Isso eu não consigo controlar.

No dia seguinte, o evento de luxo em um dos shoppings mais caros de Bangkok estava lotado. Fãs se espremiam nas grades, segurando cartazes com os nomes de ambos. Quando Gemini e Fourth apareceram, o volume dos gritos foi ensurdecedor. Eles vestiam ternos sob medida que realçavam a maturidade que os anos lhes trouxeram.

Durante a entrevista no tapete vermelho, uma repórter, conhecida por suas perguntas diretas, não perdeu a oportunidade.

— Gemini, Fourth, a química de vocês em Ticket to Heaven foi considerada a melhor da carreira de ambos. Muitos fãs dizem que os olhares de vocês fora das câmeras são ainda mais intensos. Existe algo que vocês queiram compartilhar com o público sobre o status da relação de vocês em 2026?

Fourth sentiu a palma das mãos suarem. Ele olhou para Gemini, esperando que ele desse a resposta padrão sobre serem "irmãos próximos". Mas Gemini apenas sorriu, um sorriso que não chegou a ser brincalhão, mas sim honesto.

— Sabe — começou Gemini, ajustando o microfone —, o Fourth disse uma vez, anos atrás, que o futuro era provável. E eu sempre fui uma pessoa que gosta de trabalhar com probabilidades altas.

A multidão delirou. Fourth sentiu o sangue subir para as bochechas, mas, em um ímpeto de coragem, deu um passo à frente, ficando ombro a ombro com Gemini.

— O que o Gemini quer dizer — Fourth interrompeu, ganhando um olhar surpreso do parceiro — é que não estamos mais tentando definir as coisas para os outros. Estamos apenas vivendo o que sentimos. E o que sentimos é muito forte para ser escondido por mais tempo.

Não era uma confirmação explícita de namoro, mas era o mais próximo que já tinham chegado disso. O resto da noite foi um borrão de fotos e sorrisos tímidos. Nos bastidores, longe das lentes, a tensão finalmente quebrou.

Eles estavam no camarim privativo, esperando o carro para levá-los para casa. Gemini encostou Fourth contra a porta fechada, as mãos espalmadas na madeira, cercando o menor.

— Você foi muito corajoso lá fora — Gemini sussurrou, o rosto a centímetros do de Fourth.

— Eu cansei de ter medo, Gem — Fourth respondeu, as mãos subindo para o peito do terno de Gemini. — Eu gosto de você. Gosto de verdade. E não quero mais ter que fingir que o meu lugar favorito no mundo não é do seu lado.

— Posso te beijar? — Gemini perguntou, a voz rouca. — Sem câmeras, sem roteiro, sem ninguém assistindo. Só eu e você.

Fourth não respondeu com palavras. Ele se inclinou, selando seus lábios nos de Gemini. Foi um beijo lento, carregado de anos de saudade reprimida, de amizade que floresceu em algo mais profundo e de uma promessa silenciosa de que, a partir dali, não haveria mais volta.

Quando se separaram, ambos estavam sem fôlego. Gemini encostou a testa na de Fourth, fechando os olhos.

— Feliz 2026, Fourth — ele brincou. — Acho que o futuro finalmente chegou.

— É — Fourth sorriu, sentindo-se mais leve do que nunca. — E ele é muito melhor do que eu imaginei.

Lá fora, a internet já estava em chamas com os vídeos da entrevista. "GeminiFourthIsReal" ocupava o primeiro lugar nos assuntos mundiais. Mas, dentro daquele camarim, eles eram apenas dois jovens que, após anos de espera, finalmente tinham encontrado o caminho de casa um no outro.

Mais tarde naquela noite, Fourth postou uma foto em seu Instagram. Era apenas uma imagem de duas sombras projetadas no chão, de mãos dadas, com a legenda simples: "Provável e real". Gemini comentou quase instantaneamente com um emoji de coração azul e outro de girassol.

O caminho à frente ainda teria desafios. Haveria contratos, opiniões divergentes e a pressão constante da mídia. Mas, enquanto caminhavam em direção ao carro de Gemini, Fourth sentiu a mão firme do outro segurando a sua. Ele sabia que, independentemente do que acontecesse, eles não precisariam mais enfrentar o mundo sozinhos. A linha tinha sido cruzada, e o que encontraram do outro lado era tudo o que sempre sonharam.

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