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Amor louco

Fandom: Coringa jared letto

Criado: 15/06/2026

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O Eco do Silêncio e o Peso de uma Herança

O salão de festas do Plaza Hotel brilhava sob a luz de candelabros de cristal, um cenário que exalava uma opulência que Karen conhecia bem. O tilintar de taças de champanhe e o murmúrio polido da elite de Nova York eram sons familiares, mas, naquela noite, tudo parecia amplificado e irritante. Karen, em seu vestido de seda esmeralda que contrastava perfeitamente com sua pele retinta e seus cachos meticulosamente arrumados, sentia que o mundo estava girando um pouco mais rápido do que o normal.

Ao seu lado, seu pai, o magnata dos carros esportivos, conversava animadamente com um senador. E, segurando sua cintura com uma posse elegante, estava Jared. Para o mundo, ele era Jared Letto, o herdeiro excêntrico, o playboy de sorriso cínico e ternos sob medida que gastava milhões em arte e festas. Mas Karen sentia, sob a palma da mão dele em suas costas, a tensão elétrica que pertencia ao Coringa.

— Você está deslumbrante, querida — sussurrou Jared perto de seu ouvido.

O hálito dele, geralmente embriagante com o cheiro de menta e um perfume importado caríssimo, atingiu o nariz de Karen como um soco. O estômago dela deu um solavanco violento. A fragrância que ela sempre amou agora parecia metálica, enjoativa, insuportável.

— Obrigada — respondeu ela, a voz saindo mais fraca do que pretendia.

— Você mal tocou no seu canapé de caviar — observou Jared, os olhos claros e gélidos analisando-a com uma precisão cirúrgica. — E está pálida. Bem, tão pálida quanto sua pele maravilhosa permite. O que houve?

— É apenas o cansaço do ensaio, Jared — mentiu ela, forçando um sorriso. — O Quebra-Nozes exige muito de mim.

Mas não era o balé. Karen sentia uma onda de calor subir pelo pescoço. O cheiro do perfume dele parecia preencher todos os seus pulmões, roubando seu oxigênio.

— Com licença — disse ela, soltando-se dele abruptamente. — Preciso de um pouco de ar.

Ela caminhou apressadamente em direção à varanda, mas não chegou a tempo. Antes de alcançar as portas de vidro, a visão de Karen escureceu nas bordas. O som da orquestra tornou-se um ruído indistinguível e o chão pareceu sumir sob seus pés de bailarina.

Jared foi mais rápido que qualquer um. Antes que o corpo de Karen atingisse o mármore, ele a amparou nos braços. O pânico silencioso que cruzou o rosto do "playboy" por um milésimo de segundo foi a única fresta por onde o Coringa espiou para fora.

— Karen! — o grito do pai dela ecoou, mas Jared já estava carregando-a para uma sala reservada, longe dos flashes e das fofocas.

Minutos depois, em uma suíte privada do hotel, Karen começou a recobrar os sentidos. O médico particular da família, que sempre acompanhava esses eventos de alto risco, estava guardando seu estetoscópio. Jared estava de pé junto à janela, de costas, as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria. A postura dele estava rígida demais, os ombros tensos como cordas de um violino prestes a arrebentar.

— Ela está bem? — perguntou o pai de Karen, ansioso.

— Pressão baixa e exaustão — explicou o médico, olhando de soslaio para Jared antes de se dirigir a Karen. — Mas, dada a natureza dos sintomas que você descreveu antes de desmaiar... o enjoo súbito com o perfume e a fadiga... eu tomei a liberdade de fazer um teste rápido de sangue com o kit de emergência.

Karen sentou-se na cama, sentindo a cabeça latejar.

— E então? — perguntou ela.

— Parabéns, Karen. Você está grávida de aproximadamente seis semanas.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. O pai de Karen soltou um suspiro de surpresa e alegria, começando a falar sobre netos e o futuro da empresa. Mas Karen não conseguia ouvir nada além das batidas de seu próprio coração. Seus olhos estavam fixos nas costas de Jared.

Ele não se moveu. Não disse uma palavra.

— Jared? — chamou ela, a voz trêmula.

Ele virou-se lentamente. O rosto de Jared era uma máscara de frieza absoluta, mas seus olhos... os olhos estavam em chamas. Havia um medo ali que Karen nunca tinha visto, nem mesmo quando estavam cercados pela polícia ou em meio ao caos das ruas de Gotham. Era o medo de algo que ele não podia controlar com uma arma ou uma piada cruel.

— Preciso resolver uns assuntos da empresa — disse ele, a voz tão desprovida de emoção que parecia vir de um estranho. — O motorista levará você para casa, Karen.

— Jared, espera... — ela tentou se levantar, mas ele já estava na porta.

— Fique descansando.

Ele saiu sem olhar para trás.

As próximas quarenta e oito horas foram um pesadelo de silêncio para Karen. Jared desapareceu. Ele não estava na cobertura luxuosa onde viviam como o casal perfeito da alta sociedade, e ele não estava no esconderijo nos subúrbios industriais onde o Rei de Gotham operava seus negócios sombrios.

Karen ligava, mas o celular dele caía na caixa postal. Ela perguntava aos capangas, mas eles apenas baixavam a cabeça, temendo pela própria vida. O Coringa estava "em transe", e ninguém queria estar por perto quando ele decidisse despertar.

Sozinha no quarto imenso, Karen acariciava o ventre ainda plano. Ela conhecia o homem com quem dividia a vida. Sabia que Jared Letto era a fachada e o Coringa era a essência, mas ambos compartilhavam uma coisa: a incapacidade de lidar com a vulnerabilidade. Um filho era o ápice da vulnerabilidade. Era um ponto fraco. Era algo que poderia ser usado contra ele, ou pior, algo que ele poderia destruir com sua própria loucura.

No segundo dia, o silêncio foi quebrado pelo som de algo quebrando no andar de baixo. Karen desceu as escadas correndo, o coração na boca.

A sala de estar estava um caos. Quadros caríssimos estavam rasgados, e uma garrafa de cristal de uísque jazia estraçalhada contra a lareira. Jared estava sentado no chão, no meio dos cacos, ainda vestindo a mesma camisa daquela noite, agora amassada e aberta no peito. O cabelo estava desgrenhado, e ele ria.

Não era a risada maníaca que ele usava para assustar seus inimigos. Era uma risada baixa, rouca e carregada de uma dor bizarra.

— Você voltou — sussurrou Karen, aproximando-se lentamente, como se estivesse lidando com um animal ferido.

— Eu tentei imaginar... — ele começou, sem olhar para ela. — Tentei imaginar um pequeno monstro com os meus olhos e o seu sorriso. E eu senti vontade de queimar o mundo inteiro só para garantir que nada encostasse nele.

Karen ajoelhou-se na frente dele, ignorando o perigo dos vidros quebrados.

— Isso é medo, Jared. É normal.

Ele finalmente olhou para ela. A maquiagem de palhaço não estava lá, mas a alma do Coringa estava presente em cada linha de seu rosto.

— Eu não sinto medo, Karen! — ele rosnou, agarrando os braços dela com força, mas não o suficiente para machucar. — Mas a ideia de ter algo que eu ame tanto a ponto de me tornar fraco... isso é um erro. Eu sou o caos. O caos não tem herdeiros. O caos não troca fraldas.

— Você não é apenas o caos — rebateu ela, sustentando o olhar dele. — Você é o homem que me salvou. O homem que me ama. Se você for embora agora, vai provar que é um covarde, e nós dois sabemos que você não é.

Jared soltou os braços dela e cobriu o rosto com as mãos, rindo novamente, dessa vez de forma mais aguda.

— Um pai... — ele murmurou por entre os dedos. — Imagine só, Karen. Ele vai ter o melhor guarda-roupa de Gotham e as armas mais letais.

— Ele vai ter amor, Jared. E vai ter a nós dois.

Ele se inclinou para frente, encostando a testa na dela. O cheiro de álcool e suor agora substituía o perfume caro, e estranhamente, Karen não sentiu enjoo. Ela sentiu que ele estava de volta.

— Dois dias, Karen — disse ele, a voz voltando ao tom perigosamente calmo. — Eu passei dois dias pensando em como fugir disso. Mas não há para onde ir onde eu não leve você comigo.

Ele deslizou a mão para o ventre dela, os dedos longos e adornados com anéis pressionando levemente a seda do pijama.

— Se ele se parecer com você, eu terei piedade do mundo — ele sorriu, um sorriso torto e genuinamente assustador. — Mas se se parecer comigo... Gotham vai precisar de um novo asilo.

Karen sorriu, sentindo as lágrimas de alívio rolarem. O caminho seria tortuoso, perigoso e banhado em sangue e loucura, mas ela sabia que, no fim das contas, o Coringa nunca deixaria sua rainha — ou seu príncipe — para trás.

— Agora — disse Jared, levantando-se e puxando-a consigo com uma agilidade surpreendente —, limpe esse rosto. Temos muito o que planejar. E, Karen?

— Sim?

— Se você voltar a desmaiar na frente daqueles idiotas da alta sociedade, eu vou ter que explodir aquele hotel. É péssimo para a minha reputação de homem de negócios.

Ela riu, sabendo que ele falava a verdade. O segredo deles agora tinha um novo capítulo, e o mundo não perdia por esperar pelo que estava por vir.

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