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O amor venenoso

Fandom: Original

Criado: 15/06/2026

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RomanceFatias de VidaFofuraHumorHistória DomésticaEstudo de PersonagemPWP (Enredo? Que enredo?)Linguagem Explícita
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Pixels e Batimentos Cardíacos

O quarto de Dante era um santuário de luzes neon e sombras projetadas. O brilho azul e roxo das fitas de LED presas atrás do monitor de trinta polegadas banhava o ambiente, criando uma atmosfera que parecia isolada do resto do mundo. Ali, entre o cheiro suave de café gelado e o som quase imperceptível das ventoinhas do computador de última geração, o silêncio era preenchido apenas pela respiração pesada de Amélia.

Amélia nunca se sentira tão exposta e, ao mesmo tempo, tão protegida. Seus dedos, pequenos e ligeiramente trêmulos, estavam mergulhados nos cabelos pretos e bagunçados de Dante. Ela sempre achara que ele parecia uma criatura de outro planeta quando estava jogando — focado, letal, com movimentos de dedos tão rápidos que os olhos dela mal conseguiam acompanhar. Mas ali, com ele a pressionando suavemente contra a cadeira gamer acolchoada, Dante era apenas calor e urgência.

Dante inclinou a cabeça, aprofundando o beijo. Ele tinha um jeito de segurar o rosto dela, com o polegar traçando a linha da mandíbula, que fazia Amélia esquecer que era a garota tímida que costumava se esconder atrás de livros na faculdade. Quando ele se afastou apenas alguns milímetros, seus lábios roçaram nos dela enquanto ele sorria — aquele sorriso sarcástico que ele usava para desarmar adversários, mas que agora era carregado de uma ternura inesperada.

— Você está tremendo — sussurrou ele, a voz rouca provocando arrepios na nuca de Amélia.

— É a adrenalina — mentiu ela, embora soubesse que ele via através de sua timidez.

Amélia separou os lábios, revelando o pequeno espaço entre os dentes da frente que ela passara a vida tentando esconder, mas que Dante parecia adorar traçar com o olhar. Ele riu baixo, um som vibrante que ecoou no peito dela.

— Achei que eu fosse o único viciado em adrenalina aqui — provocou Dante, aproximando-se para beijar a ponta do nariz dela, bem em cima das sardinhas que pontilhavam sua pele clara.

Antes que ela pudesse responder com alguma de suas réplicas ensaiadas, o som seco e rítmico de batidas na porta cortou o transe.

— Dante? Amélia? Eu sei que vocês estão aí dentro porque a luz do corredor tá acesa e o sapato da Amélia tá jogado na sala como se ela tivesse fugido de um incêndio! — A voz de Luna atravessou a madeira da porta com a energia de um furacão.

Amélia deu um pulo, quase derrubando Dante da cadeira. O rosto dela esquentou instantaneamente, atingindo um tom de vermelho que competia com as luzes do teclado mecânico.

— Meu Deus — murmurou Amélia, cobrindo o rosto com as mãos. — Ela vai entrar. Ela sempre entra.

Dante revirou os olhos, jogando a cabeça para trás com um suspiro dramático. Ele se levantou com a graça desleixada de quem tinha o corpo treinado para reflexos rápidos, ajustando a camiseta preta que estava levemente amarrotada.

— Luna, vai embora! — gritou ele, sem muita convicção. — Estamos no meio de uma... sessão de treino importante. Tacticals, sabe como é.

— Sei, sei — Luna respondeu do outro lado, e o som da maçaneta girando indicou que ela não aceitaria um "não" como resposta. — O único "tactical" que vocês estão fazendo envolve troca de saliva, e eu preciso de um favor urgente.

A porta se abriu e Luna entrou, iluminando o quarto com sua presença vibrante. Ela era o oposto da quietude de Amélia; loira, com um corpo cujas curvas eram acentuadas pelo vestido justo que usava, e uma expressão de quem era dona do mundo. Ela parou no meio do quarto, as mãos nos quadris, olhando de Dante para Amélia com um sorriso malicioso.

— Nossa, o clima aqui está tão denso que eu poderia cortar com uma faca de combate — comentou Luna, piscando para Amélia. — Amélia, querida, seu cabelo está parecendo um ninho de passarinho. Dante, você realmente não tem jeito nenhum com as mãos, não é?

— Meus dedos ganham campeonatos, Luna — retrucou Dante, recuperando sua máscara de sarcasmo habitual enquanto se encostava na mesa do computador. — O que você quer que seja tão importante a ponto de interromper minha vida social?

— Vida social? — Luna soltou uma risada curta. — Você não tem vida social, você tem a Amélia. E eu preciso que ela me ajude a escolher um look para a festa de hoje à noite. O pessoal da atlética vai estar lá, e eu me recuso a sair de casa parecendo uma camponesa.

Amélia, que ainda tentava ajeitar os fios pretos e ondulados com os dedos, olhou para a amiga com uma mistura de alívio e frustração.

— Luna, eu... eu não entendo nada de moda. Você sabe disso.

— Você entende de estética, Amé — corrigiu Luna, aproximando-se e puxando a amiga pela mão, forçando-a a se levantar. — E você tem bom gosto para homens, então seu critério para roupas deve ser minimamente aceitável.

Dante cruzou os braços, observando a cena. Seus olhos escuros encontraram os de Amélia por um breve segundo, e o brilho divertido neles dizia que aquela conversa ainda não tinha terminado.

— Ela não vai a lugar nenhum — disse Dante, embora o tom fosse de provocação, não de ordem. — Nós tínhamos planos.

— Planos de ficarem trancados nesse quarto escuro cheirando a eletrônicos? — Luna fez uma careta cômica. — De jeito nenhum. Amélia precisa de ar puro, de música alta e de ver gente que não seja um avatar de videogame.

— Eu estou bem aqui — defendeu-se Amélia em voz baixa, embora soubesse que discutir com Luna era como tentar parar uma avalanche.

— Viu? Ela está bem — Dante concordou, dando um passo à frente e colocando a mão no ombro de Amélia. O toque era possessivo de um jeito sutil. — Além disso, eu ia ensinar ela a jogar. Ela prometeu que ia tentar o tutorial hoje.

Luna soltou um grito de horror fingido.

— Ensinar a jogar? Dante, isso é tortura, não é um encontro! Amélia, não deixe esse nerd transformar você em uma versão feminina dele. Vamos, levanta. O gloss que eu comprei combina perfeitamente com o seu tom de pele.

Amélia olhou para Dante, buscando socorro, mas ele apenas deu de ombros, com um sorrisinho de lado.

— Vá com ela — disse ele, surpreendendo as duas. — Se eu tentar competir com a Luna quando ela quer fazer compras ou se produzir, eu perco por W.O.

Luna bateu palmas, vitoriosa.

— Viu? Até o mestre dos cliques sabe quando admitir a derrota.

— Mas — interrompeu Dante, segurando o olhar de Amélia — você me deve aquela partida. E o resto da conversa que a gente estava tendo antes de sermos invadidos pela Barbie da Shopee.

— Barbie da Shopee? — Luna fingiu ofensa, embora estivesse rindo. — Você vai pagar por isso, Dante. Vou levar a Amélia e só vou devolvê-la amanhã.

Amélia sentiu o coração acelerar novamente. Ela se aproximou de Dante enquanto Luna já começava a revirar as maquiagens em cima da cômoda, distraída.

— Desculpa — sussurrou Amélia para ele. — Ela é... intensa.

— Eu sei — respondeu Dante, baixando a voz para que apenas ela ouvisse. Ele se inclinou, aproximando o rosto do dela. — Mas a intensidade dela não chega nem perto da sua quando você esquece que é tímida.

Amélia sentiu o rosto queimar de novo. Dante esticou a mão e, com uma agilidade que lhe rendia milhares de seguidores nas plataformas de streaming, tocou levemente o lábio inferior dela, removendo um borrão imaginário.

— Vai lá — disse ele. — Antes que ela comece a jogar meu teclado pela janela para chamar atenção.

— Eu ouvi isso! — gritou Luna lá do canto.

Amélia sorriu, o espaço entre os dentes aparecendo de forma adorável. Ela pegou sua bolsa e seguiu Luna em direção à porta, mas parou no batente, olhando uma última vez para trás. Dante já estava sentado em sua cadeira, mas não estava olhando para os monitores. Ele a observava, com os braços cruzados e um olhar que prometia que a noite, apesar da interrupção, ainda estava longe de acabar.

— Amélia! — Luna chamou do corredor. — O brilho labial não vai se passar sozinho!

— Já vou! — respondeu Amélia, rindo pela primeira vez na noite.

Ao sair e fechar a porta, ela ainda conseguia sentir o formigamento nos lábios e a pressão das mãos de Dante em sua cintura. A timidez ainda estava lá, um manto familiar, mas algo no jeito que Dante a olhava — como se ela fosse o prêmio mais valioso de qualquer competição — a fazia querer, pela primeira vez, sair das sombras e ver o que o mundo, ou talvez apenas Dante, tinha a oferecer.

No quarto, Dante soltou um suspiro longo, olhando para a porta fechada. Ele se virou para o computador, o reflexo das luzes neon dançando em seus olhos pretos. Ele tentou focar no jogo, abriu a interface de treino, mas seus dedos, geralmente tão precisos, hesitaram sobre as teclas.

— É — murmurou ele para o quarto vazio —, acho que os Tacticals podem esperar.

Ele recostou-se na cadeira, um sorriso genuíno substituindo o sarcasmo de sempre. Amélia era um enigma que ele estava adorando desvendar, nível por nível, e nenhuma interrupção de Luna mudaria o fato de que, para Dante, o jogo mais importante agora acontecia fora das telas.
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