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Fandom: newhumm

Criado: 15/06/2026

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O Eco de um Beijo sob a Garoa de Londres

A chuva de Londres nunca foi apenas água caindo do céu cinzento; para Bella e Leo, era o cenário rítmico de uma vida inteira entrelaçada. Eles cresceram em casas geminadas em Richmond, onde os jardins se confundiam e as cercas eram apenas sugestões de limites que eles ignoravam desde os cinco anos de idade.

Leo sempre foi o protetor. Mesmo na infância, seus olhos verdes — profundos como florestas antigas — buscavam os de Bella para garantir que ela estivesse bem. Ela, com seu cabelo ruivo que parecia incendiar a névoa londrina e olhos azuis que refletiam o céu que a cidade raramente mostrava, era a sua bússola.

— Você acha que vamos ser amigos para sempre, Leo? — perguntou Bella aos dez anos, sentada no galho mais baixo da velha carvalho no quintal.

— Para sempre é pouco tempo, Bella — respondeu ele, já demonstrando a intensidade que definiria sua alma. — Eu vou cuidar de você até quando a gente for bem velhinho e não tiver mais dente na boca.

Bella riu, um som cristalino que ecoou pelos anos até a adolescência, quando as brincadeiras de pega-pega se transformaram em olhares prolongados e toques que queimavam a pele. A transição foi inevitável, como a mudança das estações. No baile de formatura do ensino médio, sob as luzes piscantes de um ginásio mal decorado, Leo a puxou para um canto escuro. Ele já estava mais alto, os ombros começando a se alargar, a promessa do homem musculoso que se tornaria.

— Eu não consigo mais fingir que você é só minha vizinha — sussurrou Leo, a voz rouca de desejo e medo.

— Então não finja — respondeu ela, puxando-o pela nuca.

Aquele primeiro beijo teve gosto de promessa e de perigo. Foi o início de uma era de ouro. Eles entraram na universidade — ele para a exaustiva rotina da Medicina, ela para a entrega poética das Letras. O amor deles era o tipo de lenda que os outros estudantes invejavam. Eles foram a "primeira vez" um do outro em uma noite chuvosa no dormitório de Leo, um encontro de corpos e almas tão intenso que ambos choraram depois, perdidos na magnitude do que sentiam.

— Eu sou seu, Bella. Cada fibra, cada batida desse coração — ele declarou, deitado sobre ela, os olhos verdes transbordando uma adoração quase religiosa.

— E eu sou sua, Leo. Para sempre — ela prometeu, sem saber que o "para sempre" começaria a cobrar seu preço.

Com o passar dos anos, a pressão da faculdade de medicina começou a esculpir um novo Leo. Ele ficou maior, mais forte, mas também mais sombrio. As tatuagens começaram a aparecer, cobrindo seus braços como se ele estivesse tentando escrever sua dor na própria pele. E veio o hábito de fumar — um cigarro atrás do outro nas varandas frias, tentando dissipar a ansiedade das cirurgias e dos estudos.

A intensidade que antes era apenas romântica começou a se tornar possessiva. O amor era tanto que sufocava.

— Onde você estava? — perguntou Leo, a voz carregada de uma tensão perigosa, quando Bella chegou ao apartamento deles em South Kensington, às duas da manhã.

— Eu estava na biblioteca, Leo! O sarau de poesia terminou tarde e depois saímos para um café — explicou ela, jogando a bolsa no sofá, o cansaço visível em seus olhos azuis agora turvos.

— Com quem? Com aquele monitor de literatura que não tira os olhos de você? — Ele se aproximou, o cheiro de tabaco e perfume caro emanando de sua pele. Ele era imenso, uma presença que preenchia todo o cômodo.

— Você está sendo ridículo — rebateu Bella, sentindo o peito apertar. — Eu amo você. Por que isso nunca é o suficiente para você se sentir seguro?

— Porque eu sei o que eu sinto, Bella! — gritou ele, socando a parede ao lado da porta. — Eu sinto que, se eu te perder, eu morro. E essa ideia me deixa louco!

A primeira grande ruptura aconteceu meses depois. Uma briga física de palavras cortantes que deixou cicatrizes invisíveis. Eles terminaram em meio a soluços e promessas de nunca mais se falarem.

Duas semanas depois, Bella estava em uma festa em um loft em Shoreditch. O som estava alto, as luzes neon cortavam o ar esfumaçado. Ela estava tentando esquecer a falta que o corpo de Leo fazia no lado dela da cama. Para se anestesiar, ela permitiu que um desconhecido a beijasse. Foi um beijo sem alma, mecânico.

De repente, a multidão se abriu. Leo estava lá. Ele parecia um deus caído, vestindo uma jaqueta de couro preta, um cigarro apagado entre os dedos, os olhos verdes faiscando de uma dor insuportável. Ele a viu. Viu o estranho com as mãos na cintura dela.

O mundo pareceu parar. Leo não avançou para brigar. Ele apenas deu um passo para trás, o rosto retorcido em uma agonia que fez o coração de Bella sangrar. Ele se virou e saiu para a noite londrina.

Minutos depois, Bella o encontrou no beco atrás do prédio, sob a garoa fina. Ele estava encostado em um muro de tijolos, fumando furiosamente, as mãos tremendo.

— Leo, por favor... — começou ela, as lágrimas se misturando à chuva.

— Eu vi, Bella — disse ele, a voz quebrada. — Eu vim aqui para te pedir perdão, para implorar para você voltar para casa... e eu vi você com ele.

— Foi um erro! Eu estava tentando não sentir sua falta! — ela gritou, aproximando-se e agarrando a frente da camisa dele. — Dói tanto, Leo. Amar você dói demais.

Ele jogou o cigarro no chão e a puxou para um abraço tão apertado que ela mal conseguia respirar. Ele a beijou com uma fúria desesperada, um beijo que punia e perdoava ao mesmo tempo. Era tóxico, era doentio, mas era a única coisa que os fazia sentir vivos.

— Eu te odeio por me fazer precisar tanto de você — sussurrou ele contra os lábios dela.

— E eu te odeio por ser o único que eu quero — respondeu ela.

Naquela noite, eles voltaram para o apartamento. O sexo foi uma batalha de reconciliação, carregado de uma intensidade que beirava o insuportável. Leo a possuía como se estivesse tentando marcar sua alma, suas mãos grandes e tatuadas mapeando cada curva do corpo ruivo dela, enquanto Bella cravava as unhas nas costas musculosas dele, implorando por mais, por tudo, pelo fim daquela agonia.

— Você é minha, ruiva — ele ofegava no ouvido dela, a voz uma vibração profunda. — Diga. Diga que você nunca vai ser de mais ninguém.

— Eu sou sua, Leo... sempre sua — ela gemia, perdida no turbilhão de sensações.

Mas a paz durou pouco. Na manhã seguinte, o peso da realidade voltou. As cobranças, o ciúme, a rotina extenuante dele no hospital e a sensibilidade aflorada dela criavam um coquetel explosivo.

Meses se passaram em um ciclo vicioso de êxtase e destruição. Eles eram como dois viciados na pior droga do mundo: um ao outro.

Certa noite, em um pub perto de Covent Garden, foi a vez de Bella ver Leo. Ele estava sentado no balcão, uma loira qualquer rindo de algo que ele dizia enquanto ele virava um copo de uísque. Ele não parecia feliz; parecia devastado, usando a outra mulher apenas como um curativo para uma ferida aberta.

Bella não suportou. Ela saiu do pub correndo, tropeçando nos próprios pés, sentindo que o ar de Londres estava subitamente escasso. Ela parou em uma ponte sobre o Tâmisa, observando as luzes da cidade refletidas na água escura.

— Bella! — a voz dele ecoou atrás dela.

Ela não se virou. Leo se aproximou, o passo pesado, o cheiro de álcool e fumaça o acompanhando.

— O que você quer, Leo? Volte para a sua amiga — disse ela, a voz fria como o gelo.

— Não existe "amiga", Bella. Existe apenas o vazio que você deixa quando a gente briga — ele disse, parando ao lado dela, os olhos verdes fixos no horizonte. — Eu tentei. Juro que tentei ficar com outras pessoas, para ver se esse fogo aqui dentro diminuía. Mas é como tentar apagar um incêndio com gasolina.

— A gente está se matando, você sabe disso — ela disse, finalmente olhando para ele. — Esse amor... ele é lindo, mas ele é uma doença.

Leo esticou a mão e tocou o rosto dela, o polegar acariciando a maçã do rosto.

— Então eu não quero a cura — ele sussurrou. — Eu prefiro morrer com você do que viver sem você.

Ele a puxou para mais um beijo, um beijo que carregava o peso de mil términos e mil voltas. Ali, no meio da ponte, sob o olhar indiferente de Londres, eles eram o centro de um universo caótico e doloroso.

Eles sabiam que voltariam para casa. Sabiam que fariam amor até o amanhecer. E sabiam que, em poucos dias ou semanas, estariam gritando um com o outro novamente, lançando palavras como granadas, apenas para se buscarem nos escombros logo depois.

Porque para Leo e Bella, o amor não era um porto seguro. Era um naufrágio constante, e nenhum dos dois estava disposto a ser resgatado.
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